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Aquilomba CAPX: grupo de cultura afro-brasileira no contexto do CAPSAD III

Mayra Brandão Bandeira

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O presente trabalho analisa a consolidação de um grupo de cultura afro-brasileira em um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPSad III) na Zona Norte do Rio de Janeiro. Trata-se do Aquilomba CAPX, vinculado ao CAPSad III Paulo da Portela, que se constitui por meio da participação integrada entre usuários e trabalhadores, configurando-se como espaço coletivo de cuidado, trocas culturais e fortalecimento de vínculos.
A criação do grupo e a escolha de seu nome deram-se de forma coletiva, em roda de conversa com os usuários. O termo “Aquilomba” remete aos quilombos, compreendidos como espaços históricos de resistência da população negra frente à violência escravista, organizados por meio de redes de solidariedade e coesão social (referência). Os participantes associam esse significado ao CAPS, entendido como território de resistência frente ao uso prejudicial de substâncias, favorecendo o cuidado coletivo e estratégias de Redução de Danos.
O termo “CAPX” ressignifica “CAPS”, substituindo o “S” por “X” em referência a Malcolm X, simbolizando o enfrentamento crítico e incisivo ao racismo. O grupo realiza encontros quinzenais, promovendo discussões sobre negritude, cultura afro-brasileira, saberes ancestrais e construção de novas possibilidades de existência.
Organizado de maneira aberta, acolhe diferentes pertencimentos raciais e promove reflexões críticas sobre privilégios e práticas antirracistas. Em articulação com grupos e equipamentos da comunidade negra do território, como Quilombo Agbara Dudu e Jongo da Serrinha, o grupo amplia suas ações além do serviço, fortalecendo redes comunitárias de cuidado.
Ao resgatar saberes ancestrais por meio da oralidade, reconhece-os como tecnologias de cuidado em saúde mental. Assim, o Aquilomba CAPX configura-se como dispositivo de cuidado que articula cultura, saúde mental, Redução de Danos e ancestralidade, contribuindo para práticas antirracistas e para a promoção de um cuidado integral à população negra.
O grupo Aquilomba CAPX configura-se como um dispositivo de cuidado coletivo que integra saúde mental, cultura afro-brasileira e a estratégia de Redução de Danos. Sua metodologia de construção, que engloba ativamente usuários e trabalhadores, é fundamental para o fortalecimento de vínculos e a expansão da participação no processo terapêutico.
Dentro dessa dinâmica, os participantes enxergam o CAPS como um território de resistência, estabelecendo uma analogia simbólica com os quilombos. Essa perspectiva permite ao grupo atuar na ressignificação do uso prejudicial de substâncias, visto como um aprisionamento, ao mesmo tempo em que desenvolve estratégias de enfrentamento apoiadas no cuidado coletivo.
As atividades desenvolvidas como rodas de conversa, oficinas e intervenções culturais, favorecem o resgate de saberes ancestrais, a valorização da identidade negra e a construção de novas possibilidades de existência. Tais práticas tensionam a desvalorização histórica da cultura afro-brasileira, frequentemente subordinada a referenciais eurocêntricos.
Além disso, o caráter aberto do grupo permite a participação de pessoas de diferentes pertencimentos raciais, estimulando reflexões sobre privilégios e implicação nas relações étnico-raciais. Esse aspecto contribui para a construção de práticas antirracistas no cotidiano do serviço.
Um resultado notável do grupo foi a ampliação das parcerias e articulações com outros equipamentos do território, superando o escopo tradicional do setor da saúde.
Assim, o Aquilomba CAPX opera como dispositivo de cuidado que produz deslocamentos no campo da saúde mental, ao integrar dimensões culturais, políticas e subjetivas no processo terapêutico.

No contexto dos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), observa-se que as práticas de cuidado em saúde mental ainda são, em grande parte, orientadas por referenciais eurocentrados, que nem sempre contemplam as especificidades culturais, históricas e sociais da população negra. Essa lacuna contribui para a invisibilização dos impactos do racismo estrutural no sofrimento psíquico e no uso de substâncias, além de dificultar a construção de estratégias de cuidado que dialoguem com as experiências e identidades desses sujeitos, importante frisar que os corpos que frequentam este dispositivo são majoritariamente negros. Diante disso, identifica-se a necessidade de implementação de um grupo de cultura afro-brasileira como dispositivo de cuidado no CAPS AD, capaz de promover reconhecimento, pertencimento e valorização da identidade negra, ao mesmo tempo em que fortalece vínculos, potencializa saberes ancestrais e amplia as possibilidades de cuidado em saúde mental a partir de uma perspectiva antirracista e culturalmente sensível.

Aquilomba CAPX integra saúde mental, cultura afro e Redução de Danos, fortalecendo vínculos, identidade negra e práticas antirracistas no cuidado coletivo.

Aquilomba CAPX mostra que cultura afro-brasileira fortalecem o cuidado em saúde mental, promovendo equidade, identidade e redução de danos.

autor Principal

Mayra Brandão Bandeira

mayrabrandaotcc@gmail.com

Terapeuta Ocupacional

Coautores

Tatiane Guimarães Amparo, Daiana Pereira da Cruz Alves, Victoria Elisa Barbosa da Silva, Caia Niara Felipe, Isabela Milena Godoi, Mayara Gouvêa Cordeiro

A prática foi aplicada em

Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Rua Pirapora, 69 - Turiaçú, Rio de Janeiro - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Mayra Brandão Bandeira

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26 mar 2026

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26 mar 2026

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Condição da prática

Concluída

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