Otimização de fluxos e qualificação do acesso: uma experiência de integração entre regulação e atenção primária

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Valeria Cristina da Costa Silva

Valeria Cristina da costa silva

valeria cristina da costa silva

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O município de Piraí, situado na região do Médio Paraíba, no sul do estado do Rio de Janeiro, com uma população aproximada de 30 mil habitantes, apresenta características de município de pequeno porte, com dinâmica territorial que integra áreas urbanas e rurais. Tendo como base econômica as atividades industriais, e pela administração pública. No âmbito da saúde, o município estrutura sua rede de atenção conforme os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), tendo a Atenção Primária à Saúde como eixo central na organização do cuidado, responsável pela coordenação das ações e pelo encaminhamento adequado dos usuários aos demais níveis de atenção, o que favorece ações integradas em saúde.
Considerando que o Setor de Regulação, Controle e Avaliação em saúde constitui um dos eixos estratégicos da gestão do SUS, responsável por organizar o acesso da população aos serviços em diferentes níveis de atenção, garantindo a efetividade da rede assistencial. No município de Piraí, a integração entre a regulação e a Atenção Primária à Saúde (APS) tem se mostrado essencial para reduzir desigualdades no acesso, otimizar recursos disponíveis e melhorar a resposta às necessidades da população. Na perspectiva do SUS, a Atenção Primária à Saúde (APS) é a porta de entrada preferencial e ordenadora da rede assistencial, que recebe as demandas e encaminha para a o setor de regulação. A partir da análise do cenário local, foram identificados desafios relevantes, os quais evidenciaram a necessidade de reavaliar o processo de trabalho vigente e adotar estratégias que promovam sua qualificação e aprimoramento contínuo.
Os problemas identificados despontaram através de discussões entre as coordenações da APS e regulação, a partir do diagnóstico de: ausência de articulação entre os setores resultando em fragmentação do cuidado; alta demanda reprimida de algumas especialidades e exames; deficiência na qualificação dos profissionais da APS quanto ao processo de trabalho de regulação; ausência de alguns protocolos e fluxos para encaminhamento, e ausência de ações de educação permanente para os profissionais envolvidos no processo de regulação nas unidades de saúde.
Estas reuniões que acontecem na Secretaria de Saúde configuram-se como espaços de educação permanente, pactuação de fluxos, monitoramento e otimização do agendamento da demanda reprimida. Essas práticas reforçam o papel da Atenção Primária como ordenadora do cuidado e da regulação como instrumento de garantia da equidade no acesso.
Nesse contexto, o compartilhamento de informações, a discussão de casos e a padronização de condutas contribuem para o aprimoramento dos processos de trabalho, fortalecendo a comunicação entre as equipes e promovendo maior integração da rede de atenção à saúde.
OBJETIVO GERAL
Fortalecer o Setor de Regulação, Controle e Avaliação e APS do Município de Piraí-RJ por meio da realização de reuniões periódicas junto à Atenção Primária em Saúde, visando o conhecimento do processo de trabalho, melhoria da organização do acesso e a redução das demandas reprimidas.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1. Esclarecer e alinhar o processo de trabalho da regulação, controle e avaliação junto às equipes da Atenção Primária à Saúde.
2. Identificar, avaliar e diminuir a demanda reprimida das Unidades de Saúde da Família.
3. Promover a integração entre a equipe do Setor de Regulação, Controle e Avaliação e Atenção Primária à Saúde.
4. Qualificar o cuidado e gestão do processo na rede de serviço de saúde municipal.
5. Estimular práticas de educação permanente no âmbito da gestão e assistência.
6. Elaborar protocolos e fluxos para organizar e atender adequadamente a demanda.
METODOLOGIA
Trata-se de um relato de experiência sobre encontros idealizados entre os Setores de Regulação, Controle e Avaliação e a Atenção Primária à Saúde do Município de Piraí -RJ, compreendendo o período entre Maio de 2025 a Fevereiro de 2026. Estes encontros acontecem mensalmente, individualizado por unidade, no auditório da Secretaria Municipal de Saúde sistematicamente, com previsão de manutenção nos próximos anos, devido aos bons resultados obtidos, e considerando que se trata de um processo de trabalho continuo. São encontros previamente agendados, levando em consideração a agenda dos profissionais envolvidos, realizados entre profissionais das Unidades de Saúde da Família e representante da equipe da Coordenação da APS, e técnicos representantes do Setor de Regulação.
Dentre os profissionais das Unidades de Saúde da Família, participa: médico, gerente da unidade, técnico da regulação local e recepcionista. Para avaliação da demanda reprimida das Unidades de Saúde utiliza-se planilhas como instrumento para visualização e avaliação, que é mensalmente alimentada pela equipe e enviada para a coordenação da APS, que consolida os dados em um único instrumento. Esta planilha, denominada “Demanda Reprimida” traz coluna que identifica cada unidade de saúde; e linhas com a descrição de todas as especialidades e exames realizados na rede de atenção à saúde do município, por local de serviço prestado, com a informação se são regulados ou não pelo SISREG.
Identifica-se também o números de atendimentos aguardando autorização para agendamento e reprimido na unidade de saúde, informado nas respectivas especialidades registradas nas linhas da planilha, desta forma verifica-se a demanda de cada unidade de saúde do Município, e a partir daí discuti-se ações a serem implementadas.
Também ocorre sistematicamente encontros com a participação somente dos gestores do Setor de Regulação, Controle e Avaliação, e da APS, que integrados avaliam as reuniões ocorridas entre os setores de saúde, e diagnosticam e planejam estratégias macros para qualificar o processo de trabalho, melhorar a organização do acesso e a redução das demandas reprimidas.
Tendo em vista que, no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a Atenção Primária à Saúde é reconhecida como o principal acesso dos usuários e responsável pela organização do fluxo assistencial, o aprimoramento da regulação deve focar em ações que elevem a qualidade do cuidado nesse nível. Dessa forma, torna-se essencial assegurar a continuidade do acompanhamento dos pacientes, fortalecer a capacidade de resposta das equipes de Saúde da Família e garantir a integração adequada com os demais serviços que compõem a Rede de Atenção à Saúde.
O fortalecimento do setor de regulação em saúde no Município de Piraí – RJ, junto a Atenção Primária é um passo essencial para garantir maior eficiência, transparência e integralidade no cuidado à população. A regulação, enquanto ferramenta estratégica de gestão, permite organizar os fluxos assistenciais, otimizar os recursos disponíveis e assegurar o acesso equitativo aos serviços de saúde, com foco especial na Atenção Primária.
As reuniões tiveram como foco:
• Apresentação e discussão dos fluxos regulatórios;
• Análise de indicadores e levantamento da demanda reprimida;
• Pactuação de estratégias para qualificação do acesso;
• Esclarecimentos de dúvidas operacionais sobre o sistema de regulação;
• Otimização das vagas para agendamento.
Os dados e as pactuações foram registrados em atas e utilizados como subsídio para ajustes no processo de trabalho.

Os problemas identificados despontaram através de discussões entre as coordenações da APS e regulação, a partir do diagnóstico de: ausência de articulação entre os setores resultando em fragmentação do cuidado; alta demanda reprimida de algumas especialidades e exames; deficiência na qualificação dos profissionais da APS quanto ao processo de trabalho de regulação; ausência de alguns protocolos e fluxos para encaminhamento, e ausência de ações de educação permanente para os profissionais envolvidos no processo de regulação nas unidades de saúde.

As reuniões possibilitaram:
• Maior clareza das equipes da Atenção Primária quanto ao processo regulatório;
• Identificação individualizada, precoce e sistematizada da demanda reprimida;
• Diagnóstico por unidade de saúde e global para elaboração de estratégias de encaminhamentos mais ágeis e organizados, no âmbito local e municipal;
• Foram realizadas 11 (onze) reuniões de Maio de 2025 a Fevereiro de 2026, com participação de 68 (sessenta e oito) profissionais. Sendo um ciclo com todas as equipes da APS e iniciado o segundo;
• Aumento da integração entre o setor de regulação e equipes da APS;
• Fortalecimento da Atenção Primária como ordenadora do cuidado;
• Atualização do protocolo clínico de tuberculose, neurologia e hipertensão para APS;
• Elaboração e capacitação dos protocolos de: Tratamento de Asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), Ginecologia e Dermatologia na APS, com apoio dos especialistas da rede de serviço de saúde do município;
• Inserção das especialidades de ginecologia, dermatologia, e cardiologia no sistema de regulação (SISREG) para regulação médica. Sendo a dermatologia regulada por médico de família especialista em dermatologia, e ginecologia por especialista da Equipe Multiprofissional (EMULTI);
• Implantação da telemedicina para especialidades de difícil acesso (sem êxito na contratação): neuropediatra e neuropsiquiatria;
• Ampliação de oferta de vagas para exames, como: endoscopia, colonoscopia, histeroscopia diagnóstica e cirúrgica, ultrassonografia de mama e abdome total, audiometria;
• Inserção das especialidades não reguladas em fila de espera no SISREG, para informatização do processo regulatório;
• Adequação da planilha de demanda reprimida, para facilitar o entendimento dos profissionais e processo de avaliação da gestão;
• Estruturação do setor de regulação nas unidades, com redimensionamento de pessoal e estrutura tecnológica;
• Discussão sistematizada de casos e condutas entre médicos da Estratégia de Saúde da Família, cardiologista da rede municipal de saúde e médica reguladora;
• Ampliação de acesso com equidade, remanejamento de cotas entre unidades;
• Redução do número de demanda reprimida nas especialidades e exames a seguir:

Cardiologia: Maio de 2025: total de 328 demandas – Fevereiro de 2026: Total de 82 demandas
Dermatologia: Maio de 2025: total de 863 demandas – Fevereiro de 2026: Total de 366 demandas
Ginecologia: Maio de 2025: total de 323 demandas – Fevereiro de 2026: Total de 61 demandas
Pneumologia: Maio de 2025: total de 298 demandas – Fevereiro de 2026: Total de 50 demandas
Ginecologia cirúrgica: Maio de 2025: total de 225 demandas – Fevereiro de 2026: Total de 42 demandas
Dermatologia cirúrgica: Maio de 2025: total de 115 demandas – Fevereiro de 2026: Total de 42 demandas
Neuropediatra: Maio de 2025: total de 186 demandas – Fevereiro de 2026: Total de 31 demandas
Otorrinolaringologista: Maio de 2025: total de 285 demandas – Fevereiro de 2026: Total de 35 demandas
Neurologista: Maio de 2025: total de 186 demandas – Fevereiro de 2026: Total de 35 demandas
Histeroscopia: Maio de 2025: total de 179 demandas – Fevereiro de 2026: Total de 10 demandas
Endoscopia: Maio de 2025: total de 323 demandas – Fevereiro de 2026: Total de 03 demandas
Ultrassonografia de mama: Maio de 2025: total de 701 demandas – Fevereiro de 2026: Total de 41 demandas
• Observou-se ainda maior resolutividade local, com redução de encaminhamentos desnecessários para a média complexidade, melhora na comunicação e relação entre coordenadores e equipes da regulação e APS.

O fortalecimento da regulação aliado à Atenção Primária representa uma prática alinhada aos princípios e diretrizes do SUS. A universalidade se reflete na garantia de acesso para toda a população, a integralidade na organização do cuidado em rede e a equidade na priorização de casos conforme necessidades de saúde.
A realização das reuniões periódicas configura uma prática simples de gestão participativa e de educação permanente, que contribui para superar desafios históricos da regulação, como filas ocultas e dificuldades de comunicação entre níveis de atenção. Estes encontros apontam que experiências de aproximação entre regulação e Atenção Primária tendem a reduzir a demanda reprimida e qualificar o processo de trabalho, fortalecendo a rede de atenção à saúde. E pode ser facilmente aplicável, visto não requerer diretamente recursos financeiros e utilizar recursos já existentes.

autor Principal

Valeria Cristina da Costa Silva

enfer.tininha@gmail.com

enfermeira

Coautores

Autora: Valéria Cristina da Costa Silva, Coautora: Rizzieri Masaque e Silva

A prática foi aplicada em

Piraí

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Rua Moacir Barbosa, 73 - Centro, Piraí - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

valeria cristina da costa silva

Conta vinculada

26 mar 2026

CADASTRO

26 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

08 maio 2025

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

Arquivos