favor seguir as recomendações abaixo:
No município de Mendes (RJ), a gestão municipal vem estruturando suas ações a partir do fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS) como coordenadora do cuidado e eixo organizador do modelo assistencial. Orientado pela análise territorial e pela integração entre vigilância e assistência, o município consolidou estratégia baseada na governança territorial, permitindo respostas sanitárias alinhadas às necessidades reais da população.
A experiência APS Forte surgiu diante do aumento simultâneo de casos suspeitos de dengue, covid-19 e influenza, cenário que evidenciou limites do modelo assistencial historicamente centrado no hospital. A elevada procura pela emergência municipal, inclusive por casos leves e moderados, demonstrava fragilidade na coordenação do cuidado e ausência de acompanhamento territorial sistemático.
Como resposta, foi instituída a Sala de Situação de Agravos, espaço permanente de governança territorial reunindo Vigilância Epidemiológica, Atenção Primária à Saúde, Controle de Arboviroses, Assistência Farmacêutica, TFD/Logística, Hospital Municipal, Planejamento e Gabinete da Secretaria de Saúde. A integração entre setores permitiu análise contínua de dados epidemiológicos e assistenciais, qualificando a tomada de decisão e reorganizando o cuidado a partir do território.
As Unidades Básicas de Saúde passaram a atuar como dispositivos clínicos resolutivos, assumindo não apenas a porta de entrada, mas também o manejo e o acompanhamento sistemático dos usuários. As equipes realizaram avaliação clínica, coleta de sorologias para dengue, covid-19 e influenza, swab nasal e monitoramento seriado de hemograma completo e plaquetas nos casos suspeitos e confirmados de dengue.
Para ampliar a resolutividade da APS, profissionais de enfermagem receberam treinamento técnico para punção venosa, hidratação venosa e coleta adequada de amostras laboratoriais, fortalecendo competências clínicas e reduzindo riscos relacionados à imperícia. Todas as UBSs foram abastecidas com medicamentos e insumos estratégicos para atendimento inicial de agravamentos, incluindo antieméticos, analgésicos, antipiréticos, anti-hipertensivos, glicose hipertônica, adrenalina e hidrocortisona, além de materiais para suporte ventilatório e hidratação venosa. Quatro unidades passaram a contar com salas estruturadas de hidratação.
O acompanhamento territorial foi intensificado por meio de visitas domiciliares periódicas realizadas por Agentes Comunitários de Saúde, técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos, garantindo monitoramento contínuo, identificação precoce de sinais de gravidade e intervenção oportuna.
Mais do que reorganizar fluxos assistenciais durante um período epidêmico, a experiência produziu mudança estrutural no modelo assistencial municipal, reposicionando a APS como espaço clínico resolutivo e seguro. A incorporação do manejo clínico territorial, do monitoramento contínuo e da tomada de decisão baseada em dados consolidou nova lógica de coordenação do cuidado, na qual o hospital deixa de ser o centro exclusivo da resposta sanitária e a Atenção Primária assume papel estratégico permanente na proteção da vida e na organização do SUS local.
O aumento dos agravos epidêmicos revelou padrão assistencial centrado na busca direta pelo hospital, gerando sobrecarga da emergência e fragmentação do cuidado. A ausência de governança territorial integrada entre vigilância e assistência dificultava o acompanhamento longitudinal e ampliava riscos de agravamento evitável.
A gestão municipal identificou a oportunidade de fortalecer a coordenação do cuidado pela APS, ampliando sua capacidade clínica e organizacional para responder de forma territorializada às demandas sanitárias. Tornou-se necessário transformar a Atenção Primária em espaço efetivamente resolutivo, capaz de monitorar, manejar e acompanhar os casos no território, reduzindo vazios assistenciais e reorganizando o modelo assistencial municipal.
A implantação da estratégia APS Forte consolidou a governança territorial como eixo da resposta sanitária municipal. As UBSs passaram a desempenhar papel ativo na coordenação do cuidado, realizando manejo clínico, hidratação venosa, monitoramento laboratorial e acompanhamento domiciliar sistemático.
Observou-se redução significativa da demanda espontânea na emergência hospitalar, permitindo que o hospital municipal se concentrasse nos casos de maior gravidade. A APS ampliou sua resolutividade clínica, fortalecendo o vínculo com usuários e aumentando a confiança da população no cuidado territorial.
A integração entre vigilância e assistência qualificou o monitoramento epidemiológico e permitiu decisões baseadas em evidências, otimizando recursos públicos e ampliando a segurança assistencial. A experiência demonstrou que a reorganização do modelo assistencial a partir da coordenação do cuidado pela APS pode produzir respostas eficazes mesmo em municípios de pequeno porte, sem necessidade de expansão hospitalar.
Municípios que enfrentam cenários epidêmicos devem investir no fortalecimento da governança territorial, estruturando espaços permanentes de integração entre vigilância, assistência e gestão estratégica. A qualificação clínica das equipes da APS, associada ao abastecimento programado de insumos e à ampliação da capacidade de manejo nas UBSs, aumenta a resolutividade e reduz encaminhamentos hospitalares evitáveis.
A experiência evidencia que práticas exitosas não dependem exclusivamente da criação de novos serviços, mas da reorganização do modelo assistencial com base na coordenação do cuidado pela Atenção Primária à Saúde. O uso sistemático de análise territorial, educação permanente e acompanhamento domiciliar fortalece redes de cuidado mais seguras, humanas e sustentáveis, configurando estratégia replicável para diferentes realidades do SUS.
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