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Rompendo barreiras de acesso: a potência do consultório odontológico portátil no SUS

Patricia Heras Vinas / Katlin Darlen Maia/ Keith Bullia da Fonseca Simas/ Sheyla Maria Almeida Herrera Freire/ Cristina Tavares dos Santos/ Brunna Gomes Velloso de Araujo/ Lucas Abreu de Jesus Rito / Flavio Veiga do Pilar Cobra / Jaciana Cristina Abranches da Silva Rossini /

saude bucal carioca

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Patricia Heras Viñas

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A garantia do acesso universal e equânime às ações de saúde bucal ainda representa um desafio no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente em territórios marcados por vulnerabilidades sociais, barreiras geográficas e limitações estruturais dos serviços (FRAZÃO.,2009; RABELLO et al., 2021; RAFAEL et al., 2024). Nesse contexto, a utilização do consultório odontológico portáteis (COP) emerge como uma estratégia para superar tais entraves, permitindo a oferta de cuidado em espaços não convencionais e mais próximos da população.
A experiência foi desenvolvida no município do Rio de Janeiro, com início em 2025, tendo como público-alvo pessoas que possuem dificuldade de acesso a unidade, incluindo instituições e equipamentos sociais como, escolas, Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) e abrigos municipais, locais com barreiras físicas de acesso, bem como no acolhimento e cuidado a pessoas acamadas, com deficiência ou mobilidade reduzida, integrando-se às equipes de atenção domiciliar (PADI/Rio).
A utilização do COP também favorece a integração com outras políticas públicas, como o Programa Saúde na Escola (PSE), ações intersetoriais e estratégias de cuidado em território, fortalecendo o vínculo entre equipe de saúde e comunidade. Essa aproximação contribui para o reconhecimento das necessidades locais e para a construção de práticas mais resolutivas e contextualizadas.
A escolha pelo COP e não pela aquisição de unidade odontológica móvel (UOM) justifica-se por sua maior flexibilidade, menor custo e melhor adaptação às realidades territoriais, bem como na garantia de acessibilidade, considerando as necessidades de cuidado em saúde bucal de pessoas acamadas e com dificuldades de locomoção.
A aquisição dos consultórios portáteis foi viabilizada por meio de recurso orçamentário oriundo de emenda parlamentar, em conformidade com os trâmites legais e o devido processo licitatório. A partir da elaboração de um termo de referência pela Coordenação de Saúde Bucal da SMS-RJ, foi possível a compra de 52 unidades de consultórios portáteis, posteriormente distribuídas entre as dez Áreas de Planejamento em Saúde do município, considerando as especificidades e necessidades de cada território.
Com o objetivo de orientar e qualificar o uso dos equipamentos odontológicos portáteis , foi elaborada e divulgada uma Nota Técnica direcionada às equipes de Saúde Bucal (eSB), estabelecendo diretrizes para sua utilização de forma segura, organizada e integrada ao processo de trabalho. O documento aborda critérios para indicação de uso, planejamento das ações no território e recomendações de biossegurança, além de reforçar a importância da avaliação prévia dos locais de atendimento e da articulação com as demais estratégias da APS e checklist de verificação operacional para saída a campo.

A motivação para o desenvolvimento desta experiência decorreu da necessidade de fortalecer os princípios da universalidade, equidade e integralidade do SUS, ampliando o acesso aos serviços de saúde bucal de forma humanizada e resolutiva no cenário extramuros.
Objetivo Geral:
Ampliar o acesso às ações de saúde bucal por meio da utilização do consultório odontológico portátil, garantindo cuidado integral e humanizado no âmbito do SUS.
Objetivos Específicos:
Levar ações de promoção, prevenção e tratamento em saúde bucal a territórios com acesso limitado aos serviços tradicionais;
Reduzir iniquidades no acesso ao cuidado em saúde bucal;
Fortalecer práticas de cuidado humanizado, considerando as singularidades dos sujeitos e territórios;
Integrar as ações de saúde bucal às demais estratégias da Atenção Primária à Saúde e ações intersetoriais;
Ampliar a resolutividade das equipes de saúde bucal em contextos extramuros.

A utilização do consultório portátil possibilitou a ampliação do acesso aos serviços de saúde bucal em territórios anteriormente desassistidos ou com acesso restrito, promovendo maior aproximação entre as equipes de saúde e a população.
Observou-se aumento da adesão às ações de saúde bucal, fortalecimento do vínculo entre profissionais e usuários, além da identificação precoce de agravos e encaminhamento oportuno para continuidade do cuidado na rede de atenção à saúde bucal quando necessário.
A estratégia contribuiu para a redução de barreiras de acesso, especialmente para indivíduos com dificuldade de locomoção, e favoreceu a integração das ações de saúde bucal com outras práticas de cuidado no território.

A experiência demonstra que o uso do consultório odontológico portátil é uma estratégia eficaz para a ampliação do acesso e para a consolidação dos princípios do SUS, especialmente no que se refere à universalidade, equidade, integralidade e humanização.
Além de possibilitar o alcance de populações vulnerabilizadas, a iniciativa fortalece o cuidado humanizado e centrado no usuário, promovendo maior vínculo e responsabilização das equipes.
Como limitador da estratégia, é importante destacar a dificuldade de monitoramento quantitativo da utilização do mesmo, considerando que no sistema de informação de atenção Primária (SISAB) é possível identificar o local da ação e o procedimento realizado, porém não é possível ter certeza se a ação realizada necessitava ou não do uso do equipamento portátil.
Sugere-se a customização do sistema de informação para registro adequado capaz de identificar o uso do equipamento utilizado, favorecendo o monitoramento eficiente e avaliação oportuna da estratégia.
A partir do relato apresentado , esta coordenação recomenda a incorporação e ampliação dessa estratégia no âmbito da Atenção Primária, com adequado planejamento, garantia de condições estruturais e fortalecimento das ações intersetoriais, visando à qualificação contínua do cuidado em saúde bucal.

autor Principal

Patricia Heras Vinas / Katlin Darlen Maia/ Keith Bullia da Fonseca Simas/ Sheyla Maria Almeida Herrera Freire/ Cristina Tavares dos Santos/ Brunna Gomes Velloso de Araujo/ Lucas Abreu de Jesus Rito / Flavio Veiga do Pilar Cobra / Jaciana Cristina Abranches da Silva Rossini /

patriciaherasvinas@gmail.com

Coordenadora de Saude Bucal SMS-RJ

Coautores

Patricia heras Viñas, Katlin Darlen Maia, Keith Bullia Da Fonseca Simas, Flavio Veiga do Pilar Cobra, Sheyla Maria Almeida Herrera Freire, Brunna Gomes Velloso de Araújo, Lucas Abreu de Jesus Rito, Cristina Tavares dos Santos, Jaciana Cristina Abranches da Silva

A prática foi aplicada em

Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro - Rua Afonso Cavalcanti - Cidade Nova, Rio de Janeiro - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Patricia Heras Viñas

Conta vinculada

26 mar 2026

CADASTRO

02 abr 2026

ATUALIZAÇÃO

15 nov 2025

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

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