favor seguir as recomendações abaixo:
A garantia do acesso universal e equânime às ações de saúde bucal ainda representa um desafio no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente em territórios marcados por vulnerabilidades sociais, barreiras geográficas e limitações estruturais dos serviços (FRAZÃO.,2009; RABELLO et al., 2021; RAFAEL et al., 2024). Nesse contexto, a utilização do consultório odontológico portáteis (COP) emerge como uma estratégia para superar tais entraves, permitindo a oferta de cuidado em espaços não convencionais e mais próximos da população.
A experiência foi desenvolvida no município do Rio de Janeiro, com início em 2025, tendo como público-alvo pessoas que possuem dificuldade de acesso a unidade, incluindo instituições e equipamentos sociais como, escolas, Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) e abrigos municipais, locais com barreiras físicas de acesso, bem como no acolhimento e cuidado a pessoas acamadas, com deficiência ou mobilidade reduzida, integrando-se às equipes de atenção domiciliar (PADI/Rio).
A utilização do COP também favorece a integração com outras políticas públicas, como o Programa Saúde na Escola (PSE), ações intersetoriais e estratégias de cuidado em território, fortalecendo o vínculo entre equipe de saúde e comunidade. Essa aproximação contribui para o reconhecimento das necessidades locais e para a construção de práticas mais resolutivas e contextualizadas.
A escolha pelo COP e não pela aquisição de unidade odontológica móvel (UOM) justifica-se por sua maior flexibilidade, menor custo e melhor adaptação às realidades territoriais, bem como na garantia de acessibilidade, considerando as necessidades de cuidado em saúde bucal de pessoas acamadas e com dificuldades de locomoção.
A aquisição dos consultórios portáteis foi viabilizada por meio de recurso orçamentário oriundo de emenda parlamentar, em conformidade com os trâmites legais e o devido processo licitatório. A partir da elaboração de um termo de referência pela Coordenação de Saúde Bucal da SMS-RJ, foi possível a compra de 52 unidades de consultórios portáteis, posteriormente distribuídas entre as dez Áreas de Planejamento em Saúde do município, considerando as especificidades e necessidades de cada território.
Com o objetivo de orientar e qualificar o uso dos equipamentos odontológicos portáteis , foi elaborada e divulgada uma Nota Técnica direcionada às equipes de Saúde Bucal (eSB), estabelecendo diretrizes para sua utilização de forma segura, organizada e integrada ao processo de trabalho. O documento aborda critérios para indicação de uso, planejamento das ações no território e recomendações de biossegurança, além de reforçar a importância da avaliação prévia dos locais de atendimento e da articulação com as demais estratégias da APS e checklist de verificação operacional para saída a campo.
A motivação para o desenvolvimento desta experiência decorreu da necessidade de fortalecer os princípios da universalidade, equidade e integralidade do SUS, ampliando o acesso aos serviços de saúde bucal de forma humanizada e resolutiva no cenário extramuros.
Objetivo Geral:
Ampliar o acesso às ações de saúde bucal por meio da utilização do consultório odontológico portátil, garantindo cuidado integral e humanizado no âmbito do SUS.
Objetivos Específicos:
Levar ações de promoção, prevenção e tratamento em saúde bucal a territórios com acesso limitado aos serviços tradicionais;
Reduzir iniquidades no acesso ao cuidado em saúde bucal;
Fortalecer práticas de cuidado humanizado, considerando as singularidades dos sujeitos e territórios;
Integrar as ações de saúde bucal às demais estratégias da Atenção Primária à Saúde e ações intersetoriais;
Ampliar a resolutividade das equipes de saúde bucal em contextos extramuros.
A utilização do consultório portátil possibilitou a ampliação do acesso aos serviços de saúde bucal em territórios anteriormente desassistidos ou com acesso restrito, promovendo maior aproximação entre as equipes de saúde e a população.
Observou-se aumento da adesão às ações de saúde bucal, fortalecimento do vínculo entre profissionais e usuários, além da identificação precoce de agravos e encaminhamento oportuno para continuidade do cuidado na rede de atenção à saúde bucal quando necessário.
A estratégia contribuiu para a redução de barreiras de acesso, especialmente para indivíduos com dificuldade de locomoção, e favoreceu a integração das ações de saúde bucal com outras práticas de cuidado no território.
A experiência demonstra que o uso do consultório odontológico portátil é uma estratégia eficaz para a ampliação do acesso e para a consolidação dos princípios do SUS, especialmente no que se refere à universalidade, equidade, integralidade e humanização.
Além de possibilitar o alcance de populações vulnerabilizadas, a iniciativa fortalece o cuidado humanizado e centrado no usuário, promovendo maior vínculo e responsabilização das equipes.
Como limitador da estratégia, é importante destacar a dificuldade de monitoramento quantitativo da utilização do mesmo, considerando que no sistema de informação de atenção Primária (SISAB) é possível identificar o local da ação e o procedimento realizado, porém não é possível ter certeza se a ação realizada necessitava ou não do uso do equipamento portátil.
Sugere-se a customização do sistema de informação para registro adequado capaz de identificar o uso do equipamento utilizado, favorecendo o monitoramento eficiente e avaliação oportuna da estratégia.
A partir do relato apresentado , esta coordenação recomenda a incorporação e ampliação dessa estratégia no âmbito da Atenção Primária, com adequado planejamento, garantia de condições estruturais e fortalecimento das ações intersetoriais, visando à qualificação contínua do cuidado em saúde bucal.
Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro - Rua Afonso Cavalcanti - Cidade Nova, Rio de Janeiro - RJ, Brasil
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