Estratégias de Prevenção e Promoção da Saúde da População LGBTQI+ Durante a Pandemia de COVID-19: Relato de Experiência na Atenção Básica

JACIANA CRISTINA ABRANCHES DA SILVA ROSSINI

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O Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde/Interprofissionalidade) tem como principal objetivo fortalecer a integração entre ensino, serviço e comunidade, promovendo práticas pedagógicas alinhadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) e incentivando o desenvolvimento da Educação Interprofissional (EIP) e das Práticas Colaborativas em Saúde. Inseridos nesse cenário, estudantes, docentes e preceptores compartilham vivências com foco na qualificação das práticas em saúde e no aprimoramento do cuidado à população.

Com o início da pandemia de COVID-19, as atividades presenciais do programa foram abruptamente interrompidas, impedindo a continuidade das ações in loco por parte dos estudantes. Diante desse novo e desafiador contexto, o grupo precisou se reinventar para manter o vínculo com o território e a proposta pedagógica do PET-Saúde. Assim, os encontros entre alunos e preceptores passaram a ocorrer de forma virtual, utilizando plataformas digitais como meio para reflexão, planejamento e execução de ações.

Foi nesse contexto que surgiu a proposta de desenvolver estratégias de prevenção ao contágio da COVID-19 voltadas à população atendida por uma Clínica da Família do município do Rio de Janeiro. A partir do estudo e discussão coletiva das notas técnicas emitidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), foram elaborados materiais educativos com linguagem acessível e abordagem lúdica, com o objetivo de promover informação qualificada, clara e adaptada à realidade local.

Os conteúdos produzidos foram divulgados nas redes sociais da unidade de saúde e, para usuários que ainda necessitavam comparecer presencialmente à clínica, foram impressos panfletos informativos. Essa ação buscou ampliar o alcance das orientações de prevenção, reforçando medidas como uso correto de máscaras, higienização das mãos e distanciamento social, especialmente entre públicos com acesso limitado à informação digital.

A Atenção Primária à Saúde (APS), principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), tem entre seus fundamentos a garantia da integralidade e da equidade no cuidado. No entanto, populações historicamente marginalizadas, como a LGBTQI+, ainda enfrentam inúmeras barreiras no acesso aos serviços de saúde. Tais dificuldades se agravam quando os espaços de cuidado reproduzem práticas heteronormativas, ignorando as especificidades dessa população e contribuindo para a sua invisibilidade tanto nas práticas assistenciais quanto nos processos de formação dos profissionais de saúde.

Com a eclosão da pandemia de COVID-19, essas desigualdades tornaram-se ainda mais evidentes. O redirecionamento de recursos para o enfrentamento da emergência sanitária, a sobrecarga dos serviços e as restrições impostas pelo distanciamento social impactaram diretamente o acesso e a continuidade do cuidado, especialmente para grupos em situação de vulnerabilidade social. Nesse contexto, as necessidades de saúde da população LGBTQI+ ficaram ainda mais negligenciadas, evidenciando a urgência de estratégias que promovam a equidade e a inclusão no SUS, mesmo – e sobretudo – em tempos de crise.

A experiência vivenciada no contexto da pandemia de COVID-19 proporcionou uma aprendizagem significativa tanto para os alunos quanto para os preceptores envolvidos no programa PET-Saúde/Interprofissionalidade. A adaptação ao formato virtual para os encontros foi um desafio inicial, mas se revelou uma oportunidade valiosa de desenvolvimento de novas competências para o ensino e a prática colaborativa, especialmente diante das limitações impostas pela pandemia.

A análise e discussão das notas técnicas da ANVISA permitiram que os participantes aprofundassem seu conhecimento sobre as diretrizes e protocolos sanitários voltados à prevenção do contágio pelo COVID-19, algo essencial em um período de grande insegurança sanitária. Durante as discussões, foi possível elaborar, de forma colaborativa, materiais educativos que abordaram as medidas preventivas de forma clara, acessível e adaptada às necessidades da comunidade. Esses materiais, elaborados com uma linguagem simples e lúdica, visaram garantir que as informações chegassem de maneira eficiente a todos os públicos, com destaque para aqueles que enfrentam barreiras digitais.

A disseminação desses materiais, por meio das redes sociais da unidade de saúde e panfletos impressos, teve um impacto positivo, ampliando o alcance das orientações sobre o uso correto de máscaras, higienização das mãos e distanciamento social. A produção e distribuição dessas ferramentas educativas se mostraram eficazes no sentido de promover a conscientização da população, especialmente em um momento em que o distanciamento social e a prevenção se tornaram essenciais para o controle da pandemia.

Além disso, o processo de trabalho colaborativo entre alunos e preceptores permitiu uma troca constante de experiências e reflexões, ampliando a visão crítica sobre os desafios do contexto pandêmico e fortalecendo as práticas interprofissionais. As discussões virtuais também serviram como um espaço de acolhimento e suporte emocional, onde todos puderam expressar suas inseguranças, tirar dúvidas e construir soluções de maneira conjunta, o que fortaleceu o vínculo entre os participantes e o trabalho realizado.

A integração entre ensino, serviço e comunidade foi promovida de forma inovadora e eficaz. Os alunos, mesmo à distância, conseguiram colaborar diretamente com a comunidade, levando informações vitais para a proteção e prevenção de doenças. A ação também revelou a importância de continuar fomentando o protagonismo dos alunos no processo de aprendizagem, bem como de envolver os profissionais de saúde da unidade nas discussões sobre estratégias para enfrentar crises sanitárias.

Em termos de impacto, a experiência consolidou a ideia de que a educação permanente, em formato virtual ou presencial, tem um papel fundamental no fortalecimento das equipes de saúde e na melhoria da qualidade do cuidado, mesmo em tempos de crise. A atuação interprofissional, mesmo mediada pela tecnologia, se mostrou uma ferramenta potente para a adaptação a novas realidades e o desenvolvimento de práticas de saúde colaborativas e eficazes.

A experiência vivenciada no contexto da pandemia de COVID-19 no programa PET-Saúde/Interprofissionalidade revelou a importância da adaptação rápida e eficaz às novas realidades e desafios impostos pela crise sanitária. Nesse sentido, é fundamental que o uso de tecnologias no ensino e na prática profissional continue sendo ampliado, especialmente para manter a continuidade das atividades e fortalecer a integração entre alunos, preceptores e profissionais de saúde. O uso de plataformas digitais para a promoção de práticas colaborativas interprofissionais deve ser incentivado, criando também mais oportunidades de capacitação online e fortalecendo a comunicação digital com as comunidades atendidas.

Além disso, a experiência destacou a importância de ações educativas e preventivas, como os materiais informativos sobre a COVID-19. Esses materiais, produzidos de forma lúdica e simplificada, foram eficazes na disseminação de informações essenciais à população e devem ser ampliados para outras áreas da saúde, incluindo doenças crônicas, saúde mental e saúde bucal. A criação de conteúdos acessíveis e adaptados à realidade local pode facilitar ainda mais o alcance dessas informações.

Outra recomendação importante é o fortalecimento das práticas colaborativas interprofissionais. O envolvimento de alunos e profissionais de diferentes áreas mostrou-se fundamental para o sucesso das intervenções e para a construção de soluções conjuntas. Assim, é crucial continuar promovendo espaços de aprendizagem que permitam a troca de experiências e a resolução conjunta de problemas complexos de saúde, sempre com o objetivo de aprimorar a qualidade do cuidado oferecido à população.

Também se destaca a necessidade de uma integração ainda mais profunda entre os serviços de saúde, as universidades e as comunidades locais. A pandemia evidenciou a importância de manter essa colaboração constante, criando estratégias que considerem as necessidades e realidades locais no planejamento de ações de saúde. A participação ativa da comunidade, inclusive na criação de conteúdos educativos, pode garantir maior adesão e eficácia nas campanhas de prevenção e promoção da saúde.

O apoio emocional e o acolhimento, que foram um diferencial durante os encontros virtuais, também devem ser contínuos. As questões de saúde mental e emocional se tornaram ainda mais evidentes durante a pandemia e precisam ser parte integrante do cuidado, não apenas em momentos de crise, mas também como parte de um cuidado integral à saúde das equipes e da comunidade.

Por fim, é fundamental o aperfeiçoamento da capacitação contínua dos profissionais de saúde, para garantir práticas mais inclusivas, acolhedoras e resolutivas. Além da capacitação técnica, os profissionais devem ser incentivados a desenvolver competências interpessoais, como empatia e comunicação eficaz, para oferecer um atendimento que respeite a diversidade e promova a equidade no acesso à saúde.

Essas recomendações visam fortalecer o programa PET-Saúde e ampliar o impacto positivo na saúde pública, aproveitando as lições aprendidas durante a pandemia para criar um sistema de saúde mais eficiente, acessível e colaborativo para todos.

autor Principal

JACIANA CRISTINA ABRANCHES DA SILVA ROSSINI

jacianarossini@gmail.com

Dentista

Coautores

JACIANA CRISTINA ABRANCHES DA SILVA ROSSINI - ROSSINI,JC - SMS RJ Patricia Martins Assunção - ASSUNÇÃO,PM - SMS RJ > Juliane Costa Rezende - REZENDE,JC - SMS RJ > Anderson Martins Rocha - ROCHA,AM - SMS RJ Juliana Theberge dos Santos de Oliveira - THEBERGE,JSO - UFRJ Maria Helena Souza Nascimento - NASCIMENTO,MHS - UFRJ Adriana de Araujo Pinho - PINHO,AA - UFRJ Carlos José Pessanha Pequeno Junior - PESSANHA,CJP - UFRJ Paula Cristina Pungartnik - PUNGARTNIK,PC - UFRJ Ane Martins da Silva Santana - SANTANA, AMS - UFRJ

A prática foi aplicada em

Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DO RIO DE JANEIRO

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Uma organização do tipo

Instituição Pública

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JACIANA CRISTINA ABRANCHES DA SILVA ROSSINI

Conta vinculada

22 abr 2025

CADASTRO

22 abr 2025

ATUALIZAÇÃO

22 abr 2020

inicio

21 abr 2021

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

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