favor seguir as recomendações abaixo:
O Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde/Interprofissionalidade) tem como principal objetivo fortalecer a integração entre ensino, serviço e comunidade, promovendo práticas pedagógicas alinhadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) e incentivando o desenvolvimento da Educação Interprofissional (EIP) e das Práticas Colaborativas em Saúde. Inseridos nesse cenário, estudantes, docentes e preceptores compartilham vivências com foco na qualificação das práticas em saúde e no aprimoramento do cuidado à população.
Com o início da pandemia de COVID-19, as atividades presenciais do programa foram abruptamente interrompidas, impedindo a continuidade das ações in loco por parte dos estudantes. Diante desse novo e desafiador contexto, o grupo precisou se reinventar para manter o vínculo com o território e a proposta pedagógica do PET-Saúde. Assim, os encontros entre alunos e preceptores passaram a ocorrer de forma virtual, utilizando plataformas digitais como meio para reflexão, planejamento e execução de ações.
Foi nesse contexto que surgiu a proposta de desenvolver estratégias de prevenção ao contágio da COVID-19 voltadas à população atendida por uma Clínica da Família do município do Rio de Janeiro. A partir do estudo e discussão coletiva das notas técnicas emitidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), foram elaborados materiais educativos com linguagem acessível e abordagem lúdica, com o objetivo de promover informação qualificada, clara e adaptada à realidade local.
Os conteúdos produzidos foram divulgados nas redes sociais da unidade de saúde e, para usuários que ainda necessitavam comparecer presencialmente à clínica, foram impressos panfletos informativos. Essa ação buscou ampliar o alcance das orientações de prevenção, reforçando medidas como uso correto de máscaras, higienização das mãos e distanciamento social, especialmente entre públicos com acesso limitado à informação digital.
A Atenção Primária à Saúde (APS), principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), tem entre seus fundamentos a garantia da integralidade e da equidade no cuidado. No entanto, populações historicamente marginalizadas, como a LGBTQI+, ainda enfrentam inúmeras barreiras no acesso aos serviços de saúde. Tais dificuldades se agravam quando os espaços de cuidado reproduzem práticas heteronormativas, ignorando as especificidades dessa população e contribuindo para a sua invisibilidade tanto nas práticas assistenciais quanto nos processos de formação dos profissionais de saúde.
Com a eclosão da pandemia de COVID-19, essas desigualdades tornaram-se ainda mais evidentes. O redirecionamento de recursos para o enfrentamento da emergência sanitária, a sobrecarga dos serviços e as restrições impostas pelo distanciamento social impactaram diretamente o acesso e a continuidade do cuidado, especialmente para grupos em situação de vulnerabilidade social. Nesse contexto, as necessidades de saúde da população LGBTQI+ ficaram ainda mais negligenciadas, evidenciando a urgência de estratégias que promovam a equidade e a inclusão no SUS, mesmo – e sobretudo – em tempos de crise.
A experiência vivenciada no contexto da pandemia de COVID-19 proporcionou uma aprendizagem significativa tanto para os alunos quanto para os preceptores envolvidos no programa PET-Saúde/Interprofissionalidade. A adaptação ao formato virtual para os encontros foi um desafio inicial, mas se revelou uma oportunidade valiosa de desenvolvimento de novas competências para o ensino e a prática colaborativa, especialmente diante das limitações impostas pela pandemia.
A análise e discussão das notas técnicas da ANVISA permitiram que os participantes aprofundassem seu conhecimento sobre as diretrizes e protocolos sanitários voltados à prevenção do contágio pelo COVID-19, algo essencial em um período de grande insegurança sanitária. Durante as discussões, foi possível elaborar, de forma colaborativa, materiais educativos que abordaram as medidas preventivas de forma clara, acessível e adaptada às necessidades da comunidade. Esses materiais, elaborados com uma linguagem simples e lúdica, visaram garantir que as informações chegassem de maneira eficiente a todos os públicos, com destaque para aqueles que enfrentam barreiras digitais.
A disseminação desses materiais, por meio das redes sociais da unidade de saúde e panfletos impressos, teve um impacto positivo, ampliando o alcance das orientações sobre o uso correto de máscaras, higienização das mãos e distanciamento social. A produção e distribuição dessas ferramentas educativas se mostraram eficazes no sentido de promover a conscientização da população, especialmente em um momento em que o distanciamento social e a prevenção se tornaram essenciais para o controle da pandemia.
Além disso, o processo de trabalho colaborativo entre alunos e preceptores permitiu uma troca constante de experiências e reflexões, ampliando a visão crítica sobre os desafios do contexto pandêmico e fortalecendo as práticas interprofissionais. As discussões virtuais também serviram como um espaço de acolhimento e suporte emocional, onde todos puderam expressar suas inseguranças, tirar dúvidas e construir soluções de maneira conjunta, o que fortaleceu o vínculo entre os participantes e o trabalho realizado.
A integração entre ensino, serviço e comunidade foi promovida de forma inovadora e eficaz. Os alunos, mesmo à distância, conseguiram colaborar diretamente com a comunidade, levando informações vitais para a proteção e prevenção de doenças. A ação também revelou a importância de continuar fomentando o protagonismo dos alunos no processo de aprendizagem, bem como de envolver os profissionais de saúde da unidade nas discussões sobre estratégias para enfrentar crises sanitárias.
Em termos de impacto, a experiência consolidou a ideia de que a educação permanente, em formato virtual ou presencial, tem um papel fundamental no fortalecimento das equipes de saúde e na melhoria da qualidade do cuidado, mesmo em tempos de crise. A atuação interprofissional, mesmo mediada pela tecnologia, se mostrou uma ferramenta potente para a adaptação a novas realidades e o desenvolvimento de práticas de saúde colaborativas e eficazes.
A experiência vivenciada no contexto da pandemia de COVID-19 no programa PET-Saúde/Interprofissionalidade revelou a importância da adaptação rápida e eficaz às novas realidades e desafios impostos pela crise sanitária. Nesse sentido, é fundamental que o uso de tecnologias no ensino e na prática profissional continue sendo ampliado, especialmente para manter a continuidade das atividades e fortalecer a integração entre alunos, preceptores e profissionais de saúde. O uso de plataformas digitais para a promoção de práticas colaborativas interprofissionais deve ser incentivado, criando também mais oportunidades de capacitação online e fortalecendo a comunicação digital com as comunidades atendidas.
Além disso, a experiência destacou a importância de ações educativas e preventivas, como os materiais informativos sobre a COVID-19. Esses materiais, produzidos de forma lúdica e simplificada, foram eficazes na disseminação de informações essenciais à população e devem ser ampliados para outras áreas da saúde, incluindo doenças crônicas, saúde mental e saúde bucal. A criação de conteúdos acessíveis e adaptados à realidade local pode facilitar ainda mais o alcance dessas informações.
Outra recomendação importante é o fortalecimento das práticas colaborativas interprofissionais. O envolvimento de alunos e profissionais de diferentes áreas mostrou-se fundamental para o sucesso das intervenções e para a construção de soluções conjuntas. Assim, é crucial continuar promovendo espaços de aprendizagem que permitam a troca de experiências e a resolução conjunta de problemas complexos de saúde, sempre com o objetivo de aprimorar a qualidade do cuidado oferecido à população.
Também se destaca a necessidade de uma integração ainda mais profunda entre os serviços de saúde, as universidades e as comunidades locais. A pandemia evidenciou a importância de manter essa colaboração constante, criando estratégias que considerem as necessidades e realidades locais no planejamento de ações de saúde. A participação ativa da comunidade, inclusive na criação de conteúdos educativos, pode garantir maior adesão e eficácia nas campanhas de prevenção e promoção da saúde.
O apoio emocional e o acolhimento, que foram um diferencial durante os encontros virtuais, também devem ser contínuos. As questões de saúde mental e emocional se tornaram ainda mais evidentes durante a pandemia e precisam ser parte integrante do cuidado, não apenas em momentos de crise, mas também como parte de um cuidado integral à saúde das equipes e da comunidade.
Por fim, é fundamental o aperfeiçoamento da capacitação contínua dos profissionais de saúde, para garantir práticas mais inclusivas, acolhedoras e resolutivas. Além da capacitação técnica, os profissionais devem ser incentivados a desenvolver competências interpessoais, como empatia e comunicação eficaz, para oferecer um atendimento que respeite a diversidade e promova a equidade no acesso à saúde.
Essas recomendações visam fortalecer o programa PET-Saúde e ampliar o impacto positivo na saúde pública, aproveitando as lições aprendidas durante a pandemia para criar um sistema de saúde mais eficiente, acessível e colaborativo para todos.
SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DO RIO DE JANEIRO
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