Vigidesatres e a resiliência urbana: gestão intersetorial de riscos e desastres em Betim/MG

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Fernanda Machado de Souza

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Fernanda Machado de Souza

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O município de Betim/MG apresenta características urbanas e territoriais que favorecem a ocorrência de eventos adversos relacionados a desastres hidrológicos, geológicos, tecnológicos e ambientais. O crescimento urbano acelerado, associado à ocupação de áreas vulneráveis, aumento das chuvas intensas e pressão sobre a infraestrutura urbana, ampliou a exposição populacional a situações de risco, exigindo fortalecimento das estratégias de vigilância, prevenção e resposta em saúde pública.
Diante desse cenário, o Programa Vigidesastres foi implantado como estratégia de gestão intersetorial voltada ao monitoramento, preparação, mitigação e resposta aos desastres, integrando Vigilância em Saúde, Defesa Civil, Atenção Primária, rede hospitalar, SAMU e demais setores municipais. A iniciativa buscou estruturar fluxos operacionais, fortalecer protocolos de contingência e ampliar a capacidade institucional de atuação diante de eventos extremos.
A experiência foi desenvolvida a partir da articulação entre diferentes áreas técnicas da saúde e órgãos parceiros, utilizando análise territorial, monitoramento epidemiológico, vigilância ambiental e sanitária, além de ações preventivas e assistenciais voltadas à proteção da população exposta. O programa passou a atuar também na organização das respostas emergenciais, avaliação de riscos e planejamento estratégico para fortalecimento da resiliência urbana.

Alguns objetivos foram desenvolvidos a partir do programa:
* Implementar estratégias integradas de Vigilância em Saúde e gestão de riscos voltadas ao fortalecimento da resiliência urbana no município de Betim/MG, por meio da atuação intersetorial entre saúde, defesa civil e demais órgãos municipais.
* Fortalecer a capacidade institucional de prevenção, preparação, monitoramento e resposta frente aos desastres naturais, tecnológicos e eventos extremos que impactam a saúde pública municipal.
* Estruturar fluxos operacionais e protocolos de atuação entre Vigilância Epidemiológica, Vigilância Ambiental, Vigilância Sanitária, Atenção Primária, SAMU, hospitais e Defesa Civil para atuação coordenada em situações de emergência.
* Ampliar o monitoramento territorial das áreas de risco, qualificando a tomada de decisão baseada em evidências epidemiológicas, ambientais e geológicas.
* Promover ações preventivas voltadas à redução das vulnerabilidades socioambientais e proteção da saúde coletiva, fortalecendo a governança intersetorial e a integração das redes de atenção e vigilância.

A implantação do Programa Vigidesastres em Betim/MG ocorreu diante do aumento progressivo das situações de risco relacionadas a enchentes, deslizamentos, eventos climáticos extremos e acidentes tecnológicos, associados ao crescimento urbano desordenado e à ocupação de áreas vulneráveis. O município identificou áreas classificadas com risco alto e muito alto, distribuídas em dez regionais administrativas, evidenciando importante cenário de vulnerabilidade socioambiental.
Antes da estruturação da prática, observavam-se fragilidades relacionadas à integração entre os setores responsáveis pela prevenção e resposta aos desastres, além da necessidade de fortalecimento dos fluxos de comunicação, monitoramento epidemiológico, protocolos operacionais e capacidade de resposta da rede de saúde. Também foram identificadas dificuldades na organização das ações preventivas e na articulação territorial entre vigilâncias, assistência e defesa civil.
A oportunidade de aperfeiçoamento surgiu da necessidade de consolidar uma atuação intersetorial permanente, baseada em análise de risco, planejamento territorial e vigilância preventiva, permitindo respostas mais rápidas, coordenadas e eficientes frente aos impactos dos desastres sobre a saúde da população.
A experiência possibilitou o fortalecimento da integração entre Vigilância em Saúde, Defesa Civil e rede assistencial do município, promovendo maior organização institucional frente aos eventos extremos e situações de emergência. Houve ampliação do monitoramento territorial das áreas vulneráveis, qualificação dos fluxos de comunicação e aprimoramento dos protocolos operacionais utilizados nos períodos críticos, especialmente durante o período chuvoso.
Entre os principais resultados alcançados destacam-se a implementação de ações integradas de vigilância epidemiológica, sanitária e ambiental; monitoramento de agravos relacionados aos desastres; inspeções em abrigos e unidades de saúde; fortalecimento do controle da qualidade da água; reorganização da assistência em situações críticas; ampliação da articulação entre Atenção Primária, SAMU e hospitais; além da construção de estratégias preventivas voltadas à redução de riscos e vulnerabilidades.
Como inovação, a prática consolidou uma abordagem baseada em gestão intersetorial de risco e territorialização das ações, permitindo integração contínua entre planejamento urbano, vigilância em saúde e defesa civil. A utilização de análise territorial e monitoramento permanente contribuiu para decisões mais ágeis e qualificadas.
Entre as principais lições aprendidas destaca-se a importância da comunicação permanente entre os setores envolvidos, da atualização contínua dos planos de contingência, da capacitação das equipes e da incorporação da vigilância preventiva como eixo estruturante das políticas públicas de saúde e proteção social.

Para implementação de práticas semelhantes, é interessante o diagnóstico territorial detalhado, identificando áreas vulneráveis, principais ameaças ambientais e capacidade de resposta da rede local. A integração entre saúde, defesa civil, meio ambiente, assistência social e planejamento urbano deve ocorrer desde o início da construção da estratégia, garantindo definição clara de responsabilidades e fluxos operacionais.
É fundamental estruturar canais permanentes de comunicação entre os setores envolvidos, além de elaborar protocolos de contingência atualizados e compatíveis com a realidade municipal. A capacitação contínua das equipes contribui significativamente para maior segurança operacional e qualificação das respostas em situações críticas.
Outro aspecto essencial é o fortalecimento da vigilância preventiva, utilizando dados epidemiológicos, ambientais e territoriais para subsidiar a tomada de decisão e priorização das ações. O monitoramento contínuo das áreas de risco, aliado à participação comunitária e à educação em saúde, favorece maior eficiência das ações preventivas e redução das vulnerabilidades socioambientais.
A experiência demonstra que práticas intersetoriais exigem articulação institucional permanente, planejamento contínuo e compromisso da gestão pública para consolidação de políticas resilientes e sustentáveis voltadas à proteção da saúde coletiva.

autor Principal

Fernanda Machado de Souza

fmachado@betim.mg.gov.br

Fiscal Sanitário I - Referência Técnica dos Programas de Vigilância em Saúde Ambiental

Coautores

AZEVEDO, Matheus Vasquez; CRISPIM, Natália Pinto Coelho Carvalho; DINIZ, Jéssica Botti; SARAIVA, Verônica da Costa; SENDIN, Diego Mascarenhas; SOUZA, Fernanda Machado de; XAVIER, Eric Reno Sousa.

A prática foi aplicada em

Betim

Minas Gerais

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Rua Pará de Minas, 640 - Centro, Betim - MG, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Fernanda Machado de Souza

Conta vinculada

13 maio 2026

CADASTRO

13 maio 2026

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