favor seguir as recomendações abaixo:
Em 2020, devido à pandemia por Covid 19 e a necessária paralisação dos serviços de educação e saúde, nos deparamos com demandas no território que requeriam intervenção imediata de acordo com os recursos disponíveis.
Este relato é sobre uma ação educativa junto a família de um jovem de 13 anos de idade dentro do espectro do autismo que passou a apresentar um grande retrocesso em suas habilidades sociais, intelectuais e comportamentais devido à interrupção dos seus atendimentos especializados durante a emergência sanitária vivida no ano de 2019 em decorrência da pandemia por Covid 19, a qual trouxe grandes desafios para a família do jovem, por não se encontrarem preparados para lidar com os cuidados necessários à manutenção do equilíbrio comportamental do mesmo, sem o apoio institucional dos serviços especializados, que precisaram ser interrompidos neste momento.
Objetivo:
Compreender coletivamente dentro da Atenção Primária à Saúde sobre os recursos educacionais utilizados pela equipe de apoio para a capacitação de profissionais de saúde da família e a comunidade no acompanhamento e cuidado no cotidiano da pessoa dentro do espectro autista.
Organizamos um diálogo com o menino e sua mãe na Unidade de Saúde da Família, onde a acolhemos e entendemos os principais conflitos existentes no ambiente familiar, traçando assim em conjunto um Projeto Terapêutico Singular (PTS), para este momento especial, trabalhamos com instrumentos educativos facilitadores para que o jovem reconhecesse suas emoções e fragilidades que o atravessavam e agendamos encontros semanais com a equipe de saúde da família e a mãe do jovem, a fim de reavaliar nossas condutas e efeitos positivos e negativos das ações educativas realizadas adotadas na intervenção.
Observamos que diante da proposta ofertada pela equipe de saúde da família, o jovem conseguiu expressar suas emoções adquirindo assim maior consciência de suas emoções, contribuindo assim na construção de condutas facilitadoras para melhor lidar com os desafios vivenciados naquele momento que de forma geral, afetou a todos nós, nos desafiando a rever nossos hábitos, valores e atitudes cotidianas.
Esta ação possibilitou observar o quanto os profissionais de saúde na Atenção Básica tendem a reproduzir uma forma de cuidado ainda centrada no modelo de saúde curativista, reproduzindo práticas de saúde instituídas, desconsiderando o sujeito como protagonista de seu autocuidado e como produtor de educação e saúde dentro de sua realidade de vida e do território de pertencimento. Perceber esta prática, motivou as equipes de saúde da família e aos profissionais da equipe de apoio, em conjunto com o território, a promover discussões que possibilitem ampliar as ações desenvolvidas no território, com base no modelo da Clínica Ampliada preconizado pelas políticas de humanização do SUS, que nos apontam para um cuidado mais humanizado e integral.
A dificuldade encontrada em atrair outros atores envolvidos no cuidado da saúde da família, diante deste cenário desafiador, foi um obstáculo, sobretudo à equipe de saúde da família que ficou totalmente absorvida em questões específicas de avaliações e controle dos casos suspeitos para Covid 19. Consideramos que nosso trabalho, utilizando ferramentas educacionais criativas, naquele momento foi crucial para o equilíbrio emocional daquela família e ainda para uma melhor qualidade de vida daqueles indivíduos. O impacto positivo da ação educativa realizada constituiu-se em uma nova estratégia para avaliar outas situações semelhantes e traçar projetos terapêuticos inovadores diante de diferentes realidades.
Ademais, ficou evidente para todos que se faz necessário voltarmos o olhar para nossas práticas de cuidado a fim de desconstruirmos o modo como entendemos e produzimos a saúde no território e no trabalho em equipe multiprofissional.
Médico de Família de Jurujuba - Avenida Carlos Ermelindo Marins - Jurujuba, Niterói - RJ, Brasil
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