Tratamento de diabetes e hipertensão pelo Programa Remédio em Casa: relato de experiência.

Você já pode imprimir seu certificado

Tássio Macedo Silva

tassiom

Tássio Macedo SIlva

favor seguir os ajustes necessários abaixo:

Nenhuma recomendação da moderação

A faixa etária elevada é um dos fatores que podem influenciar negativamente a adesão ao tratamento na hipertensão e diabetes, dentre outros fatores socioeconômicos, como menor escolaridade e menor renda (Leal; Galvão; Roncalli, 2024). A idade avançada associada a restrição de mobilidade reduzida, especialmente na população idosa e portadores de doenças crônicas, culmina na descontinuidade da terapia medicamentosa e no agravamento dos desfechos clínicos, transformando o ato de buscar o tratamento em um desafio que exacerba a vulnerabilidade desses usuários e compromete a resolutividade das ações da Atenção Primária.
No município de João Pessoa, no estado da Paraíba, apesar da dispensação ativa realizada nas Unidades de Saúde da Família (USF) e da atuação do profissional farmacêutico nesse processo, identificou-se a necessidade de desenvolver uma estratégia que assegura o acesso contínuo ao tratamento de hipertensão e diabetes. Essa demanda torna-se ainda mais relevante quando se considera a população idosa e os usuários com dificuldade de locomoção, para os quais o deslocamento até os serviços de saúde representa uma barreira significativa à adesão terapêutica.
Nesse contexto, o Programa Remédio em Casa foi criado no ano de 2022, objetivando beneficiar pacientes hipertensos e diabéticos com a entrega de medicamentos em suas respectivas casas, sendo domiciliados do município de João Pessoa com idade mínima de 50 anos e/ou acamados e domiciliados de qualquer idade que apresentem laudo médico.
O programa tem como estratégia garantir o acesso e proporcionar a adesão ao tratamento de hipertensos e diabéticos. São um total de 22 medicamentos disponíveis no programa, sendo distribuídos nas seguintes classes terapêuticas:
– Anti-Hipertensivos: Anlodipino 5 mg, Anlodipino 10mg, Atenolol 50mg, Enalapril 10mg, Enalapril 20mg, Captopril 25mg, Carvedilol 3,125mg, Carvedilol 12,5mg, Espironolactona 25mg, Espironolactona 100mg, Furosemida 40mg, Hidroclorotiazida 25mg, Losartana 50mg, Metildopa 250mg e Propranolol 40 mg;
Antilipêmico: Sinvastatina 20mg e Sinvastatina 40mg;
– Antitrombótico: Ácido acetilsalicílico 100mg;
– Hipoglicemiantes orais: Glibenclamida 5 mg, Gliclazida 60mg, Metformina 500mg e Metformina 850mg
A quantidade de medicamentos dispensados para cada usuário e a entrega nas suas casas corresponde ao tratamento de 60 dias, considerando a posologia prescrita. Ou seja, o usuário recebe o medicamento para o tratamento em casa a cada 2 meses e a entrega é realizada por um motoboy.
Os pontos de cadastramento são a USF, por qualquer profissional da equipe de saúde da família, aplicativo ‘João Pessoa na Palma da Mão’ e na Farmácia Container no bairro dos Bancários (ao lado do Equilíbrio do Ser, no horário de 8:00 às 20:00). São necessários os seguintes documentos: RG, CPF, comprovante de residência, cartão SUS, receita médica e termo de adesão.
A atualização e renovação das receitas devem acontecer a cada 6 meses e os pontos para solicitar a atualização cadastral são os mesmos dos pontos de realização de cadastro, sendo, então, a USF, farmácia container e o aplicativo.
Para melhor monitoramento e resultado do programa foi necessário uma maior integração com os outros serviços da Rede de Atenção à Saúde, principalmente a Atenção Primária à Saúde (APS), pois, assim como a assistência da atenção básica, o programa adentra a casa das pessoas e garante o cuidado necessário. Vale ressaltar que a comunicação com a atenção básica é crucial para efetivação do programa, pois a busca ativa é uma das ferramentas presentes no dia a dia. A busca ativa é um recurso utilizado principalmente em situações onde não é possível efetivar a entrega do medicamento na casa do beneficiado, havendo uma articulação direta entre os profissionais da ponta e a gestão. Naturalmente, essa articulação gera a identificação de fragilidades e potencialidades que são consideradas para o planejamento e ações do programa.
Com o propósito de expandir informações, o programa possui articulação com outros serviços, como o serviço de limpeza urbana e Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), dentre outros tipos de articulações, como ações em saúde no território e participação em eventos voltados à população, dando visibilidade ao programa entre usuários hipertensos e diabéticos, bem como entre seus familiares.
Conforme a Política Nacional de Assistência Farmacêutica (PNAF), Resolução Nº 338 de 06 de maio de 2004, no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a Assistência Farmacêutica trata de um conjunto de ações voltadas à promoção, proteção e recuperação da saúde, tanto individual como coletivo, tendo o medicamento como insumo essencial e visando o acesso e ao seu uso racional. Desse modo, se faz necessário expor o impacto do Programa Remédio em Casa na garantia de acesso ao tratamento de hipertensão e diabetes e de assistência à saúde da população de João Pessoa, bem como o resultado desse programa impacta na adesão ao tratamento e na saúde coletiva, gerando qualidade de vida da população.

No município de João Pessoa, no estado da Paraíba, apesar da dispensação ativa realizada nas Unidades de Saúde da Família (USF) e da atuação do profissional farmacêutico nesse processo, identificou-se a necessidade de desenvolver uma estratégia que assegura o acesso contínuo ao tratamento de hipertensão e diabetes. Essa demanda torna-se ainda mais relevante quando se considera a população idosa e os usuários com dificuldade de locomoção, para os quais o deslocamento até os serviços de saúde representa uma barreira significativa à adesão terapêutica.
Nesse contexto, o Programa Remédio em Casa foi criado no ano de 2022, objetivando beneficiar pacientes hipertensos e diabéticos com a entrega de medicamentos em suas respectivas casas, sendo domiciliados do município de João Pessoa com idade mínima de 50 anos e/ou acamados e domiciliados de qualquer idade que apresentem laudo médico.

O programa Remédio em Casa, desde o ano de sua criação, já beneficiou um total de 8.496 pacientes hipertensos e/ou diabéticos, apresentando um total de 121.312 dispensações.
A cada ano que foi passado, de 2022 a 2026, foi identificado um aumento significativo de novos cadastros e também de desistências, reverberando em um total de 5.616 usuários com cadastros ativos que são beneficiados pelo programa atualmente (Abril de 2026). No ano de 2022, no mês de dezembro, obtivemos um total de 3.655 cadastros ativos, em 2023 um total de 5.765 cadastros, apresentando um aumento significativo. Já em 2024 e 2025 houveram um breve redução na quantidade de cadastros ativos, possuindo um total de 5.729 e 5.673, respectivamente.
Destaca-se que o período de 2022 a 2023 registrou um elevado número de novos cadastros no programa, em razão de ainda ser uma novidade para a população. Além disso, houve aprimoramento no fluxo de entregas na modalidade delivery, que anteriormente eram realizadas por meio dos Correios. Enfatiza-se, ainda, que é possível observar uma estabilidade no número de cadastrados ativos especialmente após o ano de 2024.
Vale ressaltar que o programa possui um número de cadastros ativos muito dinâmico, oscilando durante os anos de 2022 a 2026, sendo esse número resultado de muitos fatores, como por exemplo o perfil dos usuários do programa: idosos acamados, idosos com idade avançada, idosos com diversas complicações de saúde para além da hipertensão e diabetes. Esse fato gera um número considerável de cancelamento de cadastro durante o ano em decorrência de falecimentos. Além disso, outros fatores importantes geram cancelamentos: mudança de esquema terapêutico, mudança de endereço para outros municípios, mudança na prescrição com medicamentos que não são padronizados no programa e o desabastecimento de alguns medicamentos elencados na lista do programa.
Quanto ao número de novos cadastros, a redução da idade mínima para ser beneficiado pelo programa, de 60 anos para 50 anos no início do ano de 2025, resultou em aumento de adesões, assim como a inclusão dos medicamentos ‘Carvedilol 3,125mg e 12,5 mg’ na lista de medicamentos do programa. Somado a essas mudanças, as ações de divulgação alcançaram diferentes parcelas da população por meio de canais de comunicação como telejornais, redes sociais e aplicativos de mensagens.
Além disso, o cadastramento via aplicativo ‘João Pessoa na Palma da Mão’ tem facilitado a população a ter autonomia em realizar seus próprios cadastros, esse tipo de acesso através do aplicativo foi uma realidade que se concretizou em 2024, ramificando amplamente na população no ano de 2025 e influenciou a adesão ao programa. Desde a implementação do aplicativo, um total de 5.871 solicitações já foram realizadas via aplicativo, sendo elas para novo cadastro, atualização de receita ou atualização de endereço do usuário que é beneficiado.
Quanto ao número de dispensações, no período de 2022 a 2026 foram realizadas 121.312 dispensações. Em 2022 registraram-se 11.341 dispensações, enquanto que em 2023 foram realizados 30.638. Em 2024 foi o ano com maior volume registrado de dispensações (um total de 34.389), sendo o reflexo do ano finalizado com maiores cadastros ativos. Já em 2025 finalizou com 33.952 dispensações e, até o momento do ano de 2026, um total de 10.992 dispensações.
Durante a execução, desafios como a desatualização cadastral e a instabilidade na comunicação entre a ponta (USF) e a logística de entrega foram pontos críticos identificados. A superação desses gargalos exigiu a intensificação da educação permanente junto às equipes e o aprimoramento da busca ativa. A articulação com outros dispositivos assistenciais presentes no município é uma realidade, como por exemplo o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), para apresentar e fortalecer o programa aos profissionais e usuários assistidos.
A realização de matriciamento nas Unidades de Saúde da Família (USFs) e nos Distritos Sanitários, um total de 5 sedes, é uma realidade que acontece desde a criação do programa, sendo alinhado com todos os profissionais e gestores sobre o fluxo de cadastramentos e sobre a população-alvo que pode ser beneficiada com a entrega do medicamento nas suas casas. No momento dessas reuniões de matriciamento, é possível identificar, minimamente, a visão da população em relação ao programa, uma vez que os relatos explanados pelos profissionais para gestão durante a reunião são informações trazidas da população para os serviços da ponta.
Outra realidade ao longo do período desde a implantação do programa até hoje, são as ações em saúde no território, possibilitando uma comunicação direta com a população. Nesse contexto, são apresentados os benefícios do programa e o impacto no cotidiano daquelas que precisam seguir corretamente o tratamento. Essas ações em saúde são os momentos oportunos para promoção do Uso Racional de Medicamentos e da Educação em Saúde, buscando orientar sobre a importância da adesão ao tratamento, assim como orientar sobre a doença e cuidados necessários, tendo em vista o conhecimento da comorbidade e desenvolvimento do autocuidado por parte do usuário.

Realização de uma análise e um bom diagnóstico do território. Identificar quantos pacientes com hipertensão e diabetes existem, onde estão concentrados, quais apresentam maior vulnerabilidade (idosos, acamados, pessoas com mobilidade reduzida) e quais já estão cadastrados nas Unidades de Saúde da Família permite dimensionar corretamente o programa e evitar desperdícios.

Outro aspecto essencial é a integração da equipe multiprofissional. O envolvimento de médicos, enfermeiros, farmacêuticos, agentes comunitários de saúde e equipe administrativa garante que o processo não fique centralizado em apenas um profissional. Os agentes comunitários, por exemplo, são peças-chave para atualização cadastral, identificação de novos usuários elegíveis e acompanhamento da adesão.

A organização dos fluxos também faz diferença. É importante definir claramente como será o cadastro do paciente, a validação de critérios (idade, laudo médico, condições clínicas), a prescrição, a dispensação e a logística de entrega. Protocolos simples e bem documentados evitam falhas e retrabalho.

autor Principal

Tássio Macedo Silva

tassiosilva30@gmail.com

Farmacêutico

Coautores

Tássio Macedo Silva, Gilcélia Maria Menezes de Ribera, Andreza Barbosa Silva Cavalcanti, Natália Gomes da Silva, Dayanne Marcelle Guedes Ferreira Menezes.

A prática foi aplicada em

João Pessoa

Paraíba

Nordeste

Esta prática está vinculada a

Prefeitura Municipal de João Pessoa / Secretaria Municipal de Saúde / Diretoria de Assistência Farmacêutica

Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa - Avenida Júlia Freire - Torre, João Pessoa - PB, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Tássio Macedo SIlva

Conta vinculada

06 maio 2026

CADASTRO

06 maio 2026

ATUALIZAÇÃO

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

Arquivos