Tocando para aliviar, reconectar e valorizar mães de crianças neurodivergentes

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GERSICA LACERDA DA CUNHA SILVA

jedinaandrade@gmail.com

MARIA JÉDINA DE ANDRADE SANTOS

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Trata-se de uma ação de caráter interventivo,desenvolvida por fisioterapeutas da Policlínica municipal de Belém do Brejo do Cruz, com foco na promoção do bem-estar físico e emocional das mães de crianças neurodivergentes do serviço. As mulheres foram atendidas em dias e horários previamente agendados de forma voluntária, com tempo médio de 30 a 40 minutos,em ambiente previamente preparado com iluminação reduzida, aromatização suave e utilização de musicoterapia, favorecendo a criação de um espaço terapêutico humanizado.
Inicialmente, foi realizada uma escuta breve para identificar as principais queixas relacionadas à sobrecarga física e emocional, em seguida cada mulher fez a escolha do protocolo para aplicação, podendo ser cuidado facial (Higienização, esfoliação e hidratação) associado ao escalda-pés ou massagem relaxante, incluindo manobras de deslizamento superficial, amassamento e liberação de tensões musculares, respeitando as necessidades e limites de cada participante.
Como forma de incentivo ao autocuidado e valorização das participantes, ao final de cada atendimento, foram ofertados kit com protetor solar e escalda-pés. O protetor solar foi incluído com o objetivo de reforçar a importância dos cuidados diários com a pele, promovendo saúde e estética, mesmo em meio à rotina intensa. Já o escalda-pés foi pensado como uma estratégia simples e acessível de relaxamento, capaz de proporcionar alívio do cansaço físico e momentos de pausa no ambiente domiciliar.
Oferecer às mães de crianças neurodivergentes um espaço de cuidado, pausa e acolhimento, onde possam se reconectar em meio a rotina intensa de dedicação aos filhos, por meio de experiências de relaxamento, autocuidado, atenção ao corpo e às emoções através de ambiente acolhedor, humanizado e sensorialmente tranquilo (com recursos como musicoterapia, iluminação suave e aromatização) contribuindo para o alívio da sobrecarga física e emocional proporcionando bem-estar para essas mulheres.

O nascimento de uma criança é uma experiência única que reflete em toda estrutura familiar, desencadeando uma série de expectativas e transformações. Esta jornada pode adquirir uma complexidade ainda maior com a confirmação do diagnóstico de algum transtorno do neurodesenvolvimento ao novo membro familiar, evidenciando um cenário de dúvidas, medos e incertezas.
Compreender o conceito de maternidade atípica se faz necessário, considerando as mães como principais cuidadoras familiares, vivenciando à experiência complexa de materna crianças que fogem do desenvolvimento considerado “típico”. Caracterizada por um cotidiano de luta, proteção, dedicação e cuidado incessante,através de rotinas intensas e estruturadas (consultas, terapias), rede de apoio limitada ou inexistente, adaptações e inclusão nos processos educacionais de aprendizagem, enfrentamento de preconceito e desinformação, a maternidade atípica é acima de tudo, um exercício diário de entrega profunda, um amor que se traduz em presença constante, vigilância silenciosa e preocupações contínuas com o futuro.
Esse contexto aliado ao sentimento de culpa, cobrança excessiva, frustrações e a necessidade frequente de adaptar ou renunciar seus planos pessoais e profissionais em função dos filhos, podem comprometer a qualidade de vida dessas mulheres, impactando em sua saúde física e mental.
Proporcionar momentos de pausa, cuidado, acolhimento e relaxamento contribui não apenas para promover o bem-estar delas, mas também impacta positivamente na capacidade de enfrentamento das adversidades presentes no cuidado com seus filhos.
A intervenção fisioterapêutica através de técnicas de massagem corporal com manobras suaves e rítmicas favorece a modulação do sistema nervoso autônomo, com redução da atividade simpática (estresse) promovendo relaxamento e bem-estar físico e mental. O cuidado facial contribui para saúde e estética cutânea, com remoção de impurezas, renovação celular, além da sensação de autocuidado e valorização pessoal.

A realização da ação possibilitou oferecer bem-estar físico e emocional para as participantes, que demonstraram receptividade para os cuidados ofertados, sinais de relaxamento, alívio de tensões musculares, sensação de acolhimento, autocuidado, valorização, melhora da autoestima, verbalizados de forma espontânea e emotiva, acompanhados por expressiva gratidão, conforme relatos a seguir:
“Me senti muito bem, abraçada, acolhida, uma sensação de alívio, porque nós que somos mães atípicas carregamos um peso muito grande, um fardo, a gente luta muito e acaba esquecendo da gente, e esse momento ajudou a lembrar que nós existimos, que nós precisamos ser abraçadas e eu só tenho agradecer por isso, por esse reencontro de mim mesma” (Mãe Iara)
”Eu me senti muito acolhida, naquele momento era como se alguém estivesse tratando, curando, fechando uma ferida, foi inesquecível e muito gratificante, era como se não existisse mais nada, só eu e aquela pessoa curando a ferida aberta” (Mãe Clessia)
“Foi um momento de muito cuidado e carinho, trouxeram bem-estar e elevaram minha autoestima, me senti acolhida, valorizada e muito grata em viver esse dia tão especial” (Mãe Conceição)
Além dos benefícios imediatos proporcionados pelas técnicas aplicadas, a entrega do kit permitiu a continuidade do cuidado oferecido.

O projeto reforça a promoção do cuidado e autocuidado compreendida como parte essencial da atenção à saúde. Estratégias simples, como a higienização facial e massagem relaxante associada a um ambiente acolhedor, são capazes de promover benefícios significativos no bem-estar físico e emocional dessas mulheres.
O desenvolvimento e ampliação de intervenções que implementem estratégias eficazes de apoio a esse público, é fundamental para a construção de uma assistência mais humanizada, integral e sensível às diferentes realidades.
Iniciativas como esta devem ser incentivadas e replicadas, fortalecendo a prática profissional voltada ao cuidado de quem, muitas vezes, permanece invisibilizada no processo terapêutico: a mãe.

autor Principal

GERSICA LACERDA DA CUNHA SILVA

jedinaandrade@gmail.com

FISIOTERAPEUTA

Coautores

MARIA JÉDINA DE ANDRADE SANTOS, BÁRBARA STEFANY DA SILVA SOUZA, DÁVILA LORENA GOMES, RAFAELA DANTAS DE ANDRADE, VIVIANE BRAGA AURELIANO, UBIRATAN MATIAS DE QUEIROGA JÚNIOR, ANDRIELLY KELLY LOCIO DA SILVA, ISRAEL MARTINS DE ANDRADE.

A prática foi aplicada em

Belém do Brejo do Cruz

Paraíba

Nordeste

Esta prática está vinculada a

POLICLÍNICA HUDSON MAIA DA CUNHA

Rua João Batista de Oliveira Forte, Belém do Brejo do Cruz - PB, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

MARIA JÉDINA DE ANDRADE SANTOS

Conta vinculada

06 maio 2026

CADASTRO

06 maio 2026

ATUALIZAÇÃO

06 maio 2025

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

Arquivos