Tempo é vida: a experiência da UPA Ipatinga na implantação do protocolo de síndrome coronariana aguda

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Andreia Cristiane Santos

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Andreia Cristiane Santos

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A Unidade de Pronto Atendimento José Isabel do Nascimento (UPA 24h) de Ipatinga, classificada como Porte III, consolidou-se como referência em urgência e emergência para a microrregião do Vale do Aço, com média mensal de 10.970 atendimentos. Nesse contexto, enfrenta desafios inerentes a serviços de alta demanda, como superlotação, limitação de leitos, fragilidades na regulação e dificuldades na continuidade do cuidado e na garantia da segurança do paciente.
No âmbito das queixas de dor torácica, responsáveis por parcela significativa dos atendimentos em emergência, evidenciou-se ausência de padronização do fluxo assistencial, variabilidade nas condutas e tempo porta-eletrocardiograma (ECG) elevado, comprometendo o manejo oportuno da Síndrome Coronariana Aguda (SCA), condição tempo-dependente associada a maior risco de morbimortalidade.
Diante desse cenário, foi implantado, a partir de janeiro de 2026, o Protocolo de SCA, por meio da adesão ao Projeto Boas Práticas, em parceria com o Hospital do Coração (HCor) e o Ministério da Saúde. A implementação foi adaptada às especificidades locais e integrada ao fluxo assistencial existente, incluindo construção coletiva de fluxograma, capacitação das equipes e adequação da estrutura física, com implantação de espaço exclusivo para realização de ECG.
A relevância da iniciativa justifica-se pelo fato de que entre 5% e 10% dos atendimentos em serviços de emergência estão relacionados à dor torácica, sendo que 20% a 35% desses casos correspondem à SCA. Como resultado, observou-se redução do tempo porta-ECG de 41 para 14 minutos, aproximando-se dos padrões de excelência e evidenciando impacto positivo na segurança do paciente e nos desfechos clínicos. Configura-se, assim, como inovação organizacional ao estruturar e padronizar uma linha de cuidado específica para dor torácica em ambiente de pronto atendimento.

Objetivos

Geral:
Implantar e consolidar o Protocolo de SCA na UPA 24h de Ipatinga, qualificando a linha de cuidado ao paciente com dor torácica, com ênfase na redução do tempo porta-ECG, na segurança do paciente e na resolutividade assistencial.
Específicos:
• Estruturar e padronizar o fluxo assistencial para atendimento da dor torácica, com base em protocolo clínico validado e adaptado à realidade local;
• Padronizar condutas desde o acolhimento e classificação de risco até a avaliação médica;
• Capacitar equipes multiprofissionais para aplicação do protocolo e tomada de decisão em condições tempo-dependentes;
• Reduzir o tempo porta-ECG, alinhando-o às boas práticas assistenciais;
• Fortalecer a estratificação de risco, monitorização e reavaliação dos pacientes;
• Promover a integração com a Rede de Atenção às Urgências e Emergências, favorecendo a continuidade do cuidado;
• Evitar altas inadequadas de pacientes com suspeita de SCA, ampliando a segurança clínica;
• Reduzir internações desnecessárias e otimizar o uso de recursos;
• Avaliar o impacto da implantação por meio de indicadores assistenciais, evidenciando resultados e potencial de replicação.

Metodologia de Implementação

Trata-se de um relato de experiência, de abordagem descritiva, sobre a implantação do Protocolo de Síndrome Coronariana Aguda (SCA) na UPA 24h de Ipatinga (MG), como estratégia institucional para qualificação do atendimento às urgências cardiovasculares, alinhada às diretrizes do SUS e ao Projeto Boas Práticas, em parceria com o Hospital do Coração (HCor) e o Ministério da Saúde.
O processo foi conduzido de forma planejada e participativa, com envolvimento da equipe multiprofissional, contemplando as seguintes etapas:
• Realização de reunião, em dezembro de 2025, entre a equipe da UPA e profissionais do HCor para apresentação das diretrizes do protocolo e alinhamento à realidade local. Como etapa preparatória, em setembro de 2025, o Núcleo Interno de Regulação (NIR) realizou levantamento dos ECGs, identificando tempo mediano de 41 minutos, subsidiando a definição de metas progressivas de redução até o padrão de excelência (≤10 minutos);
• Elaboração de diagnóstico situacional do fluxo assistencial de pacientes com dor torácica, com identificação de fragilidades e definição de intervenções prioritárias;
• Construção e validação de fluxograma assistencial, baseado em protocolo clínico e integrado à Classificação de Risco de Manchester, garantindo priorização adequada e maior agilidade no atendimento;
• Identificação dos recursos necessários à implementação, incluindo equipe capacitada, insumos e equipamentos em pleno funcionamento;
• Capacitação da equipe multiprofissional com foco no reconhecimento precoce, estratificação de risco e manejo inicial da SCA;
• Definição de rotinas de monitorização clínica, reavaliação periódica e critérios de encaminhamento na Rede de Atenção às Urgências e Emergências, conforme achados eletrocardiográficos e diagnóstico de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), com ou sem supradesnivelamento do segmento ST;
• Adequação da estrutura física, com implantação de espaço exclusivo para realização de ECG;
• Definição e monitoramento de indicadores assistenciais, com destaque para o tempo porta-ECG;
• Avaliação periódica dos resultados, com ajustes nos processos e correção de fragilidades.
A experiência foi conduzida em consonância com os princípios e diretrizes do SUS, especialmente no que se refere à integralidade, equidade, universalidade, acesso oportuno e organização das redes de atenção à saúde.

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24h de Ipatinga, referência para a microrregião do Vale do Aço, opera sob elevada demanda assistencial, com média mensal superior a 10 mil atendimentos, cenário que impõe desafios estruturais e organizacionais típicos dos serviços de urgência, como superlotação, limitação de leitos e fragilidades na regulação e na continuidade do cuidado.
No contexto das queixas de dor torácica — condição frequente e potencialmente grave — identificou-se ausência de padronização do fluxo assistencial, variabilidade nas condutas e tempo porta-ECG elevado (mediana de 41 minutos), muito acima do recomendado pelas diretrizes clínicas.
Esse cenário configurava importante risco à segurança do paciente, especialmente diante da natureza tempo-dependente da Síndrome Coronariana Aguda (SCA), na qual atrasos diagnósticos e terapêuticos estão diretamente associados a piores desfechos clínicos, incluindo aumento da morbimortalidade. Ademais, a inexistência de uma linha de cuidado estruturada comprometia a estratificação de risco, a tomada de decisão oportuna e a integração com a Rede de Atenção às Urgências e Emergências.
Diante desse diagnóstico, evidenciou-se a necessidade de reestruturação do processo assistencial, com implantação de protocolo clínico baseado em evidências, capaz de padronizar condutas, reduzir tempos críticos, qualificar o cuidado e ampliar a segurança do paciente. A iniciativa configura-se, portanto, como resposta a uma lacuna assistencial relevante e como oportunidade estratégica de melhoria da qualidade, eficiência e resolutividade no atendimento às urgências cardiovasculares no âmbito do SUS.

Antes da implantação do Protocolo de Síndrome Coronariana Aguda (SCA), o atendimento aos pacientes com dor torácica na UPA 24h de Ipatinga caracterizava-se por ausência de padronização do fluxo assistencial, variabilidade nas condutas e tempo porta-eletrocardiograma (ECG) elevado, com mediana de 41 minutos.
Após a implementação do protocolo, observou-se melhora significativa nos processos assistenciais, com redução da mediana do tempo porta-ECG para 32 minutos, além do registro, em abril de 2026, de atendimentos realizados em até 14 minutos, aproximando-se dos parâmetros preconizados pelas diretrizes nacionais e internacionais (≤ 10 minutos).
Esse resultado evidencia maior agilidade na identificação de casos suspeitos de SCA, favorecendo a intervenção precoce e potencialmente contribuindo para a redução de desfechos adversos. Houve também maior padronização das condutas assistenciais e fortalecimento da estratificação de risco, favorecendo decisões clínicas mais seguras e oportunas.
A capacitação das equipes contribuiu para o reconhecimento precoce dos casos suspeitos de SCA e maior adesão ao protocolo instituído. A reorganização do fluxo assistencial, aliada à implantação de espaço exclusivo para realização de ECG, impactou positivamente na eficiência do serviço, reduzindo gargalos e otimizando o tempo de resposta.
Adicionalmente, observou-se melhoria na articulação com a Rede de Atenção às Urgências e Emergências. Destaca-se, ainda, a integração da UPA ao Hospital Municipal e ao Hospital Márcio Cunha, referência em cardiologia de alta complexidade no Leste de Minas Gerais, com encaminhamento de pacientes em regime de vaga zero para casos de infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST, favorecendo a continuidade do cuidado.
O avanço obtido foi reconhecido pelo Hospital do Coração (HCor) por meio de publicação institucional.
Como principais lições aprendidas, destacam-se a importância do envolvimento multiprofissional, do monitoramento contínuo de indicadores e da adaptação das estratégias à realidade local. A experiência demonstrou ser uma inovação organizacional viável, de baixo custo e com elevado potencial de replicabilidade no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), contribuindo para a segurança do paciente e melhores desfechos clínicos.

Documentos comprovatórios disponíveis em:
https://drive.google.com/drive/folders/1muSfIkM4OQR2kFiq6KkXMfMqqF8_GgwM?usp=sharing

A implementação de um protocolo de SCA requer planejamento estruturado, envolvimento institucional e adaptação à realidade local. Recomenda-se iniciar com diagnóstico situacional detalhado, identificando fragilidades no fluxo assistencial e estabelecendo indicadores mensuráveis, como o tempo porta-ECG.
O engajamento da equipe multiprofissional desde o início é fundamental para a construção coletiva do processo e maior adesão às mudanças. Investir em capacitações periódicas, com foco no reconhecimento precoce e na tomada de decisão em condições tempo-dependentes, fortalece a segurança do cuidado.
A elaboração de fluxogramas simples e bem definidos contribui para a padronização das condutas e maior agilidade no atendimento. A adequação da estrutura física, mesmo com recursos limitados, pode gerar impacto significativo, como a implantação de espaço exclusivo para ECG.
Por fim, destaca-se a importância do monitoramento contínuo dos indicadores e da realização de ciclos sistemáticos de avaliação e melhoria, bem como da articulação com a rede de atenção à saúde, garantindo continuidade do cuidado e maior resolutividade assistencial.

autor Principal

Andreia Cristiane Santos

andreia.upa.ipt@gmail.com

Diretora da Unidade de Pronto Atendimento José Isabel do Nascimento-UPA24h de Ipatinga

Coautores

Andreia Cristiane Santos, Andréa Maria Lage de Assis, João Vitor Badaró Pianissolla, Ariana Vieira Ramos, Walisson da silva Medeiros

A prática foi aplicada em

Ipatinga

Minas Gerais

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Av. Gerasa - Canaã, Ipatinga - MG, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Andreia Cristiane Santos

Conta vinculada

05 maio 2026

CADASTRO

05 maio 2026

ATUALIZAÇÃO

01 jan 2026

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

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