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SAMUZINHO: EDUCAÇÃO EM PRIMEIROS SOCORROS NAS ESCOLAS COMO ESTRATÉGIA DE EQUIDADE NO SUS

Paulo Sérgio Mendes de Lima

limapaulorj@yahoo.com.br

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A qualificação da resposta às urgências no território não depende exclusivamente dos serviços especializados, mas também da capacidade da população em reconhecer situações críticas e agir precocemente. Nesse contexto, a educação em primeiros socorros configura-se como estratégia essencial de promoção da saúde, prevenção de agravos e fortalecimento da autonomia comunitária.
O projeto SAMUZINHO foi desenvolvido no âmbito do SAMU 192 Médio Paraíba (RJ) como uma iniciativa de educação em saúde voltada principalmente ao ambiente escolar, com foco na formação de crianças e adolescentes como multiplicadores do conhecimento em primeiros socorros.
A proposta está alinhada aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS): amplia a universalidade, ao democratizar o acesso à informação; fortalece a integralidade, ao integrar prevenção e cuidado; e promove a equidade, ao alcançar diferentes realidades territoriais, especialmente em regiões com desigualdades de acesso.

O objetivo é capacitar a população — especialmente o público escolar — para o reconhecimento precoce de situações de urgência e adoção de condutas iniciais adequadas, contribuindo para a redução de agravos e fortalecimento da resposta comunitária às emergências. Adicionalmente, busca-se fortalecer o vínculo entre o SAMU e a comunidade, estimular a formação de multiplicadores do cuidado e qualificar a interação da população com os serviços de urgência.
Trata-se de uma experiência prática desenvolvida em 2025, com abordagem intersetorial envolvendo saúde, educação e gestão local. As ações foram conduzidas por equipes multiprofissionais do SAMU (médicos, enfermeiros e condutores socorristas), utilizando metodologias ativas, linguagem acessível e estratégias lúdicas.
As atividades incluíram simulações práticas, dramatizações e uso de materiais didáticos, abordando temas como acionamento correto do 192, suporte básico de vida, engasgo, desmaios, convulsões e traumas leves. A implementação foi descentralizada, considerando características territoriais e articulada com gestores locais, garantindo capilaridade e alcance ampliado.
A iniciativa se justifica pela necessidade de fortalecer a cultura de prevenção, reduzir vulnerabilidades e ampliar a capacidade de resposta da comunidade frente às emergências, especialmente em territórios heterogêneos

A baixa disseminação de conhecimentos básicos em primeiros socorros na população representa um importante fator de risco para agravamento de situações de urgência, especialmente em contextos onde o tempo-resposta pode ser impactado por características territoriais. A ausência de preparo da comunidade dificulta o reconhecimento precoce de emergências e a adoção de condutas iniciais adequadas, aumentando o risco de complicações e desfechos desfavoráveis. Além disso, observa-se uso inadequado dos serviços de urgência, refletindo lacunas no acesso à informação em saúde. Esse cenário evidencia a necessidade de estratégias educativas estruturadas, capazes de promover autonomia, reduzir desigualdades e fortalecer a resposta comunitária no SUS

Em 2025, o projeto SAMUZINHO realizou 61 ações educativas, alcançando diretamente 1.100 participantes. A iniciativa envolveu: 56 escolas; 3 prefeituras; 2 associações de moradores; Atuação em 8 municípios da região (Itatiaia, Porto Real, Resende, Barra Mansa, Valença, Volta Redonda, Piraí e Pinheiral). Os principais resultados envolveram: Alta capilaridade territorial, alcançando diferentes realidades sociais; Elevado engajamento do público escolar, com forte participação nas atividades práticas; Ampliação do conhecimento em primeiros socorros, com melhor reconhecimento de situações de risco; Fortalecimento da autonomia comunitária diante de emergências; Aproximação entre SAMU e população, fortalecendo o vínculo institucional; Potencial redução de agravos, por meio de respostas mais rápidas e adequada. Como inovação e diferencial: Uso de metodologias ativas e lúdicas no ensino; Formação de multiplicadores do cuidado; Integração efetiva entre saúde e educação; Estratégia de baixo custo e alta replicabilidade. Como principal lição, destaca-se que a educação em saúde, quando territorializada e participativa, tem alto potencial transformador, promovendo não apenas conhecimento, mas mudança de comportamento e fortalecimento do cuidado coletivo.

Para adotar iniciativa semelhante, recomenda-se:
Adotar abordagem intersetorial: integrar saúde, educação e gestão local para ampliar alcance e sustentabilidade
Utilizar metodologias ativas: priorizar práticas, simulações e linguagem acessível, especialmente para o público jovem
Formar multiplicadores: focar em crianças e adolescentes como agentes de disseminação do conhecimento
Adaptar o conteúdo ao território: considerar características locais e necessidades específicas da população
Capacitar equipes de saúde para atuação educativa: desenvolver habilidades pedagógicas nos profissionais
Descentralizar as ações: garantir acesso equitativo entre diferentes municípios e comunidades
Monitorar resultados: acompanhar número de ações, público alcançado e impacto qualitativo
Fortalecer o vínculo com a comunidade: aproximar o serviço de saúde do cotidiano da população.
A principal orientação é clara: educar antes da emergência acontecer é salvar vidas antes mesmo do atendimento chegar.
O SAMUZINHO demonstra que investir em conhecimento é fortalecer o SUS na sua essência — promovendo autonomia, equidade e cuidado compartilhado.

autor Principal

Paulo Sérgio Mendes de Lima

limapaulorj@yahoo.com.br

Coordenador Médico Samu Médio Paraíba-RJ

Coautores

Rodrigo Dias Lages, José Luis da Silva, Danilo Tadeu Rodrigues de Carvalho, Rafael Libaroni

A prática foi aplicada em

Volta Redonda

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Rua 22, 349 - Jardim Vila Rica - Tiradentes, Volta Redonda - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Paulo Sérgio Mendes de Lima

Conta vinculada

24 mar 2026

CADASTRO

24 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

01 jan 2025

inicio

31 dez 2025

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos