autor da pratica

Sala Lilás, ficha unificada e fluxo intersetorial no atendimento à mulher em situação de violência

Heloísa Maria de Carvalho Lage Mannarino

Pedro Novaes

Esta prática está EM MODERAÇÃO por

Pedro Henrique Silva Novaes

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A violência contra a mulher constitui grave violação dos direitos humanos, com impactos na saúde física, mental e social, manifestando-se nas formas física, psicológica, sexual, moral e patrimonial, conforme a Lei nº 11.340/2006 (BRASIL, 2006; LIMA et al., 2022; CORREA et al., 2024). Trata-se de fenômeno complexo, historicamente estruturado em relações desiguais de gênero, que colocam a mulher em situação de vulnerabilidade (LIMA et al., 2022; SANTOS et al., 2022).
No Brasil, atinge mulheres de diferentes contextos sociais, configurando-se como relevante problema de saúde pública (BUENO et al., 2025; BRASIL, 2011; MAIA et al., 2023; BRASIL, 2024). Em Comendador Levy Gasparian/RJ, o enfrentamento foi organizado por meio de rede intersetorial envolvendo saúde, assistência social e segurança pública. Dentre as estratégias adotadas, destacam-se a cartilha municipal de atendimento à mulher em situação de violência, a criação do Grupo de Trabalho (GT) de Violência Doméstica, a implantação da Sala Lilás no Pronto Atendimento com funcionamento 24 horas, a instituição da ficha unificada (Decreto nº 2.652/2026), a normatização do Protocolo Operacional Padrão (POP) e a implementação da Ronda Maria da Penha.
A Sala Lilás configura-se como espaço especializado de acolhimento, com atendimento sigiloso e humanizado, realizando avaliação de risco, registro de lesões, notificação, testes de ISTs e gravidez, profilaxia pós-exposição (PEP), contracepção de emergência, cuidados clínicos e encaminhamento à rede de proteção. O funcionamento contínuo garante acesso e cuidado integral. A assistência é organizada pela ficha unificada, assegurando padronização e continuidade, articulada ao POP e aos fluxos, com suporte do GT de Violência Doméstica.
A iniciativa está alinhada à Convenção de Belém do Pará e ao ODS 5, voltados à igualdade de gênero e ao enfrentamento da violência contra a mulher (NOTHAFT et al., 2021; LISBOA et al., 2021; OEA, 1994).

Objetiva-se descrever e apresentar a atuação da Sala Lilás espaço especializado de acolhimento humanizado, avaliação de risco e encaminhamento no atendimento 24 horas à mulher em situação de violência no Pronto Atendimento, já estruturado e consolidado, a partir da utilização da ficha unificada (Decreto nº 2.652/2026) e de fluxo assistencial organizado, visando à continuidade assistencial.
Objetivos específicos:
1. Classificar o risco imediato, subsidiando a tomada de decisão clínica e assistencial de forma estruturada;
2. Padronizar o registro das informações por meio da ficha unificada, contemplando identificação, avaliação de risco, registro de lesões e relato da violência;
3. Executar condutas clínicas conforme estabelecido no Protocolo Operacional Padrão (POP), incluindo testes, profilaxias, medicações e demais intervenções necessárias;
4. Realizar acolhimento humanizado, conforme o Protocolo LIVES (OMS), com escuta qualificada e encaminhamentos articulados à rede de proteção, assegurando continuidade do cuidado.

A implementação da Sala Lilás em serviço de funcionamento 24 horas, associada à ficha unificada e ao fluxo intersetorial, promoveu significativa qualificação do atendimento às mulheres em situação de violência no município.
Observou-se ampliação do acesso ao atendimento imediato, garantindo acolhimento contínuo, independentemente do horário de ocorrência da violência.
Houve maior organização do processo assistencial, padronização das condutas e melhoria no registro das informações.
A ficha unificada possibilitou avaliação estruturada do risco, maior segurança na tomada de decisão e acionamento ágil da rede de proteção.
A articulação intersetorial reduziu a fragmentação do cuidado e ampliou a resolutividade das ações, assegurando continuidade assistencial e proteção às usuárias.

Visando facilitar a implementação de uma prática semelhante, é fundamental investir na articulação intersetorial, envolvendo diferentes áreas como saúde, assistência social, segurança pública e educação. Esse trabalho conjunto fortalece a rede de cuidado, evita a fragmentação das ações e garante respostas mais completas às necessidades da população.
Outro ponto essencial é a definição de fluxos bem estruturados, com protocolos claros que orientem o atendimento desde a identificação do caso até o acompanhamento. Ter um fluxo organizado traz segurança para os profissionais, padroniza as condutas e melhora a eficiência do serviço.
Além disso, a adoção de uma ficha unificada de atendimento se apresenta como uma estratégia altamente recomendada e replicável. Esse instrumento permite o registro padronizado das informações, facilita a comunicação entre os setores envolvidos e assegura a continuidade do cuidado, podendo ser adaptado à realidade de outros municípios.

autor Principal

Heloísa Maria de Carvalho Lage Mannarino

heloisamannarino8@gmail.com

Secretária de Governo

Coautores

Heloísa Maria de Carvalho Lage Mannarino, Rebeca Fernandes Rodrigues, Vitor Peyroton, Pedro Henrique Silva Novaes, Natália Cristina de Oliveira, Elisabete Agrela de Andrade.

A prática foi aplicada em

Comendador Levy Gasparian

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Prefeitura Municipal de Comendador Levy Gasparian - Rua Vereador José Joaquim Xavier - Conj Habt Fonseca Almeida, Comendador Levy Gasparian - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Pedro Henrique Silva Novaes

Conta vinculada

26 mar 2026

CADASTRO

26 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

12 dez 2025

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

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