favor seguir os ajustes necessários abaixo:
A Rede de Hortos Agroflorestais Medicinais Biodinâmicos (RHAMB) articula saúde, educação e meio ambiente, com princípios da Agroecologia e da Agricultura Biodinâmica, a partir do cultivo de plantas em equipamentos públicos do Sistema Único de Saúde do Distrito Federal (DF), por meio de atividades comunitárias de Promoção da Saúde. A concentração de renda no DF expõe grande parte da população a condições precárias de vida, sob insegurança alimentar e nutricional e injustiça ambiental, em uma sistemática agressão às paisagens do Bioma Cerrado. Neste contexto, o primeiro Horto Agroflorestal Medicinal Biodinâmico (HAMB) foi implantado na Unidade Básica de Saúde do Lago Norte, com o intuito de promover saúde a partir do cultivo de plantas medicinais e plantas alimentícias convencionais e não convencionais (PANC), de modo a produzir cuidado no campo da saúde mental, articulando a vigilância e a assistência à saúde. A partir de emendas parlamentares, houve as primeiras ofertas de Educação Permanente (EP), uma especialização em 2021 e, posteriormente, criou-se uma estratégia a partir do Aperfeiçoamento em HAMB, em parceria com a Escola de Governo da Fundação Oswaldo Cruz, em Brasília. Entre 2022 e 2026 foram ofertadas 4 turmas do aperfeiçoamento, com mais de 170 servidores da SES-DF formados e com a implantação de 52 HAMB em uma expansão intra e intersetorial para unidades de saúde, escolas e CREAS, dentre outros. Assim, em cada HAMB, são promovidos mutirões comunitários semanais para manejo (preparo de solo, plantio/semeadura, podas/colheitas de plantas medicinais, alimentícias e PANC), palestras e oficinas. A maioria dos HAMB do DF está implantada na periferia de Brasília, em territórios marcados pelo racismo e pela injustiça social, como áreas desprovidas de árvores e parques, no contexto de pântanos e desertos alimentares, com alta prevalência de arboviroses, problemas de saúde mental e apartheid alimentar. Assim, usuários e trabalhadores da saúde se encontram para cuidar do solo com agroflorestais biodinâmicas que produzem alimentos e plantas medicinais em ambientes saudáveis, sustentáveis, seguros, sagrados e solidários. A RHAMB é uma inovação para o DF e para o Brasil que promove autonomia e vínculos comunitários em torno do debate das mudanças climáticas e da importância do meio ambiente para a saúde das pessoas. A experiência está fortemente presente na Atenção Primária à Saúde (APS) e em hospitais, Casa de Parto, CAPS, unidades da vigilância, escolas e CREAS. Desenvolver uma metodologia dinâmica que promovesse a participação dos usuários, o engajamento dos trabalhadores e o comprometimento dos gestores é o principal aprendizado. A busca por fortalecer a intersetorialidade é um desafio que vem sendo superado ano após ano. Por isso, a RHAMB é estratégica para manter viva a chama da Reforma Sanitária.
A concepção dos Hortos Agroflorestais Medicinais e Biodinâmicos (HAMB) começou em 2018, a partir da iniciativa de um médico de família na Unidade Básica de Saúde (UBS) nº 1 do Lago Norte, em Brasília. O objetivo foi implantar um horto comunitário para produzir Insumo Farmacêutico Ativo Vegetal (IFAV) e promover educação em saúde e ambiental. O projeto, que contou com a participação comunitária, consolidou-se como dispositivo tecnoassistencial para a promoção e educação em saúde, educação ambiental e espaço de fortalecimento comunitário.
A Rede de Hortos Agroflorestais Medicinais Biodinâmicos (RHAMB) do Distrito Federal vem consolidando uma estratégia inovadora de promoção da saúde, cuidado integral e fortalecimento comunitário, articulando saúde, agroecologia, alimentação saudável, sustentabilidade e participação social.
1. Formação e qualificação dos trabalhadores
Foram realizados quatro processos formativos no âmbito do Curso de Especialização em HAMB, que, até o final de 2026, terão sensibilizado e qualificado mais de 160 gestores e trabalhadores da saúde. Essa iniciativa fortalece a compreensão dos hortos como dispositivos assistenciais, capazes de ampliar as práticas de cuidado e promover uma cultura de saúde integral nos territórios.
2. Expansão territorial e enfrentamento das desigualdades socioambientais
Das 36 Regiões Administrativas (RAs) do Distrito Federal, 25 já contam com HAMB implantados, o que representa uma cobertura de 69,4%.
Considerando o Índice de Vulnerabilidade Social (IVS-DF 2021), disponível para 24 dessas RAs, 13 (54,2%) estão localizadas em territórios com vulnerabilidade social média, alta ou muito alta. São sete RAs na faixa média, que concentram 21 hortos; quatro na faixa alta, com cinco hortos; e duas na faixa muito alta, com quatro hortos. Ao todo, 30 dos 53 hortos com IVS calculado (56,6%) estão situados nessas três faixas de vulnerabilidade.
Esses dados demonstram que mais da metade da rede está presente em territórios com importantes fragilidades sociais, reforçando o papel dos HAMB como estratégia de promoção da saúde, redução das desigualdades socioambientais e fortalecimento comunitário.
3. Institucionalização e fortalecimento da governança
A RHAMB foi formalizada por meio da Portaria SES-DF nº 137/2026, representando um avanço fundamental para o reconhecimento institucional da rede, sua organização, sustentabilidade e ampliação das ações no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
4. Inovação nas práticas de cuidado e promoção da saúde
Uma das principais inovações da experiência é compreender os hortos não apenas como espaços de cultivo de plantas medicinais, mas como territórios vivos de cuidado, aprendizagem, convivência e transformação socioambiental.
A maioria dos HAMB está implantada em áreas periféricas de Brasília, marcadas por desigualdades socioambientais, escassez de áreas verdes, presença de desertos e pântanos alimentares, além de elevada prevalência de arboviroses e problemas de saúde mental.
Nesse contexto, usuários e trabalhadores da saúde se encontram para cuidar do solo e das relações humanas, por meio da implantação e do manejo de agroflorestas biodinâmicas, que integram a produção de alimentos saudáveis e plantas medicinais à criação de ambientes saudáveis, sustentáveis, seguros, sagrados e solidários.
5. Lições aprendidas
A experiência demonstra que a promoção da saúde exige superar uma visão restrita e individualizada do cuidado, reconhecendo a importância dos territórios, dos vínculos comunitários e das condições socioambientais na determinação da saúde.
Entre as principais lições aprendidas, destacam-se a importância da formação permanente dos trabalhadores, da institucionalização das iniciativas, da articulação intersetorial e da participação ativa das comunidades na construção e na gestão dos espaços de cuidado.
Os HAMB mostram que é possível transformar espaços ociosos em territórios de vida, produção de alimentos, biodiversidade, convivência e promoção da saúde, fortalecendo o SUS e ampliando o direito à saúde e à alimentação adequada.
Os interessados podem entrar em contato com a SES-DF para compartilhar os desafios e conhecer o protocolo da experiência da Rede HAMB no Distrito Federal.
SRTVN PO700 - Ministério da Saúde - Asa Norte, Brasília - DF, Brasil
CADASTRO
ATUALIZAÇÃO