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A hanseníase é uma doença infecciosa crônica que representa um importante desafio para a saúde pública, especialmente em regiões com elevada ocorrência de casos, como o estado de Mato Grosso. A doença acomete a pele e os nervos periféricos, causando comprometimentos neurológicos que podem resultar em incapacidades físicas, a doença também pode provocar impactos emocionais, psicológicos e sociais, associados aos estigma, ao preconceito e à discriminação. Nesse contexto, a criação do Grupo Municipal de Apoio às Pessoas com Hanseníase “Conhecer para Cuidar”, foi idealizado no âmbito da Atenção Primária à Saúde do município de Nova Mutum/MT, com a proposta de ampliar o cuidado para além do tratamento medicamentoso, reconhecendo as necessidades integrais das pessoas acometidas pela doença. A iniciativa busca constituir um espaço coletivo de acolhimento, escuta qualificada, educação em saúde e compartilhamento de experiências, favorecendo o fortalecimento dos vínculos entre usuários e profissionais, a construção de conhecimentos sobre a doença e a valorização das vivências individuais. Por meio de ações multiprofissionais, com participação da Psicologia e da Fisioterapia, o grupo propõe integrar o cuidado à saúde mental, a prevenção de incapacidades físicas, o estímulo ao autocuidado e a promoção da autonomia. Assim, o projeto fundamenta-se nos princípios da integralidade, da humanização e da equidade do Sistema Único de Saúde, compreendendo que o enfrentamento da hanseníase exige não apenas o diagnóstico e o tratamento oportunos, mas também estratégias de apoio psicossocial, educação em saúde e combate ao estigma.
O objetivo geral busca promover o cuidado integral às pessoas acometidas pela hanseníase no município de Nova Mutum/MT, por meio de um grupo municipal de apoio multiprofissional que favoreça a saúde emocional, a educação em saúde, o autocuidado, a prevenção de incapacidades e o enfrentamento do estigma e do preconceito relacionados à doença. Os objetivos específicos consistem em:
– Proporcionar um espaço de acolhimento, escuta qualificada e compartilhamento de experiências entre pessoas acometidas pela hanseníase;
– Promover ações de educação em saúde sobre transmissão, diagnóstico, tratamento, cura e prevenção de incapacidades decorrentes da doenças;
– Oferecer suporte psicossocial, considerando os impactos emocionais, familiares e sociais relacionados ao diagnóstico e ao tratamento;
– Contribuir para o combato do estigma, do preconceito e da discriminação;
– Incentivar práticas de autocuidado e o reconhecimento precoce de sinais e sintomas que necessitem avaliação profissional;
– Orientar sobre cuidados com pele, face, mãos e pés, alterações de sensibilidade, comprometimentos neurais e prevenção de incapacidades físicas, conforme as necessidades individuais;
– Fortalecer a adesão ao tratamento e a continuidade do acompanhamento na Rede de Atenção à Saúde;
– Estimular autonomia, o protagonismo da participação ativa dos usuários no processo de cuidado;
– Fortalecer a atuação multiprofissional e o vínculo entre os usuários e as equipes da Atenção Primária à Saúde;
– Favorecer a troca de conhecimentos e experiências, valorizando as potencialidades individuais e coletivas como recursos para o enfrentamento da doença.
Desta forma, a criação do Grupo Municipal de Apoio às Pessoas com Hanseníase justifica-se pela necessidade de ampliar as estratégias de cuidado oferecidas às pessoas acometidas pela doença, considerando que suas repercussões ultrapassam os aspectos clínicos e pode comprometer a saúde emocional, as relações sociais, a autoestima, a autonomia e a qualidade de vida. Embora a hanseníase tenha tratamento e cura, o estigma historicamente associado à doença ainda pode contribuir para o medo do diagnóstico, o isolamento social, a ocultação da condição de saúde e as dificuldade na busca por assistência, além disso, a doença pode demandar acompanhamento contínuo e integrado. Diante dessa realidade, a organização de um grupo de apoio possibilita a construção de um ambiente acolhedor, na qual os participantes podem compartilhar vivências, esclarecer dúvidas, desenvolver estratégias de enfrentamento e fortalecer o sentimento de pertencimento. No âmbito da Atenção Primária à Saúde, a iniciativa também se justifica pela importância de fortalecer vínculos, usuários e profissionais, ampliar o acesso às informações qualificadas e favorecer a corresponsabilização pelo cuidado. O projeto busca contribuir com a humanização da assistência, ao reconhecer a pessoa para além do diagnóstico, o grupo busca superar práticas centradas exclusivamente na doença e reafirmar o compromisso do SUS com a integralidade, a dignidade humana e a promoção de saúde. O grupo “Conhecer para Cuidar” representa uma estratégia de cuidado coletivo que busca transformar informação em conhecimento, acolhimento em vínculo e participação em fortalecimento da autonomia, contribuindo para uma assistência mais humanizada e inclusiva às pessoas acometidas pela hanseníase em Nova Mutum/MT.
Idealização através de uma experiência pessoal de adoecimento, sendo o diagnóstico de hanseníase, uma doença sobre a qual não possuía conhecimento prévio, pela ausência de uma rede de apoio no território. A experiência pessoal possibilitou reconhecer que o diagnóstico não representa apenas o início de um tratamento medicamentos, mas também o enfrentamento de medos, preconceitos, mudanças na rotina e repercussões na saúde emocional. Mais do que responder a uma necessidade individual, o projeto nasceu da percepção de que outras pessoas não deveriam enfrentar o diagnóstico sem informação, acolhimento e apoio.
Ampliação do olhar sobre as necessidades físicas, emocionais e sociais das pessoas acometidas pela hanseníase, bem como o incentivo ao autocuidado e o enfrentamento do estigma e do preconceito. Participação ativa dos pacientes no processo de cuidado. Assistência mais humanizada e participativa. Compreensão de que o tratamento medicamentoso, embora essencial, não contempla isoladamente todas as necessidades decorrentes da hanseníase. O acolhimento emocional, a informação acessível, o apoio social e o acompanhamento multiprofissional são componentes importantes para a integralidade do cuidado.
Para implementação da prática, recomenda-se começar pelo reconhecimento da necessidades dos usuários, criando um ambiente acolhedor, ético e livre de julgamentos.
– Escuta;
– Formação de equipe multiprofissional;
– Educação em Saúde;
– Valorização das experiências pessoais;
– Garantir a continuidade das atividades;
– Avaliar os resultados.
Av. Mutum, no 1250 - Centro, Nova Mutum - MT, Brasil
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