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A experiência foi desenvolvida na Atenção Básica do município de Monte Santo de Minas–MG (aproximadamente 22 mil habitantes), que conta com 08 Unidades de Saúde da Família e 02 equipes multiprofissionais (eMulti).
O Grupo de Psicologia para Crianças foi criado diante da necessidade de qualificar o cuidado em saúde mental infantil no território, considerando a importância do desenvolvimento emocional e social na infância para a promoção de saúde e prevenção de agravos.
O objetivo foi oferecer um espaço estruturado, acolhedor e seguro para o desenvolvimento de habilidades emocionais e sociais, especialmente relacionadas à expressão de sentimentos, manejo de frustrações, empatia e convivência interpessoal.
A metodologia incluiu seleção de crianças de 3 a 11 anos (com ou sem laudo, em investigação ou com queixas emocionais e sociais), organização por faixa etária e composição de grupos pequenos (4 a 8 participantes), favorecendo vínculo e participação ativa.
Foram realizados 10 encontros quinzenais, no contraturno escolar, com uso de estratégias lúdicas (jogos, histórias, dinâmicas e expressão artística) como mediadoras do aprendizado emocional.
O processo contemplou orientação inicial e devolutiva final às famílias, com elaboração de relatórios e encaminhamentos quando necessário. A experiência também se articula com a rede de atenção, qualificando o fluxo assistencial, especialmente no apoio à avaliação neuropediátrica.
O município apresenta elevada demanda em saúde mental infantil na Atenção Básica, associada à ausência de atendimento especializado em psicologia e limitação de acesso a outros serviços da atenção especializada. O CAPS I atende prioritariamente casos graves, e os encaminhamentos para outros municípios são restritos.
Assim, grande parte das crianças com dificuldades emocionais e sociais permanece na Atenção Básica, gerando sobrecarga e necessidade de estratégias mais resolutivas. Soma-se a isso a existência de fila para neuropediatria, com exigência de relatório psicológico para continuidade do cuidado.
Diante desse cenário, identificou-se a necessidade de uma intervenção estruturada, coletiva e acessível, capaz de ampliar o cuidado, qualificar a assistência e fortalecer a resolutividade da rede.
Foram observados avanços significativos no desenvolvimento emocional e social das crianças. Houve ampliação da capacidade de identificação e expressão das emoções, favorecendo a autorregulação.
Verificou-se melhora na empatia, nas interações interpessoais e na resolução de conflitos, com redução de comportamentos impulsivos e adoção de estratégias mais adaptativas, como diálogo e negociação.
Também houve melhora no manejo de frustrações, com respostas emocionais mais equilibradas em situações de perda ou dificuldade.
As famílias relataram mudanças positivas no comportamento, nas relações familiares e na adaptação escolar, indicando impacto para além do espaço grupal.
Destaca-se o alto engajamento das crianças e o fortalecimento do vínculo. Como impacto na rede, a prática contribuiu para a organização do fluxo assistencial, incluindo a produção de relatórios para neuropediatria.
No segundo semestre de 2025, foram atendidas 137 crianças e adolescentes. No primeiro semestre de 2026, o número ampliou para 150 participantes em acompanhamento. A continuidade e expansão da experiência evidenciam sua efetividade, aceitação no território e potencial de replicação na Atenção Básica.
Recomenda-se a estruturação prévia da proposta, com definição clara de objetivos, público-alvo e metodologia, garantindo organização e efetividade.
A composição de grupos pequenos, organizados por faixa etária, favorece vínculo, participação e manejo qualificado das demandas. O uso de estratégias lúdicas é fundamental, pois facilita o acesso das crianças a conteúdos emocionais de forma significativa.
O envolvimento das famílias desde o início fortalece a adesão e amplia os efeitos da intervenção no cotidiano.
Destaca-se ainda a importância da articulação com a rede de atenção, integrando a prática aos fluxos assistenciais do território.
Por fim, evidencia-se que intervenções coletivas, estruturadas e de baixo custo são viáveis na Atenção Básica, contribuindo para a promoção da saúde mental infantil, prevenção de agravos e fortalecimento de um SUS mais resolutivo e humanizado.
R. Cel. Francisco Paulino da Costa, 205 - Monte Santo de Minas, MG, 37958-000, Brasil
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