Projeto Conexão Atípica: cuidando de quem cuida – grupo de apoio para famílias atípicas

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Aline de Freitas Espirito Santo

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Aline de Freitas Espirito Santo

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O projeto Conexão Atípica constitui uma estratégia inovadora no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS), voltada ao cuidado integral de familiares e cuidadores de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A iniciativa foi desenvolvida a partir da análise situacional do território, que evidenciou o aumento da demanda de famílias atípicas e a necessidade de ações estruturadas de apoio emocional, orientação qualificada e fortalecimento de redes de suporte, frente à sobrecarga e vulnerabilidades vivenciadas por esses cuidadores.Alinhado aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente a integralidade, equidade, humanização e trabalho em rede, o projeto reconhece a família como elemento central no processo de cuidado. Nesse sentido, tem como objetivo promover acolhimento, escuta qualificada, troca de experiências, fortalecimento da autoestima e incentivo ao autocuidado, contribuindo para a melhoria da saúde mental dos cuidadores e, consequentemente, para a qualificação do cuidado ofertado às pessoas com TEA. Busca ainda ampliar o acesso à informação sobre direitos, serviços e estratégias de cuidado, promovendo autonomia e protagonismo dos participantes.A intervenção é operacionalizada por meio de encontros mensais, com duração média de duas horas, conduzidos pela equipe eMulti, em articulação com profissionais de diferentes áreas, como saúde, assistência social e educação, garantindo uma abordagem interdisciplinar e intersetorial. A metodologia adotada é participativa e centrada no usuário, utilizando rodas de conversa, práticas integrativas, dinâmicas de grupo e ações de promoção do bem-estar e da saúde mental. Como diferencial para ampliação do acesso, o projeto oferece suporte ao cuidado das crianças durante os encontros, favorecendo a adesão e permanência dos participantes.A implementação ocorreu de forma planejada e articulada com as equipes da APS, incluindo diagnóstico territorial, organização do processo de trabalho, mobilização ativa das famílias e definição de fluxos de acompanhamento. Os encontros são estruturados por temáticas relevantes, garantindo continuidade, vínculo e acompanhamento longitudinal.Entre os principais resultados observados, destacam-se o fortalecimento da saúde emocional dos cuidadores, a elevação da autoestima, a redução do isolamento social, a ampliação do conhecimento sobre o TEA e os direitos, além da construção e fortalecimento de redes de apoio no território. Evidencia-se também o fortalecimento do vínculo entre usuários e serviços de saúde, bem como a maior articulação com a rede intersetorial.A experiência demonstra potencial de replicabilidade em outros territórios, por se tratar de uma tecnologia leve, de baixo custo e alto impacto, baseada na valorização da escuta, do vínculo e do cuidado compartilhado. Assim, o projeto Conexão Atípica consolida-se como uma prática exitosa na APS, contribuindo para a promoção da equidade, da inclusão social e da melhoria da qualidade de vida das famílias atípicas.

O aumento significativo de famílias de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no território evidenciou a ausência de espaços estruturados de acolhimento e apoio aos cuidadores. Embora o município tenha se organizado para atender às pessoas com TEA, não havia suporte direcionado às famílias e/ou cuidadores. Observou-se sobrecarga emocional, isolamento social e dificuldade de acesso à informação, indicando a necessidade de qualificar as ações da Atenção Primária com foco no cuidado integral.

Com a implementação do projeto, já é possível observar resultados significativos junto aos participantes. Destaca-se o fortalecimento emocional dos familiares e cuidadores, evidenciado pela maior abertura para o compartilhamento de vivências e pelo apoio mútuo construído ao longo dos encontros. Verifica-se também a ampliação do conhecimento acerca dos direitos, dos serviços disponíveis e das estratégias de cuidado, contribuindo para maior segurança e autonomia no cotidiano. Outro avanço importante refere-se à construção e consolidação de uma rede de apoio entre os participantes, fortalecendo vínculos e promovendo o sentimento de pertencimento.Observou-se, ainda, melhora na qualidade de vida dos cuidadores, refletindo positivamente no cuidado ofertado aos familiares com TEA. Além disso, houve um maior vínculo das famílias com os serviços da Atenção Primária à Saúde (APS) e com a rede intersetorial, facilitando o acesso e a continuidade do cuidado. Ressalta-se, ainda, que a oferta de práticas de autocuidado tem gerado impactos concretos no cotidiano das participantes, sendo observado que algumas mães, após o contato com as atividades apresentadas no projeto, passaram a se matricular em aulas e serviços ofertados no território, ampliando o cuidado consigo mesmas e fortalecendo sua autonomia.Por fim, evidencia-se o estímulo ao protagonismo dos participantes, que passam a se reconhecer como sujeitos ativos na busca por seus direitos e no desenvolvimento de estratégias de cuidado mais eficazes.

Recomenda-se iniciar com diagnóstico do território e envolver a equipe da APS desde o planejamento. É fundamental garantir espaço acolhedor, escuta qualificada e metodologia participativa. Trabalhar temas diversificados, incluindo autocuidado relacionado à beleza e valorização da autoestima, contribui para o engajamento e fortalecimento do protagonismo dos cuidadores. A personalização de itens e atividades demonstra que cada participante é reconhecido em sua individualidade, fortalecendo o vínculo e o sentimento de pertencimento. A articulação intersetorial amplia o acesso a serviços e direitos. Ofertar suporte para as crianças favorece a adesão. Por fim, manter a regularidade dos encontros e realizar avaliação contínua assegura a sustentabilidade e replicabilidade da prática.

autor Principal

Aline de Freitas Espirito Santo

alinefreitases@icloud.com

Coordenadora da Equipe Emult

Coautores

A prática foi aplicada em

Alvinópolis

Minas Gerais

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Avenida Antônio Carlos, 757, Alvinópolis - MG, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Aline de Freitas Espirito Santo

Conta vinculada

06 maio 2026

CADASTRO

06 maio 2026

ATUALIZAÇÃO

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

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