Prevenção combinada ao HIV em territórios de vulnerabilidade: experiência com trabalhadoras do sexo em prostíbulos de Cajazeiras (PB)

A experiência foi desenvolvida no município de Cajazeiras, localizado no Sertão da Paraíba, a aproximadamente 468 km de João Pessoa. O município possui área territorial de 565,9 km² e população estimada em 66.239 habitantes, sendo o oitavo mais populoso do estado. Sua economia é predominantemente baseada no setor terciário (comércio e serviços), seguido da agropecuária e de pequenas indústrias. Cajazeiras destaca-se como polo regional de referência em saúde, educação e comércio, atendendo municípios vizinhos da microrregião.
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é de 0,679, considerado médio, com expectativa de vida de 73,9 anos e taxa de alfabetização de 85,4%. Observa-se ainda redução expressiva da pobreza extrema, que passou de 40,18% em 1991 para 9,05% em 2010, indicando melhorias sociais e econômicas significativas.
Durante a experiência, foram realizadas ações de educação em saúde e testagem rápida para infecções sexualmente transmissíveis (IST) voltadas a profissionais do sexo e trabalhadores de prostíbulos localizados em bairros como Capoeiras e Jardim Cidade Nova.
O objetivo geral foi promover educação em saúde e ampliar o acesso ao diagnóstico de IST entre trabalhadoras do sexo. Como objetivos específicos, destacaram-se: realizar testagem rápida para HIV, sífilis e hepatites B e C; promover diálogo sobre métodos de prevenção combinada e contraceptivos; e orientar quanto ao fluxo de atendimento e acompanhamento das IST na Rede de Atenção à Saúde (RAS).
As atividades incluíram orientações, exibição de métodos de prevenção (autoteste para HIV, testagem rápida, profilaxia pós e pré-exposição [PEP e PrEP] ao HIV, preservativos internos e externos, gel lubrificante e dispositivo intrauterino de cobre), além da distribuição de insumos e entrega de laudos individuais com encaminhamentos conforme cada resultado dos testes rápidos realizados.

A experiência surgiu diante da necessidade de fortalecer ações de prevenção e diagnóstico precoce de IST junto a profissionais do sexo, público considerado em situação de maior vulnerabilidade e exposição a riscos de infecção.
Os prostíbulos, por apresentarem alta rotatividade de trabalhadoras e clientes oriundos de diferentes localidades e contextos socioeconômicos, configuram ambientes de relevância epidemiológica para a manutenção das cadeias de transmissão das IST. Assim, a realização de ações educativas e de testagem nesses espaços tornou-se estratégica para o alcance de resultados mais efetivos em saúde pública.
A execução das atividades no próprio local de trabalho permitiu maior adesão e acesso das mulheres aos serviços, favorecendo a criação de vínculos e a oferta de cuidado integral. Além das trabalhadoras do sexo, funcionários dos prostíbulos também foram incluídos nas ações, ampliando o impacto das intervenções.
Durante as visitas, foram abordadas temáticas sobre prevenção combinada, uso de métodos contraceptivos, direitos sexuais e reprodutivos e fluxos de atendimento na RAS, contribuindo para o empoderamento e autonomia das participantes.

A experiência contribuiu para o aumento da testagem rápida para HIV, sífilis e hepatites B e C, bem como para a ampliação do conhecimento sobre métodos de prevenção combinada e contraceptivos entre as trabalhadoras do sexo.
A ação promoveu o acesso de um público historicamente estigmatizado aos serviços de saúde, reduzindo barreiras sociais e estruturais que dificultam o cuidado contínuo. Além disso, possibilitou vincular essas mulheres à rede de atenção, favorecendo o diagnóstico precoce, o tratamento oportuno e a prevenção de novos casos de IST.
Entre os principais resultados qualitativos, destacam-se a adesão positiva das participantes, a aceitação das equipes dos prostíbulos, o fortalecimento do vínculo entre profissionais de saúde e população vulnerável e o reforço da importância de ações itinerantes e intersetoriais para o enfrentamento das IST no território.

Para a implementação de uma prática semelhante, recomenda-se o fortalecimento da articulação entre a Atenção Primária à Saúde (APS) e o Serviço de Atenção Especializada (SAE), garantindo fluxos bem definidos para o diagnóstico, tratamento e acompanhamento das IST. É fundamental realizar o mapeamento prévio dos locais de trabalho das profissionais do sexo e estabelecer uma abordagem ética, sigilosa e respeitosa, pautada na escuta qualificada e na redução de estigmas.
O envolvimento dos agentes comunitários de saúde e de lideranças locais favorece o acesso e a adesão às ações. Também é importante assegurar a disponibilidade de insumos (preservativos, gel lubrificante, testes rápidos e materiais educativos) e a capacitação da equipe para lidar com temáticas sensíveis, como sexualidade e vulnerabilidade social.
Por fim, destaca-se a importância de realizar ações contínuas, e não pontuais, de modo a promover vínculo com esse público e garantir o acompanhamento integral à saúde sexual e reprodutiva das trabalhadoras do sexo.

autor Principal

José Daniel da Silva Monteiro

daniel.monteiro.rmsc@gmail.com

Enfermeiro pela Universidade Federal de Campina Grande - UFCG. Residente do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde Coletiva pela Escola de Saúde Pública da Paraíba - ESP-PB

Coautores

José Daniel da Silva Monteiro, Ádamo Santos de Araújo, Allan Dellon Pereira Ferreira, Brena Parnaíba Andrade Pinheiro, Sayonara Maria Souza Pereira, Luís de Souza Batista, Patricia Maria Vale de Holanda

A prática foi aplicada em

Cajazeiras

Paraíba

Nordeste

Esta prática está vinculada a

R. Dr. José Moreira de Figueiredo - Bairro Cristo Rei, Cajazeiras - PB, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

José Daniel da Silva Monteiro

Conta vinculada

12 nov 2025

CADASTRO

12 nov 2025

ATUALIZAÇÃO

01 jul 2024

inicio

31 ago 2025

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

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