Passos que acolhem: caminhada, escuta qualificada e cuidado em saúde mental no espaço da cidade

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Patrícia Steffani Jácome de Carvalho

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Patrícia Steffani Jácome de Carvalho

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Trabalho aprovado na seletiva regional Belo Horizonte/MG para a Mostra Aqui tem SUS.

Passos que Acolhem: caminhada, escuta qualificada e cuidado em saúde mental no espaço da cidade.

O projeto “Xô Ansiedade” executado pela Atenção Básica, através do Programa e-Multi da cidade de Itabirito/MG, desde março de 2025, propõe um espaço de cuidado em saúde mental voltado para pessoas com ansiedade leve, articulando prática corporal, escuta qualificada e vivência coletiva no território urbano. Inspirado na Clínica Peripatética de Antônio Lancetti, a iniciativa entende a caminhada não apenas como exercício físico, mas como dispositivo clínico que mobiliza corpo, palavra e cidade. Em um contexto marcado pela lógica da produtividade e da competição, o projeto oferece um território de desaceleração, em que o tempo é dedicado à contemplação e ao encontro. As atividades são coordenadas por uma profissional de educação física e uma psicóloga, garantindo a integração entre movimento e cuidado psicológico. O grupo é aberto e ocorre semanalmente no Parque Ecológico da cidade, promovendo um ambiente seguro para compartilhar angústias, caminhar, praticar exercícios de respiração e relaxamento e participar de rodas de conversa. Mensalmente, o projeto amplia seu repertório com oficinas de dança, tai chi chuan, jogos, auriculoterapia e encontros com profissionais de diversas áreas. Ao ocupar a cidade como extensão do cuidado, busca-se ressignificar o sofrimento psíquico por meio do coletivo, fortalecendo vínculos e promovendo saúde de forma acessível e humanizada.

O projeto adota a abordagem da Clínica Peripatética de Lancetti, deslocando o cuidado do consultório para o movimento no território. A profissional de educação física e psicóloga coordenam os encontros que são semanais, com duração de aproximadamente sessenta minutos. O grupo é aberto, há a necessidade de que o paciente seja encaminhado por profissional de sua unidade básica de referência. As sessões iniciam com exercícios de alongamento, seguidos de caminhada pelo Parque Ecológico da cidade e arredores. Durante o percurso, pratica-se a escuta qualificada: os participantes são convidados a compartilhar individualmente, no seu tempo, questões que geram ansiedade para a psicóloga, ou no grupo, junto com a profissional de educação física que também regula o ritmo e integra conscientização corporal. Ao final, realiza-se roda de conversa para sistematização das vivências, exercícios de respiração e de relaxamento. Mensalmente, são ofertadas atividades complementares em parceria com os distintos setores da prefeitura e comunidade: dança, tai chi chuan, jogos de tabuleiro, auriculoterapia e encontros temáticos ministrados por diversos parceiros. A metodologia prioriza horizontalidade, escuta ativa e construção coletiva do cuidado, respeitando autonomia e ritmo individual.

Objetivo Geral: Promover a saúde mental de pessoas com ansiedade leve por meio de caminhadas terapêuticas e escuta qualificada, fortalecendo vínculos coletivos e o uso do território como espaço de cuidado.
Objetivos Específicos: Oferecer um ambiente acolhedor e não medicalizante como tratamento complementar à ansiedade; integrar práticas corporais e escuta psicológica para redução de sintomas; fomentar a experiência coletiva como fator de elaboração do sofrimento e apoio mútuo; ampliar o repertório de autocuidado com atividades mensais complementares; ocupar e vitalizar o espaço urbano como extensão do território clínico.

Foi identificado que a ansiedade é a principal demanda em saúde mental na Atenção Básica, sabendo-se que atividade física, aliada à escuta do sofrimento psíquico podem auxiliar na diminuição dos sintomas, criou-se o grupo Xô Ansiedade.

Como é possível observar no vídeo anexado, os relatos dos participantes indicam redução dos sintomas de ansiedade, favorecida pela combinação entre movimento corporal, escuta acolhedora e suporte coletivo. A possibilidade de verbalizar angústias em ambiente seguro tem permitido externalizar pressões internas, reconhecendo padrões de sofrimento e diminuindo sua intensidade. A presença de profissionais qualificados e o vínculo entre os membros criam uma rede de apoio mútuo, na qual a experiência compartilhada atua como dispositivo para repensar a forma de lidar com o sofrimento psíquico. Observam-se melhorias na regulação emocional, além de fortalecimento do senso de pertencimento ao território. A participação nas atividades mensais tem ampliado estratégias de autocuidado, incentivando a prática regular fora dos encontros.

A escuta qualificada deve ser ferramenta comum na atuação dos profissionais de saúde, bem como, o entendimento de que a clínica também se faz para além dos muros da unidade de saúde, transformando o território com suas potencialidades também em ferramenta do cuidado.

autor Principal

Patrícia Steffani Jácome de Carvalho

patricia.carvalho@pmi.mg.gov.br

Profissional de Educação Física na Saúde

Coautores

Patrícia Steffani Jácome de Carvalho, Lusiana Chagas Gerzson

A prática foi aplicada em

Itabirito

Minas Gerais

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Rua Getúlio Vargas, 323 - Boa Viagem, Itabirito - MG, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Patrícia Steffani Jácome de Carvalho

Conta vinculada

30 abr 2026

CADASTRO

30 abr 2026

ATUALIZAÇÃO

08 mar 2025

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

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