Olá,

Visitante

OVITRAMPAS: detecção precoce de infestação pelo aedes aegypti no município de Ingá. Projeto-piloto

Dengue, chikungunya e Zika são arboviroses ocasionadas por vírus transmitidos
principalmente pela fêmea do mosquito Aedes aegypti. De acordo com o cenário
epidemiológico atual, de epidemias recorrentes e aumento de casos clínicos graves e
óbitos, as arboviroses configuram uma emergência em saúde pública, sendo razão de
apreensão da população e do poder público.
No 1° trimestre de 2024 o Brasil apresentou um recorde de mortes por dengue
registrando 1.116 mortes, o maior número desde o início da série histórica em 2000.
Anteriormente, o recorde de óbitos ocorreu em 2023, com 1.094 e o terceiro ano com
maior número em 2022 com 1.053 óbitos. Nessa perspectiva, são imprescindíveis
medidas imediatas de enfrentamento das arboviroses pelos municípios através das ações
da vigilância ambiental, epidemiológica e entomológica e do controle vetorial.
A partir do resultado de 2.4 (alerta amarelo) do Levantamento Rápido de Índices
para Aedes aegypti (LIRAa) de janeiro de 2024, evidenciamos a necessidade de
otimizar medidas de combate às arboviroses no município de Ingá, com a implantação
do projeto-piloto das ovitrampas em parceria com o Governo do Estado.
A armadilha de ovitrampa é uma estratégia utilizada na coleta de ovos de
mosquitos das espécies Ae. Aegypti e/ou Ae. Albopictus. Consiste em um método
econômico, sensível, fácil manuseio e eficaz para detectar a presença do vetor,

subsidiando a tomada de decisão para identificação das áreas prioritárias de
intervenções da vigilância.

OBJETIVOS

OBJETIVO GERAL

 Detectar a infestação do mosquito Aedes Aegypti através das ovitrampas nos
territórios da zona urbana do município de Ingá.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 Instalar armadilhas em residências previamente selecionadas no território;
 Quantificar o número de ovos depositados em cada armadilha e calcular o Índice
de positividade de ovitrampas (IPO) de cada uma delas;
 Detectar de forma precoce os pontos focais nos territórios;
 Controlar a proliferação do mosquito Aedes Aegypti com eficiência através da
intensificação de cuidados e eliminação dos focos.

O projeto das ovitrampas foi implantado de forma pioneira no município de
Ingá, localizado na região metropolitana de Itabaiana, Estado da Paraíba. No dia 30 de
janeiro de 2024 foi realizada uma reunião de alinhamento com os técnicos da Secretaria
Estadual da Saúde e da Secretaria de Saúde de Ingá, e posteriormente foi desenvolvida
uma capacitação para os agentes de combate às endemias (ACEs). Por conseguinte, foi
realizada a estratificação do território, a instalação e a distribuição das armadilhas em
todos os bairros da zona urbana. As armadilhas foram instaladas com distanciamento de
200 metros de uma para a outra, de acordo com o tamanho da população, o que totalizou
20 armadilhas distribuídas na zona urbana do município de Ingá, conforme a nota
técnica Nº 33/2022.

A ovitrampa é composta por um recipiente plástico, preto, com boca larga e
capacidade máxima de 1 litro. Dispõe de um orifício para que o volume de água não
ultrapasse 500ml e uma palheta de madeira aglomerada de tamanho 15cm x 2,5cm, que
é presa com clip na parte interna do recipiente, onde serão depositados os ovos.
Cada ovitrampa foi identificada com etiquetas na parte externa, como também as
palhetas. As armadilhas foram instaladas no entorno das residências selecionadas com
altura delimitada e as coletas realizadas com intervalos de 7 dias por técnicos
capacitados do município, e por fim, as palhetas forão enviadas ao laboratório do Estado
para análise.

Através do monitoramento entomológico com as ovitrampas foi possível
identificar de forma precisa e eficaz os territórios de maior vulnerabilidade do nosso
município, assim como observar os locais com índices de prevalência na proliferação de
ovos, possibilitando quantificá-los e destruí-los, impedindo a eclosão das larvas. Logo,
através dos índices de proliferação é possível sinalizar os pontos estratégicos e as áreas
de risco iminentes para a intensificação das ações.
Durante as primeiras cinco semanas monitoradas foram encontrados ovos
predominantemente de A. aegypti e apenas 04 ovos de A. albopictus. O número de ovos
totais capturados nas armadilhas de acordo com as semanas epidemiológicas e seus
respectivos IPO foram: 1ª semana: 1.561 com IPO: 80%, 2ª semana: 1.761 com IPO:
90%, 3ª semana: 1.419, com IPO: 90%, 4ª semana: 925, com IPO: 85%, 5ª semana: 316,
com IPO: 90%.
Com os resultados obtidos conseguimos otimizar o trabalho dos nossos ACEs,
estimulando as atividades educativas em locais com altos índices de infestação, como
também visitas em locais estratégicos, ações de controle mecânico e o uso de inseticida
quando recomendado.

O projeto ovitrampas vem sendo uma grande experiência para o nosso
município, pois as armadilhas constituem importantes ferramentas no combate às
arboviroses, desse modo através da quantificação dos números de ovos nas armadilhas
foi possível identificar os bairros mais críticos de infestação (Cazuzinha, Nova Vida,
Bela Vista e Estação) onde foram intensificadas as ações estratégicas.
O projeto mobiliza a participação social nas ações de combate ao mosquito,
através da perpetuação das orientações de cuidado, ajudando assim na redução de focos
e consequentemente na diminuição da proliferação do mosquito.
Conforme os dados coletados até o momento é possível constatar que as
ovitrampas podem contribuir significativamente no combate ao mosquito, visto que com
a retirada dos ovos das armadilhas, a quantidade do vetor diminui e consequentemente
menos mosquitos poderão realizar seu ciclo biológico completo. Além disso, os dados
servem de base para a observação local, para a nortear melhorias sanitárias, nas coletas
de lixo, no monitoramento de terrenos baldios e permitir intervenções pontuais de
combate ao mosquito.

Principal

Carla Fabyola Cardoso do Amaral Figueiredo

carlafamaral17@gmail.com

Enfermeira e coordenadora de vigilância em saúde

Coautores

Carla Fabyola Cardoso do Amaral Figueiredo, Monike Gonçalves do Amaral, Adilson Avelino da Silva Filho, Endesson Rosendo da Silva, Wyamilla Sandrielly de Oliveira Pereira, Mayara Shanazes de Oliveira Bacalháu

A prática foi aplicada em

Ingá

Paraíba

Nordeste

Esta prática está vinculada a

Rua Francisco Farias Braga- S/N Jardim Farias Ingá PB

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Carla Fabyola Cardoso do Amaral Figueiredo

Conta vinculada

A prática foi cadastrada em

15 abr 2024

e atualizada em

15 abr 2024

Início da Execução

30/01/2024

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

Arquivos

Palavras-chave

Você pode se interessar também

Práticas
Projeto social de controle populacional de cães e gatos como função de vigilância em saúde pública
Paraíba
Práticas
Vacinação nos espaços de formação: experiência no 2º Congresso Nordestino de Pediatria
Paraíba
Práticas
Controle das arboviroses no município de Brejo do Cruz – PB
Paraíba
Práticas
O Alcance dos indicadores da imunizaçâo do programa de qualificaçâo das ações de vigilância em saúde
Paraíba
Práticas
Acolhimento e seguimento intersetorial às crianças e adolescentes vítimas de violências
Paraíba