Olá,

Visitante

O Domicílio como Lócus do Cuidado: Estratégias de Fortalecimento Das Ações de Imunização

Categoria não especificada

A pandemia gerada pelo SARS-CoV-2, trouxe necessidade de celeridade na produção de conhecimento e no olhar para as demandas de saúde. Neste contexto, a imunização apresenta-se como a principal estratégia de saúde pública, cuja medida preventiva é de excelente custo efetividade. Sabe-se, que a vacinação é uma ação integrada e rotineira dos serviços de saúde, cujo lócus de intervenção é a Atenção Primária à Saúde. Assim, um novo desafio, estabelecido para o enfrentamento da pandemia, caracterizou-se pela operacionalização da vacinação de forma estratégica, rápida, segura e com impacto populacional. Objetivo: Descrever a experiência da vacinação contra Covid 19 em domicílio, de todos os idosos de Paraopeba, Minas Gerais. Trata-se de um relato de experiência acerca da vacinação contra a Covid 19 para o público de idosos, estimado em 3443 pessoas. Os idosos representavam a maioria dos óbitos por COVID-19, tornando-se um dos grupos mais vulneráveis na pandemia. Pensando em formas de reduzir a mortalidade e na necessidade de dar visibilidade às particularidades do cuidado aos idosos e, compreendendo o domicílio como o lócus do cuidado da APS, o município de Paraopeba, viabilizou a vacinação contra a COVID-19, de forma domiciliar para esse grupo etário. No plano operacional municipal de imunização, o sistema de vacinação domiciliar aconteceu mediante mapeamento da cidade e disponibilização de linha telefônica para cadastramento. No período de desenvolvimento deste modelo de vacinação, o município contava com 3 motoristas, 6 técnicos de enfermagem e 6 agentes comunitários de saúde diretamente vinculados à vacinação in locus. Além desses, estavam mobilizados: um atendente de telefone, gestora municipal, coordenadora da APS e da imunização. O serviço funcionava de segunda a sábado (incluindo alguns feriados), a partir das 7 horas às 17 horas. A vacinação no domicílio, a princípio e, atendendo às deliberações do PNI, aconteciam por cadastramento e faixa etária escalonada dos idosos. Com o avanço da vacinação pelo Brasil, a imunização passou a acontecer de forma organizada e regionalizada otimizando o tempo de realização da estratégia. As atividades foram realizadas no período de março a junho de 2020, de forma ininterrupta, até a oferta da 1ª dose para todo o público. Os resultados deste estudo são fruto da observação participativa, estruturada, dos profissionais que atuaram no planejamento, liderança e execução do processo de trabalho da vacinação domiciliar. Além disso, realizou-se análise de documentos institucionais. Ao final, foram vacinados 3748 idosos em domicílio. Para o encerramento diário das atividades, todas as vacinas realizadas eram devidamente registradas nominalmente no SIPNI, expressando fidedignidade à cobertura vacinal do público alvo. Para além disso, com o domicílio como lócus do cuidado, a equipe de saúde municipal pôde estar mais próxima dos indivíduos evidenciando os determinais sociais da saúde e seu impacto na vida das pessoas. A implementação da vacinação contra COVID19 em sistema domiciliar, para o público de idosos, exigiu um rigoroso planejamento além de condições estruturais, desenvolvimento de processos e intensa articulação entre a equipe. Esta organização possibilitou o atendimento de um grande público, contribuindo para ampliação da taxa de cobertura vacinal no município.

O município de Paraopeba vem há alguns anos atingindo coberturas vacinais altas para os principais públicos avaliados, conforme série histórica abaixo: ANO COBERTURA VACINAL TOTAL VACINAS AVALIADAS 2018 105,52% BCG, HEP.B, VORH, MMC, PENTA, VIP, PNEUMO 10 2019 100% BCG, HEP.B, VORH, MMC, PENTA, VIP, PNEUMO 10 2020 99,43% BCG, HEP.B, VORH, MMC, PENTA, VIP, PNEUMO 10 2021 86,95% BCG, HEP.B, VORH, MMC, PENTA, VIP, PNEUMO 10 2022 92,77% BCG, HEP.B, VORH, MMC, PENTA, VIP, PNEUMO 10 No entanto, a partir dos anos 2020 experenciamos um declínio nas coberturas vacinais relacionado sobretudo ao medo dos eventos adversos e a circulação de notícias falsas sobre os imunobiológicos, que se sobrepõem ao conhecimento sobre a importância e os benefícios das vacinas. Os movimentos antivacina, estão cada vez mais frequentes e persuasivos, e divulgam informações sem base científica sobre os riscos das vacinas. Ainda, fatores operacionais como o desabastecimento de alguns imunobiológicos como a BCG dificultam o acesso e o monitoramento das metas de vacinação. Somado a todos esses fatores, a pandemia da COVID 19 foi outro ponto que trouxe impacto na redução das coberturas vacinais já que, em um período, as pessoas foram convidadas a ficarem em casa, acessando menos os serviços de saúde e, o foco do PNI passou a ser a vacinação contra a COVID19, demandando grandes esforços por parte dos profissionais da rede local de saúde, especialmente daqueles vinculados a APS.

Nesse contexto, a gestão do município de Paraopeba tem desenvolvido várias estratégias para reverter a redução das coberturas vacinais, considerando os diversos fatores que contribuem para essa situação. A comunicação social tornou-se importante ferramenta de contato/informação com e para a população. Além da divulgação nas mídias tradicionais e eletrônicas, ampliamos a busca ativa de não vacinados nas populações-alvo, e as parcerias com escolas, e empresas municipais. Ademais, expandimos a vacinação COVID para espaços públicos do município em horário que se prolongou até as 21:00 horas. Além dessas estratégias, a vacinação extramuros, já utilizada há anos mantém-se como forte aliada para alcance das pessoas que têm direto à vacinação, a exemplo da comunidade quilombola. Reconhecendo ainda, a centralidade dos recursos humanos para as ações da vigilância em saúde, em alinhamento com a Política Nacional de Vigilância em Saúde a formação e o desenvolvimento dos trabalhadores do SUS tornam-se essenciais para o alcance das metas de coberturas vacinais. Dessa forma, a gestão municipal de Paraopeba ampliou o nº de recursos humanos vinculados ao serviço de imunização por meio de dois novos contratos temporários que já ultrapassam 2 anos. As servidoras vinculadas ao serviço de imunização recebem treinamentos frequentes por meio da coordenação municipal e, participam do Curso de Qualificação para Trabalhadores de Salas de Vacinas, considerando a relevância da educação continuada como meio de garantir qualidade do serviço prestado. Acredita-se que os fatores mais potentes e também desafiadores para melhorar as coberturas vacinais e visibilizar a importância das vacinas para a vida e saúde das pessoas são sua abordagem junto aos profissionais da ponta, o pacto social pela vacinação, e a estruturação de redes locais de apoio às imunizações. As estratégias de formação, valorização e desenvolvimento da equipe de imunização deveriam ser prioridade da gestão municipal, tal impacto que o retorno de doenças imunopreveníveis podem causar para a saúde pública, sobrecarregando os profissionais e a Rede Assistencial de Saúde. Além disso, valorizar a equipe de imunização oferendo condições favoráveis de trabalho têm impacto direto na sua qualidade de vida no trabalho, reverberando sobre sua prática profissional. Outro importante ponto desafiador relaciona-se ao engajamento social para conscientização da população sobre a importância da vacinação.

Diante dos aprendizados e reflexões oriundos desta experiência, algumas recomendações foram delineadas visando auxiliar propostas futuras. Em relação aos aspectos estruturais, ressalta-se a importância de organizar a logística de vacinação em domicílio de maneira a otimizar tempo de vacinação, gastos financeiros com transporte e horas extras de servidores. Uma estratégia que utilizamos com o decorrer da atividade foi realizar a vacinação de forma regionalizada, por rua/quarteirão. Mas, essa situação só foi possível após liberarem a vacina COVID para todas as faixas etárias de idosos.

Principal

Cecilia Maria Lima Cardoso Ferraz

Coautores

Márcia dos Anjos Pereira Lopes, Cássia Aparecida Martins da Silva , Denisia Rocha Moreira de Carvalho, Dionizia Aparecida Ribeiro Ferreira da Silva, Jéssica Caroline Nascimento Reis de Freitas , Priscila Darley Barbosa da Silva, Simone Telles Gonzaga , Andreza da Conceição Silva Rodrigues , Sônia Maria dos Rei

A prática foi aplicada em

Região

Instituição

Endereço

Uma organização do tipo

Instituição Privada

Foi cadastrada por

Conta vinculada

ideiasus@gmail.com

A prática foi cadastrada em

23 dez 2023

e atualizada em

23 dez 2023

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos

Palavras-chave

Você pode se interessar também

Práticas
Caminhos estratégicos da APS frente a cobertura vacinal no município de Bernardino Batista
Paraíba
Práticas
Ampliando leque da rede: fortalecimento dos vínculos entre equipes e escola.
Paraíba
Práticas
Relato de experiência: humanização na atenção ao usuário no pronto atendimento de Pilar (PB))
Paraíba
Práticas
Implantação de laserterapia na rede de atenção à saúde de Pilar (PB): relato de experiência
Paraíba
Práticas
Paciente protagonista de sua terapia: o cuidado farmacêutico com pacientes atendidos no CAPS de Pilar (PB)
Paraíba
Práticas
Atenção e cuidado ao paciente portador de feridas no SUS em Pilar (PB)
Paraíba
Práticas
Quando a saúde vai além dos muros das UBS
Rio de Janeiro