favor seguir as recomendações abaixo:
Apresentação
Senhor João, 70 anos, sempre diz que ser ouvido é uma das melhores coisas da vida. “Quando alguém presta atenção na nossa história a gente se sente importante”, conta ele. Em Anicuns, Goiás, essa necessidade de conexão é cada vez mais evidente. Cadeiras de balanço vazias nas varandas e rádios que tocam sozinhos em cozinhas silenciosas. Muitos idosos passam dias inteiros sem receber uma visita ou sem ter com quem compartilhar suas lembranças. ‘Tem dia que o tempo passa devagar demais’, confessou dona Divina, 81 anos. O silencio nas casas de muitos idosos de Anicuns começou a chamar atenção. “Minha avó sempre foi conversadeira, mas ultimamente parecia mais calada, como se estivesse sozinha mesmo quando estávamos por perto”, contou um dos organizadores do projeto. Foi a partir desse tipo de relato que em, 2025 nasceu o projeto “Memórias que Curam.” Mais do que uma iniciativa, tornou-se um abraço coletivo para aqueles que, por tanto tempo sentiram esquecidos. O objetivo era simples, mas poderoso: dar voz, resgatar histórias e trazer de volta o brilho nos olhos de quem já viveu tanto. Através de rodas de conversa, música e atividades interativas, o projeto procura lembrar memórias passadas, fazer amigos e dar voz aos muitos que, de vez em quando, se sentem esquecidos. Mais do que um simples encontro, esses momentos criam laços, e trazem mais leveza ao dia a dia.
Objetivos
Objetivo Geral Promover encontros extrovertidos e participativos, com enfoque na saúde mental dos idosos. Garantir que cada encontro traga alegria, conexões e um abraço caloroso na alma, reduzir quadros de ansiedade depressão e reforçar a conexão com Atenção Primária. Objetivos Específicos • Criar espaços de convivência que incentivem o resgate de memórias afetivas e promovam a interação social • Reduzir o impacto da ansiedade e depressão por meio da troca de experiências e fortalecimento dos laços comunitários • Oferecer informações sobre alimentação saudável, destacando a importância da nutrição no bem-estar físico • Conscientizar sobre a relevância da atividade física regular, incentivando práticas acessíveis e adaptadas às necessidades do público • Reforçar a proximidade entre os idosos e o serviço da Atenção Primária, garantindo um suporte contínuo e integrado a saúde.
Metodologia
Para alcançar os idosos, os Agentes Comunitários de saúde realizaram uma busca ativa e identificaram os que apresentaram sinais de solidão ou que poderiam se beneficiar do projeto. Porém a iniciativa foi aberta a todos os idosos acima de 60 anos, o que reforça seu caráter preventivo e acolhedor. O projeto foi executado nas 12 unidades de saúde da área urbana e área rural, de Anicuns com intuito de criar um espaço de acolhimento e lazer para os idosos. As atividades foram conduzidas por uma equipe multidisciplinar. Diante da dificuldade de contratação de psicólogos e nutricionistas para atendimento individuais, o “Memórias que Curam” permitiu que esses profissionais alcançarem o público maior de forma coletiva. Cada encontro era conduzido por profissionais apaixonados pelo que fazem o que tornava os encontros leves e acolhedores, marcado por música, danças, momentos de compartilhamento, despertando lembranças afetivas e promovendo momentos de alegria. Para mensurar os resultados, foram aplicados questionários antes e depois do evento, permitindo comparações de como os idosos sentiam antes e após atividades. E os com maior vulnerabilidade emocional terão acompanhamento conforme necessidade. Além de promover momentos de conexão e alegria, o projeto evidenciou a relevância do acolhimento em grupo na atenção primária o que possibilitou que mais idosos ganhassem orientações e cuidados com maior agilidade.
Resultados
Dona Rosa, 68 anos, que antes passava os dias sozinha em casa, está ansiosa pelo próximo encontro. Ela conta que aprendeu uma receita de temperos saudáveis com a nutricionista e que as músicas e as rodas de conversa fazem lembrar da sua juventude. “Antes minha cabeça era silenciosa demais, agora minha cabeça está cheia de boas lembranças.” Antes do início do projeto, perguntamos como se sentiam no dia a dia. Muitos relataram momentos de tristeza e solidão. Depois das atividades, a transformação foi clara. A maioria contou que saiu mais feliz. Seu Antônio, desde que perdeu o filho na pandemia de Covid-19, nunca mais cantou. Encontrou coragem para soltar a voz novamente. Até agora, 384 idosos participaram do evento, realizado nas 12 Unidades de Saúde. Para muitos, esse projeto trouxe de volta o prazer de conversar, cantar e rever amigos. A eficácia do projeto vai além dos impactos emocionais e sociais. O atendimento em grupo proporcionou que fosse atendido um número maior de idosos do que em consultas individuais, trazendo economicidade para o município. Se cada profissional atendesse de forma única, a cobertura do projeto seria menor e muitos poderiam demorar a receber orientações desses profissionais. Dessa maneira, “Memórias que Curam” ampliou o alcance com recursos disponíveis, assegurando que mais idosos tivessem atendimento em tempo oportuno. A cada tarde, fica mais evidente como pequenas ações podem fazer a diferença na vida de quem precisa ser ouvido e sentir querido.
Conclusão
Cada encontro termina com sorriso, abraços e histórias que aquecem o coração de todos. Como disse Dona Maria: “A gente pode até envelhecer o corpo, mas quando revive uma boa memória, o coração fica jovem de novo.” E é isso que o projeto trouxe para os participantes: a chance de reviver, compartilhar e sentir que são importantes. As rodas de conversa, a música e as lembranças mostram que pequenos gestos podem transformar realidades. Cidades que buscam melhorar a qualidade de vida dos idosos podem se inspirar nessa iniciativa. Criar espaços para ouvir e acolher a terceira idade não exige grandes estruturas, mas sim carinho e atenção. O “Memórias que Curam” mostrou que ninguém deveria envelhecer sozinho. Por isso ele deve continuar, para que mais idosos sejam alcançados e reencontrem a alegria em relembrar suas próprias histórias.
Palavras-chave
Idosos, Lembranças, Saúde Mental, Inclusão Social.
O Memórias que Curam, nasceu da percepção cotidiana, de um problema silencioso, mas presente no território: a solidão dos idosos e o impacto nasaúde mental. O projeto surgiu, então, do desejo de transformar o cuidado em algo mais próximo, humano e acessível, fortalecendo vínculos, prevenindo agravos emocionais e devolvendo aos idosos o direito de serem ouvidos e lembrados.
Na primeira edição, alcançamos 384 idosos; na segunda, no 2º quadrimestre de 2025, 548. O cuidado coletivo ampliou vínculos, acesso, escuta e mostrou que ações simples, em grupo, transformam vidas.
Comecem escutando o território e valorizando saberes locais. Envolvam os ACS desde o início, usem espaços já existentes e apostem no cuidado coletivo. Não é preciso grandes recursos, mas constância, sensibilidade e compromisso com vínculos.
Av. Mal. Floriano Peixoto - Setor Central, Anicuns - GO, Brasil
CADASTRO
ATUALIZAÇÃO