Integração entre saúde e assistência social em Anajatuba (MA): experiência de uma construção coletiva do trabalho em rede.

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Ricardo Reis

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Ricardo Reis

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Este relato tem como objetivo apresentar a experiência de desenvolvimento de uma matriz de ações intersetoriais entre os serviços da Atenção Primária à Saúde e da Assistência Social no município de Anajatuba, desenvolvida no período de setembro de 2025 a maio de 2026. A iniciativa teve como finalidade fortalecer a articulação entre SUS e SUAS por meio do planejamento conjunto, da territorialização das ações e da construção de estratégias integradas de promoção da saúde, proteção social e garantia de direitos.
Participaram da experiência as Unidades Básicas de Saúde Olho d’Água, João Soares, Idalina Ferreira Abreu – CUMBI, Maria Freire, Maria de Ribamar Dutra (Bacabal), Guarimã (Equipe 14), Francisca de Jesus Silva (Perimirim) e Santa Luzia, em articulação com o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Anajatuba, equipe do CREAS, CAPS e eMulti, Conselhos Locais, Coordenação da Juventude, Coordenação da Mulher, lideranças religiosas, Centro de Convivência, escolas, comunidade quilombola, lideranças comunitárias e demais parceiros do território.
A matriz intersetorial foi elaborada a partir da identificação de demandas prioritárias relacionadas à saúde materno-infantil; promoção da atividade física; cuidado à pessoa idosa e aos cuidadores; prevenção da gravidez na adolescência; orientações sobre o Programa Criança Feliz; prevenção das infecções sexualmente transmissíveis; imunização; prevenção ao uso abusivo de drogas; saúde mental; saúde do homem; cuidado às pessoas com hipertensão e diabetes; acesso a direitos e benefícios sociais; fortalecimento de vínculos familiares; e ampliação do acesso da população aos serviços públicos.
As ações foram desenvolvidas de forma integrada entre os serviços da Saúde e da Assistência Social, envolvendo planejamento conjunto, definição compartilhada de estratégias e realização de atividades voltadas às necessidades do território. Entre as principais ações realizadas destacam-se: grupos de gestantes adolescentes de 10 a 19 anos; rodas de conversa sobre planejamento familiar, prevenção ao uso abusivo de drogas e Semana do Bebê; ações educativas sobre os direitos da pessoa idosa e o cuidado integral aos idosos; atividades do Hiperdia voltadas para hipertensos, diabéticos e idosos; campanhas de vacinação; atividades educativas relacionadas ao Maio Laranja; orientações sobre Cadastro Único e serviços socioassistenciais; além de mobilizações comunitárias para o fortalecimento da rede de proteção social.
Outras ações de destaque foram o Projeto Movimente-se, com o objetivo de promover a saúde física e mental de idosos com doenças crônicas não transmissíveis; o uso do teatro como estratégia criativa e inovadora de mobilização de mães, crianças e adultos acerca da importância da vacinação; e o Projeto PAIF “Mulheres que Transformam”, voltado à apresentação dos serviços ofertados pelas unidades, realização de atividades laborais, atualização do Cadastro Único nas comunidades e atendimentos individualizados em todos os territórios de Anajatuba, incluindo comunidades quilombolas, com a participação de profissionais das Unidades Básicas de Saúde na oferta de exames e outros atendimentos. Também houve parceria com as escolas para realização de oficinas de pintura, trabalhos em tecido, confecção com miçangas, reutilização de garrafas PET e produção de artesanato.
Outro destaque foi o grupo “Cuidadores de Idosos”, criado com o objetivo de capacitar cuidadores no cuidado direto à pessoa idosa, com enfoque na prevenção de acidentes e na promoção do cuidado integral.
O “Bloquinho da Prevenção” também recebeu destaque por desenvolver ações voltadas aos adolescentes, com o objetivo de conscientizar sobre a prevenção da gravidez na adolescência.
Durante a execução da matriz intersetorial, os profissionais identificaram a necessidade de construção de um plano de aproximação entre as equipes da Saúde e da Assistência Social, visando fortalecer a integração entre os profissionais e garantir a continuidade das ações desenvolvidas.
As atividades contemplaram diferentes públicos, como crianças, adolescentes, gestantes, idosos, cuidadores, mulheres, profissionais da saúde e da assistência social, professores e população quilombola. A atuação integrada entre UBS e CRAS favoreceu a ampliação do acesso da população às políticas públicas, o fortalecimento do vínculo entre equipes e comunidade, além da construção de estratégias compartilhadas de cuidado e proteção social.
A experiência contribuiu para fortalecer a intersetorialidade entre Saúde e Assistência Social, promovendo maior integração entre os serviços, qualificação do atendimento às famílias, troca de saberes entre as equipes e desenvolvimento de ações mais resolutivas e humanizadas, alinhadas aos princípios do SUS e do SUAS.
A iniciativa foi desenvolvida com o apoio do Programa Ciclo Saúde Proteção Social, uma iniciativa da Fundação Vale e do CEDAPS, no âmbito do Programa Juntos pela Saúde (BNDES e IDIS), em implementação no período de 2023 a 2026.

A experiência surgiu diante da necessidade de fortalecer o acompanhamento das pessoas assistidas nas comunidades, especialmente crianças, adolescentes, idosos, cuidadores e famílias em situação de vulnerabilidade social. As equipes identificaram desafios relacionados ao acesso à informação, à garantia de direitos, à promoção da qualidade de vida e à integração entre os serviços da Saúde e da Assistência Social. Também foram observadas dificuldades na articulação entre os equipamentos públicos do território e na construção de estratégias conjuntas para responder às demandas da população.

Nesse contexto, a matriz intersetorial foi implementada como estratégia para qualificar o planejamento compartilhado, fortalecer o trabalho em rede e promover ações mais integradas, humanizadas e resolutivas, contribuindo para a ampliação do acesso às políticas públicas e para o fortalecimento da proteção social nos territórios.

A implementação da matriz intersetorial contribuiu para o fortalecimento da articulação entre UBS e CRAS, promovendo planejamento conjunto, troca de informações e alinhamento das ações desenvolvidas no território. Entre os principais resultados alcançados destacam-se a ampliação da participação da comunidade nas atividades, fortalecimento do vínculo entre os serviços e os profissionais e a população, maior integração entre as políticas públicas de Saúde e Assistência Social e ampliação do acesso às orientações sobre direitos e serviços. As ações também favoreceram a realização de atividades compartilhadas, encaminhamentos articulados e desenvolvimento de estratégias voltadas à promoção da saúde, proteção social e garantia de direitos, contribuindo para um acompanhamento mais humanizado e efetivo das famílias.
Um dos resultados foi a relação de co-responsabilidade entre as políticas públicas (entre a Saúde e Assistência), hoje as políticas se complementam e se fortalecem.

Para implementação de experiências semelhantes, recomenda-se fortalecer o diálogo permanente entre as políticas públicas de Saúde e Assistência Social, realizando planejamentos conjuntos e reuniões periódicas entre as equipes. É fundamental promover escuta qualificada da população, reconhecer as demandas específicas do território e construir ações alinhadas às necessidades da comunidade. Também é importante fortalecer o trabalho em rede, definir responsabilidades compartilhadas entre os serviços e incentivar ações integradas de promoção da saúde, proteção social e garantia de direitos. A experiência demonstra que a intersetorialidade contribui para ampliar o acesso da população aos serviços públicos e qualificar o cuidado oferecido às famílias acompanhadas no território.
Estabelecer fluxos e POPs (procedimento padrão) para facilitar a comunicação.

autor Principal

Ricardo Reis

enfr.ricardoreis@gmail.com

Enfermeiro da Unidade Básica de Saúde Maria Ribamar Dutra

Coautores

Alana Fernandes Lopes, Aislin Oliveira Martins, Clícia Cristine Dutra Silva, Elisandra Dutra Costa, Fábio Gomes Costa, Gabrielly Barbosa Sousa Lopes, Ingrith Leal, Leilane Cristina Santos, Luciene do Socorro Lima, Maria da Conceição Santos Mendes, Maria de Fátima Pereira Santos, Paula Lourrana Lima Dutra, Roberta Mendes Dutra, Suzileia Soares Sampaio, Raniele de Jesus Carvalho Rego, Rosário de Maria Martins de Araújo.

A prática foi aplicada em

Anajatuba

Maranhão

Nordeste

Esta prática está vinculada a

Rua da Rodagem nº01 povoado Bacabal

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Ricardo Reis

Conta vinculada

19 maio 2026

CADASTRO

19 maio 2026

ATUALIZAÇÃO

inicio

12 maio 2026

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos