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O Programa Saúde na Escola (PSE) constitui importante estratégia de articulação intersetorial entre saúde e educação, tradicionalmente voltada à promoção, prevenção e atenção à saúde dos estudantes. No município de Bonito de Santa Fé–PB, a execução das ações do PSE evidenciou fragilidades relacionadas à ausência de cuidado direcionado aos trabalhadores da educação, especialmente professores, que apresentavam sinais de sobrecarga, estresse ocupacional e insegurança frente a situações de urgência e emergência no ambiente escolar, como episódios de obstrução de vias aéreas por corpo estranho (OVACE) e outros agravos agudos. Paralelamente, observou-se que as equipes de saúde realizavam ações pontuais nas escolas, sem integração ampliada com a equipe multiprofissional (eMulti) e sem contemplar o cuidado ao trabalhador como parte do processo de atenção no território. Diante desse cenário, emergiu a necessidade de reconfigurar o modelo de atuação do PSE no município, ampliando seu escopo para além do estudante, incorporando práticas de cuidado integral também aos profissionais da educação. A experiência foi desenvolvida nas escolas da rede municipal, a partir da integração entre Atenção Primária à Saúde (APS), equipe eMulti e parceiros intersetoriais, com destaque para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), visando fortalecer o cuidado no ambiente escolar de forma simultânea, integrada e resolutiva. A proposta buscou qualificar o território escolar como espaço de produção de saúde, reconhecendo o professor como sujeito do cuidado e ampliando a potência das ações do SUS no contexto educacional.
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido no município de Bonito de Santa Fé–PB, a partir da reorganização do processo de trabalho das equipes da Atenção Primária à Saúde, com integração da equipe multiprofissional (eMulti) às ações do Programa Saúde na Escola que já acontecem anualmente. A intervenção ocorreu nas escolas da rede municipal, mediante articulação intersetorial entre saúde e educação, com planejamento prévio conjunto e definição de fluxos de atuação integrados. A principal estratégia adotada foi a realização de ações simultâneas no território escolar, otimizando a presença das equipes de saúde e ampliando o alcance das atividades. Enquanto os estudantes participavam das ações programadas do PSE, incluindo avaliação clínica, antropometria, atualização vacinal, atendimentos médicos e de enfermagem e atividades educativas, os professores e demais trabalhadores da escola eram contemplados com ações específicas conduzidas pela equipe eMulti. As atividades direcionadas aos trabalhadores incluíram: escuta qualificada e intervenções em saúde mental realizadas por profissional de psicologia práticas corporais, ginástica laboral e alongamentos conduzidos por fisioterapeuta e/ou educador físico orientações sobre alimentação saudável e hábitos de vida por nutricionista e capacitação em primeiros socorros, com ênfase em situações de urgência no ambiente escolar, desenvolvida em parceria com o SAMU, em consonância com a Lei nº 13.722/2018 (Lei Lucas). A estratégia adotada fundamentou-se no apoio matricial, no trabalho interprofissional e na integralidade do cuidado, reconhecendo o ambiente escolar como espaço estratégico para ações de promoção da saúde. A integração entre APS e eMulti possibilitou a ampliação do escopo das ações, fortalecendo o vínculo com a comunidade escolar e qualificando o cuidado ofertado no território.
A implementação da experiência possibilitou a ampliação significativa do alcance das ações do PSE no município, incorporando os trabalhadores da educação como público-alvo das práticas de cuidado em saúde. Observou-se elevada adesão dos professores e equipes escolares às atividades propostas, especialmente às práticas de ginástica laboral, ações de saúde mental e capacitações em primeiros socorros. As ações de educação em saúde contribuíram para maior segurança dos profissionais diante de situações de urgência e emergência no ambiente escolar, reduzindo a sensação de despreparo previamente identificada. No campo da saúde mental, a oferta de escuta qualificada e intervenções coletivas favoreceu a identificação de demandas relacionadas ao estresse ocupacional, promovendo espaços de cuidado e reflexão sobre o processo de trabalho. As práticas corporais e orientações sobre hábitos saudáveis foram reconhecidas pelos participantes como estratégias importantes para redução da tensão física e mental associada à rotina escolar. Além disso, a realização de atividades simultâneas otimizou o tempo das equipes de saúde, ampliando a resolutividade das ações no território sem comprometer a assistência aos estudantes. A experiência fortaleceu a articulação entre saúde e educação, ampliando o vínculo entre as equipes e a comunidade escolar, e consolidando o ambiente escolar como espaço de produção de saúde para além do público discente. Também evidenciou o potencial da equipe multiprofissional na qualificação das ações da APS, contribuindo para um modelo de atenção mais integrado, resolutivo e centrado nas necessidades do território.
A experiência demonstrou que a integração entre o Programa Saúde na Escola e a equipe multiprofissional (eMulti) potencializa o cuidado no território escolar, ao ampliar o escopo das ações para além dos estudantes, incorporando os trabalhadores da educação como sujeitos do cuidado no SUS. A estratégia de realização de ações simultâneas e integradas mostrou-se viável, eficiente e replicável, contribuindo para a otimização do processo de trabalho das equipes de saúde e para o fortalecimento da Atenção Primária como coordenadora do cuidado. Ao reconhecer o professor como parte fundamental do território e ao incluir o cuidado com sua saúde física e mental, a experiência promoveu maior integralidade da atenção, fortalecimento do vínculo intersetorial e valorização do trabalho em saúde e educação. Trata-se de uma prática inovadora no contexto local, com alto potencial de aplicabilidade em outros municípios, por utilizar recursos já existentes no SUS, reorganizando-os de forma integrada e estratégica. A iniciativa reforça a importância de modelos de atenção que considerem o cuidado ampliado, interprofissional e centrado nas necessidades reais dos territórios, contribuindo para a consolidação de um SUS mais resolutivo, humanizado e equitativo.
Bonito de Santa Fé - PB, 58960-000, Brasil
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