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APRESENTAÇÃO
A instituição do Novo Modelo de Cofinanciamento Federal da Atenção Primária à Saúde, denominado Brasil 360, representou uma mudança estrutural no financiamento e na avaliação da APS no Sistema Único de Saúde (SUS), ao integrar três componentes — fixo, vínculo e acompanhamento territorial e qualidade — e estabelecer relação direta entre desempenho assistencial, registro em sistemas de informação e repasse de recursos.
No município de Carandaí (MG), a publicação das fichas técnicas dos indicadores evidenciou que a simples disponibilização normativa não seria suficiente para garantir compreensão, adesão e incorporação efetiva dessa nova lógica ao processo de trabalho das equipes. Identificou-se que a complexidade dos indicadores, associada à necessidade de envolvimento multiprofissional, exigia uma estratégia estruturada de planejamento, monitoramento e avaliação contínuos.
Observou-se, ainda, que o modelo demandava superação da lógica tradicional de responsabilização restrita à gestão, exigindo corresponsabilização de todos os profissionais da APS, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos, agentes comunitários de saúde e equipes de saúde bucal. Tornou-se necessário traduzir os indicadores em práticas concretas, territorializadas e operacionais, integrando-os ao cotidiano assistencial.
Esse cenário evidenciou a necessidade de construção de uma estratégia participativa que permitisse não apenas compreender os indicadores, mas utilizá-los como instrumentos de gestão do cuidado, reorganização dos processos de trabalho e qualificação da atenção.
Diante disso, o município estruturou uma intervenção baseada na implementação participativa da lógica dos três componentes do Brasil 360, articulando planejamento, monitoramento e avaliação como elementos centrais da gestão da APS.
OBJETIVOS
Objetivo Geral:
Implementar de forma participativa a lógica do Novo Cofinanciamento Federal da Atenção Primária à Saúde (Brasil 360), integrando planejamento, monitoramento e avaliação ao processo de trabalho das equipes, com vistas à qualificação do cuidado e melhoria do desempenho assistencial.
Objetivos Específicos:
• Promover a compreensão qualificada dos indicadores do Brasil 360 por todas as categorias profissionais da APS;
• Traduzir os indicadores em práticas operacionais aplicáveis ao território;
• Integrar o monitoramento de indicadores ao processo de trabalho cotidiano das equipes;
• Fortalecer a corresponsabilização multiprofissional pelos resultados assistenciais;
• Qualificar o registro de informações nos sistemas de saúde, especialmente no e-SUS APS;
• Utilizar dados e indicadores como instrumentos de gestão do cuidado e tomada de decisão;
• Ampliar a capacidade de planejamento, monitoramento e avaliação da APS municipal;
• Fortalecer a governança local e a cultura de gestão baseada em evidências.
METODOLOGIA
A experiência foi desenvolvida de forma contínua a partir de março de 2025, por meio da institucionalização de reuniões mensais interprofissionais envolvendo todas as equipes da Atenção Primária à Saúde do município.
Esses encontros foram estruturados como espaço permanente de planejamento, monitoramento e avaliação, articulando gestão e assistência em uma lógica participativa. Inicialmente, foram apresentados os fundamentos do Novo Cofinanciamento Federal da APS, com detalhamento dos três componentes — fixo, vínculo e acompanhamento territorial e qualidade — e análise técnica das fichas dos indicadores.
Cada indicador foi discutido de forma aprofundada, considerando definição, critérios de cálculo, população-alvo, fontes de dados, formas de registro e impacto assistencial. Esse processo permitiu traduzir os indicadores em ações concretas no território, facilitando sua incorporação ao cotidiano das equipes.
Progressivamente, as equipes revisaram fluxos assistenciais, organização de agendas, estratégias de acompanhamento de usuários prioritários e rotinas administrativas, alinhando o processo de trabalho às exigências dos indicadores. Foram também fortalecidas práticas de registro qualificado no e-SUS APS, com foco na completude, consistência e uso das informações.
No decorrer do processo, os dados passaram a ser utilizados de forma sistemática nas reuniões, permitindo análise coletiva de desempenho, identificação de fragilidades, reconhecimento de avanços e definição de estratégias de melhoria contínua.
No terceiro quadrimestre de 2025, a APS municipal já operava plenamente sob a lógica dos três componentes, consolidando um modelo de gestão baseado em evidências, com integração entre planejamento, execução e avaliação.
A implementação do Novo Cofinanciamento Federal da Atenção Primária à Saúde (Brasil 360) evidenciou a necessidade de adaptação dos processos de trabalho no município, diante da complexidade dos novos indicadores e da sua vinculação direta ao financiamento e desempenho assistencial. Observou-se que a simples disponibilização das fichas técnicas não garantia compreensão nem incorporação prática pelas equipes, gerando risco de baixo desempenho e uso inadequado das informações. Além disso, havia fragmentação entre gestão e assistência, com pouca utilização dos dados como ferramenta de planejamento e tomada de decisão. Esse cenário revelou a oportunidade de estruturar uma estratégia participativa de implementação, capaz de traduzir os indicadores em ações concretas, integrar as equipes e fortalecer a gestão baseada em evidências.
RESULTADOS
A implementação da estratégia resultou em avanços significativos na organização do processo de trabalho e na capacidade de gestão da Atenção Primária à Saúde no município.
Observou-se melhoria na qualidade e na completude dos registros nos sistemas de informação, especialmente no e-SUS APS, refletindo maior alinhamento entre práticas assistenciais e critérios dos indicadores. Houve ampliação do acompanhamento de usuários prioritários, com maior organização das ações de cuidado no território.
Os indicadores passaram a ser utilizados como ferramentas de gestão do cuidado, subsidiando a reorganização de fluxos assistenciais, definição de prioridades e tomada de decisão baseada em dados. Esse movimento contribuiu para maior coerência entre planejamento e execução das ações.
Destaca-se o fortalecimento da integração interprofissional e da corresponsabilização das equipes, com maior engajamento dos profissionais e ampliação da compreensão do papel de cada categoria na produção dos resultados.
Além disso, houve aumento da transparência dos resultados, com compartilhamento sistemático de informações entre gestão e equipes, favorecendo ambiente de aprendizado contínuo e melhoria do desempenho institucional.
A experiência também contribuiu para maior aderência às diretrizes do Novo Cofinanciamento Federal, com potencial impacto positivo sobre o financiamento da APS municipal.
Invista em educação permanente e traduza cada indicador em ações práticas no território. Realize reuniões periódicas com todas as categorias para análise dos dados, definição de metas e ajustes de fluxo. Garanta registros qualificados no e-SUS APS e utilize painéis para monitoramento contínuo. Promova corresponsabilização entre gestão e equipes, com transparência dos resultados. Comece pelos indicadores prioritários e avance progressivamente, consolidando uma cultura de gestão baseada em evidências.
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