Implantação do procedimento operacional padrão do prontuário afetivo no hospital de urgência de Teresina (PI)

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Layane Bastos Dos Santos

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Layane Bastos Dos Santos

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Prontuário Afetivo: cuidado integral, humanização e valorização da história de vida do paciente

O Prontuário Afetivo surge como uma ferramenta de cuidado integral que considera o ser humano para além de sua condição clínica, reconhecendo também suas dimensões subjetiva, emocional e relacional. Ao reunir informações sobre a história de vida, preferências, vínculos afetivos, hábitos, interesses e particularidades do paciente, essa ferramenta pode contribuir para uma abordagem mais empática, individualizada e centrada na pessoa.

A proposta assume especial relevância em contextos de cuidados críticos ou de longa permanência, nos quais pacientes podem apresentar limitações na comunicação ou estados alterados de consciência. Nesses cenários, informações fornecidas por familiares e pessoas próximas podem auxiliar a equipe multiprofissional — composta por profissionais como enfermeiros, psicólogos, fonoaudiólogos, médicos, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais — na construção de estratégias de cuidado que preservem a identidade e a singularidade do paciente.

A humanização da assistência hospitalar constitui um componente fundamental da promoção do bem-estar e da qualidade do cuidado. No Brasil, a Política Nacional de Humanização (PNH), instituída pelo Ministério da Saúde em 2003, orienta práticas de saúde pautadas na valorização dos sujeitos, na integralidade da assistência, na participação e no fortalecimento das relações entre usuários, trabalhadores e familiares. Nesse contexto, o Prontuário Afetivo dialoga com uma perspectiva de cuidado centrado na pessoa, ao incorporar à assistência elementos relacionados à sua história, subjetividade e vínculos.

Há evidências de que estímulos afetivos, sensoriais e familiares podem desempenhar papel relevante no bem-estar de pacientes críticos. Estudos sobre estados alterados de consciência apontam que alguns pacientes podem apresentar respostas a estímulos emocionalmente significativos, incluindo vozes familiares e outros estímulos associados à sua história pessoal (Giacino et al., 2014; Laureys & Schiff, 2012). Embora essas respostas não devam ser interpretadas de maneira uniforme ou como indicativas de recuperação clínica, elas reforçam a importância de considerar estímulos individualizados e significativos na assistência.

No ambiente de terapia intensiva, intervenções relacionadas à música, à presença de familiares, a fotografias, objetos pessoais e outras formas de estimulação sensorial e cognitiva vêm sendo estudadas como estratégias capazes de favorecer conforto, orientação e bem-estar psicológico em determinados contextos (Chaudhury, Mahmood & Valente, 2005; McAdam & Puntillo, 2009; Norton et al., 2019).

Essa perspectiva também se aproxima das recomendações contemporâneas para o cuidado intensivo, que valorizam práticas centradas no paciente e na família e reconhecem a importância de aspectos relacionados à comunicação, à identidade e à participação familiar no processo de cuidado (Davidson et al., 2017; SCCM, 2018). Reconhecer a pessoa para além da doença pode contribuir para reduzir processos de despersonalização e favorecer uma assistência mais acolhedora e individualizada.

A participação da família constitui outro elemento importante dessa proposta. Familiares podem oferecer informações que dificilmente estão disponíveis nos registros clínicos convencionais, como preferências musicais, formas de comunicação, hábitos, vínculos significativos, experiências de vida e características comportamentais. Além de favorecer a comunicação entre família e equipe, essas informações podem auxiliar os profissionais na compreensão de manifestações emocionais e comportamentais do paciente (Alvarez & Kirby, 2017; Mitchell et al., 2016).

Nesse sentido, a implementação do Prontuário Afetivo no Hospital de Urgência de Teresina (HUT) busca ampliar as possibilidades de cuidado de pacientes em situação de vulnerabilidade, especialmente daqueles com rebaixamento do nível de consciência ou dificuldades de comunicação. Ao incorporar informações afetivas e biográficas fornecidas pela família, a equipe multiprofissional passa a dispor de elementos que complementam os dados clínicos tradicionais.

Mais do que acrescentar informações ao prontuário, a proposta busca reafirmar que, mesmo diante de uma condição clínica grave, existe uma pessoa com uma história, relações, preferências, memórias e modos singulares de estar no mundo. O Prontuário Afetivo, portanto, apresenta-se como uma estratégia de humanização que pode aproximar a assistência daquilo que constitui a essência do cuidado: reconhecer o paciente em sua integralidade e preservar, sempre que possível, sua identidade e seus vínculos ao longo do processo de atenção à saúde. Com base nessas evidências científicas, o Prontuário Afetivo representa uma estratégia eficaz para promover estímulos afetivo-cognitivos e fortalecer a humanização, contribuindo para a recuperação global, a redução do sofrimento emocional e a melhoria da experiência do paciente e de sua família no ambiente crítico, sendo importante instrumento para:
a. Favorecer a humanização do cuidado hospitalar, com foco no acolhimento, afeto e estímulo cognitivo;
b. Contribuir para o bem-estar emocional do paciente e fortalecer o vínculo entre a equipe e a família;
c. Estimular áreas neurológicas relacionadas à memória e emoção, com
potencial impacto na recuperação clínica.
d. Envolvimento ativo da família: a participação familiar no preenchimento do
Prontuário Afetivo fortalece o vínculo com a equipa de saúde, criando um canal de diálogo,
escuta e corresponsabilidade no cuidado ao paciente.
e. Empoderamento e psicoeducação: ao orientar a família sobre os benefícios
da estimulação cognitivo-afetiva, promove-se o empoderamento do cuidador, que
compreende seu papel fundamental na recuperação e bem-estar do ente querido.
f. Educação em saúde: a construção conjunta do Prontuário Afetivo serve como

estratégia educativa, sensibilizando sobre o impacto positivo dos estímulos afetivos na
ativação neurológica, mesmo em pacientes sedados ou não responsivos.
g. Valorização do espaço hospitalar também para a família: a inserção do
contexto afetivo no ambiente clínico transforma o hospital num espaço mais acolhedor e
menos impessoal, proporcionando conforto emocional aos familiares, muitas vezes
fragilizados pela internação.
h. Fortalecimento da comunicação entre equipe e família: o prontuário
favorece uma abordagem centrada na pessoa, facilitando a troca de informações
relevantes e humanizadas.
i. Integrar os preceitos da humanização no trabalho da equipe multiprofissional,
promovendo práticas assistenciais que valorizem a subjetividade do cuidado hospitalar;
j. Favorecer à equipe o conhecimento de aspectos humanos, emocionais e
biográficos do paciente, indo além do diagnóstico clínico, possibilitando uma abordagem
terapêutica mais empática e personalizada;
k. Capacitar a equipe para a orientação e estimulação das dimensões
cognitivas e afetivas do paciente, reconhecendo seu papel ativo na promoção da saúde
neurológica e emocional;
l. Instrumentalizar a equipe com estratégias que contribuem para a melhoria de
parâmetros neurológicos e cognitivos, colaborando na redução do tempo de recuperação
e na eficácia do tratamento;
m. Estimular na equipe a percepção do impacto do prontuário afetivo na
adesão de familiares e pacientes ao plano terapêutico, fortalecendo o cuidado
colaborativo;
n. Fortalecer na equipe de saúde a comunicação, vínculo e escuta qualificada
junto ao paciente e seus familiares, promovendo um ambiente hospitalar mais acolhedor,
ético e respeitoso.

Pacientes críticos ou com rebaixamento de consciência frequentemente apresentam limitações na comunicação e podem ter reduzidas oportunidades de estimulação cognitiva, sensorial e afetiva durante a hospitalização. A ausência de informações sobre sua história, preferências, vínculos, músicas, hábitos e referências pessoais dificulta a oferta de estímulos significativos, podendo limitar estratégias de cuidado individualizado, humanizado e centrado na pessoa.
O desejo de ampliar o olhar sobre o paciente e transformar informações afetivas e biográficas em possibilidades concretas de cuidado. A percepção de que pequenos elementos, como uma música, uma voz familiar, uma fotografia ou uma lembrança significativa, podem favorecer conexões, estimular aspectos cognitivos e afetivos e preservar a identidade do paciente mesmo diante de limitações na comunicação.

A utilização do Prontuário Afetivo possibilitou à equipe multiprofissional conhecer o paciente para além de seu diagnóstico e condição clínica, incorporando à assistência aspectos de sua história de vida, preferências, vínculos e referências afetivas. Essas informações passaram a subsidiar momentos de cuidado, conversa, presença terapêutica e estimulação cognitiva, sensorial e afetiva.

A experiência também favoreceu maior aproximação entre equipe e familiares, que passaram a participar de forma mais ativa na construção das informações sobre o paciente. Músicas, fotografias, mensagens, histórias e outros elementos significativos tornaram-se recursos para estabelecer conexões e reconhecer possíveis respostas emocionais e comportamentais, inclusive em pacientes com comunicação limitada.

Como benefício, observa-se uma assistência mais individualizada, acolhedora e humanizada, com valorização da identidade e da singularidade de cada paciente. A iniciativa contribuiu ainda para reduzir a impessoalidade do ambiente da UTI, fortalecer o vínculo entre família e equipe e ampliar o olhar multiprofissional sobre as possibilidades de cuidado, incluindo a estimulação cognitiva e afetiva como parte da assistência.

A implantação pode começar com um projeto-piloto em um setor ou grupo de pacientes, envolvendo a equipe multiprofissional desde o planejamento. É importante definir um instrumento simples, objetivo e de fácil preenchimento, contemplando nome pelo qual o paciente gosta de ser chamado, história de vida, preferências musicais, pessoas significativas, hábitos, interesses, memórias e outras referências afetivas relevantes.

A família deve ser convidada a participar ativamente da construção do Prontuário Afetivo, contribuindo com informações que ajudem a equipe a reconhecer a singularidade do paciente. A partir desses dados, podem ser utilizados estímulos como músicas, fotografias, mensagens, leitura, conversas e objetos significativos, sempre respeitando as condições clínicas, a segurança, a privacidade e as preferências do paciente.

É fundamental sensibilizar e orientar a equipe sobre o objetivo da ferramenta, para que ela não seja compreendida apenas como um formulário, mas como um recurso de cuidado. Recomenda-se manter o prontuário atualizado durante a hospitalização, registrar novas informações relevantes e observar possíveis respostas aos estímulos. A experiência pode ser avaliada periodicamente pela equipe e aprimorada conforme os resultados e as necessidades identificadas.

autor Principal

Layane Bastos Dos Santos

layanebastosdossantos@gmail.com

Psicóloga Hospitalar

Coautores

Layane Bastos do Santos, Silvia Alcântara Vasconcelos

A prática foi aplicada em

Teresina

Piauí

Nordeste

Esta prática está vinculada a

HUT - Hospital de Urgência de Teresina - Rua Doutor Otto Tito - Redenção, Teresina - PI, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Layane Bastos Dos Santos

Conta vinculada

22 set 2026

CADASTRO

23 set 2026

ATUALIZAÇÃO

04 ago 2026

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fim

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Andamento

Situação da Prática

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