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A experiência “Integração entre Saúde e Educação na Prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST): Experiência do CTA-SAE com Jovens Escolares” foi desenvolvida pelo Centro de Testagem e Aconselhamento e Serviço de Atendimento Especializado (CTA-SAE) de Tangará da Serra-MT, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e a Diretoria Regional de Educação, a partir da identificação de um cenário epidemiológico preocupante relacionado ao aumento dos casos de IST entre adolescentes e jovens, especialmente sífilis, além da baixa procura dessa população pelos serviços especializados de prevenção, diagnóstico e tratamento. A análise dos atendimentos realizados pelo serviço evidenciou que muitos jovens desconheciam as formas de prevenção, os recursos disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), como a testagem rápida, a vacinação para hepatite B, a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) e o tratamento oportuno das IST, sendo ainda frequentes barreiras relacionadas ao estigma, à vergonha, ao medo da exposição e à dificuldade de dialogar sobre sexualidade no ambiente familiar e social. Diante desse contexto, tornou-se necessária a construção de uma estratégia que aproximasse os serviços de saúde do cotidiano dos adolescentes, fortalecendo a prevenção combinada e promovendo o acesso qualificado às informações em saúde. Assim, foi implementada uma ação intersetorial entre saúde e educação, tendo como objetivo promover educação em saúde junto aos estudantes do ensino médio, ampliando o conhecimento sobre HIV, sífilis, hepatites virais e outras IST, incentivando práticas preventivas, o diagnóstico precoce, o autocuidado e o acesso aos serviços ofertados pelo CTA-SAE. A experiência foi desenvolvida durante os meses de abril e maio de 2024 em duas escolas estaduais de grande representatividade no município, alcançando aproximadamente 395 adolescentes e jovens com idades entre 15 e 19 anos. As atividades foram planejadas de forma conjunta entre as instituições parceiras e executadas pela equipe multiprofissional do CTA-SAE por meio de ações extramuros, realizadas diretamente nas salas de aula, utilizando metodologia participativa, linguagem acessível e abordagem acolhedora, respeitando as especificidades do público juvenil. Durante os encontros foram abordados temas relacionados às principais IST, suas formas de transmissão, sinais e sintomas, prevenção, diagnóstico e tratamento, bem como o funcionamento do CTA-SAE, os fluxos de atendimento, a importância da testagem rápida, da vacinação, da adesão ao tratamento antirretroviral (TARV), da PrEP, da PEP e das demais estratégias que compõem a prevenção combinada. Também foram discutidas situações de vulnerabilidade vivenciadas pelos adolescentes, incluindo violência sexual, preconceito, discriminação e direitos relacionados ao acesso à saúde. A iniciativa fortaleceu a integração entre os setores da saúde e da educação, aproximando os estudantes dos serviços especializados, reduzindo barreiras de acesso e estimulando a procura espontânea pelo CTA-SAE. Além de promover maior conhecimento sobre saúde sexual e reprodutiva, a experiência contribuiu para o fortalecimento do vínculo entre adolescentes e profissionais de saúde, ampliando as oportunidades de prevenção, diagnóstico precoce e cuidado integral. Os resultados observados demonstram que a atuação intersetorial, aliada às ações educativas realizadas no ambiente escolar, constitui uma estratégia efetiva, de baixo custo e com elevado potencial de replicação, reforçando o compromisso do SUS com a promoção da saúde, a prevenção das IST e a redução das vulnerabilidades entre adolescentes e jovens.
Aumento dos casos de ISTs entre jovens, na verdade o serviço tinha baixa procura nos atendimentos, tendo alguns diagnosticos de jovens com sifilis, especialmente na faixa de 14 a 20 anos; considerando o comportamentos de risco, como sexo desprotegido, múltiplos parceiros, gravidez precoce na adolescência, nos fez identificar o desconhecimento dos serviços de saúde disponíveis, como testagem rápida, importancia da vacinação, aconselhamento e tratamento; considerando o medo da conversa com os pais, vergonha e discriminação relacionados às ISTs e ao HIV;
As ações desenvolvidas pelo Projeto Ação Extramuros contribuíram significativamente para o fortalecimento das estratégias de prevenção às Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST’s) entre adolescentes e jovens do município de Tangará da Serra. Além do alcance educativo obtido nas escolas participantes, observou-se impacto positivo tanto no acesso aos serviços de saúde quanto na aproximação do público jovem ao CTA-SAE. Entre os resultados quantitativos alcançados, destaca-se a participação de aproximadamente 395 adolescentes e jovens nas atividades educativas realizadas nas unidades escolares. As palestras promoveram maior conscientização sobre prevenção, autocuidado, diagnóstico precoce e redução do estigma relacionado às IST’s e ao HIV. Também foram percebidas mudanças importantes no acolhimento ofertado pela equipe de saúde, tornando o serviço mais acessível, humanizado e adequado às necessidades
do público adolescente. Como reflexo dessa aproximação, houve aumento na procura espontânea pelos serviços do CTA-SAE. No ano de 2025, foram realizados 50 testes rápidos em jovens entre 13 e 18 anos que buscaram atendimento na unidade. Em 2026, esse número apresentou crescimento de 40%, demonstrando maior adesão às estratégias de prevenção e diagnóstico precoce. Outro resultado relevante refere-se à ampliação do acesso à prevenção combinada.
Atualmente, o CTA-SAE acompanha 6 adolescentes menores de 20 anos em uso de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), fortalecendo a prevenção ao HIV entre populações vulneráveis. A unidade também realiza acompanhamento contínuo de 15 Pessoas Vivendo com HIV (PVHIV) com idades entre 14 e 20 anos(Siclom), todos em tratamento adequado e com acesso ao acompanhamento multiprofissional. Em relação às IST’s, no ano de 2025 foram registrados 27 diagnósticos de sífilis em jovens nascidos a partir de 2005, evidenciando a importância da continuidade das ações preventivas, educativas e de diagnóstico precoce junto à população jovem.
Para a implementação de experiências semelhantes, recomenda-se, inicialmente, a realização de um diagnóstico situacional e epidemiológico do território, permitindo identificar as principais vulnerabilidades da população jovem e direcionar as ações de acordo com as necessidades locais. É fundamental estabelecer uma articulação intersetorial entre os serviços de saúde e as instituições de ensino, formalizando parcerias que favoreçam o planejamento conjunto das atividades e a definição de fluxos de trabalho.
As ações educativas devem ser desenvolvidas com metodologias participativas, linguagem acessível e conteúdos adequados à faixa etária, promovendo um ambiente acolhedor que estimule o diálogo e a participação ativa dos adolescentes. A utilização dos princípios da prevenção combinada, incluindo orientações sobre testagem rápida, vacinação, PrEP, PEP, uso de preservativos e tratamento oportuno das IST, amplia a efetividade das intervenções e fortalece o autocuidado.
Recomenda-se, ainda, que as atividades sejam executadas por equipe multiprofissional capacitada, com monitoramento contínuo dos indicadores de alcance, acesso aos serviços e adesão às estratégias de prevenção, possibilitando avaliar os resultados e aperfeiçoar as ações. Trata-se de uma experiência de baixo custo, viável para diferentes realidades e facilmente adaptável a outros municípios e territórios, desde que respeitadas as características epidemiológicas, sociais e culturais de cada localidade.
Rua Sebastião Barreto (08), 308s - Centro, Tangará da Serra - MT, Brasil
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