Chamada pública para mapeamento de experiências exitosas na oferta da prevenção combinada do HIV para adolescentes e jovens

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CLAUDIA BEATRIZ DA CUNHA

Claudia Beatriz

CLAUDIA BEATRIZ DA CUNHA

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A experiência “Integração entre Saúde e Educação na Prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST): Experiência do CTA-SAE com Jovens Escolares” foi desenvolvida pelo Centro de Testagem e Aconselhamento e Serviço de Atendimento Especializado (CTA-SAE) de Tangará da Serra-MT, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e a Diretoria Regional de Educação, a partir da identificação de um cenário epidemiológico preocupante relacionado ao aumento dos casos de IST entre adolescentes e jovens, especialmente sífilis, além da baixa procura dessa população pelos serviços especializados de prevenção, diagnóstico e tratamento. A análise dos atendimentos realizados pelo serviço evidenciou que muitos jovens desconheciam as formas de prevenção, os recursos disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), como a testagem rápida, a vacinação para hepatite B, a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) e o tratamento oportuno das IST, sendo ainda frequentes barreiras relacionadas ao estigma, à vergonha, ao medo da exposição e à dificuldade de dialogar sobre sexualidade no ambiente familiar e social. Diante desse contexto, tornou-se necessária a construção de uma estratégia que aproximasse os serviços de saúde do cotidiano dos adolescentes, fortalecendo a prevenção combinada e promovendo o acesso qualificado às informações em saúde. Assim, foi implementada uma ação intersetorial entre saúde e educação, tendo como objetivo promover educação em saúde junto aos estudantes do ensino médio, ampliando o conhecimento sobre HIV, sífilis, hepatites virais e outras IST, incentivando práticas preventivas, o diagnóstico precoce, o autocuidado e o acesso aos serviços ofertados pelo CTA-SAE. A experiência foi desenvolvida durante os meses de abril e maio de 2024 em duas escolas estaduais de grande representatividade no município, alcançando aproximadamente 395 adolescentes e jovens com idades entre 15 e 19 anos. As atividades foram planejadas de forma conjunta entre as instituições parceiras e executadas pela equipe multiprofissional do CTA-SAE por meio de ações extramuros, realizadas diretamente nas salas de aula, utilizando metodologia participativa, linguagem acessível e abordagem acolhedora, respeitando as especificidades do público juvenil. Durante os encontros foram abordados temas relacionados às principais IST, suas formas de transmissão, sinais e sintomas, prevenção, diagnóstico e tratamento, bem como o funcionamento do CTA-SAE, os fluxos de atendimento, a importância da testagem rápida, da vacinação, da adesão ao tratamento antirretroviral (TARV), da PrEP, da PEP e das demais estratégias que compõem a prevenção combinada. Também foram discutidas situações de vulnerabilidade vivenciadas pelos adolescentes, incluindo violência sexual, preconceito, discriminação e direitos relacionados ao acesso à saúde. A iniciativa fortaleceu a integração entre os setores da saúde e da educação, aproximando os estudantes dos serviços especializados, reduzindo barreiras de acesso e estimulando a procura espontânea pelo CTA-SAE. Além de promover maior conhecimento sobre saúde sexual e reprodutiva, a experiência contribuiu para o fortalecimento do vínculo entre adolescentes e profissionais de saúde, ampliando as oportunidades de prevenção, diagnóstico precoce e cuidado integral. Os resultados observados demonstram que a atuação intersetorial, aliada às ações educativas realizadas no ambiente escolar, constitui uma estratégia efetiva, de baixo custo e com elevado potencial de replicação, reforçando o compromisso do SUS com a promoção da saúde, a prevenção das IST e a redução das vulnerabilidades entre adolescentes e jovens.

Aumento dos casos de ISTs entre jovens, na verdade o serviço tinha baixa procura nos atendimentos, tendo alguns diagnosticos de jovens com sifilis, especialmente na faixa de 14 a 20 anos; considerando o comportamentos de risco, como sexo desprotegido, múltiplos parceiros, gravidez precoce na adolescência, nos fez identificar o desconhecimento dos serviços de saúde disponíveis, como testagem rápida, importancia da vacinação, aconselhamento e tratamento; considerando o medo da conversa com os pais, vergonha e discriminação relacionados às ISTs e ao HIV;

As ações desenvolvidas pelo Projeto Ação Extramuros contribuíram significativamente para o fortalecimento das estratégias de prevenção às Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST’s) entre adolescentes e jovens do município de Tangará da Serra. Além do alcance educativo obtido nas escolas participantes, observou-se impacto positivo tanto no acesso aos serviços de saúde quanto na aproximação do público jovem ao CTA-SAE. Entre os resultados quantitativos alcançados, destaca-se a participação de aproximadamente 395 adolescentes e jovens nas atividades educativas realizadas nas unidades escolares. As palestras promoveram maior conscientização sobre prevenção, autocuidado, diagnóstico precoce e redução do estigma relacionado às IST’s e ao HIV. Também foram percebidas mudanças importantes no acolhimento ofertado pela equipe de saúde, tornando o serviço mais acessível, humanizado e adequado às necessidades
do público adolescente. Como reflexo dessa aproximação, houve aumento na procura espontânea pelos serviços do CTA-SAE. No ano de 2025, foram realizados 50 testes rápidos em jovens entre 13 e 18 anos que buscaram atendimento na unidade. Em 2026, esse número apresentou crescimento de 40%, demonstrando maior adesão às estratégias de prevenção e diagnóstico precoce. Outro resultado relevante refere-se à ampliação do acesso à prevenção combinada.
Atualmente, o CTA-SAE acompanha 6 adolescentes menores de 20 anos em uso de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), fortalecendo a prevenção ao HIV entre populações vulneráveis. A unidade também realiza acompanhamento contínuo de 15 Pessoas Vivendo com HIV (PVHIV) com idades entre 14 e 20 anos(Siclom), todos em tratamento adequado e com acesso ao acompanhamento multiprofissional. Em relação às IST’s, no ano de 2025 foram registrados 27 diagnósticos de sífilis em jovens nascidos a partir de 2005, evidenciando a importância da continuidade das ações preventivas, educativas e de diagnóstico precoce junto à população jovem.

Para a implementação de experiências semelhantes, recomenda-se, inicialmente, a realização de um diagnóstico situacional e epidemiológico do território, permitindo identificar as principais vulnerabilidades da população jovem e direcionar as ações de acordo com as necessidades locais. É fundamental estabelecer uma articulação intersetorial entre os serviços de saúde e as instituições de ensino, formalizando parcerias que favoreçam o planejamento conjunto das atividades e a definição de fluxos de trabalho.
As ações educativas devem ser desenvolvidas com metodologias participativas, linguagem acessível e conteúdos adequados à faixa etária, promovendo um ambiente acolhedor que estimule o diálogo e a participação ativa dos adolescentes. A utilização dos princípios da prevenção combinada, incluindo orientações sobre testagem rápida, vacinação, PrEP, PEP, uso de preservativos e tratamento oportuno das IST, amplia a efetividade das intervenções e fortalece o autocuidado.
Recomenda-se, ainda, que as atividades sejam executadas por equipe multiprofissional capacitada, com monitoramento contínuo dos indicadores de alcance, acesso aos serviços e adesão às estratégias de prevenção, possibilitando avaliar os resultados e aperfeiçoar as ações. Trata-se de uma experiência de baixo custo, viável para diferentes realidades e facilmente adaptável a outros municípios e territórios, desde que respeitadas as características epidemiológicas, sociais e culturais de cada localidade.

autor Principal

CLAUDIA BEATRIZ DA CUNHA

claudiacunha@tangaradaserra.mt.gov.br

ENFERMEIRA

Coautores

CLAUDIA BEATRIZ DA CUNHA OLIVEIRA, CAMILA REGINA LIMA GUIMARAES, STELLA GIANSANTE, MAYARA RODRIGUES PEDERIVA MASSON, MARIA RITA BARRETO DE LIMA, MARCIA OLIVEIRA DE SOUZA

A prática foi aplicada em

Tangará da Serra

Mato Grosso

Centro-Oeste

Esta prática está vinculada a

Rua Sebastião Barreto (08), 308s - Centro, Tangará da Serra - MT, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

CLAUDIA BEATRIZ DA CUNHA

Conta vinculada

08 jul 2026

CADASTRO

08 jul 2026

ATUALIZAÇÃO

31 maio 2024

inicio

31 maio 2024

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos