favor seguir as recomendações abaixo:
O Sistema Único de Saúde (SUS), orientado pelos princípios da universalidade, integralidade e equidade, organiza a atenção em saúde mental a partir do paradigma da atenção psicossocial, que privilegia o cuidado em liberdade, a territorialidade e a centralidade do sujeito em sua experiência (BRASIL, 1990; BRASIL, 2011). Nesse contexto, a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) propõe a diversificação de dispositivos clínicos, com ênfase em práticas coletivas que ampliem o acesso e superem o modelo individualizante.
O grupo psicoterapêutico breve com mulheres emerge como dispositivo clínico alinhado à atenção psicossocial, ao promover acolhimento, circulação da palavra e construção coletiva de sentidos. Fundamenta-se na Gestalt-terapia e nos referenciais humanista, existencial e fenomenológico, compreendendo o sujeito como ser de possibilidades, capaz de atribuir significado à experiência e responsabilizar-se por suas escolhas (PERLS; HEFFERLINE; GOODMAN, 1997).
Obejtivos:
Geral:
Desenvolver grupo psicoterapêutico breve com mulheres como estratégia de cuidado na atenção psicossocial, visando ampliar o acesso ao atendimento em saúde mental e qualificar o fluxo assistencial no SUS.
Específicos:
Acolher mulheres com demandas de ansiedade e depressão, considerando suas experiências singulares de sofrimento; promover espaço coletivo de escuta qualificada e compartilhamento; estimular processos de awareness, autorregulação e produção de sentido; favorecer ajustamentos criativos frente às situações vivenciadas; fortalecer autonomia, protagonismo e responsabilização pelas escolhas; e contribuir para a redução do tempo de espera por atendimento psicológico individual, otimizando a organização do serviço.
No município de São Pedro da Aldeia (RJ), observa-se elevada demanda por atendimento psicológico, com predomínio de queixas relacionadas à ansiedade e depressão, resultando em elevado tempo de espera e limitações no fluxo assistencial. Tal cenário evidencia a necessidade de estratégias que articulem ampliação do acesso e qualificação do cuidado.
Trata-se de relato de experiência desenvolvido em ambulatório de saúde mental no município de São Pedro da Aldeia (RJ). O grupo psicoterapêutico é composto por mulheres adultas, inseridas a partir de acolhimento inicial, com demandas relacionadas a sintomas ansiosos e depressivos.
A intervenção caracteriza-se como grupo de curta duração, com 6 a 8 encontros semanais, conduzidos por duas psicólogas. O processo inicia-se com escuta individual, que possibilita a identificação das demandas e a inserção no dispositivo grupal, respeitando os princípios da equidade e da atenção centrada no sujeito.
A condução fundamenta-se na Gestalt-terapia, priorizando o aqui-agora, o contato e a ampliação da consciência (awareness). São utilizados recursos como experimentos gestálticos, dinâmicas de grupo, técnicas expressivas e estratégias que favorecem a criatividade, a espontaneidade e o contato com a realidade, possibilitando a elaboração do sofrimento (AFONSO, 2010).
O grupo é compreendido como dispositivo clínico-político da atenção psicossocial, ao promover a circulação da palavra, a construção coletiva de sentidos e o fortalecimento de vínculos. Tal perspectiva articula-se à clínica ampliada e às práticas territoriais, contribuindo para a produção de cuidado em rede e para a valorização da experiência subjetiva no contexto do SUS.
Observa-se que o grupo psicoterapêutico contribui para a ampliação do acesso ao cuidado em saúde mental, reduzindo o tempo de espera por atendimento psicológico individual e qualificando o fluxo assistencial no serviço.
Do ponto de vista clínico, identificam-se atenuação de sintomas ansiosos e depressivos, ampliação da expressão emocional e fortalecimento de vínculos entre as participantes. O espaço grupal favorece processos identificatórios e de apoio mútuo, possibilitando a ressignificação das experiências de sofrimento.
Além disso, o dispositivo promove maior consciência acerca dos modos de funcionamento das participantes, contribuindo para a construção de ajustamentos criativos mais funcionais e maior engajamento com a realidade. A dimensão coletiva do cuidado evidencia-se como potente ferramenta na atenção psicossocial, ao integrar subjetividade, vínculo e território.
Mapeie demanda, priorize grupos, integre rede, use protocolos breves, capacite equipe, monitore resultados e ajuste fluxo para ampliar acesso com qualidade.
Rua Rita Pereira, 82 - Centro, São Pedro da Aldeia - RJ, Brasil
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