Gestão do cuidado para pacientes oncológicos na atenção primária à saúde de Santa Cruz – PB

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Erick Bernard Pereira de Lima

Erick Bernard Pereira de Lima

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O câncer corresponde a um conjunto de doenças caracterizadas pelo crescimento desordenado de células, com potencial de invasão e disseminação, constituindo um dos principais problemas de saúde pública no século XXI. Nas últimas décadas, observa-se aumento significativo de sua incidência, especialmente em países em desenvolvimento, com estimativas que apontam crescimento expressivo no número de casos e impacto relevante na mortalidade.
No Brasil, esse cenário acompanha a tendência global, com elevado número de casos novos, destacando-se os cânceres de mama, próstata e colorretal. Diante disso, políticas públicas têm sido fortalecidas para garantir atenção integral, como a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
A Atenção Primária à Saúde (APS), por meio da Estratégia de Saúde da Família (ESF), desempenha papel fundamental como porta de entrada e coordenadora do cuidado, sendo responsável pelo acompanhamento longitudinal dos usuários. Nesse contexto, a gestão do cuidado torna-se essencial, envolvendo planejamento, comunicação entre os níveis de atenção e integração das ações em saúde.
Entretanto, persistem desafios relacionados à fragmentação da assistência, falhas na comunicação e dificuldades na articulação entre os serviços, o que compromete a continuidade do cuidado, especialmente para pessoas com câncer. Além disso, limitações estruturais e a necessidade de qualificação profissional impactam a efetividade da assistência.
A incorporação de equipes multiprofissionais (eMulti) e a valorização da perspectiva dos usuários surgem como estratégias para qualificar o cuidado, fortalecer vínculos e ampliar a resolutividade da APS. Assim, este estudo propõe compreender a percepção de usuários com câncer sobre a gestão do cuidado na APS, visando contribuir para o aprimoramento das práticas assistenciais e o fortalecimento do cuidado integral e humanizado.

OBJETIVO
Objetivo Geral
Avaliar e fortalecer a gestão do cuidado aos usuários oncológicos na Atenção Primária à Saúde (APS) do município de Santa Cruz, no estado da Paraíba.

Objetivos Específicos
• Caracterizar o perfil sociodemográfico, epidemiológico e clínico dos usuários oncológicos residentes no município de Santa Cruz/PB;
• Identificar o fluxo dos usuários oncológicos na rede de atenção à saúde do município de Santa Cruz/PB;
• Avaliar o cuidado ofertado na APS para os usuários oncológicos do município de Santa Cruz/PB;
• Propor ferramentas de gestão e trabalho na APS, com foco na ESF e na eMulti (Equipe Multiprofissional) para o acompanhamento e cuidado de usuários oncológicos do município de Santa Cruz/PB.

O aumento dos casos de câncer, associado ao envelhecimento populacional e às vulnerabilidades sociais presentes em municípios de pequeno porte, tem imposto desafios significativos à organização dos serviços de saúde. Nesse contexto, observa-se que a Atenção Primária à Saúde (APS), embora reconhecida como porta de entrada do sistema, ainda enfrenta limitações na coordenação do cuidado oncológico, especialmente no que se refere ao acesso oportuno ao diagnóstico, à continuidade do acompanhamento e à integração com os serviços especializados.

No município de Santa Cruz (PB), essas dificuldades são agravadas pela dependência de deslocamentos intermunicipais para realização de exames e tratamentos, o que pode comprometer a integralidade e a equidade do cuidado. Diante disso, emerge a necessidade de compreender como a APS tem se organizado para atender usuários oncológicos e em que medida seus atributos estão sendo efetivamente desenvolvidos, bem como analisar as percepções dos usuários sobre o cuidado recebido.

Os achados quantitativos evidenciaram que os usuários oncológicos acompanhados na Atenção Primária à Saúde (APS) de Santa Cruz/PB são majoritariamente homens (52%), idosos (68% entre 61–79 anos), aposentados (84%), com baixa escolaridade e residentes na zona rural (68%), além de elevada presença de comorbidades, como hipertensão (52%) e diabetes (32%). Observou-se diversidade de neoplasias, com destaque para câncer de mama (24%) e próstata (16%), sendo que 80% encontravam-se em tratamento ativo, com predominância da quimioterapia oral domiciliar (52%). Esse perfil é consistente com estudos que apontam maior ocorrência de câncer em populações envelhecidas e socialmente vulneráveis, com impacto direto no acesso e continuidade do cuidado (MALTA et al., 2022; INCA, 2022).

A avaliação da APS pelo PCATool-Brasil indicou boa orientação dos serviços, com destaque para Afiliação (10,0) e Utilização (9,2), evidenciando forte vínculo e uso da APS como porta de entrada. Resultados semelhantes foram encontrados em estudos nacionais, que apontam melhor desempenho nos atributos relacionais da APS (OLIVEIRA et al., 2013; HARZHEIM et al., 2020). A Longitudinalidade (7,0) e a Integração de Cuidados (7,55) também apresentaram escores satisfatórios, reforçando o papel coordenador da APS no cuidado de condições crônicas.

Por outro lado, fragilidades foram observadas em Acessibilidade (6,8), Sistemas de Informações (6,39) e Serviços Disponíveis (6,48), corroborando achados de estudos que identificam limitações estruturais e organizacionais, especialmente em municípios de pequeno porte (VALENDOLF, 2022). Tais limitações, associadas ao perfil rural e vulnerável dos usuários, podem comprometer a integralidade do cuidado oncológico.

Em síntese, os resultados indicam que, embora a APS apresente bom desempenho em vínculo e coordenação, persistem desafios relacionados ao acesso e à estrutura dos serviços, exigindo estratégias voltadas à equidade e fortalecimento da rede de atenção.

Conclui-se que a Atenção Primária à Saúde (APS) no município de Santa Cruz (PB) exerce papel estratégico no cuidado aos usuários oncológicos, especialmente no que se refere ao vínculo, à longitudinalidade e à coordenação do cuidado. Mesmo diante de limitações estruturais, a APS é reconhecida como porta de entrada preferencial e espaço de acompanhamento contínuo, sobretudo em contextos de vulnerabilidade social, envelhecimento populacional e elevada presença de comorbidades.
Entretanto, persistem desafios que comprometem a efetividade do cuidado, como fragilidades na acessibilidade, na organização dos fluxos assistenciais, na integração entre os níveis de atenção e nos sistemas de informação. A necessidade de deslocamentos intermunicipais para diagnóstico e tratamento especializado, especialmente para radioterapia, evidencia desigualdades no acesso e impõe sobrecarga aos usuários.
Diante disso, torna-se fundamental investir na qualificação da rede de atenção à saúde, com ênfase na ampliação dos serviços especializados, no fortalecimento da regionalização e na integração entre a APS e os demais níveis assistenciais. A atuação das equipes da Estratégia Saúde da Família e multiprofissionais é essencial para o cuidado integral, exigindo estratégias que qualifiquem a gestão e ampliem a resolutividade da atenção.

autor Principal

Erick Bernard Pereira de Lima

erickbernardpereira@gmail.com

Gerente de Atenção à Saúde

Coautores

Erick Bernard Pereira de Lima

A prática foi aplicada em

Santa Cruz

Paraíba

Nordeste

Esta prática está vinculada a

Secretaria Municipal de Saúde de Santa Cruz - Paraíba

PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTA CRUZ. - Rua Professor Nestor Antunes - Bairro 1º De Maio, Santa Cruz - Paraíba, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Erick Bernard Pereira de Lima

Conta vinculada

05 maio 2026

CADASTRO

05 maio 2026

ATUALIZAÇÃO

inicio

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

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