favor seguir os ajustes necessários abaixo:
O câncer corresponde a um conjunto de doenças caracterizadas pelo crescimento desordenado de células, com potencial de invasão e disseminação, constituindo um dos principais problemas de saúde pública no século XXI. Nas últimas décadas, observa-se aumento significativo de sua incidência, especialmente em países em desenvolvimento, com estimativas que apontam crescimento expressivo no número de casos e impacto relevante na mortalidade.
No Brasil, esse cenário acompanha a tendência global, com elevado número de casos novos, destacando-se os cânceres de mama, próstata e colorretal. Diante disso, políticas públicas têm sido fortalecidas para garantir atenção integral, como a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
A Atenção Primária à Saúde (APS), por meio da Estratégia de Saúde da Família (ESF), desempenha papel fundamental como porta de entrada e coordenadora do cuidado, sendo responsável pelo acompanhamento longitudinal dos usuários. Nesse contexto, a gestão do cuidado torna-se essencial, envolvendo planejamento, comunicação entre os níveis de atenção e integração das ações em saúde.
Entretanto, persistem desafios relacionados à fragmentação da assistência, falhas na comunicação e dificuldades na articulação entre os serviços, o que compromete a continuidade do cuidado, especialmente para pessoas com câncer. Além disso, limitações estruturais e a necessidade de qualificação profissional impactam a efetividade da assistência.
A incorporação de equipes multiprofissionais (eMulti) e a valorização da perspectiva dos usuários surgem como estratégias para qualificar o cuidado, fortalecer vínculos e ampliar a resolutividade da APS. Assim, este estudo propõe compreender a percepção de usuários com câncer sobre a gestão do cuidado na APS, visando contribuir para o aprimoramento das práticas assistenciais e o fortalecimento do cuidado integral e humanizado.
OBJETIVO
Objetivo Geral
Avaliar e fortalecer a gestão do cuidado aos usuários oncológicos na Atenção Primária à Saúde (APS) do município de Santa Cruz, no estado da Paraíba.
Objetivos Específicos
• Caracterizar o perfil sociodemográfico, epidemiológico e clínico dos usuários oncológicos residentes no município de Santa Cruz/PB;
• Identificar o fluxo dos usuários oncológicos na rede de atenção à saúde do município de Santa Cruz/PB;
• Avaliar o cuidado ofertado na APS para os usuários oncológicos do município de Santa Cruz/PB;
• Propor ferramentas de gestão e trabalho na APS, com foco na ESF e na eMulti (Equipe Multiprofissional) para o acompanhamento e cuidado de usuários oncológicos do município de Santa Cruz/PB.
O aumento dos casos de câncer, associado ao envelhecimento populacional e às vulnerabilidades sociais presentes em municípios de pequeno porte, tem imposto desafios significativos à organização dos serviços de saúde. Nesse contexto, observa-se que a Atenção Primária à Saúde (APS), embora reconhecida como porta de entrada do sistema, ainda enfrenta limitações na coordenação do cuidado oncológico, especialmente no que se refere ao acesso oportuno ao diagnóstico, à continuidade do acompanhamento e à integração com os serviços especializados.
No município de Santa Cruz (PB), essas dificuldades são agravadas pela dependência de deslocamentos intermunicipais para realização de exames e tratamentos, o que pode comprometer a integralidade e a equidade do cuidado. Diante disso, emerge a necessidade de compreender como a APS tem se organizado para atender usuários oncológicos e em que medida seus atributos estão sendo efetivamente desenvolvidos, bem como analisar as percepções dos usuários sobre o cuidado recebido.
Os achados quantitativos evidenciaram que os usuários oncológicos acompanhados na Atenção Primária à Saúde (APS) de Santa Cruz/PB são majoritariamente homens (52%), idosos (68% entre 61–79 anos), aposentados (84%), com baixa escolaridade e residentes na zona rural (68%), além de elevada presença de comorbidades, como hipertensão (52%) e diabetes (32%). Observou-se diversidade de neoplasias, com destaque para câncer de mama (24%) e próstata (16%), sendo que 80% encontravam-se em tratamento ativo, com predominância da quimioterapia oral domiciliar (52%). Esse perfil é consistente com estudos que apontam maior ocorrência de câncer em populações envelhecidas e socialmente vulneráveis, com impacto direto no acesso e continuidade do cuidado (MALTA et al., 2022; INCA, 2022).
A avaliação da APS pelo PCATool-Brasil indicou boa orientação dos serviços, com destaque para Afiliação (10,0) e Utilização (9,2), evidenciando forte vínculo e uso da APS como porta de entrada. Resultados semelhantes foram encontrados em estudos nacionais, que apontam melhor desempenho nos atributos relacionais da APS (OLIVEIRA et al., 2013; HARZHEIM et al., 2020). A Longitudinalidade (7,0) e a Integração de Cuidados (7,55) também apresentaram escores satisfatórios, reforçando o papel coordenador da APS no cuidado de condições crônicas.
Por outro lado, fragilidades foram observadas em Acessibilidade (6,8), Sistemas de Informações (6,39) e Serviços Disponíveis (6,48), corroborando achados de estudos que identificam limitações estruturais e organizacionais, especialmente em municípios de pequeno porte (VALENDOLF, 2022). Tais limitações, associadas ao perfil rural e vulnerável dos usuários, podem comprometer a integralidade do cuidado oncológico.
Em síntese, os resultados indicam que, embora a APS apresente bom desempenho em vínculo e coordenação, persistem desafios relacionados ao acesso e à estrutura dos serviços, exigindo estratégias voltadas à equidade e fortalecimento da rede de atenção.
Conclui-se que a Atenção Primária à Saúde (APS) no município de Santa Cruz (PB) exerce papel estratégico no cuidado aos usuários oncológicos, especialmente no que se refere ao vínculo, à longitudinalidade e à coordenação do cuidado. Mesmo diante de limitações estruturais, a APS é reconhecida como porta de entrada preferencial e espaço de acompanhamento contínuo, sobretudo em contextos de vulnerabilidade social, envelhecimento populacional e elevada presença de comorbidades.
Entretanto, persistem desafios que comprometem a efetividade do cuidado, como fragilidades na acessibilidade, na organização dos fluxos assistenciais, na integração entre os níveis de atenção e nos sistemas de informação. A necessidade de deslocamentos intermunicipais para diagnóstico e tratamento especializado, especialmente para radioterapia, evidencia desigualdades no acesso e impõe sobrecarga aos usuários.
Diante disso, torna-se fundamental investir na qualificação da rede de atenção à saúde, com ênfase na ampliação dos serviços especializados, no fortalecimento da regionalização e na integração entre a APS e os demais níveis assistenciais. A atuação das equipes da Estratégia Saúde da Família e multiprofissionais é essencial para o cuidado integral, exigindo estratégias que qualifiquem a gestão e ampliem a resolutividade da atenção.
PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTA CRUZ. - Rua Professor Nestor Antunes - Bairro 1º De Maio, Santa Cruz - Paraíba, Brasil
CADASTRO
ATUALIZAÇÃO