O município de Carmo, embora pequeno necessita de uma complexa Rede de Atenção Psicossocial para atender necessidades de demanda espontânea e vulnerabilidades de pessoas e grupos populacionais específicos além do cuidado integral e inclusão cidadã de egressos do extinto Hospital Colônia Teixeira Brandão. Mesmo com uma RAPS bem organizada e inserida nos processos de trabalho na Atenção Básica, desde de 2019 a gestão e técnicos têm avaliado a necessidade de incremento da Atenção Psicossocial e do cuidado coletivo na Atenção Primária, o que demanda processos formativos visando de modificar a lógica do modelo centralizado na prescrição psiquiátrica e no CAPS e aumentar a capacidade de cuidado integral da Rede de Atenção a Saúde. A rotatividade da força de trabalho na ESF também pressiona a necessidade de formação de novos integrantes em outros modos de cuidado não exclusivamente centrado na clínica especializada.
Objetivo Geral:
Construir uma estratégia de Formação em Saúde com trabalhadores da RAS integrada a ações coletivas de cuidado com participação de usuários.
Específicos:
1) Constituir grupos de cuidado integral e formação em saúde com trabalhadores e pessoas usuárias na Atenção Básica e no CAPS Adulto
2) Promover o protagonismo das pessoas usuárias nos processos de cuidado.
3) Ampliar a capacidade de cuidado de equipes da ESF e do CAPS.
Para promover a qualificação de trabalhadores e o aumento da capacidade de cuidado coletivo, no início de 2024 desenvolvemos uma estratégia de Formação em Saúde integrada à uma ação de cuidado integral tanto na ESF quanto no CAPS, baseada em práticas de Gestão Autônoma do Cuidado e da Medicação – GAC e GAM – com impacto positivo verificado em pesquisas pregressas no trabalho e na formação profissional. Adotamos esta abordagem para promover uma estratégia de formação em saúde com participação das pessoas usuárias numa relação de cuidado compartilhado.
1) Resultou em um espaço inédito de educação permanente com profissionais da AB, CAPS, RT, CRAS junto com usuários.
2) A participação das equipes ESF, principalmente ACS, junto com pessoas usuárias teve um impacto na sensibilização, ampliação da atenção psicossocial no território e capacitação das equipes.
3) O processo formativo multiplicou o efetivo e qualificou e aumentou a capacidade de cuidado envolvendo a ESF, a rede de saúde e o CRAS:
a) Os grupos de gestão autônoma do cuidado tornaram-se novos espaços de acolhimento e acompanhamento.
b) As equipes ESF passaram a acolher a demanda espontânea e territorial criando novas oportunidades de escuta e acolhimento.
c) Mudança da atenção centrada no CAPS e na medicação.
d) Aproximação das equipes da AB, CRAS, CAPS, RT fortalecendo vínculos e a capacidade de cuidado em rede facilitando acesso.
4) A participação ativa dos usuários teve efeitos:
a) Redução da hierarquia profissional-usuário e de estigmas manicomiais; estreitamento da relação entre profissionais da Atenção Básica e usuários do CAPS.
b) Aumento da autonomia, do protagonismo e da rede de socialização de usuários que passam a se identificar como parte do território.
c) Aumento da participação dos usuários nos processos de cuidado, vinculação, solidariedade, colaboração e compartilhamento de cuidado entre os participantes.
Estamos construindo uma estratégia inovadora de ampliação da capacidade de cuidado em rede num processo formativo integrado a ações coletivas de cuidado com protagonismo das pessoas usuárias que supera a separação entre assistência individual e ação comunitária.
Recomendamos que formação e cuidado sejam articulados num mesmo processo em coletivos paritários formados por profissionais e usuários. Uma nova lógica de trabalho e de cuidado pautados na experiência coletiva e no compartilhamento protagonizado pelas pessoas usuárias como ferramenta de cuidado, fonte de aprendizado, autonomia, vinculação e valorização das pessoas.
Se almejamos superar as limitações do modelo centrado no profissional, medicalizado e prescritivo, necessitamos construir uma atenção territorial de proteção e cuidado compartilhada entre profissionais e as pessoas usuárias.
Em Carmo estamos realizando processos formativos participativos com trabalhadores e usuários em que conhecer e cuidar são um mesmo processo. Uma ação de Educação Permanente EPS que desloca o profissional do centro e abre espaço para uma ecologia de saberes e de experiências coletivas que dialoga com a noção de aquilombação que tem ganhado atenção no campo da saúde coletiva e mental.
Rua Ubelart, 120 - Centro, Carmo - RJ, Brasil
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