Escudo de proteção: estratégia lúdica intersetorial para ampliação da cobertura vacinal escolar

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ROSANGELA CRISTINA

ROSANGELA CRISTINA FERREIRA

ROSANGELA CRISTINA FERRERA

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# Relato de Experiência: Escudo de Proteção

## Contextualização

A redução das coberturas vacinais e a reemergência de doenças imunopreveníveis constituem importantes desafios para a saúde pública, com impacto direto nos indicadores de morbimortalidade e no risco de reintrodução de agravos previamente controlados. Nesse cenário, a Atenção Primária à Saúde desempenha papel estratégico na ampliação da cobertura vacinal, por meio de ações de educação em saúde, busca ativa e fortalecimento do vínculo com a comunidade.

O ambiente escolar destaca-se como espaço privilegiado para o desenvolvimento dessas ações, por possibilitar o alcance de diferentes faixas etárias e favorecer a articulação intersetorial entre saúde, educação, assistência social e famílias. Em 2026, no município de Alfredo Vasconcelos/MG, a análise da situação vacinal evidenciou desafios relacionados à adesão, especialmente baixa cobertura da vacina contra o HPV entre escolares de 9 a 11 anos, associada à hesitação vacinal, desinformação e fragilidades no envolvimento familiar.

## Objetivo

Promover a ampliação da cobertura vacinal no território por meio de estratégia intersetorial com abordagem lúdica no ambiente escolar, visando à desmistificação da vacinação, ao enfrentamento da hesitação vacinal e ao fortalecimento do vínculo entre serviços de saúde, escola e famílias, com ênfase na vacina contra o HPV.

## Justificativa

A necessidade de fortalecer a cobertura vacinal, especialmente em relação ao HPV e demais imunobiológicos preconizados pelo Programa Nacional de Imunizações, motivou a implementação desta experiência. A identificação de atrasos vacinais, associada à circulação de informações incorretas e ao receio de parte das famílias, evidenciou a importância de estratégias inovadoras, acessíveis e culturalmente adequadas.

A utilização de metodologias lúdicas no ambiente escolar mostrou-se uma alternativa potente para promover aprendizagem significativa, reduzir medos, estimular o protagonismo infantil e ampliar o engajamento familiar, contribuindo para a construção de uma cultura de prevenção e cuidado.

## Implementação e Desenvolvimento da Experiência

Trata-se de uma experiência de intervenção intersetorial, desenvolvida em 2026 no município de Alfredo Vasconcelos/MG, envolvendo a Estratégia Saúde da Família, a Vigilância em Saúde, as escolas, o CRAS e as famílias, com público-alvo de crianças de 4 a 5 anos e de 9 a 11 anos da rede escolar.

A intervenção foi estruturada em três eixos operacionais: planejamento, execução e acompanhamento.

### Planejamento

As escolas disponibilizaram listas nominais dos estudantes, utilizadas para análise da situação vacinal por meio do sistema PEC/e-SUS. Essa etapa permitiu identificar esquemas vacinais incompletos, estratificar riscos e definir prioridades de atuação. Como estratégias de mobilização, foram utilizados bilhetes informativos aos responsáveis e articulação intersetorial entre saúde, educação e assistência social, com participação ativa do CRAS.

### Execução

Foram realizadas ações educativas preparatórias em sala de aula e no ambiente domiciliar, fundamentadas no conceito pedagógico “Escudo de Proteção”. A ação principal ocorreu em 10 de abril de 2026, com utilização de metodologias ativas e lúdicas, incluindo teatro educativo com elementos musicais, mediação com o personagem Zé Gotinha, rodas de conversa e atividades expressivas.

Para crianças de 4 a 5 anos, foram desenvolvidas estratégias lúdicas, como teatro musical e atividades de colorir, voltadas à desmistificação da vacinação, redução do medo e construção do cuidado. Para o público de 9 a 11 anos, foram realizadas ações de educação em saúde, conferência das cadernetas vacinais e vacinação no ambiente escolar, mediante autorização prévia dos responsáveis.

Como recursos, destacaram-se o Vacimóvel, o sistema PEC/e-SUS, as cadernetas de vacinação, materiais educativos impressos e a atuação integrada da equipe multiprofissional.

### Acompanhamento

Os casos identificados com esquemas vacinais incompletos passaram a ser monitorados continuamente pela equipe de saúde, assegurando longitudinalidade do cuidado, rastreabilidade e integração entre os diferentes pontos da rede de atenção.

## Resultados

Foram atendidas 262 crianças, sendo 126 na faixa etária de 9 a 11 anos e 136 de 4 a 5 anos.

Entre os escolares de 9 a 11 anos, identificaram-se 29 casos de atraso vacinal para HPV. Desses, 9 foram vacinados durante a ação, correspondendo a 31% de resolução imediata das pendências, enquanto 20 permanecem em acompanhamento pela equipe de saúde. Observou-se baixa adesão de parte dos responsáveis quanto ao envio dos cartões de vacinação e autorizações.

No grupo de 4 a 5 anos, foram avaliados 115 cartões de vacinação, com identificação de 6 atrasos vacinais e 13 pendências relacionadas à vacina varicela, atribuídas ao desabastecimento ocorrido em 2025. Nessa faixa etária, destacou-se elevada adesão dos responsáveis e excelente participação nas atividades propostas.

Houve participação de 100% das crianças nas atividades educativas e envolvimento familiar em 84% dos casos. Os resultados evidenciam impacto positivo na identificação precoce de pendências vacinais, ampliação do acesso à imunização e fortalecimento do vínculo entre comunidade e serviços de saúde.

## Conclusão

A experiência evidenciou que a articulação entre estratégias educativas, metodologias lúdicas e oferta facilitada de vacinação no ambiente escolar constitui abordagem efetiva para ampliação da cobertura vacinal e fortalecimento da cultura de prevenção no território.

A integração entre Estratégia Saúde da Família, Vigilância em Saúde, escola, CRAS e famílias mostrou-se fundamental para a consolidação da intersetorialidade, potencializando o alcance das ações e favorecendo a identificação e o acompanhamento de crianças com pendências vacinais.

Observou-se elevada participação das crianças, expressivo envolvimento familiar e impacto positivo na desmistificação da vacinação, na redução do medo e no fortalecimento do vínculo com os serviços de saúde. Destaca-se, contudo, a necessidade de intensificar estratégias voltadas aos responsáveis, especialmente no público de 9 a 11 anos, a fim de ampliar a adesão às ações de imunização.

Trata-se de uma estratégia de baixo custo, alta aplicabilidade e grande potencial de replicabilidade em diferentes contextos, contribuindo de forma consistente para o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde e para a melhoria dos indicadores de cobertura vacinal no âmbito do SUS.

A redução das coberturas vacinais e o aumento da hesitação vacinal, especialmente em relação ao HPV, evidenciaram fragilidades na adesão às imunizações no território. Esse cenário compromete a prevenção de doenças imunopreveníveis e reforçou a necessidade de estratégias inovadoras, intersetoriais e acessíveis para ampliar a cobertura vacinal, fortalecer o vínculo com as famílias e qualificar as ações de promoção da saúde no ambiente escolar.

A prática possibilitou a avaliação de 262 crianças, com identificação precoce de pendências vacinais e ampliação do acesso à imunização. Houve atualização imediata de parte dos esquemas em atraso, especialmente para HPV, além de fortalecimento do vínculo entre serviços de saúde, escola e famílias. As metodologias lúdicas favoreceram a desmistificação da vacinação, reduziram medo e resistência entre as crianças e estimularam maior participação familiar. Como inovação, destaca-se a integração entre educação em saúde, busca ativa territorial, vacinação no ambiente escolar e uso do conceito pedagógico “Escudo de Proteção”, demonstrando ser uma estratégia de baixo custo, replicável e com alto potencial de impacto na qualificação da Atenção Primária e na melhoria das coberturas vacinais.

A implementação de práticas semelhantes requer, inicialmente, diagnóstico situacional robusto da cobertura vacinal e análise das vulnerabilidades do território, subsidiando a definição de prioridades e estratégias. A articulação intersetorial entre Atenção Primária à Saúde, Vigilância em Saúde, educação, assistência social e famílias constitui elemento central para o sucesso da intervenção, favorecendo corresponsabilização e sustentabilidade das ações. Recomenda-se a adoção de metodologias ativas, lúdicas e culturalmente adequadas, capazes de promover aprendizagem significativa, reduzir barreiras relacionadas ao medo e enfrentar a hesitação vacinal. Estratégias de comunicação direcionadas aos responsáveis são indispensáveis, especialmente em grupos com maior resistência à vacinação. Além disso, o monitoramento sistemático das pendências vacinais, associado à busca ativa e à oferta oportuna de imunização, potencializa os resultados. Trata-se de uma estratégia de baixo custo, alta aplicabilidade e elevado potencial de replicabilidade em distintos contextos da Atenção Primária à Saúde.

autor Principal

ROSANGELA CRISTINA

rosangelacf8@yahoo.com.br

ENFERMEIRA

Coautores

Rosangela Cristina Ferreira,Jacylene C. O Pinto, Leticia Fatima Oliveira ,Maria Carolina dos S. F. Conde

A prática foi aplicada em

Alfredo Vasconcelos

Minas Gerais

Sudeste

Esta prática está vinculada a

R. Oswaldo Angelo Furtado, 53 - Alfredo Vasconcelos, MG, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

ROSANGELA CRISTINA FERRERA

Conta vinculada

24 abr 2026

CADASTRO

24 abr 2026

ATUALIZAÇÃO

10 abr 2026

inicio

10 abr 2026

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos