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Entrada assistida – entre o ideal e o real, a potência do cuidado possível.

Fatima Regina da Silva Souza

fatima.regina.souza@hotmail.com

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Fatima Regina da Silva Souza

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Estudos destacam a relevância das intervenções na primeira infância para proteção de agravos. O Município de Piraí/RJ através da equipe de Saúde do Centro Especializado Multidisciplinar de Atendimento à Infância e Adolescência-CEMAIA é referência municipal para acompanhamento do público infantil que necessita de intervenções terapêuticas. As demandas atuais que chegam ao serviço apontam a necessidade urgente de ações de promoção e prevenção de agravos na primeira infância, e estratégias que visem ampliar acesso e promover estímulos favoráveis ao pleno desenvolvimento. A prática em curso objetivo tem como principal objetivo: Instituir proposta terapêutica para agilizar acesso, oportunizando estimulação precoce a crianças entre 1 ano e 9 meses a 3 anos de idade que apresentem sinais para risco de transtornos do neurodesenvolvimento.
Objetivos específicos:
-Aprimorar protocolo de regulação com base na classificação de risco;
-Evitar diagnósticos precoces e condutas patologizantes;
-Acompanhar longitudinalmente a primeira infância para rastreio de indicadores de riscos para o desenvolvimento;
-Identificar necessidades de encaminhamentos para equipe CEMAIA-Saúde, e outros dispositivos da rede intra e intersetorial;
-Proporcionar grupos de orientação parental e conscientização do desenvolvimento infantil;
– Promover o fortalecimento do vínculo socioafetivo no ambiente familiar;
– Prevenir agravos.
A espera para atendimento especializado no Sistema Único de Saúde -SUS, não pode ser um lugar de “não cuidado”, incertezas e angústias para as famílias, onde a singularidade se perde. É necessária a busca de estratégias em consonância com os princípios e diretrizes do SUS. Vislumbra-se nesta prática a possibilidade de agilizar acesso, implantar ações de promoção de saúde nos seus aspectos biopsicossociais, prevenindo agravos.

A Entrada Assistida se caracteriza pela inserção imediata da criança no serviço, em atendimentos com frequência mensal ou quinzenal, visando monitoramento e intervenções céleres para mitigar risco de agravos. A equipe técnica estabeleceu 4 sinais para risco no neurodesenvolvimento a serem avaliados na triagem: 1 atraso na linguagem; 2 nível de habilidade social restrito; 3 nível de interesse (restrito ou hiperfoco) e 4 presença de alterações comportamentais.
A modalidade de atendimento quinzenal é definida a partir da presença do item 4 e realizada por psicólogo e fonoaudiólogo. O atendimento mensal é realizado somente por fonoaudiólogo sendo definido a partir da presença dos sinais 1, 2 e/ou 3.
Etapas:
1ª identificação no SISREG de solicitações de avaliação para crianças menores de 3 anos.
2ª Triagem multidisciplinar para identificação de fatores de risco considerando marcos do desenvolvimento e/ou critérios estabelecidos pela equipe, com aplicação de instrumentos e escalas de avaliação.
3ª Discussão do caso em reunião de equipe para definição da modalidade da Entrada Assistida.
4ª Início dos atendimentos.
5ª Reavaliação sistemática dos atendimentos para identificação de demandas intra e intersetoriais.
Ambas as modalidades são realizadas com a atuação ativa dos responsáveis, que participam das sessões, e assumem o papel de corresponsáveis pelo cuidado, recebendo orientações para realizarem atividades em casa.

Desde outubro 2024 percebemos um aumento progressivo de demanda para avaliação de crianças menores de 5 anos com sinais de atraso no neurodesenvolvimento, tais como atrasos de linguagem, e outros sinais de risco para diagnóstico de TEA (Transtorno do Espectro do Autismo).
A oferta reduzida de vagas para a especialidade de fonoaudiologia, no CEMAIA e o prognóstico reservado do público assistido no Centro, impacta nos processos de alta e gera limitações na oferta de novas vagas nos convidando a pensar estratégias que ampliem acesso, garantam a continuidade dos atendimentos em curso e promovam cuidado e atenção prevenindo agravos.

Desde o início da prática, ou seja, a aproximadamente 1 ano e 4 meses, 6 crianças foram inseridas na modalidade quinzenal e 8 inseridas na modalidade mensal.
Com 2 horários na agenda de fonoaudiologia, é possível acompanhar 8 crianças. Para os atendimentos quinzenais disponibilizamos 1 horário comum na agenda de psicologia e 1 em fonoaudiologia, assim 14 crianças, que apresentavam sinais importantes de risco para transtornos do neurodesenvolvimento, foram inseridas no serviço. Tem sido possível constatar:
-Ampliação do acesso de novas crianças, sem prejuízo aos outros atendimentos em curso.
-Início célere do processo avaliativo, definição de condutas, estimulação das habilidades a serem desenvolvidas, estabelecimento de prioridades, estratégias individualizadas, e otimização da gestão da fila de espera.
-Fortalecimento do vínculo entre os profissionais, criança e família, ampliando as possibilidades de intervenção e construção conjunta de estratégias.
-Início precoce das orientações parentais, para maior alinhamento entre família e equipe técnica quanto às demandas, objetivos e manejo no cotidiano.
-Aprimoramento do olhar técnico sobre os fluxos internos do serviço, permitindo análise criteriosa dos encaminhamentos necessários e articulação com os demais serviços da rede intra e intersetorial.
-Ganho de tempo ao iniciar as intervenções antes da inserção em vaga semanal favorecendo avanço no percurso evolutivo da criança e potencializando seus resultados futuros.

Quando uma criança é encaminhada para avaliação com hipótese de transtorno do neurodesenvolvimento, a família inicia um processo de incertezas e angustias. A realidade das filas de espera para alguns atendimentos especializados, nos serviços de referência, alimenta esses sentimentos e podem comprometer de forma definitiva as possibilidades futuras desta criança.
Intervenções precoces estimulando os marcos em atraso previne agravos e potencializa outras habilidades. O vínculo terapêutico, as intervenções realizadas pelos familiares, e o lúdico das sessões estimula a criança em todas as áreas do neurodesenvolvimento.
A prática possibilita fazer a gestão da fila de espera, conhecendo de perto, cada criança que aguarda atendimento, grau de comprometimento e risco. Visa acima de tudo, oferecer possibilidades de cuidado potente e, gradativamente ofertar a criança, outras propostas terapêuticas para o cuidado integral.
Uma estratégia de gestão e cuidado, de tecnologia leve, que potencializa os recursos humanos do serviço e as famílias. Na contramão das “filas de espera frias” a Entrada Assistida é a possibilidade de no vínculo, despertar nas famílias sentimento de apoio, e monitorando a criança, avaliar e intervir simultaneamente, de fácilaplicabilidade e considerando que são utilizados recursos humanos dos serviços não tem imapcto financeiro.

autor Principal

Fatima Regina da Silva Souza

fatima.regina.souza@hotmail.com

Coordenador Municipal de Saúde Mental

Coautores

Viviane Fristch Batista, Mariana Portugal de Andrade , Camila trocolli Ramos, Renata Cardoso da Silva

A prática foi aplicada em

Piraí

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Rua Roberto Silveira, 86 - Centro, Piraí - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Fatima Regina da Silva Souza

Conta vinculada

24 mar 2026

CADASTRO

24 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

31 out 2024

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

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