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APRESENTAÇÃO
O tabagismo é reconhecido como um dos principais fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis, representando importante problema de saúde pública. Em municípios de pequeno porte, como Dona Euzébia, com aproximadamente 6 mil habitantes, observa-se dificuldade na adesão aos métodos tradicionais de cessação do tabagismo, especialmente devido à dependência física, comportamental e emocional dos usuários.
Pensando nisso o município buscou junto a Secretaria de Saúde do Estado a disponibilidade das medicações para iniciar o grupo. Inicialmente só conseguimos medicação para 15 usuários. Dessa forma, selecionamos os participantes através de triagem efetuada pelos agentes de saúde e iniciamos o grupo em setembro de 2025, com encontros semanais no primeiro mês, quinzenais no 2 e 3º mês e mensal no restante dos meses até completar 1 ano, seguindo protocolo do INCA.
OBJETIVO
OBJETIVO GERAL
Promover a cessação do tabagismo por meio de uma abordagem integrada na Atenção Primária à Saúde, associando farmacoterapia e auriculoterapia, visando aumentar a adesão, reduzir sintomas de abstinência e melhorar a qualidade de vida dos participantes.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
• Reduzir o consumo diário de cigarros entre os participantes ao longo do acompanhamento;
• Apoiar os usuários no processo de cessação do tabagismo, considerando os aspectos físicos, psicológicos e comportamentais da dependência;
• Minimizar os sintomas de abstinência, como ansiedade, irritabilidade e fissura, por meio da associação entre farmacoterapia e auriculoterapia;
• Estimular a adesão e permanência dos participantes no grupo durante todo o período proposto;
• Integrar práticas integrativas e complementares, como a auriculoterapia, às ações da Atenção Primária à Saúde.
JUSTIFICATIVA
A inserção da auriculoterapia como estratégia complementar no grupo de tabagismo justifica-se pela necessidade de abordagens integrativas que auxiliem no manejo dos sintomas de abstinência, frequentemente responsáveis pela recaída durante o processo de cessação. Sintomas como ansiedade, irritabilidade, insônia e fissura pelo cigarro constituem importantes barreiras à manutenção da abstinência, mesmo quando associadas à farmacoterapia convencional.
Nesse contexto, a auriculoterapia, prática integrante das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) no âmbito do SUS, apresenta-se como uma intervenção de baixo custo, segura e de fácil aplicação na Atenção Primária à Saúde, com potencial para promover equilíbrio neurofisiológico e redução de sintomas relacionados à dependência da nicotina. Sua utilização contribui para o cuidado integral do usuário, ampliando as possibilidades terapêuticas e fortalecendo o vínculo com a equipe de saúde.
Além disso, a associação entre auriculoterapia e as abordagens tradicionais preconizadas pelo SUS, como aconselhamento e farmacoterapia, potencializa os resultados do tratamento, favorecendo maiores taxas de cessação e adesão ao grupo. Dessa forma, a implementação dessa prática configura-se como uma estratégia inovadora, resolutiva e alinhada aos princípios da integralidade e da promoção da saúde no âmbito da Atenção Primária.
METODOLOGIA
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido no município de Dona Euzébia, com início em setembro de 2025 e conclusão da fase intensiva do tratamento em dezembro de 2025, envolvendo a participação de 15 usuários tabagistas acompanhados pela Atenção Primária à Saúde.
A intervenção foi estruturada a partir das seguintes estratégias:
• Formação do grupo de tabagismo, com encontros regulares organizados conforme protocolo do Instituto Nacional de Câncer, sendo realizados semanalmente no primeiro mês, quinzenalmente no segundo e terceiro meses e, posteriormente, mensais, até completar o período de um ano de acompanhamento.
• Avaliação inicial dos participantes, realizada por meio de triagem, utilizando o Teste de Fagerström, com o objetivo de mensurar o grau de dependência à nicotina e subsidiar a condução terapêutica.
• Utilização de farmacoterapia, conforme diretrizes do Ministério da Saúde. Os usuários foram submetidos à consulta médica para avaliação clínica e análise das medicações em uso, a fim de definir a indicação da Bupropiona. A terapia de reposição de nicotina, por meio de adesivos transdérmicos, foi instituída para os participantes, com ajuste progressivo de dose, conforme evolução clínica, sempre sob supervisão médica.
• Aplicação de auriculoterapia, com sessões realizadas durante todos os encontros do grupo nos três primeiros meses. Foi adotado protocolo clínico baseado no Guia de auriculoterapia para Tabagismo baseado em evidências, da Universidade Federal de Santa Catarina. Dentre os pontos apontados no guia, foram definidos, pela equipe multiprofissional do município, os seguintes pontos auriculares: ShenMen, Sistema Nervoso Simpático, Rim, Pulmão, Boca, Ansiedade e Vício. Os participantes foram orientados a estimular manualmente cada ponto por aproximadamente 30 segundos, pelo menos três vezes ao dia.
• Desenvolvimento de ações educativas em saúde, por meio de rodas de conversa conduzidas por equipe multiprofissional, abordando temas relacionados aos riscos do tabagismo, benefícios da cessação, estratégias de enfrentamento da fissura e promoção de hábitos saudáveis.
O alto número de pacientes que se declaram fumantes durantes os atendimentos, associado às doenças causadas pelo cigarro e às frequentes recaídas por ansiedade, me motivou a integrar a auriculoterapia ao grupo de tabagismo, visando ampliar a adesão e a efetividade do tratamento.
Também, de acordo com os relatos dos participantes, a enorme dificuldade em parar de fumar, em decorrência da falta de acompanhamento e de ter que se motivar sozinho, nos mostrou que fortalecer o vínculo seria crucial para o sucesso do grupo e dos participantes.
A intervenção demonstrou resultados altamente positivos no processo de cessação do tabagismo entre os participantes. Dos 15 usuários que iniciaram o acompanhamento, 4 evadiram ao longo do período, resultando em uma taxa de permanência de 73,3%.
Entre os 11 participantes que concluíram a fase intensiva do tratamento, 10 (90,9%) alcançaram cessação completa do tabagismo, enquanto 1 (9,1%) apresentou redução significativa do consumo de cigarros, evidenciando importante impacto da intervenção mesmo nos casos de não cessação total.
Observou-se, ao longo dos encontros, redução significativa dos relatos de ansiedade, irritabilidade e fissura entre os participantes, especialmente nos dias subsequentes à aplicação da auriculoterapia. Tal efeito contribuiu diretamente para o aumento da adesão ao tratamento, maior engajamento nas atividades propostas e manutenção da abstinência.
Os dados evidenciam elevada efetividade da abordagem adotada, destacando-se a associação entre farmacoterapia, conforme diretrizes do Ministério da Saúde, e a auriculoterapia como prática integrativa complementar. Ressalta-se que a auriculoterapia atuou como importante ferramenta no manejo dos sintomas de abstinência, favorecendo o equilíbrio emocional dos participantes.
Além disso, a estruturação do grupo e o acompanhamento multiprofissional contribuíram significativamente para o fortalecimento do vínculo, adesão ao tratamento e enfrentamento das dificuldades inerentes ao processo de cessação do tabagismo.
Comece estruturando o grupo conforme as diretrizes do SUS, garantindo encontros regulares, acompanhamento multiprofissional e uso das abordagens já consolidadas (aconselhamento e farmacoterapia). A auriculoterapia entra como complemento, não substituição.
É importante padronizar o protocolo: defina os pontos auriculares voltados para ansiedade, compulsão e sintomas de abstinência, estabeleça frequência das aplicações (ex: semanal/ quinzenal) e registre tudo em prontuário.
Por fim, invista no vínculo com os participantes. Escuta qualificada, acolhimento e acompanhamento próximo fazem muita diferença na adesão e na redução de recaídas.
Também é importante monitorar os resultados e adaptar o protocolo a realidade local.
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