Educação em saúde no ambiente escolar para prevenção de infecções sexualmente transmissíveis em adolescentes: ênfase em HIV/Aids

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Nayara Mendes Cruz

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Esta experiência trata-se da execução de um projeto de extensão voltado à prevenção de IST, com ênfase em HIV/Aids, desenvolvido por docentes e discentes da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), vinculado ao Programa Institucional de Bolsas de Extensão (PIBEX 2026) em parceria com a secretaria municipal de saúde de Juazeiro (BA).
A persistência de novos casos de HIV entre jovens de 15 a 24 anos, grupo que representa 25,7% dos casos notificados no Brasil entre 1991 e 2025, conforme o Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025 do Ministério da Saúde, isso evidencia lacunas nas estratégias de prevenção direcionadas a essa população, demandando intensificação de ações educativas, ampliação da testagem e fortalecimento da prevenção combinada.
Adolescentes em fase escolar apresentam vulnerabilidade singular, atravessando um período de descobertas sexuais frequentemente desacompanhadas de orientação qualificada, com déficit no entendimento sobre transmissão, prevenção combinada e percepção de risco. O estigma associado ao HIV atua como barreira estrutural que afasta os jovens dos serviços de saúde e silencia o debate necessário sobre prevenção. O ambiente escolar emerge, portanto, como espaço privilegiado para intervenções educativas dialógicas que promovam conhecimento e autonomia, especialmente em territórios marcados por vulnerabilidades sociais e raciais sobrepostas, onde a extensão universitária cumpre papel relevante na promoção da equidade e no exercício pleno da cidadania. Assim sendo, objetivou-se desenvolver ações de educação em saúde no ambiente escolar voltadas à prevenção de IST em adolescentes, com ênfase em HIV/Aids.
As atividades são organizadas em três eixos interdependentes e desenvolvidas em salas de aula de escola pública de ensino médio.
O Eixo 1 compreende oficinas educativas e dinâmicas participativas, como “Mito ou Verdade” e plataformas digitais de gamificação, abordando conceitos sobre IST e HIV/Aids, formas de transmissão, desmistificação de tabus e a Mandala da Prevenção Combinada, com discussão detalhada sobre as ferramentas de prevenção disponíveis no SUS, incluindo o uso de preservativos e lubrificantes e o acesso a tecnologias biomédicas como PrEP e PEP. Além disso, para avaliação de aprendizagem, utilizamos o teste pré e pós-oficinas.
O Eixo 2 utiliza a “caixa do anonimato”, por meio da qual os adolescentes registram dúvidas de forma privada e sem identificação. Essas demandas orientam o planejamento dos encontros subsequentes e subsidiam a elaboração de conteúdos digitais educativos, preservando integralmente o anonimato dos participantes. Nesse sentido, os próprios adolescentes, por meio de suas dúvidas e demandas, tornam-se coautores do conteúdo educativo, exercendo protagonismo ativo na construção do processo formativo.
O Eixo 3 contempla a difusão digital por perfil institucional em rede social, com publicação de conteúdos educativos em linguagem acessível ao público jovem, incluindo informações sobre a rede SUS local (serviços de testagem, aconselhamento, PrEP e PEP disponíveis no território).
O acompanhamento e o registro das atividades ocorrem de forma qualitativa por meio de Diários de Campo estruturados preenchidos pelos extensionistas após cada imersão e, quantitativamente, pelos relatórios estatísticos de desempenho gerados automaticamente pelos formulários pré e pós-oficina.

A experiência é desenvolvida no município de Juazeiro (BA), cidade localizada no semiárido baiano, no Vale do Rio São Francisco. O território apresenta características socioepidemiológicas relevantes, como predominância de população negra, marcadores de vulnerabilidade socioeconômica e histórico de tendência persistente de infecção por HIV entre jovens, conforme estudos epidemiológicos locais realizados entre 2019 e 2023. O estigma e a desinformação constituem barreiras adicionais ao acesso aos serviços de saúde e à adoção de práticas preventivas, agravando a vulnerabilidade de adolescentes que atravessam a fase de iniciação sexual frequentemente sem orientação qualificada. Esse conjunto de determinantes territoriais, sociais e epidemiológicos justifica e orienta a escolha do ambiente escolar como espaço estratégico de intervenção preventiva junto a adolescentes.

Nas quatro ações presenciais realizadas entre abril e maio de 2026, a experiência alcançou cerca de 100 adolescentes de escola pública. Para avaliação do impacto educativo, aplicaram-se instrumentos estruturados de verificação do conhecimento. Observaram-se ganhos expressivos em todos os indicadores: conhecimento sobre PrEP (36,1% → 83,8%; +47,7 p.p.); prazo correto para início da PEP (12,5% → 94,4%; +81,9 p.p.); identificação dos serviços de testagem gratuita no SUS (65,3% → 97,3%; +32,0 p.p.); reconhecimento de vacinas preventivas para HPV e Hepatite B (72,2% → 97,3%; +25,1 p.p.); compreensão de que IST pode ocorrer sem sintomas (55,6% → 83,8%; +28,2 p.p.). A distinção entre HIV e AIDS cresceu de 60,0% para 94,7% entre estudantes do 2º ano. A autopercepção sobre onde buscar testagem e atendimento elevou-se de 3,70 para 4,63 em escala Likert de 5 pontos. Quanto à satisfação, 94,7% dos estudantes do 2º ano e 87,5% do 3º ano afirmaram sentir-se mais informados após a oficina, e 100% dos respondentes consideraram importante aprender sobre ISTs no ambiente escolar. A diferença de adesão entre pré e pós-teste constitui limitação na leitura dos achados. Ainda assim, os resultados evidenciam o potencial transformador da ação tanto para os adolescentes, que ampliaram conhecimento sobre tecnologias essenciais de prevenção, quanto para a equipe extensionista, que reconheceu a relevância de ações educativas qualificadas no ambiente escolar, reafirmando o papel da extensão universitária na aproximação entre ciência e comunidade.

A caixa do anonimato revelou-se estratégia fundamental para acessar dúvidas que os adolescentes não expressariam em ambiente coletivo, evidenciando que o silêncio sobre temas relacionados à sexualidade e IST não significa ausência de dúvidas, mas sim ausência de espaços seguros para expressá-las. A abordagem dialógica e o uso de dinâmicas participativas mostraram-se mais eficazes do que exposições informativas tradicionais para promover engajamento e retenção do conhecimento. O envolvimento de equipe interdisciplinar (estudantes de enfermagem, psicologia e biologia, mestranda em ciências da saúde) enriquece as respostas oferecidas e amplia a legitimidade da ação junto aos estudantes.

autor Principal

Nayara Mendes Cruz

nayara.mendes@univasf.edu.br

Professor universitário

Coautores

Nayara Mendes Cruz, Railson Diego Ferraz Lima, Daniele de Oliveira Gonçalves, Camylla Vitoria de Souza Macedo, Evillyn de Souza Teixeira, Lana Ariel Soares Siebra Dantas, Renata Kaellyne Oliveira Saraiva, Matheus Henrique Neumann Bonfim, Lucas Pereira do Nascimento, Kamila Juliana da Silva Santos, Lucimara Araujo Campos, Bruna Naiara de Carvalho Mattos, Magna Cavalcanti e Cavalcante

A prática foi aplicada em

Juazeiro

Bahia

Nordeste

Esta prática está vinculada a

Univasf - Avenida José de Sá Maniçoba - Centro, Petrolina - PE, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Nayara Mendes Cruz

Conta vinculada

03 jul 2026

CADASTRO

06 jul 2026

ATUALIZAÇÃO

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

Arquivos