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A assistência farmacêutica (AF) constitui um dos componentes do Sistema Único de Saúde (SUS), fundamental ao seu princípio da integralidade da atenção e o acesso aos medicamentos é um dos seus principais pilares.
Pacientes atendidos em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), frequentemente, são liberados na alta hospitalar com prescrições contendo diversos medicamentos e muitas vezes por ser fora do horário de funcionamento da farmácia básica municipal (noites, finais de semana e feriados) não tem acesso imediato a esses medicamentos. Esse cenário compromete a continuidade do cuidado e pode resultar em agravamento do quadro clínico e retornos evitáveis à unidade.
OBJETIVO GERAL
Implantar o serviço de dispensação de medicamentos na alta hospitalar na UPA DR. JUVÊNCIO GUIMARÃES, garantindo o acesso e continuidade dos tratamentos propostos.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
• Definir o fluxo de dispensação de medicamentos na alta hospitalar;
• Capacitar os colaboradores da UPA quanto ao novo serviço, em especial à equipe da farmácia;
• Padronizar a lista de medicamentos deste serviço, com foco nos tratamentos agudos;
• Acompanhar o padrão das dispensações, com foco nas programações, evitando rupturas dos estoques;
• Quantificar mensalmente o número de prescrições atendidas, para monitorar a viabilidade assistencial.
DESENVOLVIMENTO/MÉTODO
O presente trabalho foi desenvolvido na Unidade de Pronto Atendimento Dr. Juvêncio Guimarães, no município de Conceição do Mato Dentro, Minas Gerais, região central do estado, sendo os resultados obtidos no período de 01/04/2025 a 31/03/2026.
Inicialmente, para alcançar os objetivos propostos, foram realizados encontros e discussões técnicas com os gestores da UPA assim como os gestores municipais de saúde e vigilância sanitária local. Todos concordaram com a necessidade e viabilidade do serviço, desde que a dispensação de medicamentos não impactasse no fluxo da farmácia básica. Para isso, foi excluída a dispensação de medicamentos de uso contínuo e o atendimento é exclusivamente aos pacientes atendidos na UPA, pacientes atendidos nas demais unidades de saúde do município seguem o fluxo de atendimento via farmácia básica.
Na sequência, foi avaliado o padrão de medicamentos prescritos para quadros sintomáticos agudos na UPA, com foco em realizar a padronização dos medicamentos para este novo serviço. A lista foi aprovada por unanimidade tanto na Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT) da UPA, quanto na CFT municipal e compreender as classes de analgésicos, antiinflamatórios, antibióticos orais, antialérgicos/anti-histamínicos, anti-eméticos. Nenhum medicamento de uso contínuo para não impactar no fluxo da farmácia básica.
Finalizada a padronização, foi realizado o levantamento inicial do estoque, e a programação de abastecimento, com o apoio da farmácia básica municipal, visto que a UPA ainda não possuía uma memória de cálculo das dispensações em questão. Concomitantemente, foram realizadas as capacitações de toda equipe da UPA, com treinamento específico e operacional à equipe da farmácia.
Com a implantação do serviço e tendo sido desenhado o fluxo, fez-se necessário contratar mais um colaborador para que o novo serviço não impactasse nas demandas de urgência/emergência da unidade. Além disso, foi realizada uma adaptação na estrutura física, com a abertura de uma janela externa, minimizando o impacto no fluxo assistenciais da unidade.
Após a implantação, o paciente ao receber alta médica, é encaminhado à farmácia da unidade, onde ocorre a dispensação dos medicamentos prescritos, orientação quanto ao uso correto e registro das informações, garantindo a rastreabilidade do processo. Diariamente as prescrições são arquivadas e ao final de cada mês quantificadas, com o objetivo de monitorar a viabilidade desse novo modelo de dispensação.
A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Dr. Juvêncio Guimarães, localizada no município de Conceição do Mato Dentro/MG e desde a sua inauguração realizava dispensações de medicamentos, conforme os protocolos de urgência e emergência. Entretanto identificou-se que os pacientes em alta hospitalar nos períodos noturnos, feriados e finais de semana não tinham acesso imediato aos medicamentos prescritos, uma vez que a dispensação era realizada apenas pela farmácia básica municipal, cujo período de funcionamento não contempla os intervalos citados.
Esse cenário comprometia a continuidade do tratamento, aumentando o risco de agravamento do quadro clínico e retornos evitáveis à UPA. Somado a isso, os pacientes residentes em comunidades rurais mais distantes tinham ainda mais dificuldade de acesso aos tratamentos propostos, devido à barreira geográfica.
Diante do cenário exposto, foi implantada a dispensação de medicamentos na própria UPA, no momento da alta hospitalar, com funcionamento ininterrupto (24 horas por dia, 7 dias da semana), visando garantir o acesso oportuno e a continuidade do cuidado.
Com a implantação do serviço de dispensação na alta hospitalar, foram atendidas no período estudado (01/04/2025 a 31/03/2026) um total de 18.052 prescrições, com média diária de 51 atendimentos e média mensal de 1.504 prescrições. Considerando que no período estudado, houve 28.474 atendimentos na UPA, a taxa de conversão foi de aproximadamente 63%.
O mês com maior volume de dispensações foi maio/2025 (1.755 prescrições), provavelmente relacionado ao início do serviço e a maior divulgação nos canais oficiais do município. Por outro lado, fevereiro/2026 corresponde ao mês com menor número de prescrições (1.200 dispensações), porém mantendo o padrão diário proporcional, visto que fevereiro possui menos dias.
A análise do período entre julho/2025 até fevereiro/2026 evidencia uma tendência de redução do número de dispensações, possivelmente relacionada a períodos de ruptura em estoque de alguns itens, causada por ciclos de compras não definidos adequadamente.
Ressalta-se que o início do serviço revelou uma demanda de medicamentos, até o momento não conhecida pela assistência farmacêutica municipal, impactando diretamente os estoques da farmácia básica.
Diante disso, a gestão, com base nos dados monitorados, optou pela manutenção do serviço e vem adotando estratégias de reorganização dos abastecimentos, com programações regulares de aquisições.
Outro ponto observado foi o fato da equipe geral da UPA reconhecer essa modalidade de serviço como fator de maior resolutividade da unidade, contribuindo para a integralidade do cuidado ao usuário.
O início do serviço revelou uma demanda não identificada previamente pela assistência farmacêutica municipal, impactando diretamente os estoques da farmácia básica. Recomenda-se que a implementação seja acompanhada com programação prévia de abastecimento e monitoramento contínuo dos dados de dispensação a fim de evitar rupturas.
Vale ressaltar a importância da definição de fonte de financiamento específica para o serviço, com dotação própria, garantindo maior previsibilidade e sustentabilidade das aquisições.
Além disso, é fundamental definir claramente o escopo do serviço, priorizando medicamentos para condições agudas e evitando sobreposição com a farmácia básica. A organização do fluxo, a capacitação da equipe e a adequação da estrutura física também são essenciais para garantir a sustentabilidade do serviço.
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