A desospitalização segura é um processo essencial que demanda comunicação eficaz entre os serviços hospitalares e a assistência domiciliar para garantir a continuidade do cuidado aos pacientes que não necessitam mais de internação, mas ainda requerem acompanhamento especializado. No município de Queimadas/PB, o Programa Melhor em Casa se destaca por atuar nesse processo de transição de pacientes, especialmente aqueles provenientes do Hospital de Clínicas de Campina Grande. O programa tem como prioridade a articulação entre a equipe hospitalar e a equipe domiciliar, visando assegurar uma transição segura para o ambiente domiciliar, com o fornecimento de insumos adequados e o transporte do paciente em condições ideais. A equipe multiprofissional do Programa Melhor em Casa realiza visitas técnicas aos hospitais para avaliar as condições clínicas dos pacientes e identificar as necessidades do ambiente domiciliar, antecipando a solicitação de dispositivos como cânulas de traqueostomia tipo Shiley, ventiladores mecânicos (Trilogy ou BiPAP), cilindros e concentradores de oxigênio, entre outros.
Esses insumos são adaptados ainda no hospital antes da alta, o que garante uma transição segura e minimiza riscos de complicações no domicílio. A comunicação constante entre os serviços é fundamental para garantir que todas as condições necessárias para a assistência domiciliar sejam atendidas, incluindo a avaliação da necessidade de dispositivos médicos e a organização do suporte ventilatório. A visita técnica da equipe do Programa Melhor em Casa também assegura que o ambiente domiciliar esteja adequado para receber o paciente, considerando a estrutura necessária para cuidados especializados. A transferência do paciente é planejada conforme a condição clínica e os cuidados exigidos para a alta hospitalar, com a equipe do SAD garantindo o transporte seguro e adequado, o que proporciona uma transição tranquila e eficiente.
A justificativa para este modelo de desospitalização reside na necessidade de garantir um cuidado de saúde mais humanizado e eficiente, evitando reinternações e complicações associadas à permanência hospitalar prolongada. O retorno contínuo das informações sobre a evolução dos pacientes com assistência domiciliar para a equipe hospitalar é um fator fundamental, pois fortalece o vínculo entre os profissionais da alta complexidade e os pacientes, incentivando-os a investir no sucesso da recuperação e a acreditar nas possibilidades de tratamento. Este processo de comunicação mútua e feedback constante resulta em uma maior adesão dos pacientes e familiares ao tratamento, além de proporcionar melhor qualidade de vida para os pacientes, ao serem assistidos no conforto de seus lares, sem deixar de contar com a assistência necessária. O Programa Melhor em Casa, portanto, representa uma estratégia essencial para garantir que a desospitalização aconteça de maneira segura, eficiente e humanizada, otimizando os recursos e proporcionando aos pacientes um acompanhamento digno e adequado em sua recuperação domiciliar.
O problema que motivou a ação foi a falta de integração e comunicação eficaz entre a equipe hospitalar e a assistência domiciliar. Muitas vezes, os pacientes eram encaminhados diretamente para o Programa Melhor em Casa sem que a equipe domiciliar tivesse acesso às informações críticas da internação, como intercorrências, tratamentos, uso de dispositivos médicos e antibióticos. Esse processo de desospitalização gerava lacunas no acompanhamento, comprometendo a continuidade do cuidado e a segurança do paciente. A oportunidade de melhoria surgiu com a percepção de que a aproximação antecipada entre as equipes hospitalar e domiciliar poderia garantir uma transição mais segura, com a troca de informações essenciais ainda durante a internação hospitalar. Com isso, foi identificado a necessidade de estabelecer um fluxo e protocolos claros de comunicação entre essas equipes, algo que até então só era realizado de forma eficaz pelo Melhor em Casa de Queimadas, visando melhorar a qualidade da assistência e evitar complicações no ambiente domiciliar.
Os resultados alcançados pela prática de integração antecipada entre as equipes hospitalar e domiciliar foram significativos. A comunicação eficaz durante a internação permitiu a troca de informações essenciais, como intercorrências e tratamentos realizados, o que garantiu uma transição mais segura e eficiente para os pacientes. A adaptação prévia de dispositivos médicos, como ventiladores e cânulas, também reduziu complicações no domicílio. Além disso, a visita técnica da equipe do Melhor em Casa antes da alta hospitalar proporcionou uma avaliação detalhada das condições do paciente e do ambiente domiciliar, garantindo que todas as necessidades fossem atendidas. Como inovação, destacou-se a implementação de protocolos claros de comunicação entre as equipes, o que fortaleceu o acompanhamento contínuo e evitou lacunas na assistência. A principal lição foi a importância da colaboração estreita entre os serviços, o que não só melhorou a qualidade do atendimento, mas também aumentou a confiança dos profissionais hospitalares na continuidade do cuidado no domicílio.
Para facilitar a implementação de práticas similares, recomenda-se estabelecer protocolos claros de comunicação entre as equipes hospitalares e domiciliares, com visitas técnicas antecipadas e troca de informações detalhadas sobre o histórico do paciente. É essencial a antecipação na solicitação de insumos médicos e equipamentos, garantindo que o paciente tenha suporte adequado desde a alta hospitalar. Além disso, promover treinamentos contínuos para as equipes envolvidas, destacando a importância da colaboração interdisciplinar e da humanização do atendimento, é fundamental para a qualidade da assistência. A integração entre os serviços e a adoção de boas práticas de gestão e planejamento são cruciais para o sucesso dessa estratégia.
Secretaria de Saude de Queimadas - Rua Sebastião Lucena, Queimadas - PB, Brasil
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