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Contextualização
O climatério é compreendido como o período de transição biológica que marca o término da fase reprodutiva da mulher, caracterizando-se por alterações hormonais progressivas que podem repercutir em manifestações físicas, emocionais e sociais. Trata-se de uma fase natural do ciclo de vida feminino que, contudo, exige atenção por parte dos serviços de saúde em razão de seus desdobramentos clínicos e impactos na qualidade de vida.
Com o envelhecimento populacional, observa-se um aumento significativo no número de mulheres que vivenciam essa transição, o que implica maior demanda por ações de promoção da saúde, prevenção de agravos e acompanhamento clínico na Atenção Primária à Saúde. Entre os sintomas mais comuns destacam-se ondas de calor, alterações do sono, irritabilidade e secura vaginal, sendo este último um fator que interfere diretamente na sexualidade, autoestima e bem-estar geral.
Além dos aspectos físicos, fatores socioculturais influenciam a forma como as mulheres vivenciam o climatério, sendo ainda um tema permeado por tabus, desinformação e dificuldades de diálogo. Nesse cenário, o papel da enfermagem torna-se fundamental na oferta de um cuidado humanizado, baseado na escuta qualificada, acolhimento e educação em saúde.
Objetivos
Descrever a experiência vivenciada por uma acadêmica de enfermagem durante o acompanhamento de uma mulher no climatério, com ênfase nos desafios relacionados aos sintomas físicos, especialmente a secura vaginal, e analisar a atuação da enfermagem no cuidado a mulheres nesse período de transição.
Justificativa
A relevância desta experiência está relacionada à necessidade de ampliar a assistência à saúde da mulher no climatério, considerando que ainda existem lacunas no conhecimento e na oferta de práticas sistematizadas de enfermagem voltadas a essa fase. A desinformação, associada aos tabus culturais, contribui para que muitas mulheres não busquem ajuda profissional, o que intensifica o sofrimento físico e emocional.
A secura vaginal, embora seja um sintoma comum, frequentemente não é abordada nos serviços de saúde, impactando negativamente a qualidade de vida, a sexualidade e a autoestima feminina. Dessa forma, torna-se essencial fortalecer ações de educação em saúde e promover um cuidado integral, que contemple aspectos físicos, emocionais e sociais.
A atuação da enfermagem na Atenção Primária à Saúde é estratégica nesse contexto, contribuindo para o acolhimento, orientação e incentivo ao autocuidado, além de favorecer o empoderamento feminino e a vivência mais saudável dessa fase.
Implementação e desenvolvimento da experiência
A experiência foi desenvolvida durante o Estágio Supervisionado I do curso de Enfermagem, realizado em uma Unidade Básica de Saúde da Família, situada em um município do interior da Bahia, no segundo semestre de 2025.
O acompanhamento ocorreu durante consultas de enfermagem e coleta do exame citopatológico, momento em que foram identificadas mulheres no climatério que relataram queixas relacionadas ao período menopausal. A prática baseou-se na observação participante, registros em diário de campo e reflexão crítica sobre a vivência.
Durante o atendimento, foi acompanhada uma paciente de 55 anos que apresentava sintomas de secura vaginal, dor durante as relações sexuais, ardência e desconforto persistente, além de manifestações emocionais como ansiedade, vergonha e insegurança. Inicialmente, a paciente mostrou-se retraída, evidenciando dificuldade em abordar o tema, o que reforça a presença de tabus relacionados à sexualidade feminina.
Diante disso, foi utilizada a escuta ativa como estratégia central para promover acolhimento e criar um ambiente seguro, possibilitando a expressão de sentimentos e dúvidas. Durante a anamnese, identificou-se desconhecimento sobre medidas de manejo da secura vaginal, sendo realizadas orientações sobre o uso de lubrificantes íntimos à base de água, cuidados com higiene e importância da hidratação.
A paciente demonstrou receptividade às orientações e relatou alívio ao compreender que seus sintomas eram comuns e passíveis de tratamento. A experiência evidenciou a importância das ações educativas e do cuidado humanizado na promoção da saúde da mulher.
A vivência possibilitou o desenvolvimento de competências como comunicação empática, sensibilidade e capacidade de acolhimento, reforçando o papel do enfermeiro como agente fundamental na promoção do bem-estar, no apoio emocional e no fortalecimento do autocuidado de mulheres no climatério.
A prática surgiu a partir da identificação de mulheres no climatério que apresentavam sintomas físicos importantes, especialmente a secura vaginal, associada a desconforto, dor durante as relações sexuais e impacto significativo na qualidade de vida. Observou-se que, apesar da intensidade dos sintomas, muitas mulheres demonstravam dificuldade em abordar o tema durante os atendimentos de saúde, evidenciando a presença de tabus, vergonha e insegurança relacionados à sexualidade.
A paciente acompanhada relatou desconhecimento sobre medidas básicas de manejo dos sintomas, como o uso de lubrificantes íntimos, além de nunca ter recebido orientações adequadas em atendimentos anteriores. Essa situação evidencia uma lacuna na assistência à saúde da mulher, especialmente no que se refere à abordagem do climatério na Atenção Primária à Saúde.
Além disso, a desinformação e a ausência de espaços de diálogo contribuem para o agravamento do sofrimento físico e emocional, dificultando o acesso ao cuidado e comprometendo o bem-estar feminino. Diante desse cenário, identificou-se a necessidade de fortalecer a atuação da enfermagem por meio de práticas acolhedoras, educativas e humanizadas, que possibilitem a escuta qualificada e a promoção do autocuidado.
Os resultados observados durante a experiência evidenciaram que a secura vaginal impacta diretamente a qualidade de vida da mulher climatérica, afetando sua autoestima, sexualidade e bem-estar emocional. A dificuldade em dialogar sobre o tema mostrou-se um fator limitante para o acesso ao cuidado, reforçando a importância de abordagens sensíveis e livres de julgamentos.
A utilização da escuta ativa e do acolhimento contribuiu para o fortalecimento do vínculo entre profissional e paciente, permitindo que a mulher expressasse suas angústias, dúvidas e experiências. A paciente demonstrou alívio emocional ao perceber que seus sintomas eram comuns e passíveis de tratamento, o que favoreceu maior segurança e confiança.
As orientações fornecidas sobre o uso de lubrificantes íntimos à base de água, cuidados com higiene e hidratação foram bem aceitas, evidenciando a eficácia das ações educativas na Atenção Primária à Saúde. A experiência também destacou a importância de ampliar espaços de educação em saúde, como rodas de conversa e grupos, voltados à saúde da mulher no climatério.
Do ponto de vista acadêmico, a vivência contribuiu para o desenvolvimento de competências essenciais, como comunicação empática, escuta qualificada e abordagem humanizada, reforçando o papel da enfermagem na promoção da saúde, prevenção de agravos e fortalecimento do autocuidado.
Para a implementação de práticas semelhantes, recomenda-se que os profissionais de saúde ampliem o olhar sobre as demandas das mulheres no climatério, considerando não apenas os aspectos fisiológicos, mas também as dimensões emocionais, sociais e culturais envolvidas nesse período.
É fundamental promover um ambiente acolhedor, baseado na escuta ativa e no respeito, para que as mulheres se sintam seguras em abordar questões relacionadas à sexualidade e aos sintomas vivenciados. A abordagem deve ser livre de julgamentos, favorecendo o vínculo e a confiança entre profissional e paciente.
Sugere-se investir em ações de educação em saúde, como grupos, palestras e rodas de conversa, que contribuam para desmistificar o climatério, reduzir tabus e ampliar o acesso à informação. Além disso, é importante orientar sobre estratégias de manejo dos sintomas, como o uso de lubrificantes adequados, cuidados com a higiene íntima e incentivo ao autocuidado.
A atuação da enfermagem na Atenção Primária à Saúde deve ser fortalecida como elemento central na promoção da saúde da mulher, contribuindo para o bem-estar, autonomia e qualidade de vida durante o climatério. A implementação de práticas humanizadas e educativas pode gerar impactos positivos tanto na saúde individual quanto coletiva.
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