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Desafios vivenciados por mulheres no climatério: um relato de experiência na atenção primária à saúde

ELAINE SANTOS ALICRIM

Elaine Santos Alicrim

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Contextualização

O climatério é compreendido como o período de transição biológica que marca o término da fase reprodutiva da mulher, caracterizando-se por alterações hormonais progressivas que podem repercutir em manifestações físicas, emocionais e sociais. Trata-se de uma fase natural do ciclo de vida feminino que, contudo, exige atenção por parte dos serviços de saúde em razão de seus desdobramentos clínicos e impactos na qualidade de vida.
Com o envelhecimento populacional, observa-se um aumento significativo no número de mulheres que vivenciam essa transição, o que implica maior demanda por ações de promoção da saúde, prevenção de agravos e acompanhamento clínico na Atenção Primária à Saúde. Entre os sintomas mais comuns destacam-se ondas de calor, alterações do sono, irritabilidade e secura vaginal, sendo este último um fator que interfere diretamente na sexualidade, autoestima e bem-estar geral.
Além dos aspectos físicos, fatores socioculturais influenciam a forma como as mulheres vivenciam o climatério, sendo ainda um tema permeado por tabus, desinformação e dificuldades de diálogo. Nesse cenário, o papel da enfermagem torna-se fundamental na oferta de um cuidado humanizado, baseado na escuta qualificada, acolhimento e educação em saúde.

Objetivos

Descrever a experiência vivenciada por uma acadêmica de enfermagem durante o acompanhamento de uma mulher no climatério, com ênfase nos desafios relacionados aos sintomas físicos, especialmente a secura vaginal, e analisar a atuação da enfermagem no cuidado a mulheres nesse período de transição.

Justificativa

A relevância desta experiência está relacionada à necessidade de ampliar a assistência à saúde da mulher no climatério, considerando que ainda existem lacunas no conhecimento e na oferta de práticas sistematizadas de enfermagem voltadas a essa fase. A desinformação, associada aos tabus culturais, contribui para que muitas mulheres não busquem ajuda profissional, o que intensifica o sofrimento físico e emocional.
A secura vaginal, embora seja um sintoma comum, frequentemente não é abordada nos serviços de saúde, impactando negativamente a qualidade de vida, a sexualidade e a autoestima feminina. Dessa forma, torna-se essencial fortalecer ações de educação em saúde e promover um cuidado integral, que contemple aspectos físicos, emocionais e sociais.
A atuação da enfermagem na Atenção Primária à Saúde é estratégica nesse contexto, contribuindo para o acolhimento, orientação e incentivo ao autocuidado, além de favorecer o empoderamento feminino e a vivência mais saudável dessa fase.

Implementação e desenvolvimento da experiência

A experiência foi desenvolvida durante o Estágio Supervisionado I do curso de Enfermagem, realizado em uma Unidade Básica de Saúde da Família, situada em um município do interior da Bahia, no segundo semestre de 2025.
O acompanhamento ocorreu durante consultas de enfermagem e coleta do exame citopatológico, momento em que foram identificadas mulheres no climatério que relataram queixas relacionadas ao período menopausal. A prática baseou-se na observação participante, registros em diário de campo e reflexão crítica sobre a vivência.
Durante o atendimento, foi acompanhada uma paciente de 55 anos que apresentava sintomas de secura vaginal, dor durante as relações sexuais, ardência e desconforto persistente, além de manifestações emocionais como ansiedade, vergonha e insegurança. Inicialmente, a paciente mostrou-se retraída, evidenciando dificuldade em abordar o tema, o que reforça a presença de tabus relacionados à sexualidade feminina.
Diante disso, foi utilizada a escuta ativa como estratégia central para promover acolhimento e criar um ambiente seguro, possibilitando a expressão de sentimentos e dúvidas. Durante a anamnese, identificou-se desconhecimento sobre medidas de manejo da secura vaginal, sendo realizadas orientações sobre o uso de lubrificantes íntimos à base de água, cuidados com higiene e importância da hidratação.
A paciente demonstrou receptividade às orientações e relatou alívio ao compreender que seus sintomas eram comuns e passíveis de tratamento. A experiência evidenciou a importância das ações educativas e do cuidado humanizado na promoção da saúde da mulher.
A vivência possibilitou o desenvolvimento de competências como comunicação empática, sensibilidade e capacidade de acolhimento, reforçando o papel do enfermeiro como agente fundamental na promoção do bem-estar, no apoio emocional e no fortalecimento do autocuidado de mulheres no climatério.

A prática surgiu a partir da identificação de mulheres no climatério que apresentavam sintomas físicos importantes, especialmente a secura vaginal, associada a desconforto, dor durante as relações sexuais e impacto significativo na qualidade de vida. Observou-se que, apesar da intensidade dos sintomas, muitas mulheres demonstravam dificuldade em abordar o tema durante os atendimentos de saúde, evidenciando a presença de tabus, vergonha e insegurança relacionados à sexualidade.
A paciente acompanhada relatou desconhecimento sobre medidas básicas de manejo dos sintomas, como o uso de lubrificantes íntimos, além de nunca ter recebido orientações adequadas em atendimentos anteriores. Essa situação evidencia uma lacuna na assistência à saúde da mulher, especialmente no que se refere à abordagem do climatério na Atenção Primária à Saúde.
Além disso, a desinformação e a ausência de espaços de diálogo contribuem para o agravamento do sofrimento físico e emocional, dificultando o acesso ao cuidado e comprometendo o bem-estar feminino. Diante desse cenário, identificou-se a necessidade de fortalecer a atuação da enfermagem por meio de práticas acolhedoras, educativas e humanizadas, que possibilitem a escuta qualificada e a promoção do autocuidado.

Os resultados observados durante a experiência evidenciaram que a secura vaginal impacta diretamente a qualidade de vida da mulher climatérica, afetando sua autoestima, sexualidade e bem-estar emocional. A dificuldade em dialogar sobre o tema mostrou-se um fator limitante para o acesso ao cuidado, reforçando a importância de abordagens sensíveis e livres de julgamentos.
A utilização da escuta ativa e do acolhimento contribuiu para o fortalecimento do vínculo entre profissional e paciente, permitindo que a mulher expressasse suas angústias, dúvidas e experiências. A paciente demonstrou alívio emocional ao perceber que seus sintomas eram comuns e passíveis de tratamento, o que favoreceu maior segurança e confiança.
As orientações fornecidas sobre o uso de lubrificantes íntimos à base de água, cuidados com higiene e hidratação foram bem aceitas, evidenciando a eficácia das ações educativas na Atenção Primária à Saúde. A experiência também destacou a importância de ampliar espaços de educação em saúde, como rodas de conversa e grupos, voltados à saúde da mulher no climatério.
Do ponto de vista acadêmico, a vivência contribuiu para o desenvolvimento de competências essenciais, como comunicação empática, escuta qualificada e abordagem humanizada, reforçando o papel da enfermagem na promoção da saúde, prevenção de agravos e fortalecimento do autocuidado.

Para a implementação de práticas semelhantes, recomenda-se que os profissionais de saúde ampliem o olhar sobre as demandas das mulheres no climatério, considerando não apenas os aspectos fisiológicos, mas também as dimensões emocionais, sociais e culturais envolvidas nesse período.
É fundamental promover um ambiente acolhedor, baseado na escuta ativa e no respeito, para que as mulheres se sintam seguras em abordar questões relacionadas à sexualidade e aos sintomas vivenciados. A abordagem deve ser livre de julgamentos, favorecendo o vínculo e a confiança entre profissional e paciente.
Sugere-se investir em ações de educação em saúde, como grupos, palestras e rodas de conversa, que contribuam para desmistificar o climatério, reduzir tabus e ampliar o acesso à informação. Além disso, é importante orientar sobre estratégias de manejo dos sintomas, como o uso de lubrificantes adequados, cuidados com a higiene íntima e incentivo ao autocuidado.
A atuação da enfermagem na Atenção Primária à Saúde deve ser fortalecida como elemento central na promoção da saúde da mulher, contribuindo para o bem-estar, autonomia e qualidade de vida durante o climatério. A implementação de práticas humanizadas e educativas pode gerar impactos positivos tanto na saúde individual quanto coletiva.

autor Principal

ELAINE SANTOS ALICRIM

20212908@faifaculdade.com.br

GRADUANDA EM ENFERMAGEM

Coautores

Bruna Romão Dourado Barreto, Daniel Sobral, Laiane Santos Alicrim Gomes, Renata de Matos Almeida, Naiara Dourado Libório, Francielle Novaes Dourado

A prática foi aplicada em

Irecê

Bahia

Nordeste

Esta prática está vinculada a

Rua Rio Iguaçu, 397 - Recanto das Árvores, Irecê - BA, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Privada

Foi cadastrada por

ELAINE SANTOS ALICRIM

Conta vinculada

26 mar 2026

CADASTRO

26 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

inicio

05 ago 2025

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos