favor seguir as recomendações abaixo:
Contextualização
O envelhecimento populacional é um fenômeno crescente no Brasil e tem contribuído para o aumento das doenças crônicas e das condições de dependência física e emocional. Nesse contexto, muitos idosos, mesmo apresentando limitações de saúde, assumem o papel de cuidadores familiares, o que pode gerar sobrecarga física e mental significativa, especialmente quando inseridos em situações de vulnerabilidade social e sem apoio familiar ou institucional.
O cuidado domiciliar, embora proporcione um ambiente mais acolhedor para o paciente dependente, transfere ao cuidador a responsabilidade quase integral pelo acompanhamento diário, exigindo esforço contínuo, paciência e disponibilidade física e emocional. Essa realidade reforça a necessidade de atuação da enfermagem na Atenção Primária à Saúde, por meio da escuta ativa, acolhimento e orientação quanto ao autocuidado, possibilitando a identificação de situações de risco e o fortalecimento de vínculos.
Objetivos
Relatar a experiência vivenciada por uma acadêmica de enfermagem durante visita domiciliar a uma idosa cuidadora familiar, enfatizando os desafios relacionados ao cuidado contínuo e discutindo o papel da enfermagem no suporte e promoção da saúde física, emocional e social da cuidadora.
Justificativa
A relevância desta experiência está relacionada à necessidade de ampliar o olhar dos profissionais de saúde para além do paciente dependente, incluindo o cuidador familiar como sujeito de cuidado. A sobrecarga física e emocional enfrentada por cuidadores, especialmente quando idosos e em situação de vulnerabilidade social, pode comprometer sua saúde e impactar diretamente na qualidade da assistência prestada.
Dessa forma, torna-se fundamental o desenvolvimento de práticas que valorizem o acolhimento, a escuta qualificada e o suporte ao cuidador, fortalecendo a atuação da enfermagem na promoção de um cuidado integral, humanizado e centrado nas reais necessidades dos usuários.
Implementação e desenvolvimento da experiência
A experiência foi desenvolvida durante o estágio supervisionado do curso de Enfermagem, no segundo semestre de 2025, em uma comunidade do interior da Bahia, em parceria com a Estratégia Saúde da Família.
A prática ocorreu por meio de uma visita domiciliar previamente planejada, realizada a uma idosa de 85 anos, cuidadora exclusiva da neta com paralisia cerebral grave. Durante a visita, utilizou-se a observação direta e a escuta ativa, respeitando o contexto familiar e a individualidade da paciente.
Foram identificadas dificuldades relacionadas à sobrecarga física e emocional da cuidadora, limitações no acesso aos serviços de saúde e ausência de rede de apoio. A idosa relatou cansaço frequente, dores físicas, dificuldade para dormir e impossibilidade de comparecer às consultas médicas devido à responsabilidade contínua com o cuidado da neta.
Durante a intervenção, foram realizadas orientações quanto ao autocuidado, uso adequado de medicações e importância do acompanhamento em saúde, além de incentivo à busca por apoio junto à equipe da unidade básica.
A vivência possibilitou compreender a importância de um cuidado humanizado, baseado na escuta sensível e no acolhimento, evidenciando o papel do enfermeiro como mediador do cuidado, não apenas ao paciente, mas também ao cuidador familiar.
A prática surgiu a partir da identificação de uma idosa em situação de sobrecarga extrema, responsável integral pelo cuidado de sua neta com paralisia cerebral grave, sem apoio familiar ou institucional. A cuidadora apresentava sinais evidentes de desgaste físico e emocional, além de dificuldades para acessar serviços de saúde devido à impossibilidade de se ausentar do domicílio.
Esse cenário evidencia uma problemática recorrente na Atenção Primária: a invisibilidade do cuidador familiar, especialmente quando também é idoso e vive em contexto de vulnerabilidade social. A ausência de suporte adequado contribui para o adoecimento físico e mental desses indivíduos, impactando diretamente na qualidade do cuidado prestado.
Diante disso, identificou-se a necessidade de ampliar o olhar da equipe de saúde para além do paciente dependente, incluindo o cuidador como sujeito de cuidado, promovendo ações de acolhimento, orientação e acompanhamento contínuo.
A realização da visita domiciliar possibilitou o fortalecimento do vínculo entre a equipe de saúde e a cuidadora, promovendo um espaço de escuta qualificada e acolhimento. A idosa demonstrou alívio emocional ao compartilhar suas dificuldades, evidenciando a importância do diálogo humanizado no cuidado em saúde.
Foram fornecidas orientações sobre autocuidado, uso correto de medicações e a importância do acompanhamento regular na unidade de saúde. Além disso, a prática contribuiu para a sensibilização quanto à necessidade de inclusão do cuidador nas ações da Atenção Primária.
Como resultado, observou-se uma maior valorização do papel da enfermagem na atenção domiciliar, destacando sua atuação como mediadora do cuidado, promotora de saúde e articuladora de redes de apoio. A experiência também proporcionou aprendizado significativo para a formação acadêmica, reforçando a importância do cuidado integral e humanizado.
Para a implementação de práticas semelhantes, recomenda-se que as equipes de saúde valorizem a visita domiciliar como ferramenta essencial para compreensão da realidade dos usuários e de seus cuidadores. É fundamental adotar uma abordagem centrada não apenas no paciente, mas também no cuidador, reconhecendo suas necessidades físicas, emocionais e sociais.
Sugere-se investir em ações de educação em saúde voltadas ao autocuidado, manejo do estresse e fortalecimento de redes de apoio. Além disso, é importante estimular a escuta ativa e o acolhimento como práticas essenciais no cuidado, promovendo vínculo e confiança.
A articulação entre os serviços de saúde e a comunidade também é indispensável para garantir suporte contínuo aos cuidadores familiares, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade. Por fim, destaca-se a importância da formação de profissionais sensíveis e preparados para atuar de forma humanizada no contexto domiciliar.
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