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DESAFIOS DO CUIDADO FAMILIAR: RELATO DE EXPERIÊNCIA EM VISITA DOMICILIAR A UMA IDOSA CUIDADORA

LAIANE SANTOS ALICRIM GOMES

Laiane Alecrim

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LAIANE SANTOS ALICRIM GOMES

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Contextualização

O envelhecimento populacional é um fenômeno crescente no Brasil e tem contribuído para o aumento das doenças crônicas e das condições de dependência física e emocional. Nesse contexto, muitos idosos, mesmo apresentando limitações de saúde, assumem o papel de cuidadores familiares, o que pode gerar sobrecarga física e mental significativa, especialmente quando inseridos em situações de vulnerabilidade social e sem apoio familiar ou institucional.
O cuidado domiciliar, embora proporcione um ambiente mais acolhedor para o paciente dependente, transfere ao cuidador a responsabilidade quase integral pelo acompanhamento diário, exigindo esforço contínuo, paciência e disponibilidade física e emocional. Essa realidade reforça a necessidade de atuação da enfermagem na Atenção Primária à Saúde, por meio da escuta ativa, acolhimento e orientação quanto ao autocuidado, possibilitando a identificação de situações de risco e o fortalecimento de vínculos.

Objetivos

Relatar a experiência vivenciada por uma acadêmica de enfermagem durante visita domiciliar a uma idosa cuidadora familiar, enfatizando os desafios relacionados ao cuidado contínuo e discutindo o papel da enfermagem no suporte e promoção da saúde física, emocional e social da cuidadora.

Justificativa

A relevância desta experiência está relacionada à necessidade de ampliar o olhar dos profissionais de saúde para além do paciente dependente, incluindo o cuidador familiar como sujeito de cuidado. A sobrecarga física e emocional enfrentada por cuidadores, especialmente quando idosos e em situação de vulnerabilidade social, pode comprometer sua saúde e impactar diretamente na qualidade da assistência prestada.
Dessa forma, torna-se fundamental o desenvolvimento de práticas que valorizem o acolhimento, a escuta qualificada e o suporte ao cuidador, fortalecendo a atuação da enfermagem na promoção de um cuidado integral, humanizado e centrado nas reais necessidades dos usuários.

Implementação e desenvolvimento da experiência

A experiência foi desenvolvida durante o estágio supervisionado do curso de Enfermagem, no segundo semestre de 2025, em uma comunidade do interior da Bahia, em parceria com a Estratégia Saúde da Família.
A prática ocorreu por meio de uma visita domiciliar previamente planejada, realizada a uma idosa de 85 anos, cuidadora exclusiva da neta com paralisia cerebral grave. Durante a visita, utilizou-se a observação direta e a escuta ativa, respeitando o contexto familiar e a individualidade da paciente.
Foram identificadas dificuldades relacionadas à sobrecarga física e emocional da cuidadora, limitações no acesso aos serviços de saúde e ausência de rede de apoio. A idosa relatou cansaço frequente, dores físicas, dificuldade para dormir e impossibilidade de comparecer às consultas médicas devido à responsabilidade contínua com o cuidado da neta.
Durante a intervenção, foram realizadas orientações quanto ao autocuidado, uso adequado de medicações e importância do acompanhamento em saúde, além de incentivo à busca por apoio junto à equipe da unidade básica.
A vivência possibilitou compreender a importância de um cuidado humanizado, baseado na escuta sensível e no acolhimento, evidenciando o papel do enfermeiro como mediador do cuidado, não apenas ao paciente, mas também ao cuidador familiar.

A prática surgiu a partir da identificação de uma idosa em situação de sobrecarga extrema, responsável integral pelo cuidado de sua neta com paralisia cerebral grave, sem apoio familiar ou institucional. A cuidadora apresentava sinais evidentes de desgaste físico e emocional, além de dificuldades para acessar serviços de saúde devido à impossibilidade de se ausentar do domicílio.
Esse cenário evidencia uma problemática recorrente na Atenção Primária: a invisibilidade do cuidador familiar, especialmente quando também é idoso e vive em contexto de vulnerabilidade social. A ausência de suporte adequado contribui para o adoecimento físico e mental desses indivíduos, impactando diretamente na qualidade do cuidado prestado.
Diante disso, identificou-se a necessidade de ampliar o olhar da equipe de saúde para além do paciente dependente, incluindo o cuidador como sujeito de cuidado, promovendo ações de acolhimento, orientação e acompanhamento contínuo.

A realização da visita domiciliar possibilitou o fortalecimento do vínculo entre a equipe de saúde e a cuidadora, promovendo um espaço de escuta qualificada e acolhimento. A idosa demonstrou alívio emocional ao compartilhar suas dificuldades, evidenciando a importância do diálogo humanizado no cuidado em saúde.
Foram fornecidas orientações sobre autocuidado, uso correto de medicações e a importância do acompanhamento regular na unidade de saúde. Além disso, a prática contribuiu para a sensibilização quanto à necessidade de inclusão do cuidador nas ações da Atenção Primária.
Como resultado, observou-se uma maior valorização do papel da enfermagem na atenção domiciliar, destacando sua atuação como mediadora do cuidado, promotora de saúde e articuladora de redes de apoio. A experiência também proporcionou aprendizado significativo para a formação acadêmica, reforçando a importância do cuidado integral e humanizado.

Para a implementação de práticas semelhantes, recomenda-se que as equipes de saúde valorizem a visita domiciliar como ferramenta essencial para compreensão da realidade dos usuários e de seus cuidadores. É fundamental adotar uma abordagem centrada não apenas no paciente, mas também no cuidador, reconhecendo suas necessidades físicas, emocionais e sociais.
Sugere-se investir em ações de educação em saúde voltadas ao autocuidado, manejo do estresse e fortalecimento de redes de apoio. Além disso, é importante estimular a escuta ativa e o acolhimento como práticas essenciais no cuidado, promovendo vínculo e confiança.
A articulação entre os serviços de saúde e a comunidade também é indispensável para garantir suporte contínuo aos cuidadores familiares, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade. Por fim, destaca-se a importância da formação de profissionais sensíveis e preparados para atuar de forma humanizada no contexto domiciliar.

autor Principal

LAIANE SANTOS ALICRIM GOMES

laianeplenitude@gmail.com

ESTUDANTE DE ENFERMAGEM

Coautores

Bruna Romão Dourado Barreto, Daniel Sobral, Elaine Santos Alicrim, Renata de Matos Almeida, Naiara Dourado Libório, Francielle Novaes Dourado

A prática foi aplicada em

Irecê

Bahia

Nordeste

Esta prática está vinculada a

Rua Rio Iguaçu, 397 - Recanto das Árvores, Irecê - BA, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Privada

Foi cadastrada por

LAIANE SANTOS ALICRIM GOMES

Conta vinculada

24 mar 2026

CADASTRO

24 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

05 ago 2025

inicio

12 dez 2025

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos