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No Brasil, a prevalência de HIV em mulheres profissionais do sexo é significativamente maior que na população feminina em geral. Nesse contexto, o projeto “De Portas Abertas: Diálogo e Prevenção com Profissionais do Sexo em Iguatu-CE” foi gestado como uma estratégia de cuidado e de aproximação entre os serviços de saúde e um público que historicamente enfrenta estigma, discriminação e dificuldades de acesso às políticas públicas. A proposta teve como principal objetivo promover o acesso das profissionais do sexo aos serviços de saúde, minimizando as barreiras sociais e informacionais que dificultam a prevenção e o tratamento de infecções sexualmente transmissíveis (IST). Além disso, as ações almejaram orientar sobre as formas de transmissão e os principais sinais/sintomas das IST, bem como ofertar testes rápidos para HIV, Sífilis e Hepatites B e C.
No que concerne a implementação e o desenvolvimento da experiência, primeiramente, os extensionistas da Liga Acadêmica de Doenças Infecciosas e Parasitárias (LADIP) da Universidade Regional do Cariri (URCA), realizaram uma visita ao espaço de sociabilidade erótica Pousada Brasil para repassar a proposta do projeto e abordar. Em um segundo momento, foi realizada roda de roda de conversa no Serviço de Assistência Especializada em HIV/Aids e Hepatites virais (SAE/GUATU), com o repasse de informações sobre as principais IST, formas de transmissão, tratamento e prevenção combinada. Na oportunidade, foram ainda ofertados testes rápidos, assim como exames citopatológicos do colo uterino.
A carência de informação, o estigma e a discriminação aumentam a vulnerabilidade das profissionais do sexo às IST e podem limitar o acesso aos cuidados de saúde, dificultando, principalmente, a adesão aos serviços ofertados pela atenção primária. Diante desse contexto e considerando esse público como população-chave para ações de prevenção combinada ao HIV, o SAE/GUATU, em parceria com a LADIP/URCA, desenvolveu um projeto na Pousada Brasil, espaço que concentra o maior número de mulheres trabalhadoras do sexo no município de Iguatu.
A atividade inicial de divulgação do projeto, realizada na Pousada Brasil, alcançou um público de 21 pessoas, sendo 16 profissionais do sexo e cinco clientes do sexo masculino. Posteriormente, seis mulheres compareceram ao SAE, participaram de uma roda de conversa sobre IST e realizaram exames citopatológicos e testes rápidos. Entre elas, a prevalência de sífilis encontrada foi de 16,7%.
A colaboração intersetorial entre a LADIP/URCA e o SAE revelou ser uma pactuação potente, contribuindo para o fortalecimento das estratégias de prevenção combinada junto à população-chave em tela e para a formação crítica e humanizada dos estudantes. A baixa adesão registrada no SAE evidencia que o estigma é um desafio contínuo e que novas estratégias precisam ser pensadas para garantir a continuidade do cuidado.
Acredita-se que para promover a ampliação do acesso à saúde ao público vulnerável é necessário transpor as barreiras físicas dos consultórios, utilizando os espaços existentes no território adscrito como recurso estratégico para a efetivação do cuidado integral. A parceria entre a universidade e os serviços do Sistema Único de Saúde contribui para o processo de formação crítico dos futuros profissionais, incentivando um olhar atento para os contextos de vulnerabilidade. Por fim, recomenda-se aos municípios brasileiros a adoção de práticas em saúde que superem o modelo pragmático do cuidado, possibilitando o alcance de populações historicamente marginalizadas pela sociedade.
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