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A experiência foi desenvolvida no contexto de uma pesquisa de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Sinop, com a população indígena atendida pela Casa de Saúde Indígena (CASAI) de Sinop, Mato Grosso, vinculada ao território do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Xingu. A partir da identificação da necessidade de fortalecer o cuidado e o monitoramento da hipertensão arterial, foram desenvolvidas ações educativas e uma estratégia de apoio ao automonitoramento da pressão arterial no ambiente domiciliar.
A experiência integrou ações de educação em saúde, orientação sobre o monitoramento da pressão arterial, treinamento para utilização de aparelho digital automático e elaboração de uma cartilha educativa específica para apoiar a realização da aferição da pressão arterial. Como parte da tecnologia desenvolvida, foi elaborada uma cartilha educativa com linguagem acessível e ilustrações que valorizam a identidade cultural e étnica dos povos indígenas participantes. O material foi elaborado especificamente para orientar a utilização correta do aparelho digital automático de pressão arterial, apresentando, de forma visual e acessível, as etapas para a realização da aferição, os cuidados necessários durante o procedimento e orientações básicas para o registro e acompanhamento dos valores obtidos.
Foi disponibilizado um aparelho digital automático de pressão arterial a uma família indígena que tem um membro com hipertensão arterial, para que o monitoramento seja feito no domicílio. A família recebeu orientação e treinamento prático sobre o uso adequado do equipamento, com a cartilha como material de apoio para o monitoramento domiciliar da pressão arterial.
Também foram realizadas ações educativas com indígenas que frequentam a CASAI de Sinop, utilizando linguagem acessível e recursos visuais para abordar aspectos relacionados à hipertensão arterial, ao autocuidado, ao tratamento e à importância do acompanhamento regular da pressão arterial.
Os povos indígenas do território Xingu, no Mato Grosso, vivenciam transformações socioambientais, mudanças nos sistemas alimentares e desigualdades no acesso a bens e serviços, com repercussões nos modos de vida e no perfil nutricional e epidemiológico. Essas transformações podem favorecer o aumento de fatores de risco e da ocorrência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), entre elas a hipertensão arterial.
A hipertensão arterial constitui um importante desafio para a saúde cardiovascular. Seu acompanhamento pode ser dificultado por barreiras relacionadas ao acesso contínuo aos serviços de saúde, à distância entre as comunidades e os serviços, à continuidade do cuidado e às particularidades culturais e territoriais dos povos indígenas. Nesse contexto, torna-se importante desenvolver estratégias de educação em saúde e automonitoramento da pressão arterial que sejam acessíveis e adequadas às características socioculturais e territoriais dessa população.Nesse contexto, identificou-se a necessidade de desenvolver estratégias de educação em saúde e monitoramento da pressão arterial que utilizassem recursos acessíveis e fossem adequadas à realidade sociocultural da população indígena.
A dificuldade de realizar o acompanhamento frequente da pressão arterial no ambiente domiciliar reforçou a importância de disponibilizar tecnologias simples, associadas à orientação e ao treinamento dos usuários e familiares.
A experiência possibilitou a elaboração de uma cartilha educativa voltada ao uso correto do aparelho digital automático de pressão arterial, a realização de ações de educação em saúde na CASAI de Sinop e a disponibilização de um aparelho para uma família indígena com familiar que tem o diagnóstico de hipertensão arterial.
A família contemplada recebeu o equipamento, orientações práticas para sua utilização e a cartilha educativa como material de apoio para a realização das aferições no domicílio. A iniciativa buscou favorecer o conhecimento e a autonomia da família para o monitoramento da pressão arterial e estimular a continuidade do acompanhamento junto aos serviços de saúde.
As ações educativas realizadas na CASAI contribuíram para a disseminação de informações sobre hipertensão arterial, autocuidado, tratamento e importância do acompanhamento regular da pressão arterial.
A experiência também possibilitou a produção de uma tecnologia educativa adaptada ao contexto indígena, que poderá ser aprimorada e utilizada em outras ações de educação em saúde relacionadas ao monitoramento da pressão arterial.
A experiência demonstra que estratégias de educação em saúde associadas a tecnologias simples e acessíveis podem contribuir para fortalecer o autocuidado e o acompanhamento da pressão arterial em contextos indígenas.
Recomenda-se que iniciativas semelhantes sejam desenvolvidas de forma articulada com os serviços de saúde indígena e adaptadas às características culturais, sociais e territoriais de cada população. A utilização de materiais educativos com linguagem acessível e recursos visuais pode facilitar a compreensão e o uso adequado dos equipamentos de monitoramento da pressão arterial.
A experiência apresenta potencial de ampliação para outras famílias e comunidades indígenas, bem como de adaptação e replicação em outros Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), contribuindo para o fortalecimento das ações de promoção da saúde, prevenção e controle da hipertensão arterial no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
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