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CORPO, VÍNCULO E SENTIDOS: DANÇA MOVIMENTO TERAPIA COMO REDUÇÃO DE DANOS EM CAPS

Ingrid de Souza Manhães

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Ingrid de Souza Manhaes

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A experiência consiste na realização de um grupo de dança movimento terapia em um CAPS geral no município de Bom Jesus do Itabapoana, com usuários adultos em uso abusivo de álcool e outras drogas, caracterizados pela inconstância na frequência, dificuldades de vinculação e baixa adesão às atividades ofertadas pelo serviço.

A proposta surge da necessidade de ampliar estratégias de cuidado que alcancem esses usuários, considerando as limitações das abordagens centradas na fala, especialmente diante de dificuldades de expressão verbal, esquiva relacional e efeitos de medicação. Nesse contexto, a dança movimento terapia é utilizada como abordagem que integra corpo e mente, utilizando o movimento como via de expressão e elaboração psíquica.

Alinhada à lógica da redução de danos, entendida como uma estratégia antiproibicionista que não exige a abstinência como condição, mas busca minimizar os impactos do uso de substâncias e ampliar as possibilidades de vida e de sentido dos sujeitos.

Os encontros ocorrem semanalmente, com participação variável, em grupos com média de cinco participantes. As atividades são conduzidas por psicóloga com abordagem em dança movimento terapia, utilizando músicas, objetos e estímulos simbólicos, com foco no movimento livre e espontâneo e na valorização das expressões corporais, ressaltando-se que não há movimento certo ou errado, mas sim aquele que emerge do momento.

A experiência surge diante da dificuldade de adesão de usuários em uso abusivo de álcool e outras drogas às atividades ofertadas pelo CAPS, marcada por inconstância na frequência, resistência ao vínculo e baixa participação em propostas terapêuticas tradicionais. Soma-se a isso a limitação das abordagens centradas na fala, considerando dificuldades de expressão verbal, esquiva relacional e efeitos das medicações, evidenciando a necessidade de estratégias que ampliem as formas de cuidado.

A experiência tem favorecido a aproximação dos usuários com o serviço e a construção de vínculo, mesmo diante da irregularidade na participação. Observa-se maior abertura para experiências corporais, ampliação das formas de expressão e redução de agitação em alguns participantes.

Apesar das dificuldades na elaboração verbal, o corpo se apresenta como via potente de comunicação, possibilitando a emergência de espontaneidade e expressividade. Além disso, a valorização de que não há certo ou errado no movimento contribui para o engajamento dos usuários.

Destaca-se o relato de um usuário que referiu sentir-se bem após a atividade, reconhecendo a importância de movimentar o corpo e ativar-se fisicamente, evidenciando a ampliação da percepção de si e do cuidado.

Sendo assim, a prática introduz o corpo como eixo central do cuidado em um contexto predominantemente verbal, ampliando as possibilidades terapêuticas. Como lição, destaca-se a importância de diversificar as estratégias de cuidado para alcançar usuários com dificuldade de adesão, fortalecendo o vínculo e ampliando os sentidos e as formas de existência.

Recomenda-se a ampliação e difusão da dança movimento terapia nos serviços de saúde mental como estratégia de cuidado alinhada à redução de danos, especialmente para usuários com dificuldade de adesão às abordagens tradicionais. Trata-se de uma abordagem psicoterapêutica, com bases teóricas consolidadas, que compreende o corpo como protagonista do processo terapêutico.

A dança movimento terapia propõe uma lógica de cuidado que não se restringe à fala, reconhecendo suas limitações e valorizando o corpo como via de acesso às emoções, memórias e vivências. Ao direcionar a atenção para o corpo, possibilita-se a produção de sentidos e o reconhecimento de si como território de cuidado.

No contexto do uso abusivo de álcool e outras drogas, observa-se que muitos usuários apresentam restrições nas formas de sentir e se expressar, recorrendo às substâncias como tentativa de acessar sensações. Nesse sentido, a dança movimento terapia se apresenta como uma alternativa potente, ao favorecer experiências corporais que ampliam os modos de sentir, existir e se relacionar consigo e com o mundo.

Recomenda-se que sua implementação considere a valorização do movimento livre, da espontaneidade e da singularidade de cada sujeito, em conduções flexíveis e sensíveis ao contexto dos usuários, sendo uma prática de baixo custo e adaptável a diferentes realidades do SUS.

autor Principal

Ingrid de Souza Manhães

manhaes.ingrid@yahoo.com.br

Psicóloga

Coautores

Ingrid de Souza Manhães, Paula Eustaquio Gomes Cyrillo

A prática foi aplicada em

Bom Jesus do Itabapoana

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Centro de Atenção Psicossocial José de Oliveira Borges

Rua Gonçalves da Silva - Santa Rosa, Bom Jesus do Itabapoana - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Ingrid de Souza Manhaes

Conta vinculada

24 mar 2026

CADASTRO

24 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

16 out 2024

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

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