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Cuidadores de crianças com condições do neurodesenvolvimento enfrentam, cotidianamente, importante sobrecarga emocional. Nesse contexto, o cuidador que acompanha a criança aos atendimentos de referências no SUS também demanda atenção, acolhimento e oportunidades de escuta qualificada. Assim, torna-se fundamental a implementação de estratégias que promovam o acolhimento e a inclusão desse cuidador no processo de cuidado pela atenção especializada , reconhecendo suas necessidades e fortalecendo sua participação na atenção à saúde.
Nesse contexto o objetivo desse trabalho é descrever a experiência de implementação e condução, pelo enfermeiro, de grupo de acolhimento e orientação para pais e/ou responsáveis por crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições do neurodesenvolvimento, em ambulatório multiprofissional, ampliando a assistência além da criança.
Sendo os objetivos específicos:
Evidenciar o papel do enfermeiro no cuidado ao cuidador;
Proporcionar oportunidades de escuta ativa e qualificada;
Favorecer o compartilhamento de experiências;
Oferecer orientações técnicas conforme demandas;
Promover o autocuidado e a saúde mental;
Integrar demandas familiares ao plano terapêutico;
Fortalecer vínculos e redes de apoio;
A implantação ocorreu no início de abril de 2025, sob responsabilidade da enfermeira e residentes em saúde mental.
Os encontros ocorrem quinzenalmente, em semanas alternadas, simultaneamente ao atendimento das crianças com seus terapeutas de referência. Inicialmente, a proposta foi estruturada em seis grupos e atualmente, em virtude de algumas altas, estão quatro grupos ativos, com participação média de 3 a 8 responsáveis em cada encontro.
A proposta surgiu da necessidade identificada na prática assistencial do enfermeiro, de oferecer uma oportunidade de escuta qualificada, apoio emocional, incentivo ao autocuidado, temas de educação em saúde conforme campanhas e necessidades do grupo, atividades de relaxamento e troca de experiências, para os responsáveis, com a enfermagem, durante o período de atendimento especializado das crianças.
Observa-se que o grupo favorece a criação de espaço seguro de escuta, contribuindo para redução da sobrecarga emocional e do isolamento dos cuidadores.
A mediação pelo enfermeiro possibilita identificação de demandas muitas vezes não apresentadas durante o atendimento à criança.
A troca de experiências fortalece redes de apoio e promove sentimento de pertencimento.
As orientações técnicas contribuem para maior segurança no manejo das demandas relacionadas às crianças.
As práticas de autocuidado estimulam a valorização da saúde do cuidador.
Destaca-se ainda a articulação interprofissional, que qualifica o plano terapêutico ao incorporar aspectos familiares e visão sistêmica do contexto onde esta criança se insere.
Destaca-se a importância das tecnologias leves em saúde, ampliando o cuidado em TEA para além do modelo biomédico inserindo o olhar ao cuidador.
Reforça-se a necessidade de reconhecimento institucional dessas práticas e seu potencial de replicação.
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