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Análise da Mortalidade Infantil como ferramenta de planejamento no SUS em Itaboraí RJ

MARIA FABIANA DA SILVA NEVES

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MARIA FABIANA DA SILVA NEVES

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A experiência foi desenvolvida no município de Itaboraí (RJ) a partir da participação no Mestrado Profissional em Saúde Coletiva do Instituto de Medicina Social Hésio Cordeiro da UERJ, realizado em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde e voltado à qualificação de servidores municipais. No âmbito da disciplina de Epidemiologia, a elaboração do estudo sobre mortalidade infantil possibilitou sua aplicação prática na gestão, desdobrando-se na implementação de uma estratégia de análise de dados no âmbito da Subsecretaria.
Ao analisar a mortalidade infantil — um dos mais sensíveis indicadores das condições de vida e da qualidade da atenção à saúde — emergiu não apenas um diagnóstico, mas a necessidade de reorganizar a assistência perinatal no território. Esse movimento ganhou ainda mais relevância ao considerar que a maternidade municipal está inserida no Hospital Municipal Desembargador Leal Júnior (HMLJ), sob coordenação da Subsecretaria de Urgência, Emergência e Gestão Hospitalar, posicionando a gestão hospitalar como elemento central na organização do cuidado materno-infantil.
Diante desse cenário, foi estruturada, no âmbito da Subsecretaria, a Estratégia de Análise de Dados para o Planejamento em Saúde, instituída como rotina institucional. Mais do que analisar números, a proposta foi transformar dados em ferramenta de gestão, aproximando a Vigilância em Saúde da tomada de decisão.
A experiência demonstrou que inovar na gestão pública nem sempre exige tecnologias complexas. Muitas vezes, basta o uso qualificado de informações já disponíveis, aliado a profissionais capacitados e gestores dispostos a escutar o que os dados revelam. Assim, a Vigilância em Saúde passa a ocupar um papel estratégico, não apenas como produtora de informação, mas como indutora de mudanças no planejamento e na organização dos serviços.

A persistência da mortalidade infantil no município, sem redução consistente ao longo dos anos, provocou um incômodo na gestão: por que, mesmo com ampliação de acesso a serviços, os óbitos continuavam ocorrendo? Ao aprofundar a análise, tornou-se evidente que os dados existiam, mas não eram plenamente utilizados como instrumento de decisão. A ausência de uma rotina estruturada de análise limitava a capacidade da gestão em identificar prioridades e agir de forma direcionada. Foi a partir dessa inquietação que surgiu a oportunidade de transformar a mortalidade infantil em um evento sentinela, capaz de orientar o diagnóstico da situação de saúde e impulsionar mudanças na organização da rede.

A análise da mortalidade infantil revelou mais do que números: trouxe à luz fragilidades na rede de atenção e desigualdades no território. Evidenciou-se o peso da mortalidade neonatal, a centralidade da prematuridade e a maior vulnerabilidade de determinados grupos populacionais. Esses achados permitiram qualificar o olhar da gestão, subsidiando encaminhamentos estratégicos voltados à reorganização da linha de cuidado materno-infantil, à revisão de fluxos e à definição de indicadores prioritários. Mais do que respostas imediatas, a principal transformação foi a incorporação da análise de dados como prática institucional. A experiência inaugurou uma nova forma de pensar o planejamento, na qual a Vigilância em Saúde deixa de ser apenas produtora de informações e passa a ser protagonista na orientação das decisões. Como inovação, destaca-se o uso de tecnologias leves — conhecimento, análise e escuta qualificada — como motor de mudança na gestão.

A experiência mostra que transformar a gestão a partir dos dados é um caminho possível e acessível. O primeiro passo é escolher um problema relevante, capaz de mobilizar a equipe e dar sentido ao processo — a mortalidade infantil, nesse caso, cumpriu esse papel. A partir disso, é fundamental criar espaços institucionais de análise e discussão, onde os dados possam ser interpretados coletivamente e convertidos em ação. Investir na qualificação dos profissionais e fortalecer a articulação entre vigilância e assistência são elementos-chave para o sucesso da estratégia. Mais do que ferramentas tecnológicas, o que sustenta a mudança é a disposição da gestão em ouvir o que os dados revelam e transformar essa escuta em decisão. Inovar, nesse contexto, é reconhecer que soluções potentes podem nascer de recursos simples, quando há intencionalidade, organização e compromisso com a melhoria do cuidado.

autor Principal

MARIA FABIANA DA SILVA NEVES

M.fabiana.rj@gmail.com

Enfermeira assessora técnica da Subsecretaria de Urgência Emergência e Gestão Hospitalar

Coautores

D’Stefano Marcondes de Lima e Silva, Henry Amaral dos Santos Lívia, Teixeira de Mattos, Márcia Cristina Ribeiro Paula

A prática foi aplicada em

Itaboraí

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Secretaria de Saúde de Itaboraí - Estrada Prefeito Álvaro de Carvalho Júnior - Nancilândia, Itaboraí - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

MARIA FABIANA DA SILVA NEVES

Conta vinculada

02 abr 2026

CADASTRO

02 abr 2026

ATUALIZAÇÃO

12 dez 2025

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

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