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A experiência foi desenvolvida no município de Itaboraí (RJ) a partir da participação no Mestrado Profissional em Saúde Coletiva do Instituto de Medicina Social Hésio Cordeiro da UERJ, realizado em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde e voltado à qualificação de servidores municipais. No âmbito da disciplina de Epidemiologia, a elaboração do estudo sobre mortalidade infantil possibilitou sua aplicação prática na gestão, desdobrando-se na implementação de uma estratégia de análise de dados no âmbito da Subsecretaria.
Ao analisar a mortalidade infantil — um dos mais sensíveis indicadores das condições de vida e da qualidade da atenção à saúde — emergiu não apenas um diagnóstico, mas a necessidade de reorganizar a assistência perinatal no território. Esse movimento ganhou ainda mais relevância ao considerar que a maternidade municipal está inserida no Hospital Municipal Desembargador Leal Júnior (HMLJ), sob coordenação da Subsecretaria de Urgência, Emergência e Gestão Hospitalar, posicionando a gestão hospitalar como elemento central na organização do cuidado materno-infantil.
Diante desse cenário, foi estruturada, no âmbito da Subsecretaria, a Estratégia de Análise de Dados para o Planejamento em Saúde, instituída como rotina institucional. Mais do que analisar números, a proposta foi transformar dados em ferramenta de gestão, aproximando a Vigilância em Saúde da tomada de decisão.
A experiência demonstrou que inovar na gestão pública nem sempre exige tecnologias complexas. Muitas vezes, basta o uso qualificado de informações já disponíveis, aliado a profissionais capacitados e gestores dispostos a escutar o que os dados revelam. Assim, a Vigilância em Saúde passa a ocupar um papel estratégico, não apenas como produtora de informação, mas como indutora de mudanças no planejamento e na organização dos serviços.
A persistência da mortalidade infantil no município, sem redução consistente ao longo dos anos, provocou um incômodo na gestão: por que, mesmo com ampliação de acesso a serviços, os óbitos continuavam ocorrendo? Ao aprofundar a análise, tornou-se evidente que os dados existiam, mas não eram plenamente utilizados como instrumento de decisão. A ausência de uma rotina estruturada de análise limitava a capacidade da gestão em identificar prioridades e agir de forma direcionada. Foi a partir dessa inquietação que surgiu a oportunidade de transformar a mortalidade infantil em um evento sentinela, capaz de orientar o diagnóstico da situação de saúde e impulsionar mudanças na organização da rede.
A análise da mortalidade infantil revelou mais do que números: trouxe à luz fragilidades na rede de atenção e desigualdades no território. Evidenciou-se o peso da mortalidade neonatal, a centralidade da prematuridade e a maior vulnerabilidade de determinados grupos populacionais. Esses achados permitiram qualificar o olhar da gestão, subsidiando encaminhamentos estratégicos voltados à reorganização da linha de cuidado materno-infantil, à revisão de fluxos e à definição de indicadores prioritários. Mais do que respostas imediatas, a principal transformação foi a incorporação da análise de dados como prática institucional. A experiência inaugurou uma nova forma de pensar o planejamento, na qual a Vigilância em Saúde deixa de ser apenas produtora de informações e passa a ser protagonista na orientação das decisões. Como inovação, destaca-se o uso de tecnologias leves — conhecimento, análise e escuta qualificada — como motor de mudança na gestão.
A experiência mostra que transformar a gestão a partir dos dados é um caminho possível e acessível. O primeiro passo é escolher um problema relevante, capaz de mobilizar a equipe e dar sentido ao processo — a mortalidade infantil, nesse caso, cumpriu esse papel. A partir disso, é fundamental criar espaços institucionais de análise e discussão, onde os dados possam ser interpretados coletivamente e convertidos em ação. Investir na qualificação dos profissionais e fortalecer a articulação entre vigilância e assistência são elementos-chave para o sucesso da estratégia. Mais do que ferramentas tecnológicas, o que sustenta a mudança é a disposição da gestão em ouvir o que os dados revelam e transformar essa escuta em decisão. Inovar, nesse contexto, é reconhecer que soluções potentes podem nascer de recursos simples, quando há intencionalidade, organização e compromisso com a melhoria do cuidado.
Secretaria de Saúde de Itaboraí - Estrada Prefeito Álvaro de Carvalho Júnior - Nancilândia, Itaboraí - RJ, Brasil
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