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A qualificação do planejamento em saúde no âmbito municipal exige o uso sistemático de evidências para subsidiar a tomada de decisão. No município de Itaboraí (RJ), a escolha pela análise da mortalidade infantil como ponto de partida desta experiência decorre de sua relevância como indicador sensível das condições de vida e da qualidade da atenção à saúde, bem como da necessidade de reestruturação da assistência perinatal no território.
Destaca-se que a maternidade municipal está inserida no Hospital Municipal Desembargador Leal Júnior (HMLJ), unidade sob coordenação da Subsecretaria de Urgência, Emergência e Gestão Hospitalar, o que reforça a importância da atuação da gestão hospitalar na organização da linha de cuidado materno-infantil municipal. Nesse contexto foi estruturada, no âmbito da Subsecretaria, a Estratégia de Análise de Dados para o Planejamento em Saúde, instituída como rotina institucional de gestão. A estratégia integra a Vigilância em Saúde à gestão assistencial permitindo a análise sistemática dos dados, a identificação de grupos de maior risco e de fragilidades na rede de atenção. Seus resultados subsidiaram a definição de prioridades, o planejamento das ações e a tomada de decisão contribuindo para a redução de óbitos evitáveis e a qualificação do cuidado perinatal. Objetivos: Implantar e consolidar no âmbito da Subsecretaria de Urgência, Emergência e Gestão Hospitalar a Estratégia de Análise de Dados para o Planejamento em Saúde, a partir da mortalidade infantil, para subsidiar o diagnóstico situacional, a definição de prioridades e o planejamento de ações no SUS municipal.
A persistência da mortalidade infantil no município, sem redução consistente ao longo dos anos, provocou um incômodo na gestão: por que, mesmo com ampliação de acesso a serviços, os óbitos continuavam ocorrendo? Ao aprofundar a análise, tornou-se evidente que os dados existiam, mas não eram plenamente utilizados como instrumento de decisão. A ausência de uma rotina estruturada de análise limitava a capacidade da gestão em identificar prioridades e agir de forma direcionada. Foi a partir dessa inquietação que surgiu a oportunidade de transformar a mortalidade infantil em um evento sentinela, capaz de orientar o diagnóstico da situação de saúde e impulsionar mudanças na organização da rede.
A implementação da Estratégia de Análise de Dados para o Planejamento em Saúde permitiu qualificar o diagnóstico da situação de saúde e ampliar o uso de evidências na gestão municipal. Observou-se Taxa de Mortalidade Infantil média de 11,71 por 1.000 nascidos vivos, sem tendência de redução no período analisado. A análise evidenciou predominância da mortalidade neonatal, especialmente no componente precoce, e a prematuridade como principal determinante dos óbitos. Identificaram-se maiores riscos entre filhos de mães com baixa escolaridade e nos extremos da idade reprodutiva, além de inconsistência entre aumento da cobertura pré-natal e redução da mortalidade. Evidenciou-se ainda dependência da rede regional para atenção de maior complexidade. Os resultados encontrados subsidiaram encaminhamentos estratégicos para a gestão, apontando para a necessidade de priorização da linha de cuidado materno-infantil, definição de indicadores estratégicos, revisão dos fluxos de regulação e fortalecimento da Atenção Primária à Saúde como coordenadora do cuidado. A experiência contribuiu para consolidar o uso da análise de dados como ferramenta de apoio ao planejamento e à tomada de decisão no âmbito da gestão municipal.
A experiência demonstra que a implementação da Estratégia de Análise de Dados para o Planejamento em Saúde fortalece o diagnóstico da situação de saúde e qualifica o processo de tomada de decisão no SUS. A utilização da mortalidade infantil como eixo inicial permitiu identificar padrões críticos relacionados à predominância da mortalidade neonatal, à centralidade da prematuridade como determinante dos óbitos e à concentração do risco em populações socialmente mais vulneráveis. Os achados evidenciam fragilidades na qualidade e na resolutividade da atenção pré-natal, na organização da rede de atenção perinatal e na articulação regional para o cuidado de alta complexidade, além de indicarem a necessidade de fortalecimento da Atenção Primária à Saúde como coordenadora do cuidado. Ao traduzir dados em informação estratégica, a experiência contribui para qualificar o planejamento municipal, orientar a definição de prioridades e apoiar a reorganização da rede assistencial, com foco na redução de óbitos evitáveis. Ademais, estrutura uma lógica de gestão baseada em evidências com potencial de ampliação para outros indicadores e áreas prioritárias, configurando-se como estratégia aplicável e replicável no âmbito do SUS. Onde há dado qualificado há decisão mais precisa e cuidado mais efetivo.
Secretaria de Saúde de Itaboraí - Estrada Prefeito Álvaro de Carvalho Júnior - Nancilândia, Itaboraí - RJ, Brasil
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