APRESENTAÇÃO
O presente trabalho de intervenção foi desenvolvido na USF do Olho D´água, zona rural da cidade de Queimadas-PB. Deu-se início em novembro de 2023, tendo como objetivo a realização de atividades de cuidado direcionadas à primeira infância, período que corresponde aos primeiros seis anos de vida de uma criança, onde observa-se ganhos motores, cognitivos e socioemocionais. Este projeto buscou identificar quais ações ofertadas à saúde infantil desenvolvidas pela equipe da unidade em questão poderiam ser fortalecidas. A população do estudo foi composta por 10 profissionais de saúde, com nível de escolaridade médio (30%), superior (30%) e técnico (40%). Foram realizados 03 encontros com os profissionais que compõem a equipe de saúde do Olho D’Água, primeiro momento explicativo: finalidade do projeto, segundo momento: aplicação de um questionário para analisar a percepção deles acerca da atenção à saúde da criança, e em terceiro realização de capacitações. Tendo resultados positivos, uma vez que as ações de puericultura foram ampliadas no território, mediante atividades em salas de espera com os usuários e busca ativa dos faltosos. Os atendimentos de puericultura ocorrem todas as quintas-feiras com a equipe da USF, integrada a equipe eMulti.
O projeto de intervenção (PI) foi desenvolvido por duas enfermeiras e uma assistente social, a fim de viabilizar o acompanhamento às crianças do território de forma mais efetiva e qualificada.
No que se refere ao campo de pesquisa, esta foi realizada na Unidade de Saúde Básica da Família (USF) Olho D’água, localizada na Zona Rural do município de Queimadas-PB, às margens da BR 104, e uma unidade âncora de saúde no Sítio Angicos. Um território com pequenas propriedades, sendo a agricultura a principal atividade econômica, seguido do comércio local, uma escola de ensino fundamental, uma igreja católica e uma quadra poliesportiva. De acordo com dados do cadastro no Cidade Saudável, o território de abrangência da USF atende 2.517 indivíduos, sendo 895 famílias. Homens e mulheres com idades entre 0 e 10 anos são 411 pessoas, entre 11 e 40 são 1.123, entre 41 e 90 são 972, e quem apresenta mais de 90 anos são contabilizados 11 indivíduos. Já a equipe de Saúde é composta por: 01 Enfermeiro, 01 Médico, 01 Técnico em Enfermagem, 01 Cirurgião Dentista, 01 Auxiliar de Saúde Bucal e 06 Agentes Comunitário de Saúde, 01 Recepcionista e 01 Auxiliar de Serviços Gerais.
Os usuários que necessitam do atendimento das especialidades, após avaliação da equipe, são encaminhadas para central de agendamento da Secretaria Municipal de Saúde, e as marcações ocorrem de acordo com a necessidade da demanda seguindo estratificação de risco.
Levando em consideração a realidade da USF Olho D’água, em que identificou-se ausência na regularidade nas consultas de puericultura pelas famílias e centralização das consultas apenas na enfermagem. Sendo assim, considerou-se relevante realizar o projeto de intervenção, com potencialidade de proporcionar um atendimento especializado e mais humanizado, assim como também promover, com o apoio das famílias, da comunidade e dos profissionais da saúde, a efetivação do acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento infantil de maneira regular “sendo presumível a detecção precoce de alterações e possibilitando as devidas condutas em tempo hábil, com a finalidade de viabilizar a criação de oportunidades para um desenvolvimento apropriado durante toda a infância, cooperando para que seus potenciais sejam desenvolvidos, de forma a refletir positivamente por toda a vida” (Mota, 2014, apud Gauterio et. al., 2012). Assim sendo, obter um retorno qualitativo e quantitativo, tais como identificação precoce de doenças, redução de internações, e utilizando instrumentos já existentes, eliminando assim altos custos. Tendo apenas que reorganizar o fluxograma de atendimento na USF Olho D’água, julgando-se viável o desenvolvimento do estudo, e uma vigilância diária no desenvolvimento da primeira infância de acordo com as necessidades dos usuários/famílias.
OBJETIVOS
Objetivo Geral
Fortalecer e aprimorar as ações de puericultura no território da USF Olho D’Água.
Objetivos específicos
Identificar os principais problemas da assistência à puericultura no território;
Ampliar o atendimento através da puericultura odontológica;
Qualificar os profissionais sobre a importância da puericultura;
Realizar educação em saúde acerca da puericultura
METODOLOGIA
Este estudo teve uma abordagem qualitativa, enquanto objetivos apresentou-se do tipo exploratória. Os procedimentos deram-se por meio coletas de dados através de formulários, possibilitando análise de conteúdo, análise de discurso, etc.
RESULTADOS
No dia 03 de novembro de 2023, deu-se início o primeiro encontro relacionado ao Projeto de Intervenção “Ampliação das estratégias de Assistência à Puericultura no território da USF Olho D’Água, Queimadas-PB. Este encontro foi realizado na Unidade de Saúde da Família Olho D’água na qual o projeto está sendo desenvolvido, localizado na Zona Rural do Município de Queimadas. Estiveram presentes a equipe do Projeto de Intervenção, a equipe de saúde da USF, e a coordenação da Atenção Básica do Município.
O objetivo deste primeiro encontro foi apresentar a finalidade do Projeto de Intervenção à equipe participante e avaliar a adesão dos profissionais da USF em relação ao desenvolvimento das atividades a serem realizadas naquela unidade de saúde. Ao término da reunião, de forma unânime a elaboração do projeto foi visto como algo positivo para o território da unidade de saúde.
Assim, foi dado continuidade ao projeto de intervenção, e durante o período de 22 a 26 de abril de 2024 foi aplicado aos profissionais da USF um questionário simples, a fim de coletar informações e fornecer dados sobre as características do atendimento das consultas de puericultura da USF.
O questionário foi composto por questões fechadas e apenas uma aberta, auto aplicado, de forma presencial e individual na ESF, sem a necessidade de identificação pessoal do participante, realizado em dias alternados conforme cronograma e presença do profissional na USF. O instrumento teve como direcionamento as seguintes questões norteadoras: Sua USF realiza atendimento de puericultura? Quais grupos etários de criança? Em quantos dias da semana realizam atendimento de puericultura? Quem participa do atendimento de puericultura em sua USF? Quais ações são desenvolvidas em USF no cuidado às crianças na puericultura? Existem crianças que não realizam acompanhamento infantil de forma regular? Quais fatores geram interrupção no acompanhamento infantil? A equipe da USF desenvolve atividades e/ou ações sobre a importância das consultas de puericultura e captação dos faltosos?
Seguindo o critério de inclusão: pertencer a unidade de saúde pesquisada, os critérios de exclusão foram a ausência do profissional na unidade no período pré-estabelecido para a coleta dos dados e não pertencer a unidade pesquisada. Todos atenderam aos critérios de inclusão, resultando em uma participação de 100% dos profissionais. O encerramento da pesquisa se deu através da suficiência dos resultados. Vale ressaltar que antes da realização da coleta de dados, houve a explicação acerca dos objetivos da pesquisa para a efetivação do Projeto de Intervenção.
De acordo com a interpretação dos profissionais e no que concerne a análise dos questionários, foi possível identificar os seguintes dados:
Grupo etário de atendimento: Na USF Olho D´água são realizados atendimentos de puericultura para os grupos na faixa etária de menores de 12 meses a 72 meses, sendo menores de 12 meses o maior grupo atendido.
Dias de atendimento da puericultura: Seguindo o cronograma de atendimento da USF, um dia da semana é destinado para o acompanhamento infantil.
Identificando assim que, no âmbito local não há diferentes cenários de agendamento e atendimento das consultas de puericultura, apresentando agendas de consultas menos flexíveis e fragmentadas em turnos, dias e horários específicos. A dinâmica local de marcação e atendimento segue um padrão organizacional determinado pela Unidade de Saúde da Família (USF), e não pelas necessidades do território.
Uma organização inflexível no cronograma de consultas de puericultura na APS dificulta a acessibilidade ao cuidado infantil, contribuindo para incompatibilidades entre os serviços locais e a rotina social das famílias para aderirem às consultas. Estudos ratificam que a oferta de consultas de APS em horários e dias específicos limitam a assiduidade do acompanhamento infantil, o que exige a reorganização de estratégias de marcação com agendas mais flexíveis (Rezer; Souza; Faustino, 2020; Goes et al., 2018; Rezer et al., 2020).
Quando questionados em relação aos profissionais que realizam o atendimento de puericultura, no que diz respeito ao reconhecimento destes profissionais, os participantes mencionaram o enfermeiro, seguido do médico clínico/família, odontólogo, técnico de enfermagem e Agente Comunitário de Saúde.
Diante disso percebeu-se que as consultas de puericultura ream realizadas predominantemente pelo enfermeiro da USF. A centralização do atendimento aos profissionais da enfermagem compromete possibilidades de um cuidado interprofissional e colaborativo na USF. Alguns estudos destacam que o acolhimento das crianças realizado por toda a USF fortalece a relação entre usuários e profissionais, e a continuidade do acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil (Soares et al., 2016; Tavares et al., 2019; Soares et al., 2016 apud Silva PLR da, Aleluia ÍRS, Santana AF de, Ribeiro LT 2024).
Ações desenvolvidas durantes as consultas de puericultura: Segundo os profissionais as principais ações desenvolvidas durante as consultas de puericulturas realizadas por eles na USF Olho D’água são: diagnóstico e tratamento de problemas clínicos em geral, diagnóstico e tratamento de problemas de saúde bucal, diagnóstico e tratamento de problema de saúde mental, imunização, prevenção de anemia, prevenção de violência, promoção ao aleitamento materno e hábitos alimentares saudáveis.
Em relação a oferta de triagem neonatal (Teste do Pezinho, Coraçãozinho, Olhinho e Orelhinha) são disponibilizados e realizados na Policlínica Municipal, obedecendo a organização e o fluxo de assistência municipal.
Baixa adesão às consultas de puericultura: Quando questionados se existem crianças na USF que não realizam acompanhamento infantil de forma regular, 100% dos profissionais responderam que sim, dificultando assim o acompanhamento integral da criança conforme calendário do Ministério da Saúde. Segundo os profissionais da USF, os seguintes fatores que geram interrupção regular das consultas de puericultura são principalmente os afazeres diários dos responsáveis pelas crianças, esquecimento, distância geográfica da USF e as residências (considerando ser uma área rural e extensa), e principalmente a crença que criança saudável não precisa de acompanhamento de saúde.
Com relação às ações desenvolvidas pela USF sobre a importância das consultas de puericultura: Por último foi analisado quais atividades e/ou ações são desenvolvidas pela Unidade de Saúde da Família acerca da importância das consultas de puericultura e captação dos faltosos, sendo atividades em sala de espera a única mencionada pelos profissionais, corroborando que há limitação das ações em educação em saúde.
Diante do exposto o questionário supracitado possibilitou de forma objetiva e pontual fornecer conhecimento sobre o funcionamento e organização dos atendimentos de puericultura na USF Olho D’água (conforme tópicos descritos acima), possibilitando dessa forma destrinchar desafios e possibilidades desses atendimentos, a partir disso norteou as atividades desenvolvidas para melhoramento das ações no território. Percebeu-se a necessidade de descentralizar o atendimento de puericultura para a equipe multidisciplinar da unidade e de maneira complementar integrar a equipe eMulti (Equipes Multiprofissionais na Atenção Primária em Saúde), se fez necessário também mais de um tipo de ação para captação dos usuários às consultas, e que tudo isso é possível através da capacitação permanente profissional e educação continuada em saúde.
Sendo assim, mediante o principal objetivo do Projeto de Intervenção que é fortalecer e aprimorar as ações de puericultura no território da USF Olho D’Água, iniciaram as ações com atividades em sala de espera a fim de conscientizar a população acerca da importância do acompanhamento regular às consultas de puericultura. Foi realizada pela equipe do PI a primeira ação, que consistiu em uma palestra na sala de espera enquanto os usuários aguardavam atendimento, bem como a distribuição de panfletos acerca do tema. Nesses momentos são esclarecidos em que consiste a puericultura, sua importância, público alvo, além de esclarecimentos de dúvidas dos usuários. Também é realizada a exibição de vídeos acerca da temática, como recurso e material didático para auxiliar no processo de educação em saúde. O vídeo “Apurando o olhar para a vigilância do desenvolvimento infantil” Brasil (2018), apresenta recomendações de vigilância do desenvolvimento na faixa etária de 0 a 36 meses, possibilitando a reflexão sobre os marcos de desenvolvimento nos primeiros anos de vida e a importância de manter uma rotina de consultas para o acompanhamento dessas fases.
O uso de vídeos em sala de espera enriquece o processo de aprendizado, o vídeo é uma forma de atrair e manter a atenção dos usuários, a associações com diferentes tipos de recursos (áudio, animação, texto, imagens etc) e possibilitou a sensibilização, despertando curiosidade e motivação acerca do conteúdo exibido.
Por conseguinte, foi promovido pelo grupo do projeto a qualificação com os profissionais, a fim de capacitar a equipe da USF acerca da puericultura. Estiveram presentes a Médica, 05 Agentes Comunitário de Saúde, a Dentista, a Auxiliar de Saúde Bucal, a Recepcionista, Auxiliar de Serviços Gerais, e a Enfermeira da Unidade. Iniciou-se apresentando a finalidade do encontro e salientando a importância de sempre manter a discussão acerca da temática para melhor assistência. Foi desenvolvido um material gráfico, impresso e distribuído aos participantes para nortear a discussão, todas as informações contidas no material foram consolidadas por meio de pesquisas na plataforma do Ministério da Saúde. De forma unânime os participantes expressaram palavras positivas, e que as informações contribuirão de maneira significativa para o melhoramento da assistência de puericultura no território.
Neste sentido, após capacitação profissional e compreendendo o trabalho multiprofissional, foi retomado na unidade às consultas de puericultura odontológica, iniciando as ações em 25 de julho de 2024, realizando consultas individuais concomitantemente às consultas de puericultura de enfermagem e/ou médica. A puericultura odontológica seguiu o mesmo protocolo de consultas e acompanhamento durante primeiro ano de vida conforme literatura, as principais condutas durante as consultas foram de orientações no que diz respeito ao processo de sinais e sintomas da erupção dentária, que ocorre por volta do 6º mês de vida, época ideal para introdução alimentar, hábitos nocivos como uso de chupeta e bico, período que deve ser iniciado a higiene oral, e orientações sobre o surgimento de cáries.
Também após a capacitação profissional e entendendo que as ações educativas vão além do atendimento clínico, e que as questões epidemiológicas e sociais precisam ser focalizadas, foram realizadas em sala de espera palestras sobre introdução alimentar com a nutricionista, e vínculos afetivos/emocionais e direitos das crianças pela psicóloga e a assistente social na qual também faz parte do PI. Todas compõem a equipe eMulti do município.
Através dessas ações desenvolvidas e citadas acima foram alcançados os objetivos do projeto de intervenção na USF Olho D’água, observando que através do trabalho multidisciplinar há uma promoção mais integral voltada ao cuidado na primeira infância, ampliando e fortalecendo as ações de puericultura no território, assim como também aumentando a adesão nas consultas, concluindo que diante dos resultados obtidos o projeto terá continuidade na USF.
CONCLUSÃO
O presente projeto de intervenção buscou, através da análise dos atendimentos de puericultura na USF Olho D’Água, identificar o que poderia ser aperfeiçoado com intuito de qualificar as ações ofertadas à saúde infantil desenvolvidas pela equipe da unidade em questão.
Nesta conjuntura, a puericultura apresenta-se como instrumento essencial para o acompanhamento da saúde da criança e a promoção do crescimento e desenvolvimento saudáveis, por meio de orientações sobre a importância do aleitamento materno, incentivando e encorajando sua prática exclusiva, explicando sobre a atualização do calendário vacinal conforme preconiza o Ministério da Saúde, as condições de higiene, bem como a prevenção de acidentes, a visita puerperal em tempo oportuno.
Foram realizados encontros com os profissionais que compõem a equipe de saúde do Olho D’Água, no primeiro momento para explicar sobre o presente projeto de intervenção, em seguida foi aplicado um questionário para analisar a percepção deles acerca da atenção à saúde da criança, e por último realizou-se o momento da capacitação. Executou-se também momentos de educação em saúde, mediante salas de espera com os usuários. Paralelamente ocorriam os atendimentos de puericultura, às quintas-feiras, pela equipe da USF com integração da equipe eMulti (nutricionista, assistente social e psicóloga).
Observou-se de maneira positiva a implantação do projeto de intervenção, possibilitando qualidade na assistência às crianças atendidas na USF Olho D’Água, no qual foi trabalhado junto com a comunidade a importância da puericultura e assistência prestadas à primeira infância, em que foram alcançados os objetivos e conclui-se que será dada continuidade ao Projeto de Intervenção, já que tem fortalecido de forma positiva e significativa a rede de cuidado no território.
Ausência na regularidade nas consultas de puericultura pelas famílias e centralização das consultas apenas na enfermagem.
Através dessas ações desenvolvidas e citadas acima foram alcançados os objetivos do projeto de intervenção na USF Olho D’água, observando que através do trabalho multidisciplinar houve uma promoção mais integral voltada ao cuidado na primeira infância, ampliação e fortalecendo das ações de puericultura no território, assim como também aumentando a adesão nas consultas, concluindo que diante dos resultados obtidos o projeto está tendo continuidade na USF.
Para facilitar a implementação destas práticas e/ou outras é necessário que haja comunicação entre gestão, comunidade e equipes de saúde, sugerimos que haja sempre diálogo, encontros/reuniões de alinhamento entre gestão municipal e equipes de saúde a fim de ouvir e entender as necessidades da comunidade.
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