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O grupo terapêutico “Afeto em 4 Patas” foi desenvolvido no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) do município de Queimadas-PB, configurando-se como uma estratégia inovadora no cuidado em saúde mental. A proposta insere atividades assistidas por cães como recurso terapêutico, contribuindo para a promoção do cuidado integral e humanizado de usuários com transtornos mentais graves e persistentes.
A iniciativa parte da compreensão de que práticas integrativas e relacionais favorecem o fortalecimento de vínculos, a expressão emocional e a ampliação das possibilidades terapêuticas no contexto da Rede de Atenção Psicossocial. O uso do animal como co-terapeuta possibilita a construção de um ambiente mais acolhedor, facilitando a adesão ao tratamento e a participação nos grupos.
A partir de escutas qualificadas, identificou-se que muitos usuários possuíam vínculo afetivo com animais de estimação, porém apresentavam dificuldades relacionadas ao cuidado e manejo desses animais. Diante disso, o projeto ampliou sua proposta, incorporando ações educativas e intersetoriais, em parceria com a Faculdade Rebouças, no município de Campina Grande-PB, promovendo a relação entre cuidado de si e cuidado com o outro.
Esse projeto tem como objetivo geral promover a humanização do cuidado em saúde mental por meio de atividades assistidas por cães, fortalecendo vínculos, autonomia e participação dos usuários, e objetivos específicos, favorecer a integração social e a interação entre usuários; estimular autonomia, responsabilidade e expressão afetiva; promover educação em saúde relacionada ao cuidado com animais e desenvolver ações intersetoriais que ampliem o cuidado para além do CAPS.
Trata-se de um relato de experiência, desenvolvida no CAPS de Queimadas-PB, que atualmente conta com 746 usuários ativos, de acordo com o último levantamento realizado. Inicialmente, foi realizada uma assembleia com os usuários para apresentação da proposta do grupo terapêutico, construção coletiva do nome “Afeto em 4 Patas” e pactuação da participação.
Foram definidos como critérios de inclusão usuários em regime intensivo, com dificuldades de interação social, embotamento afetivo, lentificação psicomotora, sedação medicamentosa e fragilidade no vínculo com a equipe. As atividades ocorrem semanalmente, conduzidas por profissional de psicologia, utilizando os cães como co-terapeutas em intervenções como caminhadas terapêuticas, momentos de interação e cuidado com os animais, rodas de conversa e atividades voltadas à responsabilização e afeto. A partir do envolvimento dos participantes, o projeto foi ampliado para ações intersetoriais, incluindo a realização de uma feira de adoção em parceria com a Secretaria de Agricultura, Faculdade Rebouças e a ONG “Animais sem Fome”. Durante o evento, foi ofertado o “Vet na Comunidade”, com atendimentos veterinários gratuitos, orientações sobre cuidados com os animais e incentivo à adoção responsável.
A implementação do grupo terapêutico evidenciou impactos positivos no cuidado em saúde mental, destacando a melhora na interação social, redução do isolamento, aumento da participação nas atividades e fortalecimento do vínculo entre usuários e equipe. O ambiente mais acolhedor e menos centrado no modelo clínico tradicional favoreceu a expressão de sentimentos e o compartilhamento de experiências.
A interação com os cães contribuiu significativamente para o aumento da autoestima, sensação de pertencimento e valorização pessoal, além de estimular atitudes de cuidado, responsabilidade e empatia. Observou-se também maior cooperação entre os participantes e fortalecimento dos vínculos interpessoais.
A ampliação do projeto para o território, por meio da feira de adoção e do “Vet na Comunidade”, potencializou ainda mais seus resultados, promovendo a aproximação entre CAPS e comunidade, reduzindo barreiras e fortalecendo a imagem do serviço como espaço aberto e integrado. A ação possibilitou a adoção responsável de animais, incluindo a cadela “Ritalina”, que passou a integrar o cotidiano do CAPS, sendo cuidada coletivamente pelos usuários e equipe, fortalecendo o sentimento de pertencimento e corresponsabilização.
Os atendimentos veterinários ofertados ampliaram o alcance do projeto, promovendo educação em saúde e cuidado com os animais, além de reforçar a proposta intersetorial da iniciativa.
A experiência do grupo terapêutico “Afeto em 4 Patas” evidencia o potencial das atividades assistidas por cães como estratégia eficaz de humanização no cuidado em saúde mental. A utilização do animal como recurso terapêutico contribuiu para o fortalecimento de vínculos, ampliação da participação dos usuários e melhoria de aspectos emocionais e sociais. A incorporação de ações intersetoriais, como a feira de adoção e os atendimentos veterinários, ampliou o impacto do projeto, fortalecendo a relação entre serviço e comunidade, promovendo inclusão social e consolidando o CAPS como espaço de cuidado ampliado e integrado ao território. A experiência demonstra que práticas inovadoras, sensíveis e centradas nas relações têm grande potencial de transformar o cuidado em saúde mental, sendo recomendada sua continuidade e expansão como estratégia complementar no âmbito do SUS.
Queimadas, PB, Brasil
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