favor seguir as recomendações abaixo:
O projeto surgiu no contexto do sistema prisional de Foz do Iguaçu, com 6 unidades (incluindo uma feminina), atendendo cerca de 3.978 PPL em setembro de 2025, dos quais 40-51 vivem com HIV (prevalência de 1,14-1,28%). Iniciado como atendimentos presenciais em 2019, adaptou-se à pandemia de COVID-19 com telemedicina via plataforma MyMedi (gratuita inicialmente) e depois RP Saúde, retornando parcialmente ao presencial em 2025, mantendo remoto para casos que requeira atendimento imediato com especialistas. Alinha-se a intervenções estruturais para prevenção combinada de HIV/AIDS, priorizando populações vulneráveis no SUS.
Objetivos
Objetivo Geral: Garantir continuidade do acompanhamento médico a PPL com HIV/AIDS via telemedicina, superando barreiras físicas e temporais para controle viral e qualidade do cuidado prisional.
Objetivos Específicos:
• Viabilizar acesso seguro a atendimentos especializados, evitando escoltas e riscos.
• Promover exames periódicos (CD4, carga viral, laboratoriais).
• Manter adesão à TARV, alinhado a metas UNAIDS (supressão viral ≥90%).
• Integrar equipe multiprofissional (médico, enfermeiros, segurança).
• Reduzir riscos de contaminações e humanizar o atendimento.
O principal problema identificado para o desenvolvimento da experiência foi a ausência inicial de regulamentação e infraestrutura adequada para a telemedicina, agravada pelo advento da pandemia de COVID-19, que resultou no isolamento de pessoas privadas de liberdade (PPL) e na interrupção potencial dos cuidados em saúde contínuos. Essa limitação foi superada por meio de uma solução inicialmente temporária — a adoção de plataformas digitais gratuitas como o MyMedi —, que se consolidou como estratégia permanente, garantindo a manutenção da adesão ao tratamento antirretroviral (TARV) mesmo durante o afastamento da médica responsável da cidade para realização de doutorado, com ela atuando remotamente de outro estado. As populações prisionais enfrentam elevada vulnerabilidade ao HIV, com risco desproporcionalmente alto em relação à população geral, apesar de prevalência relativamente baixa (1,14-1,28%) quando comparada a estudos nacionais e internacionais; não foram registradas transmissões intramuros nos últimos cinco anos. A justificativa da iniciativa reside na otimização de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), na redução de custos logísticos associados a escoltas e deslocamentos externos, e no fortalecimento das estratégias de prevenção combinada, alinhadas às diretrizes do Programa Nacional de IST/AIDS e metas do UNAIDS.
Desde o início do projeto em 2019 até o momento atual, foram realizados acompanhamentos médicos para 40-51 pessoas privadas de liberdade (PPL) vivendo com HIV, representando prevalência de 1,14-1,28% em população prisional de 3.978 indivíduos em Foz do Iguaçu, com 93,75% mantendo carga viral indetectável. Não houve necessidade de remoções externas ou hospitalizações, com receptividade positiva à telemedicina, fortalecendo vínculos entre profissionais e pacientes mesmo durante a pandemia, evitando exposições desnecessárias à COVID-19 e atrasos em consultas. Os dados coletados, alinhados às diretrizes do SUS e QualiAIDS, revelaram acesso a teleconsultas de 100% entre PPL vinculados ao SAE, taxa média de 93% de supressão viral (<1.000 cópias/mL) após seis meses de acompanhamento remoto, e retenção de 100% sem abandono durante a transição digital. O intervalo entre consultas foi de 6 meses, sem eventos adversos ou complicações registradas, com taxa de resolução de demandas de 100% exclusivamente via telemedicina; satisfação avaliada por inquérito indireto indicou alta aceitabilidade e resolução de queixas clínicas.mA iniciativa otimizou recursos do SUS ao eliminar custos com escoltas e logística, ampliando cobertura de prevenção combinada (testagem, TARV, PrEP/PEP), reduzindo estigma e promovendo humanização no ambiente prisional. Foi divulgada em artigo no Jornal Brasileiro de DST (DOI: 10.5327/DST-2177-8264-20213332)
A constituição de equipes multiprofissionais, abrangendo médicos, enfermeiros e agentes de segurança, é essencial para a organização de fluxos integrados, escalas de atendimento e facilitação da comunicação, assegurando continuidade mesmo em cenários de afastamento de profissionais-chave. O treinamento específico em tecnologias da informação (TI) deve ser priorizado desde a fase inicial, com ênfase em conectividade estável, segurança de dados e familiarização com plataformas digitais, minimizando barreiras técnicas.
Recomenda-se a adoção inicial de soluções acessíveis e gratuitas, como a plataforma MyMedi, como medida transitória, enquanto se avançam processos de regulamentação e investimentos institucionais em infraestrutura tecnológica prisional, promovendo a transição para sistemas próprios e integrados, como o RP Saúde.
Monitoramento e Avaliação de Impacto
Instituir monitoramento sistemático de indicadores de adesão terapêutica (ex.: contagens de CD4 e carga viral), equidade no acesso e satisfação dos usuários por meio de inquéritos indiretos permite ajustes iterativos e validação da aceitabilidade, favorecendo a consolidação do modelo híbrido (presencial/remoto) mesmo após restrições sanitárias.
Considerações Finais para Escalabilidade
A priorização de populações vulneráveis, alinhada às diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) e metas do UNAIDS, otimiza recursos logísticos, reduz custos com escoltas e fortalece a prevenção combinada; a divulgação científica (ex.: artigo no Jornal Brasileiro de DST) é aconselhada para disseminação e validação institucional.
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