Rede de hortos agroflorestais medicinais biodinâmicos

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Marcos Antonio Trajano Ferreira

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A Rede de Hortos Agroflorestais Medicinais Biodinâmicos (RHAMB) articula saúde, educação e meio ambiente, com princípios da Agroecologia e da Agricultura Biodinâmica, a partir do cultivo de plantas em equipamentos públicos do Sistema Único de Saúde do Distrito Federal (DF), por meio de atividades comunitárias de Promoção da Saúde. A concentração de renda no DF expõe grande parte da população a condições precárias de vida, sob insegurança alimentar e nutricional e injustiça ambiental, em uma sistemática agressão às paisagens do Bioma Cerrado. Neste contexto, o primeiro Horto Agroflorestal Medicinal Biodinâmico (HAMB) foi implantado na Unidade Básica de Saúde do Lago Norte, com o intuito de promover saúde a partir do cultivo de plantas medicinais e plantas alimentícias convencionais e não convencionais (PANC), de modo a produzir cuidado no campo da saúde mental, articulando a vigilância e a assistência à saúde. A partir de emendas parlamentares, houve as primeiras ofertas de Educação Permanente (EP), uma especialização em 2021 e, posteriormente, criou-se uma estratégia a partir do Aperfeiçoamento em HAMB, em parceria com a Escola de Governo da Fundação Oswaldo Cruz, em Brasília. Entre 2022 e 2026 foram ofertadas 4 turmas do aperfeiçoamento, com mais de 170 servidores da SES-DF formados e com a implantação de 52 HAMB em uma expansão intra e intersetorial para unidades de saúde, escolas e CREAS, dentre outros. Assim, em cada HAMB, são promovidos mutirões comunitários semanais para manejo (preparo de solo, plantio/semeadura, podas/colheitas de plantas medicinais, alimentícias e PANC), palestras e oficinas. A maioria dos HAMB do DF está implantada na periferia de Brasília, em territórios marcados pelo racismo e pela injustiça social, como áreas desprovidas de árvores e parques, no contexto de pântanos e desertos alimentares, com alta prevalência de arboviroses, problemas de saúde mental e apartheid alimentar. Assim, usuários e trabalhadores da saúde se encontram para cuidar do solo com agroflorestais biodinâmicas que produzem alimentos e plantas medicinais em ambientes saudáveis, sustentáveis, seguros, sagrados e solidários. A RHAMB é uma inovação para o DF e para o Brasil que promove autonomia e vínculos comunitários em torno do debate das mudanças climáticas e da importância do meio ambiente para a saúde das pessoas. A experiência está fortemente presente na Atenção Primária à Saúde (APS) e em hospitais, Casa de Parto, CAPS, unidades da vigilância, escolas e CREAS. Desenvolver uma metodologia dinâmica que promovesse a participação dos usuários, o engajamento dos trabalhadores e o comprometimento dos gestores é o principal aprendizado. A busca por fortalecer a intersetorialidade é um desafio que vem sendo superado ano após ano. Por isso, a RHAMB é estratégica para manter viva a chama da Reforma Sanitária.

A concepção dos Hortos Agroflorestais Medicinais e Biodinâmicos (HAMB) começou em 2018, a partir da iniciativa de um médico de família na Unidade Básica de Saúde (UBS) nº 1 do Lago Norte, em Brasília. O objetivo foi implantar um horto comunitário para produzir Insumo Farmacêutico Ativo Vegetal (IFAV) e promover educação em saúde e ambiental. O projeto, que contou com a participação comunitária, consolidou-se como dispositivo tecnoassistencial para a promoção e educação em saúde, educação ambiental e espaço de fortalecimento comunitário.

A Rede de Hortos Agroflorestais Medicinais Biodinâmicos (RHAMB) do Distrito Federal vem consolidando uma estratégia inovadora de promoção da saúde, cuidado integral e fortalecimento comunitário, articulando saúde, agroecologia, alimentação saudável, sustentabilidade e participação social.
1. Formação e qualificação dos trabalhadores
Foram realizados quatro processos formativos no âmbito do Curso de Especialização em HAMB, que, até o final de 2026, terão sensibilizado e qualificado mais de 160 gestores e trabalhadores da saúde. Essa iniciativa fortalece a compreensão dos hortos como dispositivos assistenciais, capazes de ampliar as práticas de cuidado e promover uma cultura de saúde integral nos territórios.
2. Expansão territorial e enfrentamento das desigualdades socioambientais
Das 36 Regiões Administrativas (RAs) do Distrito Federal, 25 já contam com HAMB implantados, o que representa uma cobertura de 69,4%.
Considerando o Índice de Vulnerabilidade Social (IVS-DF 2021), disponível para 24 dessas RAs, 13 (54,2%) estão localizadas em territórios com vulnerabilidade social média, alta ou muito alta. São sete RAs na faixa média, que concentram 21 hortos; quatro na faixa alta, com cinco hortos; e duas na faixa muito alta, com quatro hortos. Ao todo, 30 dos 53 hortos com IVS calculado (56,6%) estão situados nessas três faixas de vulnerabilidade.
Esses dados demonstram que mais da metade da rede está presente em territórios com importantes fragilidades sociais, reforçando o papel dos HAMB como estratégia de promoção da saúde, redução das desigualdades socioambientais e fortalecimento comunitário.
3. Institucionalização e fortalecimento da governança
A RHAMB foi formalizada por meio da Portaria SES-DF nº 137/2026, representando um avanço fundamental para o reconhecimento institucional da rede, sua organização, sustentabilidade e ampliação das ações no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
4. Inovação nas práticas de cuidado e promoção da saúde
Uma das principais inovações da experiência é compreender os hortos não apenas como espaços de cultivo de plantas medicinais, mas como territórios vivos de cuidado, aprendizagem, convivência e transformação socioambiental.
A maioria dos HAMB está implantada em áreas periféricas de Brasília, marcadas por desigualdades socioambientais, escassez de áreas verdes, presença de desertos e pântanos alimentares, além de elevada prevalência de arboviroses e problemas de saúde mental.
Nesse contexto, usuários e trabalhadores da saúde se encontram para cuidar do solo e das relações humanas, por meio da implantação e do manejo de agroflorestas biodinâmicas, que integram a produção de alimentos saudáveis e plantas medicinais à criação de ambientes saudáveis, sustentáveis, seguros, sagrados e solidários.
5. Lições aprendidas
A experiência demonstra que a promoção da saúde exige superar uma visão restrita e individualizada do cuidado, reconhecendo a importância dos territórios, dos vínculos comunitários e das condições socioambientais na determinação da saúde.
Entre as principais lições aprendidas, destacam-se a importância da formação permanente dos trabalhadores, da institucionalização das iniciativas, da articulação intersetorial e da participação ativa das comunidades na construção e na gestão dos espaços de cuidado.
Os HAMB mostram que é possível transformar espaços ociosos em territórios de vida, produção de alimentos, biodiversidade, convivência e promoção da saúde, fortalecendo o SUS e ampliando o direito à saúde e à alimentação adequada.

Os interessados podem entrar em contato com a SES-DF para compartilhar os desafios e conhecer o protocolo da experiência da Rede HAMB no Distrito Federal.

autor Principal

Marcos Antonio Trajano Ferreira

rhamb.df@gmail.com

Gerente de Praticas Integrativas

Coautores

Marcos Antonio Trajano Ferreira, Ximena Moreno

A prática foi aplicada em

Brasília

Distrito Federal

Centro-Oeste

Esta prática está vinculada a

SRTVN PO700 - Ministério da Saúde - Asa Norte, Brasília - DF, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Marcos Antonio Trajano Ferreira

Conta vinculada

04 nov 2026

CADASTRO

04 nov 2026

ATUALIZAÇÃO

01 jun 2018

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

Arquivos