Educação em saúde sexual e reprodutiva para adolescentes em escolas públicas

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Luana Mikaella das Neves Loureiro Maciel

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Luana Mikaella das Neves Loureiro Maciel

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O presente projeto tem como objetivo principal o de promover a educação sexual e reprodutiva no ambiente escolar e nas instituições de acolhimento, incentivando o acesso à informação, à prevenção e à busca aos serviços de saúde. Além de fortalecer o vínculo entre escolas/instituições de acolhimento, adolescentes e profissionais de saúde, promover espaço de diálogo e diminuir os riscos à saúde dos adolescentes. É desenvolvido no município de Palmares/ PE, destinado ao público adolescente das escolas públicas de ensino médio e de instituições de acolhimento. O perfil é de adolescentes de todos os gêneros e de variados contextos, incluindo menores que aguardam adoção. Em algumas instituições visitadas é notada a alta vulnerabilidade social do público assistido, quando em extramuros. Embora o município seja contemplado com 100% de cobertura pela estratégia de saúde da família, com unidades básicas distribuídas por todo o território, a não procura pelos serviços de saúde e a baixa instrução no que se refere à saúde sexual e reprodutiva são elementos bastante evidenciados nesses encontros. Vale destacar também a curiosidade dos presentes em relação à temática e a influência de tabus trazidos pela vivência de cada um. As ações são organizadas por enfermeiras integrantes da equipe da coordenação da Atenção Primária à Saúde, responsáveis por estabelecer contato com os representantes das escolas e instituições para agendamento das atividades. A metodologia do projeto é aplicada em um período de duração de 2 a 3 horas, dependendo do retorno e da contribuição do público-alvo, onde os adolescentes são os principais atores das atividades, com suas vivências, experiências e percepções valorizadas ao longo das discussões. Caixinha de perguntas e questionários são aplicados para facilitar essa interação. Não há pré-requisitos para a participação. Todos os alunos, com suas diversidades de raça/cor, gênero, classe social, orientação sexual, identidade de gênero, condições relacionadas aos capacitismos, crença ou religião são convidados e orientados a participarem, deixando um perfil bem amplo e diversificado, contribuindo para a riqueza maior do tema que é compartilhado. No momento da palestra interativa com os adolescentes, onde diversos recursos audiovisuais são utilizados (inclusive insumos relacionados com a prática em saúde, como exemplares de contraceptivos), vários assuntos da temática são abordados. São discutidos os direitos do adolescente, a prevenção de gravidez indesejada, a utilização de métodos contraceptivos, a importância do uso do preservativo, assim como informações sobre Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) e Profilaxia Pós-Exposição ao HIV (PEP). Aproveita-se o espaço para reforçar a importância da imunização para adolescentes, enfatizando a vacina contra HPV, que é ofertada, além de outros imunobiológicos pertinentes a essa faixa etária. Há também a distribuição de preservativos masculinos e femininos. E vem sendo estudada aplicação da testagem rápida de HIV, sífilis, hepatites B e C nesses locais, mas o público é orientado quanto ao Centro de Testagem e Acolhimento (CTA) que existe no município e às Unidades Básicas de Saúde que também oferecem esses procedimentos. Escuta qualificada e acolhimento individual são disponibilizados ao aluno que tiver interesse, no final da ação.

Os profissionais de saúde das Unidades Básicas de Saúde do município percebem que há uma baixa procura dos adolescentes aos serviços de saúde, no que se refere à prevenção de doenças e promoção da saúde. Diante disso, foi pensado e desenvolvido um projeto, onde ações de saúde pudessem estar mais próximas dos adolescentes. Dessa forma, viu-se que instituições de ensino e casas de acolhimento seriam locais importantes para receberem as atividades, uma vez que mantêm contato contínuo com esse público.

Até o momento, o projeto passou por 6 escolas públicas e 2 instituições de acolhimento, contemplando um público de aproximadamente 420 adolescentes. Todos tiveram acesso às palestras educativas de metodologia integrativa, responderam ao questionário de conhecimento sobre a temática abordada e tiveram acesso à caixinha de perguntas. Puderam manusear os contraceptivos disponibilizados pelo SUS e adquiriram preservativos masculinos e femininos, a livre escolha. As pessoas que se encontravam com vacinação atrasada para a faixa etária tiveram seu imunobiológico realizado. Além do exposto, os presentes foram conscientizados a buscarem os serviços de saúde mais próximo de sua residência para assegurarem a manutenção da assistência iniciada, muitas vezes, no momento da atividade do projeto. Como sempre é frisado que o adolescente tem a garantia do sigilo do profissional de saúde, percebeu-se uma diminuição da resistência nessa procura. Tendo como o problema vivenciado a não procura dos adolescentes aos serviços públicos municipais de saúde e, sendo o principal objetivo do projeto, a oferta de mais assistência à saúde para esse público, buscou-se os registros do Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), utilizado pelas equipes das Unidades Básicas de Saúde do município, com o filtro de “atendimento individual na faixa etária de 12 a 18 anos”, um parâmetro para monitorar o alcance com essa experiência. Observou-se que houve um aumento significativo com o desenvolvimento da atividade. Como fonte a base de dados do eSUS, em 2024 (ano do início do projeto) aconteceram 4432 consultas para esse público. Já em 2025, esse número subiu para 6382 atendimentos.

É de suma importância que os profissionais de saúde se aproximem desse público jovem, diminuindo barreiras e, através dos vínculos formados, dissemine orientações pertinentes para os adolescentes. Esses momentos também demonstram que as pessoas participantes das atividades tem o interesse na área trabalhada e são cientes de algumas informações, porém a cultura no ambiente em que são inseridos, em seus contextos sociais, faz com que os mesmos não sejam atentos a fatores que os levem a se dirigirem aos serviços de saúde, principalmente no que se refere à prevenção. Facilitar o acesso dos adolescentes à assistência em saúde, muitas vezes só é conseguido quando a equipe se disponibiliza a ser inserida no meio em que esses jovens vivenciam. O projeto iniciou em 2024 e permanece ativo por tempo indeterminado, dada a facilidade da sua manutenção, principalmente por não precisar de grandes recursos financeiros. Já foi incorporado à rotina das ações ofertadas pela Secretaria Municipal de Saúde, uma vez que os recursos humanos são seus próprios profissionais e os locais para alcance das atividades são escolas e instituições distribuídas pelo município. Fácil de ser replicado e ofertado em outras localidades. É percebido o desconhecimento de direitos dos adolescentes pelo próprio público, assim como a falta de conhecimento sobre os serviços ofertados pelo Sistema Único de Saúde para essa população. Dessa forma, o projeto contribui para um adolescente com mais informação e mais consciente, procurando os serviços de saúde e promovendo o Programa de Saúde do Adolescente.

autor Principal

Luana Mikaella das Neves Loureiro Maciel

luanamika@hotmail.com

Coordenadora de Saúde da Criança e do Adolescente

Coautores

Luana Mikaella das Neves Loureiro Maciel, Larissa Ribeiro da Silva, Gabriele Gomes dos Santos

A prática foi aplicada em

Palmares

Pernambuco

Nordeste

Esta prática está vinculada a

Avenida Maria Verônica de Melo - São Sebastião, Palmares - PE, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Luana Mikaella das Neves Loureiro Maciel

Conta vinculada

04 ago 2026

CADASTRO

04 ago 2026

ATUALIZAÇÃO

11 abr 2024

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

Arquivos