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A iniciativa foi desenvolvida no município de Grajaú, localizado na região central do estado do Maranhão, caracterizado por ampla extensão territorial, diversidade sociocultural e importantes desafios relacionados ao acesso aos serviços públicos de saúde e educação, especialmente entre populações jovens em situação de vulnerabilidade social. O município apresenta significativa composição populacional de adolescentes e jovens, incluindo estudantes oriundos de comunidades rurais, quilombolas e indígenas, além de predominância de população autodeclarada preta e parda, refletindo as desigualdades históricas e estruturais presentes no território.
O projeto foi implementado no Instituto Federal do Maranhão, instituição que recebe estudantes de diferentes cursos técnicos e níveis de ensino, provenientes tanto da zona urbana quanto de áreas periféricas e rurais do município e de cidades circunvizinhas. Destaca-se ainda que a localização geográfica da escola, situada em área mais afastada da região central da cidade, representa um fator adicional de dificuldade de acesso dos estudantes aos serviços especializados de saúde, especialmente aqueles relacionados à prevenção, diagnóstico e cuidado das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST).
Nesse contexto, o desenvolvimento da ação “INTEGRAJOVENS: Aconselhamento, testagem e triagem de vulnerabilidades para Infecções Sexualmente Transmissíveis” configurou-se como estratégia intersetorial de promoção da saúde, prevenção combinada e fortalecimento do cuidado integral à população jovem, aproximando os serviços de saúde do ambiente escolar e ampliando o acesso à informação, acolhimento e testagem rápida para IST.
A implementação do projeto foi motivada pela identificação de importantes barreiras de acesso dos estudantes do Instituto Federal do Maranhão às ações e serviços de saúde voltados à prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), testagem rápida, aconselhamento e vacinação. Observou-se que a instituição ainda não possuía articulação efetiva com o Programa Saúde na Escola (PSE), limitando o desenvolvimento de ações contínuas de educação em saúde e cuidado integral aos adolescentes e jovens matriculados.
Além das dificuldades relacionadas ao acesso geográfico aos serviços especializados, evidenciou-se a presença de tabus, estigmas e preconceitos associados às IST e à sexualidade, realidade frequentemente observada em municípios do interior, onde questões relacionadas à saúde sexual ainda são permeadas por barreiras culturais, sociais e religiosas. Tais fatores contribuem para o silenciamento de dúvidas, baixa procura espontânea pelos serviços de saúde e realização tardia de testagens diagnósticas, aumentando a vulnerabilidade dos jovens às IST.
Outro aspecto relevante refere-se ao perfil sociodemográfico dos estudantes atendidos, composto majoritariamente por jovens pretos, pardos, indígenas e quilombolas, grupos historicamente expostos a desigualdades no acesso às políticas públicas de saúde, educação e proteção social. Associado a isso, a localização do campus em região periférica e distante do centro urbano dificulta ainda mais o deslocamento dos estudantes até os serviços de referência, como o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA/SAE).
Diante desse cenário, emergiu a necessidade de construção de uma estratégia intersetorial entre saúde, educação e universidade, capaz de promover cuidado integral, acolhimento, prevenção combinada e fortalecimento do vínculo entre os jovens e a rede de atenção à saúde, utilizando o ambiente escolar como espaço privilegiado de promoção da saúde e redução de vulnerabilidades.
Objetivos da experiência
Geral:
Promover ações integradas de educação em saúde, aconselhamento, testagem rápida e prevenção combinada das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) entre adolescentes e jovens do Instituto Federal do Maranhão, fortalecendo o acesso aos serviços de saúde, a redução de vulnerabilidades e o cuidado integral no ambiente escolar.
Específicos:
Desenvolver ações educativas sobre prevenção combinada das IST, HIV/AIDS aos estudantes do IFMA.
Ofertar aconselhamento individual pré e pós-teste de forma ética, humanizada, acolhedora e sigilosa.
Realizar testagem rápida para HIV, sífilis e hepatites virais B e C entre os estudantes participantes da ação.
Identificar vulnerabilidades relacionadas à saúde sexual dos adolescentes e jovens.
Ampliar o acesso às estratégias de prevenção, incluindo PEP, PrEP, vacinação e uso de insumos preventivos.
Fortalecer a articulação intersetorial entre educação, serviços de saúde e universidade por meio da integração entre IFMA, SEMUS, CTA/SAE, PSE e UEMA.
Contribuir para a redução do estigma, preconceito e desinformação relacionados às IST.
Atividades desenvolvidas:
O projeto “INTEGRAJOVENS: Aconselhamento, testagem e triagem de vulnerabilidades para Infecções Sexualmente Transmissíveis” foi desenvolvido em dezembro de 2025 no Instituto Federal do Maranhão, contemplando estudantes de diversos cursos e períodos da instituição. As atividades foram executadas por meio de articulação intersetorial entre a Secretaria Municipal de Saúde de Grajaú, setores do Programa Saúde na Escola (PSE) e CTA/SAE, gestão pedagógica do IFMA e equipe extensionista da disciplina Saúde Coletiva da Universidade Estadual do Maranhão, composta por docente coordenadora e acadêmicos de enfermagem.
Inicialmente, foram realizadas reuniões de planejamento entre os atores envolvidos, definindo a execução das ações em formato de circuito integrado de cuidados. A programação ocorreu no dia 18 de dezembro de 2025, iniciando com palestra educativa no auditório da instituição sobre prevenção combinada das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e conscientização alusiva à campanha Dezembro Vermelho.
Posteriormente, os estudantes voluntários participaram de atendimento individualizado, ético e sigiloso, incluindo aconselhamento pré-teste, triagem de vulnerabilidades e orientações em saúde sexual e reprodutiva. Foram ofertados testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites virais B e C, seguidos de aconselhamento pós-teste e encaminhamentos quando necessários.
Também foram desenvolvidas ações de imunização contra hepatite B e HPV, além da distribuição de insumos de prevenção, como preservativos internos e externos, gel lubrificante e autotestes para HIV. Durante a ação, foram realizadas orientações acerca da importância da testagem periódica, prevenção combinada, PEP e PrEP. O projeto ainda fortaleceu a vinculação institucional entre IFMA, CTA/SAE e PSE, além de propor a implantação do “Cantinho da Prevenção” no ambiente escolar.
A experiência contemplou diferentes estratégias de prevenção combinada das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), integradas de forma articulada no ambiente escolar, considerando os aspectos biomédicos, comportamentais e estruturais da prevenção. Entre as estratégias ofertadas estiveram a educação em saúde, aconselhamento individualizado, testagem rápida para HIV, sífilis e hepatites virais B e C, vacinação para hepatite B e HPV, distribuição de preservativos internos e externos, gel lubrificante e autotestes para HIV, além de orientações sobre Profilaxia Pós-Exposição (PEP) e Profilaxia Pré-Exposição (PrEP).
As ações foram organizadas em formato de circuito de cuidado, permitindo que os estudantes participassem de maneira acolhedora, ética e sigilosa de todas as etapas do atendimento. A palestra inicial abordou prevenção combinada, sexualidade responsável e conscientização no contexto da campanha Dezembro Vermelho, promovendo informação qualificada e redução de estigmas relacionados às IST.
Posteriormente, os participantes receberam aconselhamento pré e pós-teste, triagem de vulnerabilidades e encaminhamento para os serviços especializados quando necessário. A integração entre escola, serviços de saúde e universidade possibilitou ampliar o acesso dos jovens às tecnologias de prevenção e fortalecer o vínculo com a rede de atenção à saúde, favorecendo o cuidado contínuo e a promoção da saúde sexual entre adolescentes e jovens.
A iniciativa foi desenvolvida no município de Grajaú, localizado na região central do estado do Maranhão, caracterizado por ampla extensão territorial, diversidade sociocultural e importantes desafios relacionados ao acesso aos serviços públicos de saúde e educação, especialmente entre populações jovens em situação de vulnerabilidade social. O município apresenta significativa composição populacional de adolescentes e jovens, incluindo estudantes oriundos de comunidades rurais, quilombolas e indígenas, além de predominância de população autodeclarada preta e parda, refletindo as desigualdades históricas e estruturais presentes no território.
O projeto foi implementado no Instituto Federal do Maranhão, instituição que recebe estudantes de diferentes cursos técnicos e níveis de ensino, provenientes tanto da zona urbana quanto de áreas periféricas e rurais do município e de cidades circunvizinhas. Destaca-se ainda que a localização geográfica da escola, situada em área mais afastada da região central da cidade, representa um fator adicional de dificuldade de acesso dos estudantes aos serviços especializados de saúde, especialmente aqueles relacionados à prevenção, diagnóstico e cuidado das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST).
Nesse contexto, o desenvolvimento da ação “INTEGRAJOVENS: Aconselhamento, testagem e triagem de vulnerabilidades para Infecções Sexualmente Transmissíveis” configurou-se como estratégia intersetorial de promoção da saúde, prevenção combinada e fortalecimento do cuidado integral à população jovem, aproximando os serviços de saúde do ambiente escolar e ampliando o acesso à informação, acolhimento e testagem rápida para IST.
A implementação do projeto foi motivada pela identificação de importantes barreiras de acesso dos estudantes do Instituto Federal do Maranhão às ações e serviços de saúde voltados à prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), testagem rápida, aconselhamento e vacinação. Observou-se que a instituição ainda não possuía articulação efetiva com o Programa Saúde na Escola (PSE), limitando o desenvolvimento de ações contínuas de educação em saúde e cuidado integral aos adolescentes e jovens matriculados.
Além das dificuldades relacionadas ao acesso geográfico aos serviços especializados, evidenciou-se a presença de tabus, estigmas e preconceitos associados às IST e à sexualidade, realidade frequentemente observada em municípios do interior, onde questões relacionadas à saúde sexual ainda são permeadas por barreiras culturais, sociais e religiosas. Tais fatores contribuem para o silenciamento de dúvidas, baixa procura espontânea pelos serviços de saúde e realização tardia de testagens diagnósticas, aumentando a vulnerabilidade dos jovens às IST.
Outro aspecto relevante refere-se ao perfil sociodemográfico dos estudantes atendidos, composto majoritariamente por jovens pretos, pardos, indígenas e quilombolas, grupos historicamente expostos a desigualdades no acesso às políticas públicas de saúde, educação e proteção social. Associado a isso, a localização do campus em região periférica e distante do centro urbano dificulta ainda mais o deslocamento dos estudantes até os serviços de referência, como o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA/SAE).
A experiência alcançou resultados quantitativos e qualitativos relevantes no fortalecimento da prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) entre adolescentes e jovens do Instituto Federal do Maranhão. Ao todo, 147 estudantes participaram da palestra educativa sobre prevenção combinada e sobre a campanha Dezembro Vermelho, demonstrando ampla mobilização da comunidade escolar.
No circuito de aconselhamento e testagem, 87 estudantes aderiram voluntariamente às atividades individuais de acolhimento, triagem de vulnerabilidades e realização de testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites virais B e C. Dos participantes, predominou 67% do sexo feminino, 82% na faixa etária de 16 a 19 anos. Entre os resultados, foram identificados dois testes reagentes para sífilis e um para HIV, possibilitando aconselhamento pós-teste e encaminhamento oportuno para acompanhamento especializado. Todos os participantes tiveram acesso aos insumos de prevenção ofertados, incluindo preservativos internos e externos, gel lubrificante e autotestes para HIV.
Os dados obtidos durante os aconselhamentos evidenciaram importantes vulnerabilidades: 78% dos participantes já haviam iniciado a vida sexual; 88% nunca tinham realizado testagem para IST; 17% relataram ter tido mais de três parceiros sexuais no último ano; 45% referiram consumo de álcool e/ou outras drogas no último ano; 31% afirmaram não utilizar preservativos nas relações sexuais e 46% relataram uso ocasional. Quanto aos motivos para não utilização de preservativos, destacaram-se a dificuldade de acesso aos insumos (35%), ausência do preservativo no momento da relação (27%), confiança na parceria sexual (21%) e recusa da parceria em utilizar o método (17%).
Observou-se ainda baixo conhecimento sobre imunização, visto que 57% não lembravam se haviam recebido vacina contra HPV e desconheciam sua finalidade. Apesar das vulnerabilidades identificadas, 80% dos participantes não se percebiam em risco para aquisição de IST, evidenciando importante lacuna de percepção de risco e necessidade de fortalecimento contínuo das ações educativas em saúde sexual.
Lições aprendidas:
A experiência evidenciou a importância da articulação intersetorial entre saúde, educação e universidade como estratégia potente para ampliar o acesso de adolescentes e jovens às ações de prevenção combinada das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Entre os principais aprendizados, destacam-se a relevância do ambiente escolar como espaço de promoção da saúde, o impacto positivo do acolhimento sigiloso e humanizado e a necessidade de fortalecer ações contínuas de educação em saúde voltadas à percepção de risco e autocuidado.
Como desafios, identificaram-se o desconhecimento dos estudantes acerca das estratégias de prevenção, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e insumos preventivos, além da persistência de tabus e estigmas relacionados à sexualidade e às IST, especialmente em municípios do interior.
Recomenda-se que iniciativas semelhantes priorizem ações permanentes no ambiente escolar, fortalecimento do Programa Saúde na Escola (PSE), implantação de espaços fixos de prevenção e ampliação do vínculo entre juventude e rede de atenção à saúde.
A experiência demonstrou potencial de sustentabilidade institucional e continuidade das ações no território, especialmente devido ao fortalecimento da articulação intersetorial entre saúde, educação e universidade. Como desdobramento da iniciativa, houve encaminhamentos para continuidade das atividades por meio do projeto de extensão da Universidade Estadual do Maranhão, além da implantação do Programa Saúde na Escola (PSE) no Instituto Federal do Maranhão, ampliando as possibilidades de desenvolvimento permanente de ações de promoção da saúde no ambiente escolar.
A experiência também fortaleceu o vínculo entre os atores institucionais envolvidos, favorecendo novas parcerias e a perspectiva de realização anual da atividade durante a campanha Dezembro Vermelho. O modelo adotado apresenta elevado potencial de replicação, podendo ser adaptado para outras escolas de ensino médio e profissionalizante do município de Grajaú e municípios circunvizinhos, incluindo escolas localizadas em zonas rurais e territórios indígenas, respeitando as especificidades socioculturais de cada contexto.
Contribuições para o SUS
A experiência contribuiu significativamente para o fortalecimento da prevenção combinada das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente entre adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social. A iniciativa ampliou o acesso dessa população às ações de educação em saúde, aconselhamento, testagem rápida, vacinação e insumos preventivos, levando os serviços de saúde diretamente ao ambiente escolar e reduzindo barreiras geográficas, sociais e culturais historicamente presentes no território.
O projeto fortaleceu a articulação intersetorial entre saúde, educação e universidade, integrando Secretaria Municipal de Saúde de Grajaú, Programa Saúde na Escola (PSE), CTA/SAE, Instituto Federal do Maranhão e Universidade Estadual do Maranhão, favorecendo a construção de redes colaborativas de cuidado integral às juventudes.
A experiência também contribuiu para redução das desigualdades em saúde ao priorizar populações jovens pretas, pardas, quilombolas, indígenas e residentes em áreas periféricas e rurais, historicamente mais vulnerabilizadas no acesso às políticas públicas. Além disso, inovou na organização do cuidado ao estruturar um circuito integrado de prevenção combinada no espaço escolar, promovendo acolhimento sigiloso, identificação de vulnerabilidades, vinculação aos serviços da rede SUS e fortalecimento do protagonismo juvenil no cuidado à saúde sexual e reprodutiva.
A experiência envolveu ampla articulação interinstitucional e mobilização de recursos humanos, materiais e logísticos. Participaram das atividades 1 docente coordenadora do projeto, 22 acadêmicos da disciplina Saúde Coletiva e 6 integrantes do projeto de extensão INTEGRAJOVENS da Universidade Estadual do Maranhão, além de 8 profissionais da Secretaria Municipal de Saúde de Grajaú vinculados à gestão, Programa Saúde na Escola (PSE) e CTA/SAE. Também estiveram envolvidos membros da coordenação pedagógica, direção do Instituto Federal do Maranhão e 5 professores da instituição.
Os recursos materiais, insumos de prevenção, testes rápidos, vacinas, transporte em micro-ônibus, além da confecção de banners, cartazes e folders educativos, foram disponibilizados pela SEMUS. O IFMA foi responsável pela estrutura física, mobilização estudantil e logística institucional. Já a UEMA coordenou a idealização, articulação intersetorial, planejamento, treinamento das equipes, reprodução de fichas e execução das atividades educativas e assistenciais desenvolvidas durante a ação.
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