Oficina de saúde sexual com a juventude indigena Xokleng

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Marília de Souza da Silveira

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Marília de Souza da Silveira

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*Território e contexto de implementação:
A ação foi realizada em outubro de 2025, na 2ª Grande Assembleia da Juventude Indigena Xokleng, na Reserva Indígena Ibirama, no município de José Boiteux, Santa Catarina, a convite da organização do evento. A reserva fica a quatro horas da capital, Florianópolis, onde fica a sede do GAPA/SC.

*Problema que motivou a iniciativa
A iniciativa surgiu a partir de uma demanda expressa pelos próprios jovens indígenas participantes da 1ª Assembleia, que identificaram a necessidade de ampliar os espaços de diálogo sobre saúde sexual e prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Diante da relevância da temática e da receptividade da ação anterior, o convite ao GAPA foi renovado para a 2ª edição do evento, incorporando também discussões sobre diversidade, apontadas pelos jovens como uma questão prioritária.
Entre os principais desafios identificados estão o preconceito e o estigma relacionados à sexualidade, às ISTs e à diversidade, fatores que podem dificultar o acesso à informação qualificada e aos serviços de saúde. Além disso, em determinados contextos culturais, o diálogo sobre sexualidade ainda encontra barreiras, limitando oportunidades de orientação, prevenção e cuidado. Nesse cenário, observou-se a necessidade de promover espaços seguros de escuta, acolhimento e troca de conhecimentos, capazes de fortalecer a autonomia dos jovens na tomada de decisões relacionadas à sua saúde e ao exercício de seus direitos. A participação do GAPA buscou responder a essas demandas, contribuindo para a redução da desinformação e para a promoção da saúde de forma culturalmente sensível e respeitosa às especificidades da comunidade indígena.

* Objetivos da experiência
Objetivo geral: Fortalecer o conhecimento e o protagonismo da juventude indígena em relação à saúde sexual, por meio de um espaço participativo de diálogo, escuta e troca de saberes, alinhado aos processos de formação política, valorização cultural e promoção da saúde.
Objetivos específicos:
-Promover informações qualificadas sobre prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e saúde sexual;
-Dialogar com os jovens sobre as demandas e realidades vivenciadas em seus territórios;
-Apresentar a Mandala da Prevenção Combinada como estratégia de educação em saúde e ampliação das possibilidades de cuidado;
-Estimular reflexões sobre autonomia, autocuidado e direitos em saúde;
-Contribuir para a construção de espaços seguros de acolhimento, participação e valorização da diversidade, respeitando os contextos culturais da comunidade indígena.

A atividade buscou responder ao entendimento dos próprios jovens de que a Assembleia constitui um espaço de empoderamento da juventude, por meio da formação política, do aprendizado, da convivência e da valorização da cultura.

*Descrição das atividades desenvolvidas
Foi realizada uma oficina participativa sobre saúde sexual direcionada à juventude indígena, abordando temas como prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), HIV, preconceito, estigma, acolhimento e acesso ao tratamento. A Mandala da Prevenção Combinada foi utilizada como ferramenta central de educação em saúde, possibilitando o diálogo sobre diferentes estratégias de cuidado e prevenção de forma acessível e interativa.
A atividade foi conduzida pela psicóloga Marília e pela estagiária de Psicologia Suelen, enquanto a organização do espaço, a mobilização dos participantes e a mediação de parte das discussões foram realizadas pela própria juventude organizadora da Assembleia, evidenciando o protagonismo juvenil na construção da atividade. O GAPA contribuiu com materiais educativos, apresentação audiovisual e distribuição de insumos de prevenção, incluindo preservativos, gel lubrificante e autotestes para HIV.
A metodologia foi adaptada às especificidades da juventude indígena, valorizando a escuta qualificada, o diálogo intercultural e o respeito aos modos de vida, saberes e práticas da comunidade. A linguagem utilizada buscou ser acessível, acolhedora e adequada à realidade dos participantes, favorecendo a participação ativa e a troca de experiências.
A oficina contou com intensa interação dos jovens, que compartilharam vivências, levantaram questionamentos e conduziram reflexões sobre formas de enfrentamento do estigma, acolhimento às pessoas vivendo com HIV e acesso à prevenção e ao tratamento. A presença de um enfermeiro da comunidade também contribuiu para o diálogo entre saberes técnicos e conhecimentos do território.
As discussões incorporaram uma perspectiva interseccional, considerando os impactos do racismo, dos preconceitos relacionados à diversidade, das desigualdades sociais e das especificidades culturais que influenciam o acesso à informação, ao cuidado e aos direitos em saúde.

*Estratégias de prevenção combinada contempladas
A experiência contemplou diferentes estratégias da Prevenção Combinada, tendo a informação e a educação em saúde como eixos centrais da intervenção. Por meio da apresentação da Mandala da Prevenção Combinada, foram discutidas as diversas formas de prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e do HIV, destacando que o cuidado em saúde deve considerar as necessidades, contextos e escolhas de cada pessoa.
Durante a oficina, foram abordadas estratégias biomédicas, comportamentais e estruturais de prevenção. Entre elas, destacaram-se o uso de preservativos, a testagem para HIV, o diagnóstico precoce, o acesso ao tratamento e a importância da redução do estigma, do preconceito e da discriminação como elementos fundamentais para a promoção da saúde e a garantia de direitos.
Como ação complementar, foram distribuídos preservativos, gel lubrificante e autotestes de HIV, ampliando o acesso a insumos de prevenção. A disponibilização dos autotestes teve especial relevância, uma vez que esse recurso não está disponível no território, despertando interesse tanto dos jovens quanto da equipe de enfermagem local.
Também foram compartilhadas orientações sobre o uso do autoteste de HIV, ressaltando sua praticidade, confidencialidade e potencial para ampliar o acesso ao diagnóstico precoce, fortalecendo o vínculo das pessoas com o cuidado e com os serviços de saúde.

*Resultados alcançados
A atividade alcançou diretamente mais de 20 jovens Xokleng, além de lideranças comunitárias, familiares e profissionais de saúde presentes na Assembleia. Embora não tenham sido realizadas testagens durante a oficina, foram distribuídos insumos de prevenção, incluindo preservativos, gel lubrificante e autotestes de HIV, ampliando o acesso a recursos pouco disponíveis no território.
Um dos principais resultados observados foi o fortalecimento do vínculo entre o GAPA e a juventude indígena, evidenciado pelo convite para participação na segunda edição da Assembleia, após demanda apresentada pelos próprios jovens na edição anterior. Esse retorno demonstra o reconhecimento da relevância da temática e da metodologia adotada.
A oficina também favoreceu a criação de espaços seguros de diálogo e escuta qualificada. Após a atividade, alguns jovens procuraram a equipe para compartilhar experiências pessoais relacionadas ao preconceito, ao estigma e às dificuldades de acesso ao cuidado em saúde. Um dos relatos destacou a necessidade de realizar o tratamento do HIV fora do território indígena, devido ao receio de discriminação, evidenciando barreiras ainda existentes para o acesso e a continuidade do cuidado.
As discussões também revelaram desafios relacionados ao conservadorismo presente em determinados contextos comunitários, incluindo situações de violência e dificuldades para abordar temas como sexualidade e diversidade. Ao trazer essas questões para o debate coletivo, a atividade contribuiu para ampliar a reflexão crítica sobre os fatores sociais e culturais que impactam a saúde, fortalecendo o protagonismo juvenil e a construção de estratégias de cuidado mais acolhedoras e inclusivas no território.

*Indicadores monitorados
Foram monitorados indicadores quantitativos e qualitativos relacionados à participação e ao engajamento dos jovens na atividade. Entre os dados coletados, destacam-se o número de participantes alcançados (mais de 20 jovens indígenas), a distribuição de insumos de prevenção (preservativos, gel lubrificante e autotestes de HIV) e os registros das principais demandas e temas levantados durante a oficina.
Também foram observados indicadores qualitativos, como o nível de participação dos jovens nos debates, a realização de perguntas sobre prevenção, tratamento e enfrentamento do estigma, além dos relatos compartilhados durante e após a atividade. Essas informações permitiram identificar barreiras relacionadas ao preconceito, às dificuldades de acesso ao cuidado e aos desafios para o diálogo sobre sexualidade e diversidade no território.
Os dados e percepções coletados foram utilizados para qualificar a atuação do GAPA junto à juventude indígena, fortalecer o vínculo com a comunidade e subsidiar o planejamento de futuras ações de educação em saúde culturalmente adequadas ao contexto local.

*Lições aprendidas
A experiência evidenciou que o respeito às especificidades culturais e a construção de relações de confiança são elementos fundamentais para promover diálogos significativos sobre saúde sexual com a juventude indígena. A escuta qualificada, a valorização dos saberes do território e a adoção de uma abordagem culturalmente sensível favoreceram a participação ativa dos jovens e a troca de experiências.
Entre os principais aprendizados, destaca-se a importância de criar espaços seguros para discutir temas frequentemente atravessados por estigma, preconceito e silenciamento, como sexualidade, HIV e diversidade. Os relatos compartilhados pelos participantes demonstraram a necessidade de ampliar ações de educação em saúde e de fortalecer estratégias de acolhimento e acesso ao cuidado nos territórios indígenas.
Como recomendação para outras iniciativas, ressalta-se a importância de envolver a própria juventude na construção e condução das atividades, promovendo o protagonismo juvenil e garantindo que as ações sejam desenvolvidas em diálogo permanente com a cultura, as lideranças e as necessidades locais.

*Sustentabilidade e potencial de replicação
A continuidade da experiência ainda enfrenta desafios relacionados à distância geográfica dos territórios indígenas e aos custos de deslocamento das equipes, o que dificulta a realização de ações regulares sem financiamento específico. Apesar dessas limitações, a receptividade da comunidade, o protagonismo da juventude indígena e os vínculos construídos ao longo das Assembleias demonstram o potencial de sustentabilidade da iniciativa.
O GAPA busca viabilizar a continuidade dessas ações por meio da captação de recursos e do desenvolvimento de projetos voltados aos povos originários, fortalecendo parcerias com lideranças, serviços de saúde e organizações locais.
A metodologia utilizada, baseada na educação entre pares, na escuta qualificada, no respeito intercultural e no uso da Mandala da Prevenção Combinada, apresenta elevado potencial de replicação e adaptação para outros territórios indígenas e comunidades tradicionais. A experiência demonstra que ações culturalmente sensíveis podem ampliar o acesso à informação, fortalecer o protagonismo juvenil e promover o cuidado em saúde de forma mais inclusiva e efetiva.

*Contribuições para o SUS
A experiência contribuiu para o fortalecimento da Prevenção Combinada no âmbito do SUS ao ampliar o acesso da juventude indígena a informações qualificadas sobre saúde sexual, HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), considerando as especificidades culturais do território. Por meio da oficina, os participantes puderam conhecer e discutir as diferentes estratégias de prevenção disponíveis no SUS, incluindo o uso de preservativos, a testagem, o diagnóstico precoce e o tratamento.
A atividade também favoreceu a aproximação entre os jovens e os profissionais de saúde responsáveis pelo território, fortalecendo o diálogo e a confiança entre comunidade e serviços de saúde. A participação da equipe local possibilitou a troca de informações sobre as necessidades da juventude e os desafios relacionados ao acesso ao cuidado.
Além disso, a experiência contribuiu para a redução de barreiras associadas ao estigma, ao preconceito e à desinformação, fatores que frequentemente dificultam o acesso à prevenção e aos serviços de saúde. Ao promover uma abordagem intercultural, participativa e centrada no protagonismo juvenil, a iniciativa reforça os princípios da equidade e da integralidade do SUS, contribuindo para a redução das desigualdades em saúde enfrentadas pela população indígena.

*Recursos mobilizados
A experiência foi viabilizada por meio da mobilização de recursos humanos, materiais e parcerias institucionais. A equipe responsável pela atividade foi composta por uma psicóloga e uma estagiária de Psicologia do GAPA, que conduziram a oficina e as ações de educação em saúde junto à juventude indígena.
Os custos de deslocamento da equipe até o território foram assumidos de forma voluntária pela própria psicóloga, demonstrando o compromisso institucional com a promoção da saúde e dos direitos das populações indígenas, mesmo diante de limitações financeiras.
Como recursos materiais, foram utilizados equipamentos para apresentação audiovisual, materiais educativos e insumos de prevenção, incluindo preservativos, gel lubrificante e autotestes de HIV. Esses insumos foram disponibilizados por meio de parceria com a Prefeitura Municipal de Florianópolis, que realiza regularmente o fornecimento de materiais de prevenção para as ações comunitárias desenvolvidas pelo GAPA.
A realização da atividade também contou com o apoio da organização da Assembleia e da juventude indígena, responsáveis pela mobilização dos participantes e pela organização do espaço.

A ação respondeu à demanda dos jovens indígenas por diálogo sobre ISTs, sexualidade e diversidade, promovendo informação, acolhimento e prevenção.

A oficina fortaleceu o vínculo com jovens Xokleng, ampliou o acesso à prevenção e promoveu diálogo seguro sobre saúde, diversidade e direitos.

Acreditamos que escutar as populações e entender com elas quais as demandas, colabora para implementação de práticas.

autor Principal

Marília de Souza da Silveira

mariliaconsultorio10@gmail.com

Psicóloga

Coautores

Marília de Souza da Silveira, Letícia Borges de Assis, Edna Cristina Siqueira

A prática foi aplicada em

José Boiteux

Santa Catarina

Sul

Esta prática está vinculada a

Rua Felipe Schmidt, 882 centro Florianópolis

Uma organização do tipo

Terceiro Setor

Foi cadastrada por

Marília de Souza da Silveira

Conta vinculada

09 jul 2026

CADASTRO

09 jul 2026

ATUALIZAÇÃO

inicio

31 out 2025

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos